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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

19
Abr11

As despedidas do rapaz do cineclube


Eremita

- Make something wonderful out of being alive!

 


 


 

O rapaz do cineclube é demasiado criativo para se despedir de nós sempre da mesma forma, mas gosta de criar tradições. Por isso, jamais repetiria o "Hey, let's be careful out there", também porque Ourique é uma vila segura e ele, como se não bastasse ser demasiado novo para ter sido marcado por Hill Street Blues, é ainda refém um snobismo intelectual algo datado que o leva a desconfiar dos produtos televisivos*. A sua matéria-prima é o cinema e a sua grande inovação ter trocado a deixa de uma cena famosa por uma frase esquecida do discurso que acompanha o trailler. Daí ele tentar o registo de barítono, de mãos apoiadas na soleira da porta, quando nós já nos dispersamos mas ainda o conseguimos ouvir. Não há uma relação óbvia entre o filme que vemos e a frase de despedida. Ontem, por exemplo, googlei o "make something wonderful out of being alive" e dei com o Two for the Road,  um filme a milhas geográficas, estéticas and otherwise do ciclo Akira Kurosawa que agora nos ocupa.

 

* Esta frase foi completamente reformulada. Gostaria também de frisar que comecei a usar notas de rodapé antes de ler DFW. Aliás, a prosa de DPW é tão estratosférica que não há qualquer perigo de algum dia lhe apanhar as manias. E a leitura de Pale King, o seu romance póstumo e inacabado, só está prevista para 2013.

09
Abr11

Pierre e Andrei (André)


Eremita

 

 

Do filme L'Offense, de Sanislas Berrier*

 

Quando Dolokhov defronta Pierre num duelo e sai gravemente ferido, ao ponto de o leitor por momentos o julgar morto, senti um enorme alívio. Atraído pela possibilidade de arrumar definitivamente uma personagem cujo nome a minha memória não consegue reter (ou separar de  Denisov), desejei tanto que o homem estivesse morto quanto ansiei pelo regresso do missing in action Andrei (André) à história. Como leitor, sou primário. Uns deformarão a obra-prima de Tolstói  com os seus preconceitos religiosos, nacionalistas, históricos ou literários. Eu consigo fazer o mesmo, mas sem ir além de simples afinidades fonéticas. Uma coisa é certa: quando chega ao livro V, o leitor está viciado no enredo e é possível ler o Guerra e Paz com a ligeireza de quem assiste a uma telenovela brasileira. Moby dick e até o Quijote exigem infinitamente mais.

 

* O tolstoiano reparará que são várias as diferenças entre esta cena e o relato do duelo no livro, mas de todas as cenas de duelos que o Youtube disponiliza, esta é a que mais se aproxima, devendo ser imaginada com nevoeiro (se o nevoeiro em Tolstói também pode fazer de pano que sobe, é sobretudo um efeito especial que convoca para a proximade do corpo-a-corpo os adversários afastados pelas convenções da luta no século XIX - o que serve para batalhas entre exércitos e para os duelos). Vai até ao requinte de incluir uma mulher no fim, que pode bem passar por Hélène, a mulher de Pierre. Uma cabra, acrescente-se.

09
Abr11

Joni Mitchell


Eremita

 

 

Se a memória não me falha, Gonçalo M. Tavares tem uma frase que não andará muito longe desta: a minha religião é o novo. Gosto muito. Porque ando a ler as mais famosas confissões (Chesterton, Tolstói, Santo Agostinho...) e a imagem que fica do pensamento religioso é a de um raciocínio fracturado em cuja fissura se injectou fé. Reduzida a cola, só snifada a fé pode inspirar. Guardo para o fim a teodiceia positiva de Sampaio Bruno, que já folheei e me pareceu escrita de um homem superiormente inteligente, mas se até Kant não conseguiu, o que devo esperar de uma celebridade local e hoje esquecida de quase todos? Daí que uma saída possível seja a transformação da religião em algo de idiossincrático, isto é, em algo inatacável. Pode ser o novo, o velho, o repetido; o importante é que seja genuíno e que a explicação não sobreviva ao seu autor. Nesse sentido, a minha religião é o acaso. Não haverá grande idiossincrasia nisto, bem vistas as coisas, mas convém esclarecer que não ando fascinado com o mistério da coincidência. O fascínio pela coincidência tem uma explicação racional. Também não fiz de Paul Auster o meu profeta - haja amor-próprio. O paralelo que encontro é com o que Herberto Helder escreveu sobre o conforto espiritual que retiramos de um estilo (vem no Os Passos em Volta, creio, mas não vou abrir o tupperware). Agora por minha conta e risco: o estilo tem três momentos; no primeiro, a criança descobre por imitação o estilo da espécie; no segundo, o adolescente procura por necessidade o estilo de um grupo; no terceiro, o homem encontra por acaso o estilo de um indivíduo. A salvação é isto. 

