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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

23
Set08

Esmurrar um jovem


Eremita

 

Foi importante fugir de Lisboa quando me senti capaz de esmurrar um jovem.  Lisboa tem hordas de jovens. Ourique, não; trata-se de uma vila envelhecida, temos poucas crianças e até poucos jovens. A crise demográfica é para mim uma boa notícia, vai permitir-me aceder a outras partes do território.

 

A direita conservadora não gosta dos jovens porque os jovens são a matéria-prima da transformação social. Por isso e porque um jovem não se sabe sentar a uma mesa. Eu detesto os jovens exclusivamente pela arrogância da sua juventude. Um conservador precisa de uma sociedade inteira para detestar um jovem. Eu detestaria o jovem se ele morasse comigo numa ilha deserta. Esta repulsa é irreprimível quando o jovem com no mínimo menos  x anos do que eu chama "velho" a um amigo meu que me leva de avanço pelo menos mais x anos. Este posicionamento etário intermédio tem estranhos poderes, que atingem o cúmulo com a equidistância. Era muito estranho, mas muito verdadeiro. Mais uns dias em Lisboa e teria hoje cadastro.

23
Set08

...


Eremita

Um dos maiores atalhos para a imortalidade é matar alguma coisa. Matar Deus, matar o autor, matar a História, matar John Lennon, matar a sua própria pessoa. De onde vem este impulso? Na Grécia Antiga, a proibição de se mencionar o pirómano Heróstrato que deitou fogo ao Templo de Artemisa não foi respeitada. Isso viria a ser tanto um sinal como uma causa dos males futuros. Tratando-se de uma violação, não se violou um segredo de justiça, antes um segredo feito justiça. Mas a relação entre ambas não se reduz a um mero jogo de palavras, porque o que reprime a primeira violação estimula a segunda. Logo, é impossível acabar com esta. 

23
Set08

...


Eremita

Ainda sobre as hipotéticas crónicas no Diário do Alentejo... Seria possível andar a cumprir durante meses a tarefa, sem alguma vez ter articulado um pensamento original. Uma boa crónica deve conter um raciocínio, fazer uma crítica e avançar uma proposta pessoal. Mas isso torna-se quase impossível, porque fora da esfera da experiência individual o resto tende a ser passado em terceiríssima mão ao leitor - a própria esfera reproduz tipos e uma pessoa surge original aos olhos de outra pela novidave do encontro, não por ser única . Se como exercício de divulgação a crónica ainda vale, ela representa não a morte do autor mas o seu próprio suicídio (porque dispensa o leitor).  A opinião que o cronista veicula sobre a actualidade  foi em regra feita de umas leituras rápidas. Como há cada vez mais leitura de informação e menos leitura de factos, o fazedor de opinião é na verdade um propagandista de uma opinião que adoptou ou então que adaptou para a sua realidade (o seu país, etc.). Este esquema perpetua-se porque na crónica não há a obrigação de fazer referência ao que se leu - seria muito interessante se este exercício pudesse ser posto em prática com rigor, para se descobrir os verdadeiros fazedores de opinião, que provavelmente, para cada domínio, se contam pelos dedos. Mas talvez nem em teoria isto fosse possível. As fontes são tão difusas que o que o cronista faz é um assentamento de espáduas a uma opinião que paira por aí. Há excepções, claro, mas não creio que viesse a ser uma excepção no Diário do Alentejo.

22
Set08

...


Eremita

  

 

 

Afinal P. não me quer em Zinder, acena-me com Acra, no Gana. É muito tentador. Podia aproveitar a viagem para começar a trabalhar no meu porta-fólio (escreve-se assim) de escritor de viagens. É difícil imaginar melhor nicho para o mercado nacional. O país é totalmente ignorado em Portugal e creio que nem o Gonçalo Cadilhe pôs lá os pés, porém chegou a existir naquela terra uma feitoria portuguesa. Eis um título, à Granta: "Gana: a pós-colonização possível". Seria uma entrada fulgurante no exigente mundo da escrita de viagens, mas sinto-me preparado e até vou lendo amiúde o meu Paul Theroux. Depois de ganhar alguma reputação com uma viagem que aconteceu mesmo, poderia aguentar-me com viagens inventadas e mudar de identidade sempre que fosse apanhado. Chamemos-lhe heteronímia de sobrevivência. 

