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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

06
Mar10

Matar Igor


Eremita

 

 Parental advisory

 

A canção mais polémica do álbum explora a tensão criada pelo confronto entre uma progressão harmónica apaziguadora, própria de um cantautor romântico, e uma letra pesada, tributária de algum satanismo, ainda que filtrada por uma introspecção só possível a quem não abdicou por completo dos valores burgueses, mas sem que a leitura de Dostoievski tivesse sido inócua. Em traços gerais, deseja-se contratar um assassino a soldo, não para que ele despache  Igor, antes para que conte como se pode viver com o remorso de matar alguém. Começa na tonalidade de mi menor e umas discretas congas pontuam o refrão, mas até agora tenho sobretudo censurado versos. Seria hipócrita não reconhecer o efeito terapêutico deste trabalho de composição.

 

06
Mar10

Dactilografia


Eremita

Curiosidades do mundo da tecnologia

 

As máquinas de escrever e os teclados de computador, seus descendentes naturais, têm uma disposição de teclas que não é a mais eficiente. Se mudássemos a posição das letras de acordo com critérios conhecidos, seria possível ensinar uma nova geração a escrever ao teclado mais depressa do que nós escrevemos hoje. Porquê?

 

Quando se aprende a dactilografar, há uma tendência para se ir escrevendo cada vez mais depressa, até se atingir um limite definido pelo treino  e pelas nossas capacidades físicas e mentais. Nos primórdios das máquinas de escrever, limitações mecânicas desaconselhavam débitos de palavras por minuto muito elevados, porque as agulhas não conseguiam recuar com  a rapidez necessária para evitar que ficassem encravadas umas nas outras. Mas como não se pode pedir a um indivíduo que modere a sua tendência para a execução rápida, a solução encontrada foi arranjar as letras de um modo que dificultasse a dactilografia, maximizando-se a eficiência dactilográfica pelo paradoxal efeito propositadamente dificultar o débito de palavras. Com o passar dos anos, a mecânica possibilitou um aumento da velocidade máxima, mas o teclado não se modificou porque a tradição é muito forte. Assim, os actuais teclados são um anacronismo do tempo em que a mecânica das máquinas de escrever não era compatível com velocidades de dactilografia muito altas. 

 

Ler uma pessoa muito nova e muito inteligente é como observar uma experiente secretária que tivesse aprendido a escrever numa máquina antiga com a disposição de teclas optimizada para a velocidade mais rápida possível. Percebe-se o génio da pessoa nova mas repara-se antes na segurança com que anuncia as suas reflexões, como se a Terra não tivesse até então sido habitada por alguém capaz de tais raciocínios. Percebe-se também o virtuosismo da dactilógrafa, mas o texto sai cheio de borrões e emendas porque as agulhas estão sempre a encravar-se. Em teoria, há duas soluções possíveis. A  pessoa nova muito inteligente poderia mostrar-se mais modesta e a dactilógrafa poderia abrandar voluntariamente a sua velocidade máxima, mas na prática esta solução não funciona.  O que funciona mesmo é a artrose e o envelhecimento, respectivamente.. 

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