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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

31
Jan10

O problema da habitação


Eremita

 

Segundo um reputado biólogo, o programa animal assegura três objectivos: a nutrição, a reprodução e a fuga a predadores. Não restam dúvidas que de a nutrição é essencial ao indivíduo e de que a reprodução é essencial à espécie, mas o último objectivo causa alguma surpresa. Afinal, desde logo por haver animais no topo da cadeia trófica que não têm predadores, o programa animal parece mal descrito - em todo o caso, não será universal. Devemos então  reformulá-lo. Um dos objectivos em falta é a procura de uma habitação. Certos animais, como a tartaruga, trazem no corpo a casa que habitam. Outros animais, como o caranguejo eremita, fazem de búzios mortos a sua morada, mas assumem-na tanto que as crianças julgam ser o búzio parte integrante do corpo do animal, como são as patas. A verdade é outra: ao contrário da tartaruga, o caranguejo eremita tem de procurar um búzio maior para poder continuar a crescer. 

 

Continua

 

 

 


28
Jan10

Kavafy e Pessoa


Eremita

Incursão surpresa do moço de recados a Lisboa para captar (apenas em áudio, infelizmente) o documentário The night Fernando Pessoa met Constantine Kavafy, do realizador grego Stelios Charalambopoulos. Foi no auditório 3. O som chegou sem ruído. No fim do telefonema perguntei ao moço o que tinha achado, mas ele mostrou-se pouco interessado em discutir poesia. Desconfio que pousou o telemóvel na cadeira, foi dar pão aos patos  e esteve ausente a maior parte do tempo. Enfim, sempre rematou a conversa com um apontamento sociológico. Disse-me ele, com notório gozo, que a incidência de tias no staff da Fundação faz com que até a menina que circula com o microfone tenha ar de ser de boas famílias. O miúdo pode apenas ter pisado três províncias (Alentejo, Algarve e Estremadura), mas foi abençoado com bom olho. 

27
Jan10

Bibliografia


Eremita

Dois livros que fazem mesmo falta à minha colecção:

 

Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, Livros Horizonte


Diagnostic and Statistical Manual of Mental Diseases (DSM)

 

Se conhecerem algum livro no género melhor do que o primeiro, agradecia que me informassem. Se tiverem o segundo à venda e for o DSM-IV-TR, talvez possamos trocar umas ideias sobre o assunto.

 

 

 

26
Jan10

Rui Tovar


Eremita

A Wikipedia dedica apenas uma linha ao jornalista e escreve que ele se notabilizou por praticar uma linguagem gongórica. Há fortes suspeitas de que o autor da entrada "Rui Tovar" é o próprio Rui Tovar.

 

Rui Tovar ensinou-me uma palavra, um adjectivo pátrio. Se a Hungria jogava, antes do primeiro golo era seguro que Tovar dissera "magiar" um bom número de vezes. É curioso que não consiga associar a aprendizagem de mais nenhuma palavra do meu vocabulário a uma pessoa em concreto. Não aparecem os pais, não aparecem professores, não aparecem amigos mais velhos, não aparecem escritores. E ainda são órfãs aquelas palavras que se destacam na memória por surgirem numa altura em que já não se aprendem muitas; palavras como "pérgula" e "proselitismo" vieram tarde mas não sei bem de onde. Só aparece mesmo o Rui Tovar.


Prometo reescrever isto. É óbvio que estamos perante material para alguns parágrafos e a pedir como ilustração a fotografia de um trenó atirado para uma fornalha. Mas agora não há tempo, vou para o Cotovio ler o Pais e Filhos. 

 

Adenda: na verdade, após um intenso esforço de memória, descubro que "pérgula" foi-me ensinada por uma namorada. Onde antes havia só o Rui Tovar, há agora também a namorada - mas a observação inicial até sai reforçada, pois é desconcertante que Rui Tovar tenha precedência sobre a namorada. 

26
Jan10

X


Eremita

John Coplans

 

 

12.04.08 Sou canhoto. Dos pés à cabeça, a parte esquerda do meu corpo parece levar décadas de avanço sobre a parte direita. Há um cansaço que se aloja à esquerda, mas também experiência e destreza. A parte direita está mais fresca, e é mais ingénua e canhestra. A direita só acompanha a esquerda no crescimento e na aquisição de força - é sempre com surpresa que confirmo poder levantar com o braço direito o mesmo haltere que o braço esquerdo ergueu. Mas sinto as duas partes como corpos de siameses que se tocam um no outro ao longo de todo o plano sagital. Sorte minha não haver contencioso entre as partes sobre a quem pertence o umbigo.

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