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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

18
Mar11

Preocupações à Luiz Pacheco e outra preocupação


Eremita

Tenho 300 euros na conta, estou desempregado e esqueci-me de passar um recibo para o único trabalho pago que fiz desde que cheguei a Ourique (uma crónica para uma publicação lisboeta que me teria rendido 200 euros). Disponho ainda de um fundo de $3200 nos EUA, mas os entraves burocráticos são tantos que não sei como lhes chegar a mão.

 

É altura de apostar na agricultura de subsistência e pôr a horta a render. Também há perdizes no Cotovio e com a pontaria que consegui afinar ao longo de tantos meses a apontar a drageias, aposto que consigo matar algumas com a flóber, sem precisar de arranjar ilegalmente uma caçadeira. Em todo o caso, é sabido que a falência financeira pode ser prelúdio para a falência moral e considero seriamente a hipótese de começar a cultivar canábis (Cannabis sativa indica) na parte mais recôndita da horta, protegida de olhares indiscretos por um pequeno canavial e algumas árvores de fruto decrépitas. Mas o que me incomoda realmente nisto, afinal? A lei. Não. Estou-me cagando para a lei. Preocupa-me o que pensaria o meu avô materno.

 

18
Mar11

Tatiana temperamental


Eremita

Excluindo a cena das laranjas, que ainda me assalta, agora com redobrado sentimento de culpa e fraqueza, pois descasquei-lhe a graça natural e fiquei só com a leitura literal daquela silhueta de pin-up, pouco mais pude inferir sobre a personalidade de Tatiana. Os nossos diálogos nunca aconteceram a mais de dois metros da caixa registadora e foram sempre banais. Quando espreitei o seu quarto, pouco pude aprender. E a convicção de que ela era vítima de violência doméstica, depois daquele mês louco por Espanha no encalço de Igor, agora parece-me uma memória plantada. Já não tenho certezas sobre nada. Mais de dois anos a pensar nesta mulher em regime de exclusividade e o que resta é um vazio. Talvez por isso ainda me surpreenda. Hoje, no Pingo Doce, vi Tatiana irritada com uma colega, corada, quase colérica, passando do português, que já não lhe custa mas não sobra para indignações, a um ucraniano de militar que repreende um batalhão. Depois acalmou-se, sorriu com profissionalismo para o cliente que estava à minha frente e voltou a sorrir para mim. Não sei se ainda era o mesmo sorriso mecânico ou se o meu rosto, já familiar, lhe trouxe alguma sensação acrescida. Tolstói é que é bom a destrinçar sorrisos.

17
Mar11

Dois breves apontamentos de leitura


Eremita

 

A escrita de Tolstói funciona melhor nos salões da alta sociedade do que no campo de batalha. Nos salões, pode ir de um daqueles longos planos à Robert Altman até um close-up à Cassevetes, mas no terreno de batalha as grandes imagens de conjunto e as cenas de acção falham sistematicamente, resultando apenas as descrições de pormenor e em grande proximidade. A culpa não é de Tolstói, é da populariadde do cinema e da televisão. Quem vê os minutos iniciais de Saving Private Ryan passa imediatamente à condição de veterano de guerra a custo zero, pelo menos no que respeita à informação visual. A escrita nada pode fazer contra isto, seria o mesmo que pedir o K.O. de um peso-pesado a um peso-pluma. Onde a escrita ganha à imagem é quando entra na cabeça das personagens. Se a voz-off no cinema soa quase sempre bizarra e é um recurso de alguma maneira desonesto, na escrita é perfeitamente natural  e no campo de batalha o efeito resulta muito bem, como se só o crânio pudesse ser a caixa-de-ressonância dos tiros de canhão.

 

Um tique de escrita que muito me diverte em Tolstói é o de oferecer várias opções ao leitor, sempre em discurso directo, para ajudar a perceber uma determinada acção ou expressão facial. Fica ao critério de cada um concluir se Tolstói  se revela incapaz de se decidir pela melhor opção ou se  investe propositadamente nas opções múltiplas, ou seja, se é por narcisismo ou virtuosismo justificado. Deste recurso ao discurso directo emerge um paralelo que compara versões extremadas de um mesmo recurso. Ou o seu bom e mau uso, se quisermos. Este contraste cristaliza-se no uso de duas palavras. Na tradução que leio (em inglês), as opções apresentadas por Tolstói são separadas por "or", que transcende a sua simples função de conjunção, assumindo pela sua precisão lógica o papel de operador booleano, e nisso contrastando com o "like" usado pelos adolescentes americanos para o mesmo efeito. No fundo, creio que me diverte esta associação entre a forma de escrever de um dos mais conceituados escritores da história da literatura e a degenerescência do inglês dos jovens americanos que é o processo de gramaticalização em curso do "like" para introduzir um discurso directo,  seguramente um dos mais baixos pontos na tradição oral desde que há registos fonográficos e talvez até desde o Homo erectus.