 

E a Tatiana? Ainda não contei o que se passou durante o concerto do Stockhausen e conto fazê-lo em pormenor, inclusive com fragmentos de Proust, mas adianto que pela minha rua passou naquela noite uma rapariga tão bonita que me paralisou. Isto talvez não acontecesse comigo desde 2002, e na altura vivia em Nova Iorque, cidade que tem modelos e actrizes a servir à mesa. De onde surgem estas aparições ouriquenses? Recordo que não é a primeira, já antes me cruzei com uma que deu os traços do rosto de Tatiana. Mas a de sexta era ainda mais sublime, um clone da  Milla Jovovich, e não resisto a retocar alguns dos traços do rosto de Tatiana, que para todos os efeitos é um ongoing project. Quem vai gostar é o Igor, que graças a mim vai mudando de mulher sem trocar de namorada. Sinto-me agora absolutamente legitimado para dar cabo dele com uma morte violentíssima (e isto recorda-me um texto de Herberto Helder - lá iremos um dia).

 

 

21
Set08

I


Eremita

 

John Coplans

 

 

 

 

23.03.08 Houve um tempo ainda não tomado pela imagem de uma região lombar já suada e intermitentemente iluminada pelos relâmpagos de uma trovoada. Nesse tempo, do cimo das nádegas à base do pescoço, as costas ainda não trocavam tantas vezes de rosto, não amava  vaga e genericamente, e ainda me dominavam as lembranças de estar sentado costas com costas com um amigo, o quadro  doméstico que era a mãe a espremer as borbulhas do pai e a imagem de um Robinson Crusoé nu e satisfeito, deitado de barriga para baixo na mancha de flores sobre a bissectriz definida pelos dois montes do prado, mais ao fundo, a cena mais erótica que alguma vez terá passado na RTP - e quem mais se lembrará?

 

Um tipo que trabalhava o músculo latíssimo do dorso ficou ontem uns minutos no meu enfiamento, de costas para mim  - eu dava aos músculos exteriores do antebraço, uma prioridade para quem gosta de andar de mangas arregaçadas. Gera-se um efeito quase hipnótico quando se vê a musculatura das costas de outra pessoa, que passa a ser uma engrenagem, sobretudo se for alguém muito musculado que tenha um ritmo regular e não se exercite no limite do esforço, pois aí os guinchos e a respiração ofegante não deixam dúvidas de que se trata de um animal. O tipo de ontem tinha uma cadência muito constante e não fazia barulho que se sobrepusesse ao da música ambiente. Era um homem enorme, com uma envergadura de albatroz, mas nem ele tinha o tamanho necessário para que, deitado, fosse um monte que apetecesse conquistar.

 

Não sei se cheguei a fazer de filhote de morsa com o meu pai. Teria de ser minúsculo para lhe escalar as costas e me deitar sobre elas ao sol como se fossem uma praia sobre a praia, tão pequeno que a minha memória não pode repescar esses momentos. De onde virá então a impressão das minhas mãos sobre as suas costas? Havia uma tensão entre as peles que poderia ser a do meu corpo erguendo-se e rastejando sobre ele, indo do lombo para a região cervical com uma urgência de segredar algo ao ouvido que dispensa até o domínio da fala. Mas nem a memória chega tão atrás, nem a carne de que me lembro era a de um homem forçosamente novo. Tacteava a brandura da fina camada adiposa que aos quarenta anos já se instalou.

