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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

27
Ago08

...


Eremita

 

 

Preciso urgentemente de um emprego. Se até ser escritor de viagens de verdade é mais um passatempo que uma profissão a sério, o que será fingir ser um escritor de viagens? De resto, não tive resposta da Volta ao Mundo e não me apetece ir pelas cunhas. Talvez a solução seja apresentar algum trabalho. Hesito entre um Coast to coast nos EUA e uma peregrinação a Santiago de Compostela com partida da torre de St. Jacques, em Paris. Mas fica por resolver o problema do emprego. Só o trabalho me liberta, é embaraçoso reconhecê-lo. Ainda agora, ouvia o Prelúdio #2 em Dó menor do Cravo Bem Temperado e fiquei com uma vontade irreprimível de trabalho braçal. Carimbar freneticamente também seria solução. Que música tão absurdamente laboral, o Prelúdio #2. Ignoro se Bach escreveu a obra pela ordem com que aparece organizada, mas dir-se-ia que cedo deu conta da empreitada e precisou de compor algo que lhe desse ânimo para não desistir. É um super-poder isto de ser auto-suficiente na produção daquilo que nos dá alento. Bem, como tenho formação superior, talvez consiga empregar-me na câmara de Ourique. 

27
Ago08

...


Eremita

 

 

Vários problemas: tem sido difícil manter um ritmo verosímil. Por mim, o Igor já estaria debaixo da terra e a Tatiana debaixo dos meus lençóis, o maluco  - Inácio, fica já com este baptismo sumário - da máquina de movimento perpétuo teria feito a sua entrada, porque estou em pulgas para escrever sobre a megalomania e a criatividade, e haveria uma personagem no café com retrato psicológico já traçado e aturada descrição da sua genealogia até meados do século passado, para chegar tangencialmente ao Mira da velha taberna. Quanto aos outros fantasmas, o Honório, a minha Emília e o Luís, já todos teríamos jantado. E com o Chibanga teria já dado passeios ao luar no campo pelado do Ourique Desportos Clube, que é mais novo do que eu (foi fundado em 1976) mas parece também um clube fantasma. A ideia de meter o Chibanga no pelado e ao luar é boa, mas convém não abusar do realismo mágico, que é coisa datada e só resulta nas pessoas que não leram os melhores livros. Sinto grande urgência em conhecer a Tatiana mas a arte aqui é passar essa urgência para o leitor e adiar por mais uns dias o atropelamento de Igor. Só mesmo este ansiolítico: Igor não terá morte imediata e estrebuchará no caminho para o hospital, um bom pretexto para discutir as políticas de saúde do antigo ministro Correia de Campos e fazer chegar ao Ouriquense a contemporaniedade pela porta da intemporalidade. Belo remate - vou até tirar a caixa de comentários para não me elogiarem.


 Nota: fotografar mais paredes decadentes, já me vi obrigado a reciclar uma das fotos.


 Nota adicional: e se eu fosse de direita, não neste registo mas na vida real em Ourique? É verdade que ainda não explanei um "pensamento político" e escrever como alguém de direita seria uma forma fácil de chegar a um estilo feliz, de provocar e de criar um contraponto ao discurso que pratico em itálico. O Ouriquense não ficaria apenas pela intemporalidade, poderia reclamar  para si a própria totalidade (isto diz-se?). Nada de caricaturas. Nada de ressuscitar um Kaúlza de Arriaga, porque isso me impossibilitaria de desenvolver uma amizade com Chibanga e esse é o eixo central do Ouriquense (Tatiana é só uma paixoneta). Raios, isto começa a ficar muito complexo e qualquer dia até troco a tábua de salvação por uma tábua de personagens. 


 Nota à nota adicional: para disfarçar o ridículo, a entrada de Inácio tem carácter de urgência.

 

 Nota final: esconder a felicidade que é viver em Ourique, porque não seria credível e porque tenho ambições literárias. 

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