Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

15
Abr10

Contraditório


Eremita

O grande problema do intelectual comum é a sua vaidade patente. Apesar de compreender que é a relação com os outros que o vai fazer descobrir singularidades e generalizações válidas ou lógicas, é quase inevitável que acabe por tentar demonstrar a sua grandeza intelectual seja com demonstrações despropositadas de erudição (música, literatura, etc.), seja com simples manifestações estéticas forçadas. Esse é o problema nuclear do Ouriquense. AVALON

 

Com o devido respeito, o problema nuclear do Ouriquense são os 105 kg de Igor, o marido de Tatiana. Nada do que aqui se escreve é gratuito. Todas as demonstrações "despropositadas de erudição" (?)  - leia-se, entradas sobre música que ignorem os Black Eyed Peas - são plenamente justificadas pela sua natureza autobiográfica e porque isto é, justamente, um diário de leituras e consumo de cultura.

14
Abr10

LEO BROUWER (1939- )


Eremita

Provavelmente o melhor homem do mundo

 

 

Não é tanto a certeza de saber que vou chorar quando este homem morrer. É sobretudo a probabilidade de não vir a chorar pela morte de mais nenhuma das pessoas com quem nunca privei, digamos, presencialmente.

13
Abr10

A minha Páscoa


Eremita

A minha Páscoa é o Ben Hur e a Paixão Segundo São Mateus, de Bach. Ben Hur resulta sempre porque Jesus é uma personagem secundária, quase um figurante, e por causa da música de Miklós Rózsa. Esta é a minha cena preferida, a morte de Mesala:

 

 

Não há muito mais a dizer, é um espectáculo.  Pelo contrário, a Paixão fascina-me sobretudo por causa de um efeito que talvez seja uma idiossincrasia minha, talvez não. Sempre confundi coral de abertura Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen - O Lamm Gottes unschuldig:

 

</object>

 

 

com o coral Wir setzen uns mit Tränen nieder, que encerra a obra:

 

 

Para que nos entendamos, se os oiço separadamente, sem o resto da obra a ligá-los, não há confusão possível. É quando oiço a obra inteira que reconheço sempre o fim, não pela lembrança remota de audições passadas, mas pela memória de curta duração que fica da audição de toda a obra, naquele momento, criando a sensação de um regresso ao princípio, mesmo sendo outra coisa; como se houvesse um efeito especial, não distinto dos efeitos do cinema, por ser técnica e ilusão, que transforma a audição do último coral numa experiência religiosa arrebatadora, no sentido referido por Chesterton, que é o de uma experiência simultaneamente familiar e misteriosa.

12
Abr10

"Cobardeseinbildung"


Eremita

BW, o projecto secreto do Ouriquense, continua a tomar forma. Temos cerca de 4 páginas e uma grande ideia. Deixo-vos aqui o começo deste romance, depois de devidamente encriptado por uma sequência de traduções (português para inglês, depois japonês, de novo inglês, grego, francês, alemão, de novo francês, para acabar em castelhano).

 

Son el hecho qu' se nos prueba a entierros convenientemente, l' ; cobardeseinbildung. Después de la cosa bajo los cubos una determinada persona, si esta persona, el d' ; se mata; Acceso el en torno a qu' ; ven qu' consideran el hecho qu' ella l' ; abrirse; Ojo. S' ; posee la oportunidad sin sufrir del cadáver de los d' ; golpe; L' ojo de la sorpresa se encuentra a l' antes. Si azarado como carrasco y sufrir que sobre l' ; se responde; Tentativa de la misericordia los el n' ; tener la necesidad para cada una que se indica éste enfrentado. Con la severidad como para, se murió, en verano el nudo abierto. El choque que no parece el antes de éstos, no se diferencia. Todas las fuerzas tienen eso éstos, para que me dañe, el n' frappantement; Puntales le velan suficientemente le para que sobrava esté cansado. J' ; y [ekleipsas] en esta edad pasó a ser, y a nuestras relaciones de conspiración que se afectaron entran. Él n' ; este riesgo tuvo quizá. Habida cuenta del qu' ; l' otro stereotypiert precisamente eso n' posible; quelqu' este; para que el choque acepte el conflicto, el s' se vuelve íntimo; pueden excluirles huye la muerte. El Vene de las gargantas de la cosa que pasaron a ser allí de la garganta de cosa, es encontrado windpipe por el choque que [sympiezetai]. Por lo que se refiere a parte directamente especialmente recompôs de l' ; Interior de viaje que del Knorpelgefühl, sentimiento indispensable mí aquél que quiere decir l' amigo de la vida clasifica qu' se supera así la muerte recordada arriba [apechthos], sin últimos pensamientos para la persona, las divergencias d' opiniones y, al no comenzar examinado naturalmente este producto de la película projecçãolebens eso la velocidad aumentar podría, lorsqu' ; la vida que se pierde tal pensamiento desrazonable se libera, en l' exigeant extremeneßunction, quelqu' ; Si eso más d' ; Afecto, si l' ; crípticaausdruck sin el debate de la palabra, si la calamidad característica disimulada del choque hecho, le considera inmediatamente sobre mi cálculo. La garganta, donde el tiempo lo se encuentra lo, era a un l' ; El cojín de cabeza de Acelgas que son partes calurosamente dorido, permaneció. I, cosa, la alfombra gruesa, litterie y l' ; El cojín de cabeza se decora los muebles que proyecta [mototsukoperson] a la casa de la cosa, y aburguesadas que aumentan la velocidad de bienestar de vida de la cosa, donde la sorpresa y la comodidad se mueren así por lo tanto con precisamente la norma sufren la para el sueño, donde él coloca una trampa de la circunstancia trágicamente, por lo tanto meurt, los invita los l' impacto.