 

16
Mar11

Tribalismo Y


Eremita

No Câmara Clara da semana passada, após um titânico esforço para não me concentrar exclusivamente nos reflexos que corriam pelo acetinado dos cabelos negros de Paula Moura Pinheiro, houve um instante de televisão absolutamente sublime. O entrevistado foi um professor de história, especialista nos Descobrimentos, que começou a publicar romances históricos, provavelmente o género literário que mais abomino, o que não vem ao caso. O professor falou com fluência e graça, mas trazia um pullover de tons mortiços,  não tinha um corte de cabelo feito no salão do cabeleireiro Paulo Vieira e o seu rosto não era de despertar apetites. Este aspecto trivial, conjugado ao título de professor universitário, despertou no cérebro da jornalista a seguinte pergunta (cito de memória): "Como é que um professor com o seu ar [aqui talvez esteja a inventar] se lembra de escrever uma cena de sexo?" A surpresa do professor foi genuína e a sua resposta rápida e a expressar uma ligeira indignação, o que deixou Moura Pinheiro embaraçada e por instantes lhe quebrou a eloquência natural e talvez até o brilho nos cabelos negros. Senti-me triunfante e só não aplaudi o professor de pé porque estava a jantar com um tabuleiro assente nas coxas.

14
Mar11

Não é preciso ouvido de tísico


Eremita

Para quem ainda duvida da apreensão de uma obra via audiolivro, afirmo que no começo do capítulo XX do livro segundo há uma redundância  que alguns editores teriam eliminado (podemos discutir se as duas frases cumprem ali alguma função, e é verdade que invertê-las seria desastroso, o que é um argumento a favor de Tolstói, mas isso é outra conversa).

The moment he heard the firing and the cry from behind, the general realized that something dreadful had happened to his regiment, and the thought that he, an exemplary officer of many years' service who had never been to blame, might be held responsible at headquarters for negligence or inefficiency so staggered him that, forgetting the recalcitrant cavalry colonel, his own dignity as a general, and above all quite forgetting the danger and all regard for self-preservation, he clutched the crupper of his saddle and, spurring his horse, galloped to the regiment under a hail of bullets which fell around, but fortunately missed him. His one desire was to know what was happening and at any cost correct, or remedy, the mistake if he had made one, so that he, an exemplary officer of twenty-two years' service, who had never been censured, should not be held to blame.

13
Mar11

The end of the affair?


Eremita

 

 

Foi-se o ré, vai para um mês. O ré é sempre a primeira corda da guitarra a ceder. Não absolutamente por acaso, ré maior é a tonalidade natural do instrumento, no sentido de ser a que mais facilita a execução, porque a afinação convencional deixa como cordas soltas nos graves a tónica (o ré) e a dominante (o lá), e porque é também comum baixar um tom à corda mais grave (de mi para ré) e ganhar outro pedal confortável.  Uma guitarra sem o ré vale menos do que um cavaquinho e lembra-me um edifício devoluto. Em regra, aproveito logo o acidente para substituir o jogo inteiro, porque um jogo novo de cordas faz durante uns tempos a guitarra soar com os agudos mais brilhantes e os graves mais cheios, sobretudo logo depois de lavar as mãos, mas este atraso leva-me a ponderar se não estarei a desinteressar-me do instrumento que comecei a tocar aos 16 anos. Essa possibilidade entristece-me mais do que pensar em todas as amizades da adolescência que deixei de alimentar e se perderam no tempo e no espaço.

13
Mar11

Leituras de domingo


Eremita

Amigos Recantistas, ao ler Tratado de Versificação, livro de Olavo Bilac e Guimaraens Passos, pude ter uma noção completa das regras necessárias para realizar um verdadeiro soneto alexandrino e gostaria de compartilhá-las com todos.

