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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

07
Set10

Excerto de um monólogo do judeu


Eremita

Após a sobremesa, ainda sóbrio

 

"... Foi a última conversa que tive com o meu aluno. Falávamos sobre um projecto. Não era a máquina do movimento perpétuo, pois na altura eu ainda trabalhava numa universidade e o meu aluno precisava de se doutorar. Ele tinha produzido os resultados de uma experiência por mim imaginada uma década atrás e fiquei tão emocionado que quase comecei a chorar. Foi a minha melhor emoção de sempre e não creio que acusasse apenas narcisismo ou que me revelasse então, consumadamente, misantropo - isso são coisas tuas. Se nunca me custou chorar, de tristeza ou de alegria, por todos aqueles motivos que emocionam as pessoas, como as derrotas, as vitórias, as mortes e os nascimentos, o sofrimento e a alegria dos que amamos, e tudo o que ainda sobra nas telenovelas, aquelas lágrimas foram totalmente inesperadas, embora exactas, pois não chorava à boleia de outras emoções. Nesse dia percebi que nada naquele preciso momento me arrebaria tanto e fiquei perplexo pela pequenez, a insignificância, a maníaca especificidade daquillo com que me emocionava, como se fosse um sinal de loucura. Mas veio depois a felicidade quase pura de quem é capaz de extrair das coisas banais ou irrelevantes para todos os outros quase uma razão de existir. E experimentei, pela primeira vez em muitos anos, aquilo que imagino ser a liberdade - ou até uma libertação..."

 

07
Set10

Parcerias público-privadas


Eremita

[reformulado]

 

"As pessoas têm a mania de se reconhecerem em textos que não lhes dizem respeito". P. Mexia

 

É absolutamente verdadeiro. Mas as pessoas têm uma intuição infalível: só se reconhecem em textos que foram escritos a pensar em alguém. Sei do que falo pois já estive nas situações de escrever esses textos e de me reconhecer nos textos de outras pessoas. Isto não acontece quando se escreve sobre apicultura ou flamenco. Acontece sempre que se escreve sobre relações ou sobre traços de carácter. Naturalmente, surgem equívocos e ninguém dá o braço a torcer. Mas quem não quer que as pessoas se reconheçam nos seus textos só tem um caminho: não invade o espaço público com o diálogo que deixou de conseguir ter em privado. Se o fizer, é inevitável que verá depois a sua privacidade invadida pelo público e só tem de o aceitar, como reposição da homeostasia entretanto violada. Pedir que isso não aconteça é não perceber como as pessoas funcionam ou então é a simples continuação do tal diálogo. Em todo o caso, Pedro Mexia não estava a dialogar com Ourique.

 

Adenda: por lapso, aprovei um comentário pouco elegante. Esse comentário foi entretanto censurado com enorme prazer.

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