 

Continua (é a propósito daquela carta que chegou há uns dias).

08
Abr11

Dois artistas


Eremita

Acabo de receber o The Istanbul Manifesto. Os manifestos dos artistas costumam ser textos em que se procura compensar a fragilidade da tese com o impacto da performance e a falta de originalidade com revisionismo indulgente. Invejo-lhes o privilégio que é ganhar uma vida de adulto a escrever disparates. Mas há limites. Estes dois senhores, Leonel Moura e Henrique Garcia Pereira,  tiveram uma ideia. A ideia deles ("our idea") é fazer arte que faça arte. Parece que são os primeiros a pensar nisto, pois a única referência histórica que apontam é Duchamp e Duchamp, como sabemos, fazia outra coisa. Duchamp - Moura e Pereira. Keep it simple, but big.

 

Estes dois artistas não iluminam. O que eles fazem é apagar os holofotes que há décadas apontamos à inteligência artificial, deixando apenas um ligado, a incidir sobre o caso particular da arte ex machina. Deve ser uma nova forma de raciocinar. Chamemos-lhe indução por negligência - Induction by neglect or Ouriquense's rebuttal  to the Istambul Manifesto  (in preparation).

 

Estou tão irritado que só sobra tempo para sublinhar esta sequência: "Art is everywhere. Natural life do it. Artificial life do it too." O que é isto?  Cole Porter em Spanglish? A rebelião do corrector do Word? A gramática emergente dos autómatos? Judeu, meu amigo, vamos fazer as pazes. Como posso abdicar da tua amizade perante esta indigente exportação do pensamento criativo burocratizado? Vamos pôr essa tua máquina do movimento perpétuo a funcionar. É uma ideia bonita, artesanato intelectual genuíno, modesto, honesto. Tu fazes com as mãos, na tua oficina, o que estes dois artistas são incapazes de fazer com a imaginação. Ou então alinhamos no jogo e escrevemos uma cena que nos devolverá ao mundo. Deixa ver... Hum... Pursuing the Perpetual Motion Machine: can the aesthetization of unworkable devices rescue the quixotic quest?

 


 

08
Abr11

Uma pena não ter escrito sobre o nosso acordo ortográfico


Eremita

The argument goes like this. An English sentence's being meaningful is not the same as its being grammatical. That is, such clearly ill-formed constructions as "Did you seen the car keys of me?" or "The show was looked by many people" are nevertheless comprehensible; the sentences do, more or less, communicate the information they're trying to get across. Add to this the fact that nobody who isn't damaged in some profound Oliver Sacksish way actually ever makes these sorts of very deep syntactic errors and you get the basic proposition of Noam Chomsky's generative linguistics, which is that there exists a Universal Grammar beneath and common to all languages, plus that there is probably an actual part of the human brain that's imprinted with this Universal Grammar the same way birds' brains are imprinted with Fly South and dogs' with Sniff Genitals. There's all kinds of compelling evidence and support for these ideas, not least of which are the advances that linguists and cognitive scientists and A.I. researchers have been able to make with them, and the theories have a lot of credibility, and they are adduced by the Philosophical Descriptivists to show that since the really important rules of language are at birth already hardwired into people's neocortex; SWE prescriptions against dangling participles or mixed metaphors are basically the linguistic equivalent of whalebone corsets and short forks for salad. As Descriptivist Steven Pinker puts it, "When a scientist considers all the high-tech mental machinery needed to order words into everyday sentences, prescriptive rules are, at best, inconsequential decorations."