 

De onde vinha aquela experiência? Enquanto o albatroz prosseguia as suas séries, regular como um relógio de parede, perdi-me em raciocínios, abusando da exclusão de partes para chegar depressa a um lugar que sumariamente transformei em certeza: as águas do cais da Ponta do Sol. Era aí que o pai ia às jacas (caranguejos) e às lapas de apneia, levando os filhos miúdos como ajudantes. Fazer o perímetro do cais assustava-me, porque ao fim da tarde o lado este está à sombra e num mar à sombra só se espera que um tubarão irrompa do azul profundo. Havia o relato de um ataque na costa norte, que ficava logo ao virar da ilha, e havia o Cousteau, a cujos mares longínquos a água do meu mar chegava. De vez em quando, depois de olhar com a viseira a 360 graus, certificando-me de que nenhum tubarão teria tempo de me apanhar, aproximava-me do meu pai e tocava-lhe nas costas. A tal tensão, aquele atrito de pele na pele, poderia vir da ponta dos dedos encarquilhados pelos mergulhos mais longos e de uma mão crispada de medo, embora tentasse sempre dar a impressão de um toque casual. Só pela proximidade, o dorso esbranquiçado do meu pai à tona de um mar ensombrado reconfortava-me. Mas sobrava uma impressão de taxidermia, talvez por ter tão presentes os grandes espécimes do museu de história natural do Funchal; afinal, o meu pai era o maior animal que eu via naquele oceano. Tentava por isso demorar o toque nas suas costas, certificar-me de que ele não seria carne para tubarão e que estava vivo para me proteger, apesar de o ver a mexer-se - também as grandes algas oscilam com as correntes e não têm movimento próprio. Sem que me denunciasse, chegava então a sentir o calor do seu corpo. Não há nada mais reconfortante do que a exotermia de um corpo endotérmico dentro de água, a menos que se trate de uma orca, claro. O meu pai nunca percebeu aquela minha rotina ou então percebeu tudo, porque o passado é mais fácil de gerir quando não há meio termo.  

20
Set08

...


Eremita

Tive na vida um único amigo intelectual. Ainda somos e seremos sempre amigos, o que eu deixei de ter foi disposição para mais amizades. Ele é um daqueles casos raros de alguém que se fez no que sonhou, o que revela muita coragem. Enviou-me esta semana um convite para um concerto que dirigiu ontem - foi a segunda carta que chegou a Ourique. Respondi-lhe logo por email, porque a volta do correio não apazigua a consciência. Ele percebeu. Percebe sempre. Um dia, na Caparica, percebeu até que não perceber o que eu tinha já por percebido era a melhor forma de me salvar, porque sabe que é superiormente inteligente e que eu tenho a fraqueza de respeitar a autoridade quando não percebo o argumento. 

 

Não fui ao concerto e esta casa não tem o pé-direito dos Jerónimos, mas coloquei-me no centro do meu jogo de colunas com efeito surround e tive o capricho de sincronizar a escuta do CD que ele me havia oferecido com o início do concerto, em Lisboa. O CD veio da casa do próprio Stockhausen, de quem ele terá sido o último discípulo. Assim, também Ourique teve ontem primeiras audições, porque deixei a janela da sala aberta e quem passasse na rua teria ouvido  Mixtur 2003 (revisão do original de 1964), na versão original e na versão retrogradada, entremeadas por Gesang der Jünglinge (1956). Ora, o que aconteceu foi extraordinário.

 

 (Cont)

19
Set08

...


Eremita

Que registo adoptaria nas crónicas do Diário do Alentejo? Há essencialmente duas maneiras de ser original na crónica. Uma é ter um estilo original. A outra  é mostrar uma visão original, que pode resultar da escolha de um tema excêntrico, ou do tratamento supreendente  que se dá a qualquer tema. Isto começa a pedir uma matriz e exemplos...  Mas atalhemos: o supremo cronista teria um estilo original e escolheria um tema excêntrico a que daria uma interpretação surpreendente. Ou seja, parecer-se-ia a um louco. Ou então ao Miguel Esteves Cardoso. 

