Ainda em Lisboa, apareciam entre a minha roupa itens que eu sabia de quem eram. Depois de me mudar para aqui, começaram a surgir itens que eu apenas sei que não me pertencem. Dou por eles anos depois do extravio e, por isso, quase nunca é roupa interior, que não se esquece nem deixa de ser imediatamente notada na pilha da roupa suja. Abundam as T-shirts, que dobradas podiam ser minhas, mas que deformaria ou faria ceder pelas costuras se as vestisse. Também frequentes são os acessórios: echarpes, bandoletes e até alguma joalharia, quase sempre barata, embora a revelar bom gosto. A última peça foi um cachecol, tão andrógino que tive vontade de usar, mas sobretudo por causa do mau tempo. Não é só a chuva. Tem feito muito vento em Ourique.