 

Creio que se fica com uma ideia geral. É curioso reparar que as traduções em série dão um resultado muito mais existencialista do que o texto original, mas sobra a hipótese de lhe conservarem a essência, como se neste processo nos aproximássemos de uma língua primordial. Esta experiência torna ainda mais urgente um dilema com que me tenho debatido: que dose de sentido de humor deve ter o BW? Hesito.

11
Abr10

Fitness


Eremita

 

Tenho o Choro número 1, de Villa Lobos, na memória dos meus dedos. É a primeira vez que isto acontece. Ainda não toco a peça com fluidez, mas seria capaz de a escrever ou ensinar a alguém em troca de uma lata de feijões, se houvesse um cataclismo qualquer que acabasse com a civilização. Para quem é incapaz de memorizar uma anedota, isto é uma grande vitória e aumenta as minhas hipóteses de sobrevivência no futuro, sempre incerto.

09
Abr10

James Spader


Eremita

Curiosamente, também eu me apaixonei pelo James Spader de Sex, Lies and Videotape. Spader, no universo das paixões no universo do celulóide ou dos raios catódicos, é uma figura absolutamente singular, se excluir o acidente que foi a paixão por Matts Willander, o tenista - um estereótipo de socialite cinquentona que me envergonha e que varri da minha autobiografia autorizada (este é um excerto da autobiografia não autorizada e, quando sair, prometo comprar todos os exemplares). Temos, assim, começando em meados da década de sessenta do século passado, entre nomes de personagens e nomes reais, e sem pretender exaurir: Rachel Welch (Viagem Fantástica), Maya (Espaço 1999), Joyce Davenport (A Balada de Hill Street), Jessica Lange (O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes), Vânia Trabucco (Guerra dos Sexos), James Spader (obra supracitada), Geena Davis (Thelma e Louise), etc.

 

Spader fez-me um homem melhor. Para a formação cívica, é de bom-tom citar Marther Luther King, Salgueiro Maia, Henry Thoreau e - durante mais alguns meses - Fernando Nobre. Eu citaria James Spader. Mas desconfio que não estaria sozinho, se houvesse no mundo lugar para a sinceridade. Spader contribuiu mais para a causa dos homossexuais do que Milk e Miguel Vale de Almeida. Aquela sua impotência também fez dele o mais amável dos homens passíveis de serem amados por pessoas desse mesmo sexo - para parafrasear a expressão absurda que andamos a consagrar -  e funcionou como uma autêntica vacina contra a homofobia, um agente patogénico face à norma social, mas tão atenuado pela sua incapacidade que uma jovem população o pôde injectar sem temor e cuja memória, como a memória imunológica, anos depois de cumprida e confirmada a queda por mulheres, seria garantia de tolerância e até secreta curiosidade por aqueles que revelaram gostos distintos, na certeza de que a heterossexualidade admite sempre alguma excepção. Aliás, se, por estes dias, não estivesse com tanta dificuldade em erguer coisas e o actor entretanto não tivesse engordado, não seria improvável que com este simples testemunho viesse um grande tesão.

03
Abr10

Recomeço


Eremita

Encontrei o Pais e Filhos. Estava perto do marco geodésico e ainda se pode ler, embora tenha dois dos cantos tingidos de lama. É a primeira vez na vida que encontro um livro que perdera e vejo nisto o augúrio de bonança possível. Vamos retomar a leitura. 

Pág. 3/3

Pesquisar

Comentários recentes

  • Anónimo

    O texto do PP é antes do mais sobre o preconceito,...

  • Eremita

    Não vale a pena, Nelson. É alguém que comenta no C...

  • Anónimo

    De nada. Dentro do género também gosto muito dos F...

  • Anónimo

    Na minha cabeça não. Na do JPP não sei, mas presum...

  • Miguel

    Não conhecia os Atomic, mas estou a gostar. Obriga...

Links

WEEKLY DIGESTS

BLOGS

REVISTAS LITERÁRIAS [port]

REVISTAS LITERÁRIAS [estrangeiras]

GUITARRA

CULTURA

SERVIÇOS OURIQ

SÉRIES 2019-

IMPRENSA ALENTEJANA

JUDIARIA

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D