19
Set08

Um tributo a John Coplans


Eremita

John Coplans

 

O mano passou por aqui ontem e trazia uma supresa: uma resma de rascunhos, poesia de juventude, várias provas da minha intensa actividade de desmanchadeira de diários, cópias em papel químico de cartas de amor e muitas folhas escritas à máquina. Passei a noite a reler aquele material e ainda não preguei o olho. Vai tudo para o ecoponto, menos umas folhas agrafadas e dactilografadas com a estupidez de quem imita o escritor nos aspectos mais acessórios, mas também o cuidado e a modéstia de quem pressente ter nas mãos tanto o primeiro rascunho como uma última edição de autor. Daí a mancha gráfica cuidada, as margens tão generosas.


Trata-se de um conjunto de umas cinco ou seis dezenas de textos (não estão numerados) que escrevi durante os meses que frequentei o tal novo ginásio, de Janeiro a Julho deste ano. Terminei-os antes de vir para aqui e foi o último projecto literário, pois em Ourique deixei de escrever e não faço absolutamente nada, tirando ler e outros passatempos, como o tiro aos comprimidos  -agora também racho lenha, mas veremos quanto tempo dura este novo capricho. Conto começar a transcrevê-los para o Ouriquense. E se houver scanner na vila, talvez até deixe umas fotografias do original dactilografado, por causa daquele efeito legitimizador do making of.

 


Os primeiros textos estão praticamente todos riscados a tinta vermelha ou então têm frases metralhadas com a tecla "x". Ainda se consegue perceber as razões deste fuzilamento: tinham sido falsas partidas. Eu chegava a casa vindo do ginásio e sentia-me refém das impressões mais imediatas. Tudo o que escrevia girava em torno do sexo. Como não é um material fácil, só destilava banalidades. Este fragmento, por exemplo: "no balneário dos homens, há quem oculte sempre o sexo com uma toalha, quem com ele se passeie ostensivamente e quem o trate com a indiferença que damos ao calcanhar, destapando-se umas vezes e outras não, de acordo com critérios práticos ou de simples higiene. Eu sou deste terceiro tipo, mas só por educação,  pois não me sai naturalmente. E fico sempre a pensar que as pilas maiores não estão à mostra. Imagino por lá uns tipos que ocultam as suas para não despertar a inveja, o medo e a tristeza nos outros.(frase ilegível) ... pois, em todo o caso, só pode ser um pensamento de esquerda." Enfim, depois vem uma reflexão sobre a impossibilidade de um homem ter uma ideia do percentil do seu próprio pénis, pois ainda que uma régua e a distribuição populacional lhe sejam acessíveis, os números não batem certo com as imagens, que não batem certo com o que lhe dizem, e o que lhe dizem, de não bater certo com nada, por mero acaso pode até acabar por não ser uma mentira. Mas mesmo naquele texto se percebe alguma inibição e os típicos temores que só se afastam de um registo de adolescente pela segurança algo conformada de uma rotina sexual.Se era para usar o corpo e os corpos do ginásio para escrever assim, mais valia ter ficado em casa.

 

Se fosse de forjar epifanias, diria que o entendimento - digamos - profundo de um ginásio ocorreu no dia em que trabalhava os deltóides numa máquina e, mesmo à minha frente, uma rapariga corria de costas voltadas para mim. Tinha uma roupa - um top de licra? - que lhe descobria uns ombros muito harmoniosos, umas omoplatas bem revestidas, a região lombar com uma suave curvatura que fazia a transição concâvo-convexo no lugar perfeito... enfim, um corpo cinzelado com o bom senso de quem sabe que não deve perder toda a gordura nem crescer demasiado músculo. Eu tentava disfarçar o olhar fixado nas suas nádegas com uma máscara de esforço que me levava a semicerrar os olhos, mas aquele rabo não saía do campo de visão, apenas ficava ligeiramente desfocado, também por causa do suor nas pestanas. Só que em algum momento o rabo sublime e enxuto passou a ser visto como um símbolo de fertilidade e sem ponta de lascívia. À minha frente, a Vénus de Willendorf corria sobre a treadmill. Não estava a alucinar, limitei-me a fazer uma associação, mas como há um fascínio generalizado por aqueles seios pesados e coxas poderosas, e quase nenhuma imagem do traseiro da Willendorf, tê-lo imaginado a partir de um rabo pós-moderno fez-me dar descanso aos deltóides e pensar por momentos se não haveria ali um princípio de deserotização algo redentor, que talvez me reabilitasse ainda a escrita. Descair no extremo oposto e tornar aquele espaço num ringue em que se boxeia desesperadamente contra a efemeridade, pela tonificação do corpo (a defesa alta) e pela reprodução (o uppercut que dá a vitória por knockout) também me pareceu algo forçado. E como tudo me parecia bastante plácido, a sugerir que a tensão sexual era na verdade neutralizada pela concentração de narcisos, não via ali a malha social dos ginásios onde se pratica desporto de competição, algo capaz de me levar a um pastiche do conto de Ruben Fonseca que acabara de ler, só sobrava mesmo fazer do corpo pretexto e manifesto: se o que está ao alcance de um homem normal é escrever sobre si próprio e se o homem só tem poder sobre o seu corpo, embora nada o force a circunscrever-se à escrita sobre o corpo, não causará surpresa que em alguma altura inscreva o seu corpo na escrita.