 

Modigliani drank heavily, used cocaine and hashish, and, a gorgeous hunk of a man despite his modest height of 5 feet 3 inches, fathered an indeterminate number of illegitimate children. 

 

But what do these readers actually think about David Foster Wallace? Isn’t all the postmortem hype confusing and disorienting? Isn’t he the kind of dense novelist who gets touted by stoner twenty- and thirty-somethings? Is liking Wallace just a grad school affectation, like watching Danish art films? Is liking Wallace a fun and cool thing to do because he had a history of substance abuse and underwent electroconvulsive therapy? Or does liking Wallace have nothing to do with grad school or stories of Genius in Its Byronic Youth and everything to do with patience and an earnest desire to be a better human being? I think so. (...)

In an artistic climate in which it is fashionable to be distant, coy, and “mysterious”—to sit like a god above your metafictional work and pare your fingernails while the reader struggles on in futility—Wallace is something of a relief: warm, vulnerable, self-effacing. He wrote with a big-hearted curiosity about the world around him; if anything, that’s extremely charming.

 

Barthes replied. “As far as methodology is concerned, I have no opinion. But if you’re talking about work habits . . . ”As he recounts his routines, we discover that the openness of his intellectual style is predicated on the exactness of his procedure. After describing in detail his preference for fountain pens over felt-tip or ballpoint, after recounting his experiments with the electric typewriter at the suggestion of Philippe Sollers, after detailing how he organizes his workplace and schedule in Paris and in the provinces, Barthes tells Rambures about his index-card system, which is based on slips of paper precisely one-quarter the size of a usual page: “At least that’s how they were until the day standards were readjusted within the framework of European unification (in my opinion, one of the cruelest blows of the Common Market).”

 


12
Mar11

O livro de todos os desportos


Eremita


Para este projecto (data prevista de publicação: Maio de 2014), será essencial evitar as três tramas típicas (foi de propósito) e viciantes das histórias sobre desporto, a saber:

 

1. O triunfo do underdog. Ver Rocky I e Rocky II.

 

2. O comeback. Ver Rocky III e Balboa  (bem como a dinâmica de quase todos os combates em qualquer dos filmes da saga Rocky).

 

3. O desporto como ritualização de um conflito. Ver Rocky IV.

 

4. A relação entre o mestre e o discípulo. Ver Rocky V.

 

Não vale a pena ir a Chariots of Fire para compor a estética. São os filmes Rocky que exploram enciclopedicamente e com grande eficácia o filão do desporto. Liberto de preconceitos culturais e pretensões intelectuais, o espectador (sobretudo se for um homem) goza por identificação com Rocky a fortíssima sensação que é triunfar e que raras vezes conheceu mas nunca deixou de desejar. O estímulo é tão ou mais primário que o da pornografia e igualmente irresistível. Não se podendo superar Rocky, é preciso tentar algo diferente, mas explorar o diametralmente oposto - o loser (como em Benarmino*, o documentário de Fernando Lopes sobre o jogador de boxe)- já foi feito e não vicia. O desafio define-se assim: como encontrar uma solução viciante quando se rejeita a tese, a antítese e não se consegue imaginar uma síntese capaz?

 

* Bem... hum... Pois, havia aqui um erro ortográfico destinado a medir o grau de cultura dos leitores e a atenção que dão a estas entradas. Ganhou o Abel.

 

 

12
Mar11

Incompletude como método de leitura


Eremita

Abandonei a leitura de Infinite Jest por volta da página 200 (o que corresponde a cerca de 400 páginas de um livro da Quetzal, a cerca de 750 páginas da edição que estou a ler de Watermark e provavelmente a outras 200 páginas de algumas edições da bíblia). Foi há uns meses. O abandono coincidiu, como tantas vezes, com a perda do livro, mas há aqui um claro mecanismo de protecção. Reencontro quase tantos livros como os que perco, pelo que o desaparecimento momentâneo dos meus livros é, em última análise, um acto tão consciente como deixar uma amizade perder-se por um afastamento geográfico. Trata-se pois de uma desistência e não de um acidente que me ilibe. Retomei ontem a leitura de Infinite Jest, reencontrando o prazer do primeiro impacto, embora temperado por um olho crítico que antes estava ausente e que agora topa os evidentes tiques de Wallace (em parte, também, porque li muito sobre o autor e ouvi-o a fazer a sua autocrítica). Vejo nisto uma vantagem. É como se a leitura ganhasse contornos de releitura pela sua simples fragmentação, que nos permite sair do estado hipnótico em que alguns autores nos deixam ao primeiro contacto. Entretanto, descobri uma segunda vantagem. 

