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OURIQ

Um diário trasladado

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03
Fev10

Yeah, right


Eremita

And this sense of the exhaustability of the earth is a completely new idea, one that would have made no sense to anyone not born in or after the 20th centuryMartin Amis

 

The power of population is indefinitely greater than the power in the earth to produce subsistence for man. Population, when unchecked, increases in a geometrical ratio. Subsistence increases only in an arithmetical ratio. A slight acquaintance with numbers will show the immensity of the first power in comparison with the second. Malthus T.R. 1798. An essay on the principle of population

 

É embaraçoso que se pergunte a um romancista mais do que aquilo a que o romancista pode responder com competência. Se a nossa sociedade fizesse algum sentido, o romancista apenas teria autoridade para se manifestar sobre os livros que escreveu e a sua arte (o que inclui os livros que outros escreveram, os mecanismos da ficção e a história da literatura). Não defendo que o romancista não seja livre de expressar a sua opinião sobre outros assuntos, como o aquecimento global e a teoria das cordas. Defendo apenas que não o devemos ouvir com demasiada atenção sobre esses assuntos, sob pena de começarmos a duvidar dele sobre os temas que efectivamente domina. A entrevista a Martin Amis é uma das melhores ilustrações deste problema. Quando fala de literatura, Amis é brilhante, ou pelo menos interessante. Sente-se que há ali uma cabeça que produziu pensamento original. Mas quando fala de outros assuntos, nomeadamente os assuntos da moda, Amis parece um blogger médio e regurgita os aerossóis de informação que pairam por aí.

 

Pode ser que a suspensão de cepticismo de que um escritor goza seja um atavismo do tempo em que os homens de cultura e os autores eram Leonardos, mas esse tempo acabou. Não se faz aqui prova da decadência do homem; muito pelo contrário, esse tempo acabou por causa do progresso do conhecimento que o homem produziu. Hoje, a única forma que sobra de restaurar a ilusão de omnisciência é o misticismo. Mas eu preferia que Martin Amis não fizesse de Paulo Coelho. 

 

 

 

 

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