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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

03
Jul10

Larissa Riquelme


Eremita

 

 

 

É dos livros que a mama prejudica o desempenho desportivo. Também é da mitologia, ou não tivessem as Amazonas o hábito de amputar a mama direita para poderem manejar o arco e a flecha com máscula mestria. Ainda assim, a adepta paraguaia Larissa Riquelme, modelo de lingerie no seu país, conseguiu com o mundial de futebol tornar-se mais conhecida do que a maior estrela da selecção que apoia.  Tudo seria muito mais divertido se as mamas de Riquelme não fossem falsas.

 

A beleza não se quer meritocrática e este detalhe distingue-a de todos os outros atributos invejáveis. A beleza é sobretudo valorizada enquanto acaso. Entre duas pessoas igualmente atraentes ao primeiro olhar, será mais atraente a que menos fez por isso, a que menos se preocupa com a beleza, a que faltou ao ginásio, a que não se inscreveu no ginásio, a que se está nas tintas para a dieta, a que fez menos cirurgias plásticas.

 

A mama falsa só pode ser um auxiliar para a fama e nunca a explicação fulcral. Como a sensualidade de Riquelme está demasiado dependente das suas mamas de silicone, aborrece-me ver o mundo inteiro a alinhar neste embuste.

 

A imagem mostra Sophia Loren, quando a sua beleza nada devia ao seu empenho.

02
Jul10

...


Eremita

Não há sensação mais patética do que um desgosto de amor que não se conquistou.

 

Não tresler como:

Não há sensação mais patética do que o desgosto de um amor que não se conquistou.

02
Jul10

Nine Stories


Eremita

Leio algumas histórias de Salinger e percebo que o homem não era normal. Os diálogos não são normais. Ou melhor, são diálogos de adolescentes que transcritos ipsis verbis por um adulto normal pareceriam diálogos de adolescentes normais, mas que transcritos ipsis verbis por Salinger ganham uma dimensão absurda. O paradoxo é apenas aparente, porque uma pessoa normal jamais teria vontade de transcrever os diálogos de adolescente que Salinger imaginou. Para resumir, os episódios que Salinger cria não são inverosímeis e só parecem insólitos porque mais ninguém lhes daria a importância que ele lhes deu.

01
Jul10

Metabloguismo


Eremita

 

 

 

Quando trabalhei em Paris, num quinto andar, vi uma pessoa a passar diante da janela. Deixem-me precisar que ela passava do lado de fora da janela e na vertical, acelerada em direcção ao chão; estava em pleno processo de suicídio, que tinha começado com um salto do terraço. Aquele lugar tinha ainda mais uns três ou quatro fantasmas de suicidas, agora que penso no assunto. Também nos EUA ouvi rumores de suicídios no sítio onde trabalhei. Depois, em Portugal, estive num local onde uma pessoa se suicidou. São histórias de suicídios em locais de trabalho. Nos locais de trabalho, todos fingem que são fortes em público, como é sabido. A blogosfera é ao contrário. Na blogosfera as pessoas fingem que são fracas em público, mas não se suicidam - nem sequer há rumores de suicídios. A explicação é muito simples: o suicídio surge quando há um grande desajuste entre a figura pública da pessoa e o que é na realidade. Como no emprego é preciso parecer forte, nos fracos o desajuste é insuportável. Já na blogosfera, os fracos sentem-se confortáveis e o desajuste acontece apenas nos fortes, que por definição não se suicidam. Sob uma perspectiva de saúde pública, sofrer em público é sempre bom, apesar dos hipócritas, dos melodramáticos, etc. - e do efeito nos índices de confiança dos portugueses, claro. Enfim, tranquiliza-me recordar neste momento que Clint Eastwood não sabe português.

01
Jul10

As férias são para as pessoas com emprego


Eremita

Estou sempre a esquecer-me, raios. Regressei da Galé antecipadamente. Adiante.

 

Este Verão considerarei a viabilidade económica de colocar 40 colmeias no monte; se o break-even for atingido antes de 2016, creio que valerá a pena avançar. De resto, a casa do apicultor tem umas colmeias tão lindas que poderei sempre reciclá-las em mesinha de cabeceira.

 

 

 




É claro que encontrar a casa das abelhas é fácil. O problema mais bicudo é: onde encontrar e como escolher a rainha? Vou reparando que isto da apicultura tem muito de Jane Austen. Enfim, podemos não chegar ao mel mas há aqui ideia para um conto (agendado para Setembro).

Por falar em contos, quando estava na Galé, lembrei-me de contar a história de um grande atleta misantropo e órfão, cidadão de um regime totalitário, que não tem relações afectuosas com ninguém. Isso cria um problema às autoridades aquando da sua participação numa competição internacional, porque não têm forma de prevenir a sua fuga com ameaças de represálias aos entes queridos que, em situação normal, existiriam. A solução que eles encontram é fomentar o namoro entre este atleta e uma rapariga devidamente instruída para o efeito. A partir daqui há vários desenlaces possíveis, mas a ideia pareceu-me boa. Não será em Cuba, nem a Coreia do Norte, mas num país de nome inventado, como se fez em certos álbuns do Tintin. Ainda não decidi se o desporto será colectivo ou individual, mas creio que com um desporto colectivo é mais fácil chegar a uma fuga verosímil com a ajuda dos companheiros de equipa - mas procurando evitar sempre a solução fácil do "I'm Spartacus" e não fazer a coisa passar por uma crítica à misantropia - como é evidente!*




*Olha, um ponto de exclamação.

Pág. 3/3

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