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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

31
Ago10

...


Eremita

Na reiterada acção-reacção, que esta seja mais nobre do que aquela vai sendo cada vez mais raro, embora os casos progressivamente mais raros sejam progressivamente mais nobres.

29
Ago10

Exibicionismos


Eremita

Cortejos contra a lapidação, de preferência com câmaras de tv por perto, são formas de vaidade: o manifestante abre a gabardine e, em pose exibicionista e masturbatória, mostra ao mundo o tamanho da sua compaixão. Entre a pornografia iraniana e as pornografias lisboetas que se preparam por aí, não sei qual me repugna mais. João Pereira Coutinho

 

 

É uma sorte o moço de recados não ler jornais de grande tiragem, caso contrário este João Pereira Coutinho (JPC) arriscava-se a levar com uma pedra da calçada na testa. O moço de recados não é má pessoa, mas tem um entendimento primário do mundo. Ele esteve na manifestação no Largo Camões, telecomandado a partir de Ourique via tecnologia Nokia, obviamente, e o relato que fez não está de acordo com a descrição de JCP. O cronista fala em "dezenas de humanistas", mas está errado. A menos que faça sentido descrever a altura de Pereira Coutinho em milímetros, é mais sensato falar em centenas (umas três centenas, de acordo com o moço de recados, que nos tempos de pastorícia ficou experimentado em headcounts). O cronista fala também em "humanistas", mas o moço de recados viu pessoas com imensos defeitos e a precisar de limpezas de pele. Enfim, o cronista descreve uma "pose exibicionista e masturbatória". Ora, quem acompanha o percurso de JPC há mais de uma década, sabe que o cronista esgotou as suas fórmulas, mas não deixa de apreciar a renovação constante da sua pose. A fotobiografia de JPC enquanto figura pública é um estudo que urge fazer para a génese da vaidade lusitana, que só perde em urgência para o A Revolta do Tradutor, uma análise métrica das traduções de Vasco Graça Moura, projecto que nos ocupa há largos anos.

 

Seria redutor, desculpabilizador e anacronicamente frenológico explicar a fotogenia como intelectual de JPC por acasos fisionómicos. Não. Pereira Coutinho é um cultor lúcido da pose de intelectual e, como bom conservador, não inova, repete. Nem por isso ele deixa de variar e até de surpreender, como nesta versão Bernard-Henry Lévy:

 

 

Ou no rigoroso ângulo de cabeça, à crooner, com que namora a câmara:




Embora, relembremos, ele esteja mais à vontade nos clássicos, como na pose de braços cruzados, que comunica estoicismo:
E tivesse encontrado nas variações sobre o uso das mãos a sua verdadeira assinatura:
Ora, a proximidade física entre as ergonómicas mãos de JPC e as fantasias juvenis que ricocheteiam no interior da sua cabeça é provavelmente o que de mais exibicionista e masturbatório  se encontra hoje na imprensa. Tendo ainda em conta que na crónica online do Correio da Manhã a foto de JPC é do tamanho da mancha gráfica do texto, o que remete para o primado do estímulo visual sobre o enredo, ao ler "pornografia" e "poses exibicionistas e masturbatórias" não pude deixar de me lembrar que é no relato autobiográfico que Coutinho atinge o seu cume histriónico, mesmo quando são actos falhados  - essa é uma das vantagens de saber que se está a ler um boneco e não uma pessoa, porque o espalhafato dos gemidos públicos de JPC deixa no ar a suspeita de um orgasmo fingido e só outros adolescentes o poderão levar a sério. Boys will be boys

28
Ago10

Uma aposta


Eremita

 

A série Quem Matou Igor? cumpriu o período de estágio com aproveitamento e chegará às 115 entradas antes de Julho de 2011. Até lá teremos visitado (não necessariamente por esta ordem): El Granado, Villanueva de los Castillejos, Madrid, Barcelona, San Sebastián, Burgos, Córdoba e Sevilla, entre outras cidades e pueblos do país vizinho. O Ouriquense assume-se como um espaço ibérico, apesar da xenofobia e ódio que se encontrará em Quem matou Igor?, folhetim que não perderá uma oportunidade para denegrir a indústria espanhola de panificação.

 

Haverá flamenco, touros, Gonzalo Torrente Ballester, mulheres narigudas, Camilo José Cela, uma mulher louca que jura ter dormido com Juan Carlos e guarda um pêlo púbico que diz pertencer ao monarca, fantasias oníricas com bisnagas de leite condensado, e um rasto de sangue que ninguém sabe muito bem a quem pertence mas que podemos entender como a materialização de um fio condutor.

 

É claro que assim se prova que minha ética de trabalho e ética como artista são incentivos muito menos seguros do que o desejo primário de não perder uma aposta. Se perder, farei um donativo de 2000 euros à Sociedade Protectora dos Animais*. Se ganhar, ficarei muito feliz. Ninguém sai a perder, é uma win-win situation para a humanidade.

* A aposta não me obriga a visitar todas as cidades que referi. Cada entrada terá pelo menos 300 palavras.

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