 

Lembrei-me então de uma exposição do fotógrafo John Coplans, que vira na adolescência, na Fundação Calouste Gulbenkian. Eram auto-retratos enormes de um corpo nu e envelhecido. Como nunca se via o rosto, havia ali o mesmo efeito de apropriação que se explora nas sequências pornográficas de felação, em que o homem é excluído da imagem de tal forma que o ângulo do seu corpo se funde com o do espectador, que lhe toma de empréstimo a imagem do pénis. Também Coplans fazia com que um rapaz se apropriasse dele, mas para estender a sua vida e não o corpo - afinal, gostamos de comprar antiguidades. O corpo de Coplans ainda hoje me surge como o mais almejável dos desejos, embora lutasse contra ele todos os dias naquele ginásio. Era como se aceitasse que iria passar a vida atrás dos corpos de Mapplethorpe, num esforço inglório, mas a partir de então com a tranquilidade de quem na juventude passou revista ao lar onde sabe que teminará os seus dias e não desgostou da decoração. Por isso concluía sempre os exercícios com um sorriso, logo a seguir a desfazer a máscara de esforço. Isto criou vários e deliciosos equívocos. Por exemplo, a tal rapariga, quando se virou e me viu, sorriu de volta. Devo muito a John Coplans.

19
Set08

Houllebecquiana


Eremita

A lei de Von Baer popularizou-se na sua forma degenerada como o princípio da recapitulação, da autoria de Haeckel, redutível ao famoso slogan: "a ontogenia recapitula a filogenia". Sabemos hoje que  a explicação para que durante o desenvolvimento embrionário os diferentes estadios reproduzam sucessivamente os estadios de desenvolvimento embrionário das espécies cada vez mais próximas (a ideia de Von Baer) é a teoria da evolução, embora Von Baer não fosse darwinista. A nova variedade evolutiva acrescenta ao que já existe, preservando-o como estrutura  e como processo. Já o slogan de Haeckel é difícil de conciliar com a teoria da evolução, porque ele viu na ontogenia um filme acelerado da evolução (a filogenia), em que os actores eram as formas adultas das espécies ancestrais e não as suas formas embrionárias

 

No caso das relações amorosas falta ainda uma teoria unificadora, mas há um acervo de observações que convém sistematizar. Uma sugestão: nas primeiras relações, como nos primeiros tempos de qualquer relação, há um desejo comum de descoberta do outro, que se vai perdendo com a acumulação de relações e também com o desenrolar de qualquer relação. A relação reproduz o histórico das relações passadas. Isto é mais ou menos trivial e cai na categoria do exercício de ressabiado. Mas há um elemento lúdico. Esta recapitulação é à Haeckel ou à Von Baer? Recapitulamos durante uma relação as sucessivas relações no ponto em que estavam maduras ou como se fossem estadios embrionários de uma qualquer progressão para um qualquer ideal? Pode ser que haja dois tipos de pessoas: os haeckelianos, que seriam os cínicos, e os von-baerianos, que seriam os românticos.

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