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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

19
Jan11

O grosso do iceberg


Eremita

 

 

A maior dificuldade em escrever o Ouriquense é evitar a deriva para o completo delírio. Nenhum destes textos sai com esforço (pelo menos abaixo dos três parágrafos) e imagino-me a fazer isto até ao fim dos meus dias - se não encontrei um sistema para vencer o casino, encontrei uma forma socialmente tolerável de me sentir omnipotente. Mas resistir a começar um diálogo entre o eremita e Fausto sobre as grandes questões sociais, com uma tradução simultânea em coreografia de jogo de ténis, é muito difícil; nisso empato a parte maior do esforço que dedico a este blog.

19
Jan11

Fausto smashes back


Eremita

Fausto não andou a estudar a reforma agrária e em vez de uma resposta devolveu-me uma pergunta. Esta situação, no ténis, deve corresponder a um lob meu, que parece ganhador, mas ao qual Fausto responde com reflexos rápidos e uma grande aceleração de pernas, posicionando-se muito bem, não como aqueles que ficam de costas para a rede e se preparam para devolver a bola por entre as pernas, porque Fausto não joga bonito, antes já de frente para a bola e com o braço armado para um smash. Não sei sinceramente como isto aconteceu. A pergunta de Fausto:

 

- E tu, que legitimidade vês na apropriação privada da terra?

19
Jan11

Um pantomimeiro


Eremita

Pernoitei em casa do Judeu, que conhece as minhas fraquezas como poucos. Ele sabe que a única frustração orgânica que tenho é quase nunca me recordar dos sonhos, pois o sonho mais banal de qualquer pessoa parece-me ser infinitamente superior a qualquer das ficções que concebi ou venha a conceber. Conhecer as fraquezas secretas dos outros comes with great responsibility. Se, em regra, tende a ser uma ferramenta para o mal ou para o bem, o Judeu consegue usá-la com a graça doseada na exacta medida que anula qualquer intenção malévola ou altruísta, para sobrar apenas o instante. E o instante foi acordar hoje com o esboço deste homem desenhado a lápis, o lápis ao pé da cama e o Judeu a entrar no quarto, perguntando se aquele desenho era meu e quem era aquela pessoa. A partida não durou duas horas. Fiquei a saber que o Judeu usa a internet, o que me entristeceu um pouco, devo confessar. Mas o mais curioso foi a certa altura termos dito em simultâneo: "parece o Fausto".

 

Via Samizdat

18
Jan11

Psicologia evolutiva para todos


Eremita

Quando estamos já - digamos - confortavelmente instalados na depressão, não queremos ver ninguém (peço desculpa pelo uso do plural). Mas na queda para a depressão queremos ver toda a gente, incluindo quem nos fez mal e quem desprezamos. Fala-se muito em vencer o isolamento da depressão e nada em resistir à sociabilização sem critério que ocorre na sua véspera. É porém nestas alturas que aumenta o risco de arrependimento futuro e de vergonha. A precipitação da depressão acaba por nos libertar do perigoso período que a antecede, ou seja, com a chegada da tristeza a sério evitamos as figuras tristes. Queriam um valor selectivo para a depressão? Q.E.D.

18
Jan11

Say cheese


Eremita

 

Já começaram os preparativos para a guerra e Tolstói continua a descrever sorrisos. Sorrisos francos, amarelos, cínicos, superiores, empáticos, etc. Este Tolstói é algo irresponsável.

 

 

17
Jan11

Morreu Susannah York


Eremita

 

 

Gostaria de acreditar que se encontra na leitura precoce de Os Cavalos Também se Abatem a explicação para só conseguir dançar* embriagado. Mas provavelmente não é verdade. Em todo o caso, trata-se de um dos livros da minha vida.

 

* uso uma definição abrangente do termo.

14
Jan11

Grandes canções


Eremita

 

 

 

 

 

 

Si no creyera en la locura
de la garganta del sinsonte
si no creyera que en el monte
se esconde el trino y la pavura.
Si no creyera en la balanza
en la razón del equilibrio
si no creyera en el delirio
si no creyera en la esperanza.
Si no creyera en lo que agencio
si no creyera en mi camino
si no creyera en mi sonido
si no creyera en mi silencio.

que cosa fuera
que cosa fuera la maza sin cantera
un amasijo hecho de cuerdas y tendones
un revoltijo de carne con madera
un instrumento sin mejores resplandores
que lucecitas montadas para escena
que cosa fuera -corazon- que cosa fuera
que cosa fuera la maza sin cantera
un testaferro del traidor de los aplausos
un servidor de pasado en copa nueva

un eternizador de dioses del ocaso
jubilo hervido con trapo y lentejuela
que cosa fuera -corazon- que cosa fuera
que cosa fuera la maza sin cantera
que cosa fuera -corazon- que cosa fuera
que cosa fuera la maza sin cantera.
Si no creyera en lo mas duro
si no creyera en el deseo
si no creyera en lo que creo
si no ceyera en algo puro.
Si no creyera en cada herida
si no creyera en la que ronde
si no creyera en lo que esconde
hacerse hermano de la vida.
Si no creyera en quien me escucha
si no creeyera en lo que duele
si no creyera en lo que queda
si no creyera en lo que lucha.
Que cosa fuera...

 

La Masa, S. Rodriguez

13
Jan11

Taxonomia do sorriso


Eremita

 

Terminada a primeira parte de Guerra e Paz, creio que o mais avisado seria ouvir tudo de novo outra vez. O que se segue carece de confirmação, mas acordei com uma comparação na cabeça que preciso de expelir para continuar o dia. À primeira vista, a famosa boutade de Leone sobre o apertado espectro de expressões faciais de Clint Eastwood enquanto actor ("with or without a hat") aplica-se também às personagens de Tolstói, que estão a sorrir ou não. A única diferença é que existem mais tipos de sorrisos do que chapéus numa chapelaria e Tolstói consegue descrevê-los com enorme precisão e economia de meios, sem roubar inteligência às suas personagens, algo a que a étouffante Agustina Bessa-Luís (do pouco que li) não resiste.

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