This argument is not the barrel of drugged trout that Methodological Descriptivism was, but it's still vulnerable to some objections. The first one is easy. Even if it's true that we're all wired with a Universal Grammar, it simply doesn't follow that all prescriptive rules are superfluous. Some of these rules really do seem to serve clarity, and precision. The injunction against twoway adverbs ("People who eat this often get sick") is an obvious example, as are rules about other kinds of misplaced modifiers ("There are many reasons why lawyers lie, some better than others") and about relative pronouns' proximity to the nouns they modify ("She's the mother of an infant daughter who works twelve hours a day").


Granted the Philosophical Descriptivist can question just how absolutely necessary these rules are, it's quite likely that a recipient of clauses like the above could figure out what the sentences mean from the sentences on either side or from the "overall context" or whatever. A listener can usually figure out what I really mean when I misuse infer for imply or say indicate for say, too. But many of these solecisms require at least a couple extra nanoseconds of cognitive effort, a kind of rapid sift-and-discard process, before the recipient gets it. Extra work. It's debatable just how much extra work, but it seems indisputable that we put some extra neural burden on the recipient when we fail to follow certain conventions. DFW

03
Abr11

Infinita mortalidade


Eremita

 

Já foi por outros tratada a angústia do leitor. Ele começa a fazer contas ao tempo de vida que lhe resta, aos livros que leu, à sua velocidade de leitura, medida em número de páginas ou centímetros de lombada por unidade de tempo, e conclui que não lhe será fisicamente possível ler tudo o que gostaria de ler. Como há alguma matemática neste exercício, talvez as gentes das humanidades falhem a estimativa e vivam numa ilusão de imortalidade, mas quem sempre acertava no ponto em que se cruzam o comboio que parte de Lisboa em direcção ao Porto à velocidade de 90 Km e o comboio que, ao mesmo tempo, sai do Porto em direcção a Lisboa a 80 Km, tem uma noção exacta do fim da linha. Em regra, esta angústia traduz-se num lamento público e, na sua forma mais criativa, o lamento gera soluções, sendo a seguinte ainda mais estapafúrdia do que a anterior: fazer um curso de leitura acelerada, abandonar os filhos, a mulher e o trabalho, contratar um actor que ande sempre ao nosso lado e nos leia ao ouvido, inventar uma engenhoca que se aplique na cabeça e coloque o livro à distância ideal, deixando as mãos livres e o ângulo de visão ainda amplo o suficiente para evitar acidentes enquanto se caminha. Na forma mais aborrecida, o leitor apenas refere os livros que leu, os que conta ler e os que provavelmente já não lerá e gostaria. Sinto esta sofreguidão com todos os autores que me parece importante conhecer, menos com David Foster Wallace. Devoro imediatamente tudo o que encontro escrito sobre ele, de que é exemplo esta recensão de The Pale King (belo título, livre de verbos), a obra póstuma e inacabada, mas consumo a sua prosa muito devagar, parecendo dar goles pequeninos no último copo de um vinho precioso. Pode ser que se trate de uma espécie de tributo, uma forma de lhe prolongar a existência, como se ele continuasse vivo enquanto houver prosa virgem por descobrir, mas eu apenas já só acredito no critério da parcimónia para decidir entre duas explicações e aprendi a desconfiar das que são belas porque me comovem. 

02
Abr11

Arctic Monkeys


Eremita

 

 

 

Faz quase um mês que a carta chegou e não tenho pensado noutra coisa, querendo com isto dizer que, sem deixar de lado outros assuntos, é sempre à carta que o pensamento regressa. Não era para mim, vinha endereçada a uma mulher de nome próprio escandinavo e apelido italiano. O endereço estava certo, não foi extravio, e andei uns dias sem saber o que fazer. O mais correcto teria sido perguntar ao dono da casa que aluguei se ele conhecia aquela mulher e se sabia onde ela agora se encontrava. Foi o que fiz, mas só quando me convenci da improbabilidade de ele me poder esclarecer; a vontade de ler aquela carta era já tão grande que ia apenas tentando erguer umas barricadas para resistir à cavalgada do remorso. Não abrir a correspondência alheia é um dos grandes ausentes dos dez mandamentos e até mais importante do que um outro ausente, o "não desperdiçarás comida", porque este ofende genericamente e aquele ofende destinatário e remetente. Ensinam-nos isto quando somos crianças, antes de termos escrito ou recebido a primeira carta, e nem nos passa pela cabeça que um dia seremos postos à prova. Vivi até ontem sem violar essa regra. 

