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Olivro de Thomas More começa a parecer interessante. A primeira parte (preâmbulo e livro I) desmotiva, porque More perde muito tempo com os artifícios de ficção que lhe permitirão desenvolver ideias bizarras e até heréticas para a época com o distanciamento que qualquer pessoa sensata recomendaria. É um exercício essencial, mas aborrecido para o leitor.
O livro II, em que se descreve a ilha, é fascinante. A comparação está gasta, mas A Utopia faz mesmo lembrar uma versão pré-marxista do comunismo. E nem mesmo como ficção ou coisa idealizada atrai. Pensava ir encontrar uma sociedade com uma organização superior e afinal dei com um kibutz. Enfim, o que me seduziu mesmo até agora (página 84 de 172, na tradução de José Marinho editada pela Guimarães) foi um dos jogos de salão a que os utopianos se dedicam: o combate dos vícios e das virtudes. Pela descrição, soa a resumo da condição humana e já alimentei um projecto megalómano muito parecido, em que descreveria a rede de vasos comunicantes que liga uma virtude a todas as outras e a todos os vícios, estando cada vício também ligado a todos os outros e, naturalmente, a todas as virtudes .