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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

20
Dez09

4' 24''


Eremita

Bem sei que vivemos tempos em que o DJ tem o estatuto de deus, mas gostaria de lembrar que a música ainda se define como a arte de organizar sons e não como a arte de organizar alinhamentos. A melodia que se ouve a partir dos 4' 24 '' é um dos grandes momentos da guitarra do século XX. 

 

 

 

 

20
Dez09

...


Eremita

 

Disciplina, disciplina, disciplina. Diz "não" a Tatiana, "não" à Paula Moura Pinheiro e a toda a televisão. Disciplina, disciplina. A literatura não é prazer. Meu Deus,  "prazer", que perspectiva absurda, sobretudo agora que António Guterres se ocupa apenas dos refugiados, uma área em que o hedonismo faz pouco sentido. Se fosse guiar as leituras pelo prazer iria regredir até ao nono ano de escolaridade da era PS e já não tenho a pachorra necessária, nem as borbulhas, nem a iliteracia. Disciplina, disciplina. Para terminar o Moby-dick é preciso ganhar a obsessão de Ahab pela baleia. 

 

 

 

20
Dez09

Stasis natalícia


Eremita

 

Os conservadores opõem-se à mudança. Os progressistas são pela mudança. Os revolucionários querem precipitar a mudança. Só sobram aqueles que vêem na mudança a única forma de não sair do mesmo lugar. Com os primeiros partilham o conformismo; com o segundos, a persistência; com os terceiros, a ansiedade. Mas não há confusão possível. Basta pensar na bibliografia. Os outros  citam autores sérios e livros sagrados, mas esta gente encontrou a sua sentença de vida num clássico da literatura infantil: "Now, here, you see, it takes all the running you can do, to keep in the same place". 

19
Dez09

Cintra Torres


Eremita

Eduardo Cintra Torres escreveu no Público de ontem que o Câmara Clara é "o mais irritante dos talk-shows [não leva hífen] culturais".  Passei a respeitar Cintra Torres quando lhe li a opinião de que não há bons romances com verbos no título,  provavelmente a única ideia que retive de um ano inteiro a ler cronistas portugueses. Porém, Cintra Torres também se engana. 

 

 

19
Dez09

Coisas simples


Eremita

Acabo de receber um sms do mano, que por estes dias anda pela capital a comprar alguns livros (a entrada sobre Pinto do Amaral jamais existiria sem  a invenção do telemóvel com máquina fotográfica). Parece que a Bertrand, uma das livrarias de referência da capital, tem um grande cartaz a anunciar uma obra de Luís Castel Branco mas não tem o Com os Holandeses, de Rentes de Carvalho, um livro publicado pela Quetzal e que saiu recentemente. Como duvido da hipótese de uma ruptura de stock por excesso de procura, convém lembrar que mais importante do que escrever artigos vagamente redentores sobre escritores ignorados ainda é fazer com que os livros desta gente estejam nas livrarias. Eu sei que Lisboa é um castelo de fachadas em equilíbrio precário (sete colinas e tal...), mas há limites. Menos retórica e mais acção, s.f.f. 

 

 

18
Dez09

Fever


Eremita

Sexta-feira à noite, 5 posts.  - e nem falo dos pacotes de alcagoitas. Eis a trepidante vida nocturna de Ourique. 

18
Dez09

Gulliver


Eremita

Dos poucos sonhos de que me lembro, o fantástico resulta quase sempre de efeitos de escala. Nos meus sonhos as pessoas não voam, nem são azuis, nem expulsam labaredas pelas narinas. Mas num sonho meu Ricardo Chibanga pode aparecer a palitar os dentes com uma bandarilha. Em vigília, a minha tolerância para o fantástico parece resultar do que aprendi com os sonhos. Não é que apenas permita efeitos de escala e varra todos os autores do Fantástico para ficar apenas com Swift, Gulliver e os liliputianos. O que não tolero é chegar ao fantástico pela corrupção de demasiados parâmetros de verosimilhança. Mexam com a escala, mexam com o tempo, mexam com uma das dimensões do espaço, inventem um qualquer poder transcendental, mas não façam tudo ao mesmo tempo. Talvez por isso, o melhor livro deste tipo de literatura que conheço é Einstein's Dreams (foi publicado pela Asa). 

18
Dez09

Peter brown


Eremita

Falaram-me, em tempos, da mulher de um grande cientista, de nome fictício Peter Brown. Parece que, ao jantar, esta mulher se referia ao seu marido sempre como "Peter Brown". "Peter Brown, passe-me o sal, por favor"; discordo, Peter Brown"; "Peter Brown é tão engraçado, não acham?" Lembrei-me desta bizarria a propósito da introdução a Sinais de Fogo, de Jorge de Sena, escrita por Mécia de Sena, que foi sua mulher. O escritor é sempre mencionado como "Jorge de Sena". Mécia de Sena nem sequer se dá o direito de abreviar para "Sena". O efeito é estranho e não se entranha. Mas a verdade é que um petit nom teria ficado mal naquelas páginas e não sobravam muitas alternativas. 

 

 

 

18
Dez09

Uma lombada


Eremita

 Não sei se Fernando Pinto do Amaral ocupa uma posição ímpar nas letras lusas, mas posso assegurar que a sua antologia Poesia Reunida 1990-2000 publicada pela Dom Quixote assume uma posição de destaque no mundo da edição. Trata-se, salvo erro, do único exemplo conhecido em que a escolha de uma capa com pelo menos duas cores não foi, apesar de tudo, suficiente para que pela lombada se perceba o título. Ao nível da prateleira, Fernando Pinto do Amaral tem o ópus mais enigmático de toda a nossa literatura, um autêntico tijolo anónimo, ainda que o seu nome e o da obra estejam lá escritos. O impasse é na interpretação: será que foi mesmo burrice? Será que foi apenas ignorância das cores que não devemos combinar, por ausência de contraste? Ou será que estamos perante um golpe de marketing de grande sofisticação? Uma lombada lisa destaca-se de todas as outras, pelo mesmo esquema de frequency-dependent selection que nos leva a apreciar as loiras no sul e as morenas no norte. Enfim, o tema não é tão interessante como o tamanho de letra de "Vasco Graça Moura" na qualidade de tradutor, mas há dias fracos.

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