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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

23
Abr10

Batiscafo


Eremita

 

 

O meu trabalho não remunerado no Imprensa Falsa passa a figurar apenas na coluna da direita, para não comprometer a atmosfera de alienação social que se respira no Ouriquense. Hoje defendi o contribuinte e recordei Jacques Piccard, um herói de infância.

 

23
Abr10

Mandrake


Eremita

 

 

Estou viciado em Mandrake, a série brasileira que passa na RTP 2.  Make no mistake: isto não é uma telenovela. Com grandes diálogos entre Mandrake e o seu sócio, Leon Wexler, um cheiro a Ruben Fonseca, filmada em película, cenas quase explícitas de sexo e um grande desempenho de Marcos Palmeira, estamos a ouvir português mas parece que é inglês.

 

61 INT. ESCRITÓRIO/ SALA DE REUNIÕES - DIA

 

Mandrake, Wexler e Baby estão em volta da mesa.

 

BABY

E aí, alguma novidade?

 

MANDRAKE

(apertando uma bola terapêutica) Tem uma Jessica, acho que é ela.

 

BABY

A Pamela?

 

MANDRAKE

Pamela, Jessica, Amanda...enfim, a moça por quem você está...apaixonado. Jessica e Pamela são a mesma pessoa.

 

BABY

Mas, você viu a Pamela?

 

MANDRAKE

A Jéssica?

 

BABY

É, a Jessica. Você está me irritando. Viu ou não viu a Pamela, eu digo, a Jessica?

 

MANDRAKE

Mais ou menos.

 

BABY

Como mais ou menos?

 

MANDRAKE

(evasivo, irônico) Assim, mais ou menos, quer dizer ela não estava lá, mas obtive algumas informações importantes com uma outra atendente do local. Parece que agora ela está fora do circuito mesmo. Pelo menos foi o que disse a garota que eu comi.

 

BABY

Comeu? Como assim?

 

MANDRAKE

Não foi a tua Jessica, quer dizer, Pamela, não se preocupa. Foi a Michele, que é

Eloína.

 

BABY

O que você vai fazer?

 

MANDRAKE

Não sei.

 

BABY

Você gosta de me torturar.

 

MANDRAKE

(sem ênfase) Ahh, vai se foder.

 

BABY

Que isso?!

 

Reação de Wexler.

 

MANDRAKE

(tom sério e irônico) Eu digo, vá ter relações sexuais consigo mesmo.

 

BABY

Eu quero essa garota.

 

MANDRAKE

Você vai ter a garota, cara. Calma.

 

BABY

Calma, você só sabe dizer calma.

 

MANDRAKE

Calma.

 

BABY

(desabafando) Você alguma vez amou na vida?

 

Mandrake começa a rir.

 

BABY

Você é uma pedra, um gelo. Vai morrer sem amar, que nem o Superhomem.

 

MANDRAKE

(sério, olhando nos olhos de Baby) Eu amo sete mulheres. Sete. Conta de mentiroso. Amo sete mulheres. Uma delas é negra e outra é japonesa.

 

BABY

Não acredito.

 

MANDRAKE

Não acredita em quem? Na crioula ou na japonesa?

 

Reação de Wexler escutando a conversa.

 

BABY

Não acredito que você consiga amar alguém.

 

MANDRAKE

Amo mesmo. Amo qualquer mulher que vá pra cama comigo. Enquanto dura o amor, amo feito um louco.

 

Silêncio na sala.

 

WEXLER

Isso é verdade.

 

Mandrake olha para Baby sem pena. Depois para Wexler que acena sugerindo compaixão por Baby, que retira um grande envelope de uma pasta e coloca na mesa.

 

MANDRAKE

O que é isso?

 

BABY

Os trinta mil dólares.

 

MANDRAKE

Eu vou apanhar a garota. Fica tranquilo. Vá para o seu jantar, eu vou tomar conta de tudo.

 

Baby sai.

 

WEXLER

(irônico) E aí, agora você tem algum plano?

 

MANDRAKE

(fazendo uma ligação) Tenho.