 

Durante esta pausa li alguns outros livros e livrinhos, folheei alguns, atirei volumes ao ar imprimindo-lhes um movimento de rotação para ver se os coloridos da capa se dissolviam em branco, mudei livros de um lado para o outro, empilhei-os em arranha-céus como peças de Lego para adultos e descobri o audiolivro. Com as possíveis excepções de Noivado em São Domingo, Hstórias do senhor Keuner (Brecht parece ter sido uma influência forte em Gonçalo M. Tavares) e Watermark, do meu adorado Brodsky, foi a audição de Lolita e de  D. Quijote que marcou este período. O audiolivro será o meu instrumento de conquista dos clássicos volumosos cujo desconhecimento me envergonha tanto como nunca ter ido a Roma. Sobre esta polémica decisão é inútil perder mais tempo, porque já escrevi a minha defesa

 

Armado com este novo recurso e incapaz de corrigir velhos hábitos, Infinite Jest entra-me agora pelos olhos e Guerra e Paz pelos ouvidos (esclareço que isto ainda não acontece em simultâneo). A convocação de diferentes sentidos para diferentes leituras aumenta a capacidade de processamento em paralelo do cérebro e lamento hoje não saber Braille, sobretudo porque todos os grandes clássicos estão seguramente traduzidos neste sistema e ler a passagem da madeleine à custa da sensibilidade epicrítica dos dedos seria um grande triunfo para o sistema nervoso central, não desprovido de uma certa ironia. 

 

Chego assim ao argumento que procurarei desenvolver melhor numa entrada futura (aqui se nota que a incompletude na leitura dialoga em harmonia com a incompletude na escrita). A leitura em paralelo de grandes obras equipa momentaneamente o leitor com recursos que só um leitor de grande cultura literária e memória poderia explorar. Este distingue-se daquele porque as comparações que faz são filtradas pela memória e enriquecidas pela capacidade de escolha, enquanto o leitor que vive em simultâneo numa academia de ténis e no meio das invasões napoleónicas está refém, não só das contingências resultantes de como os diferentes enredos e os tempos de progressão na leitura se conjugam, mas também do aumento de acuidade momentânea que a leitura em paralelo permite e que praticamente oblitera a sua memória literária, pelo que estes dois leitores, mais do que apenas diferentes, são antagónicos. Com este - chamemos-lhe assim -  método as conexões surgem tão facilmente e são tão contrastantes que o leitor indisciplinado pode iludir os outros com uma cultura literária que na realidade não possui. Denunciada à partida esta acidental fraude, deixa de haver motivo para não explorar as comparações que surgem tão naturalmente entre dois livros que leio em paralelo.

11
Mar11

Luísa Costa Gomes


Eremita

A isto chama-se fazer o TPC.

 

Auxiliar de leitura: "drolático" parece-me ser um francesismo de "drolatique" (cómico, burlesco, etc.) e creio que foi a primeira vez que me deparei com esta palavra.

 

Adenda: o super-cérebro que são os 50 leitores assíduos do Ouriquense apressou-se a lembrar-me que: 1) Abel Barros Baptista tem uma crónica em que a palavra figura no título, crónica que aparece inclusive numa colectânea de textos do autor que li, claramente sem lhe prestar a devida atenção. Isto aborreceu-me logo profundamente, pois toda a gente percebe que Abel Barros Baptista só não escreve mais crónicas geniais porque ocupa o sem tempo com assuntos mais importantes e era minha obrigação lembrar-me da palavra. De AF, homem que deve ter herdado uma magnífica biblioteca, soube que também Fialho de Almeida, muitos anos antes, terá usado a palavra. Este esclarecimento foi logo visto como mais enriquecedor do que aborrecido, porque nunca li Fialho de Almeida. Só depois fiquei a pensar no que será mais grave: ter lido Barros Baptista e não me lembrar de uma palavra ou não ter livro uma única palavra de Fialho de Almeida? Serve de fraco consolo a citação a que uma amiga de outros tempos recorria amiúde: "se a minha cultura tem muitos buracos, é para que respire melhor". 

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