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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

04
Set10

Por favor, não matem a ornitologia


Eremita

 

 

Gostaria de perguntar à editora Difel e ao tradutor Fernando Ferreira-Alves o que lhes terá passado pela cabeça para traduzir o clássico de Harper Lee To Kill a Mockingbird para Por Favor Não Matem a Cotovia. O "mockingbird" descrito no livro é um Mimus polyglottos, o rouxinol americano. Os nomes são importantes, raios. Atticus Finch, o advogado bom do livro, tem apelido de pássaro (o tentilhão). Não será por acaso. E os livros devem sobretudo melhorar as pessoas e não fazê-las parecer ainda mais idiotas.

 

Ninguém espera que cada editora tenha um revisor que perceba de literatura e de biologia, como um Nabokov, mas há mínimos. Enfim, do pouco que conheço dos bastidores da edição em Portugal, nada disto me surpreende.

 

A fotografia mostra um abelharuco.

03
Set10

Sobre a possibilidade do amor


Eremita

Alguns daqueles que uma ferida de amor transformou em cínicos comportam-se perante os amantes como os fazedores de opinião que abdicaram da vivência na extrema-esquerda reagem aos comunistas. Ambos se julgam na posse de um argumento de autoridade que lhes viria de um conhecimento profundo do que é o amor ou do que é um comunista, e tendem a mostrar um certo desprezo, como se os amantes e os comunistas pertencessem a um estadio evolutivo inferior. Não que considerem os amantes e os comunistas como bichos falhos de cognição ou facilmente iludíveis. A inferioridade implícita é moral. Eles entendem que os amantes e os comunistas, em algum recanto das suas consciências, têm noção da impureza dos seus sentimentos e que apenas deles não abdicam por comodismo, cálculo, medo e/ou vergonha. Naturalmente, se fosse verdade, estes seus críticos passariam a ser pessoas admiráveis, quase uns heróis. Isto levanta uma suspeita a que nos podemos agarrar. Mais vale então suspeitar deles do que suspeitar do amor, mesmo quando tal implica suspeitarmos de nós próprios. Sobre o comunismo nada tenho a acrescentar.


Nuno Salvação Barreto desaprova. "É preciso voltar às raízes".

 

 

03
Set10

Handicap


Eremita

 




 

Prometo não abusar destes making of de Quem matou Igor?, mas a enorme dificuldade que tenho sinto em descrever espaços deve ser assinalada. A culpa só pode ser da televisão. Antes da televisão, o texto precisava de transmitir tudo e dessa necessidade nasceram as grandes descrições - Os Maias, etc. Isso eu já sabia e provavelmente todos sabemos. O que eu não sabia, apesar do ditado, é que essa necessidade nem sempre cria esse engenho. Primeiro, porque necessidades genuínas há poucas; depois, porque é cada vez mais difícil adquirir aptidões novas, pois  geralmente vamos apenas apurando o que se salvou da infância e adolescência.  Quem matou Igor? será também a aprendizagem possível do acto de descrever - não é um disclaimer, é só um aviso (para os quatro fiéis leitores que acompanham as minhas aventuras por Espanha).

 

Vamos em 11 entradas (os making of não contam). Depois de Inés Sastre, creio que será inevitável esbarrar com Emilio Butragueño, Felipe González, Tomatito, Lluís Llach, Carmen Maura e Victoria April, entre outros*. Evitarei o Verano Azul enquanto me for fisicamente possível. Falar do Verano Azul é um truque fácil, quase pornográfico, o que não deve ser confundido com fantasias envolvendo a personagem Bea e remete antes para a ideia de que "a nostalgia é a nova pornografia".

 

* Eduardo Pitta é grande adepto de organizar nomes por ordem de nascimento. Eu prefiro a organização pela ordem de chegada à memória, que só os menos atentos interpretarão como preguiça. Este método  - é um método, que passo a designar por enumeração automática - cria um gradiente de importância decrescente, o que é uma opinião que não se enuncia explicitamente.

 


01
Set10

Alguém que dorme


Eremita

Há um palhaço que tenta estragar as minhas estatísticas de isolamento social, telefonando de um número privado umas 20 vezes por dia, sem nunca responder quando atendo a chamada. Trata-se de alguém que dorme e que vive no  fuso horário de Ourique, o que me pareceu uma indicação preciosa para o retrato-robô, embora a autoridade tivesse sorrido com alguma condescendência quando partilhei esta informação. Fiquei a saber que resolvem estes casos em 3 dias.

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