 

21
Abr10

Cenas a corrigir


Eremita

Também a pessoa do Ouriquense tem a mania de começar as suas teses com este tipo de frases pré-sintéticas (e.g. completamente ao calhas #1 "Há pessoas que cumprimentamos sempre e pessoas que nunca cumprimentamos. " ou e.g. completamete ao calhas #2 "A racionalização era o meu ajustamento preferido e também o mais detestado."), que depois pretendem fazer colapsar sobre nós com um posfácio final em registo apocalíptico (relativo ao e.g. completamente ao calhas #1 "Aqui ninguém se pode dar ao luxo de decidir um cumprimento em função do momento, sob pena de transmitir uma vibração que se propagaria por toda a parte e chegaria a todos, inclusive à aranha capaz de o devorar." e relativamente ao e.g. completamente ao calhas #2 "Enfim, tudo é relativo. Quando se fala em desumanidade, ainda nos devemos lembrar primeiro das catanadas no Ruanda."). Mania, trejeito, tique ou maneirismo, sei lá, que não fica bem à pessoa de bem apreciar ou, mesmo, desculpar, devendo, portanto, [quatros palavrinhas isoladas por vírgulas, ãh? queriam saber fazer isto?] merecer do leitor o método e o esforço da desconfiança. Os textos espampanantemente arrumadinhos na sua própria estrutura costumam esconder no exterior dos seus perímetros fragilidades maiores que as das democracias ocidentais; o exercício de as encontrar não vai retirar prazer ao texto lido, só desqualificá-lo na exacta medida que nos elogia, o que, no fundo, é uma forma preversa e elipticamente inaceitável de beneficiarmos da sua leitura, dado a satisfação provir de um achado, e não de um raciocinio (a diferença entre achar um fossil novo, e descreve-lo). Adiante, adiante, depois, se quiserem e eu ainda concordar com esta fracção da minha obra, explico melhor. A Causa foi Modificada

 

Trata-se da segunda pessoa em menos de 3 semanas me diz a mesma coisa e eu praticamente não falo com pessoas. Enfim, vamos melhorar.

21
Abr10

Um ortodoxo


Eremita

 

 


O rapaz do cineclube cortou relações com os pais quando se deu conta de que não havia em super-8 registo da sua infância. "Não é possível saber hoje como me movimentava quando tinha 3 anos. É inadmissível, havia dinheiro".

19
Abr10

Soneto a Brigitte Bardot


Eremita

 

Brincadeira


 

Um rigoroso exclusivo do Imprensa Falsa. Este soneto fará parte de uma notícia futura:

 

Soneto a Brigitte Bardot

 

Tu fazias do homem um fraco animal

E nos animais viste o último amante

Que ainda hoje queres e fosse banal

Serias sempre única e tão actuante

 

 

Matei muitas perdizes, peço-te perdão

Só por ti me ajoelho e sei que foste busto

Mas honro a minha pátria e aqui perto do chão

Oiço o piar dos mortos que carrego a custo

 

 

Juro não mais caçar, solta-me deste peso

Tem-me tão preso à terra e não faltam certezas

De erguer este país com o meu ego teso

 

 

Eu vegetariano a todas as mesas

Dou-te por um mandato um eterno defeso

Que homens e animais querem uma entre as deusas

 

 


 


18
Abr10

Tony Carreira


Eremita

O Ouriquense inicia uma colaboração com o Imprensa Falsa, que deve ser entendida como uma contratação sem fins lucrativos por acordo de ambas as partes. Escreverei notícias sobre o interior, a desertificação, os estranhos sotaques que ainda vão sobrevivendo a anos de actividade parlamentar na capital, concursos de literatura promovidos por autarquias, crimes de enxada, a gente gira da costa alentejana, ornitologia, caça e pesca, prostíbulos raianos,  imprensa local, comunidades estrangeiras e música popular. Comecei com Tony Carreira.

15
Abr10

Pátria


Eremita

Apesar da má qualidade da ligação telefónica, foi muito útil a deslocação de Jaime ao São Luiz, ontem, para assistir ao concerto de António Zambujo. O músico é o primeiro português a conseguir explicar aos brasileiros como as canções deles devem ser cantadas. Ele é a melhor resposta de Portugal ao acordo ortográfico. A sociedade civil está de parabéns, nomeadamente os pais de Zambujo e o próprio.

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