 

O dono da casa soube apenas informar-me que a mulher de nome italiano tinha alugado aquela casa em 2007, durante uns meses, saindo em Agosto ("queixava-se do calor e o ar condicionado foi ela que comprou e instalou, você devia agradecer-lhe"). Como calculei, ele mais nada sabia sobre ela. E com alívio confirmei que ele não ficara com o seu contacto telefónico (perguntei-lhe pelo número  baixando a voz, enfiando a pergunta entre duas frases desconexas) e que mais ninguém na vila a conhecia ("ela era um pouco estranha no modo de vestir... não falava com ninguém. Creio até que era vegetariana"). A conversa só me animou durante alguns dias. Nunca duvidei que o gesto certo teria sido meter a carta dentro de uma carta, que endereçaria ao remetente e a que juntaria um bilhete explicando o meu esforço para a ajudar, rematado  com uma frase simpática e pouco indiscreta. Se há alturas em que falhamos por falta de lucidez ou de uma imaginação que encontre a solução mais justa, esta não foi exemplo.

 

Para me demover,  tentei imaginar o conteúdo que mais implicações nefastas me trouxesse, se dele tomasse conhecimento. Um bilhete suicida que me obrigasse a tomar medidas rápidas, contactar os bombeiros de Brighton, explicando-lhes de Ourique o que estaria prestes a acontecer; a confissão de um crime; o anúncio do assassínio iminente de alguém conhecido...  Afinal, talvez me tenha faltado imaginação, porque estes cenários só aumentaram a tentação. Abri o envelope com o máximo cuidado, para que o pudesse voltar a fechar sem sinais de ter sido violado. Lá dentro encontrei uma fotografia e uma única folha, manuscrita de ambos os lados numa caligrafia de mulher que não me impressionou. O texto vinha em português e inglês, não como uma edição bilingue, antes passando de uma língua à outra com facilidade, segundo um princípio que me pareceu logo óbvio: as partes em que mais se exaltava estavam em português e as partes mais descritivas e reflexivas em inglês. Não havia palavrões, nem sequer insultos educados, embora fosse uma carta de desgosto de amor e rompimento. Não retive o essencial, perdi-me logo nos pormenores: era escrita automática ou fluxo de consciência (nunca percebi a diferença, a primerira parece-me um caso extremo da segunda), cheia de interrupções no raciocínio e múltiplas referências, algumas que me eram completamente estranhas.  Para um contexto tão estereotipado, pareceu-me uma escrita invulgar,  em contraste com o gesto de separar os amantes rasgando a fotografia. Lá se via então apenas uma mulher a sorrir, abraçada pela que tinha desaparecido. Fiz como o Ray Charles: a partir do perímetro do pulso que se via tentei imaginar-lhe o corpo. Porque embora não houvesse uma forma lógica de perceber se a que ficara na foto era o remetente ou o destinatário, eu já fizera uma escolha e preferia não conhecer a cara de quem escrevera o que tinha acabado de ler, para poder gozar a curiosidade. Tudo isto aconteceu ontem.

 

Hoje, pela manhã, resolvi escrever-lhe. Senti-me um pouco Zelig, pois notei que lhe imitava o estilo, não como se tentasse um pastiche, nem sequer um pastiche falhado, era só aqui e ali um detalhe, uma escrita mais acelerada e livre, que não é a minha. Talvez fosse só por estar a ouvir os Arctic Monkeys, banda que ela conhece e cujo nome na minha cabeça soa sempre a Attic Monkeys, corruptela que deve ter a sua inevitável explicação freudiana, embora a associação a "macaquinhos no sótão" me pareça embaraçosamente infantil. Também lhe dizia mais do que se esperaria num primeiro contacto. Senti necessidade de lhe contar a verdade, mesmo sendo fácil ter deixado eliminado os vestígios do meu acto.  Não o fiz por desejo de descansar a consciência, estava ciente de que era tudo parte de um plano. Um plano que passava por me colocar em situação de inferioridade moral, que mais depressa lhe provocará uma reacção do que um gesto de civismo. É verdade que agora não me sinto muito bem e precisei de desabafar, mas a carta já está no marco do correio e os dados estão lançados. Brighton. Chovia muito no dia em que cheguei a Brighton.

 

 

 

 

 

 

 

 

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