Perigos da deriva cómica e do realismo real
Eremita
David Foster Wallace dizia que um dos seus defeitos como escritor era não conseguir resistir a uma piada. Esta tentação, sobretudo na ausência de reedeming features, pode transformar o BW em má comédia, quando gostaria de calibrar o texto como tragicomédia ou até mesmo como uma tragicomédia rematada de uma forma esclarecedoramente trágica. A fixação de Patrícia em Vasco Graça Moura é um filão histriónico, tenho perfeita noção disso, e sinto-me praticamente perdido.
A entrada de Vasco Graça Moura nesta história também a vem perturbar pelo excesso de realismo. Há dois anos, o BW não tinha pátria(s), nem nomes de ruas e os diálogos eram imaginados como se ditos em Esperanto. Nos últimos dias, procuro um apartamento para Guillaume na Lapa e agendei já umas visitas na Remax, em que o moço de recados vai fingir-se interessado na compra de umas casas, embora apenas queiramos tirar umas fotografias.
Abrimos caminho com uma corda bamba, mas o importante é que finalmente caminhamos. E é curioso reparar que as personagens se levantam todas mais ou menos ao mesmo tempo, como mortos-vivos que despertam.

