Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

12
Jan10

O aprendiz do carrasco


Eremita

Na orla da floresta, onde antes havia uma nogueira desirmanada, um homem e um rapaz de trajes acastanhados e modestos estão diante de um cepo enraizado, com uma superfície lisa de quase um metro de diâmetro e a meio metro de altura, escurecida pelo sol e a chuva, mas ainda com os anéis concêntricos bem definidos, aqui e ali feridos por lenhos pouco profundos. O carrasco segura um imponente machado numa mão e uma melancia na outra, amparada pela sua barriga. Atrás deles há uma pilha de melancias e a paisagem é verdejante até se perder de vista. 
O homem equilibra a melancia pelo equador no cepo e ergue o machado com as duas mãos. A lâmina só não brilha porque o dia está enublado, mas percebe-se que brilharia à mais pequena aberta. O carrasco aponta dois dedos em forquilha na direcção dos seus olhos e diz algo inaudível ao rapaz, antes de erguer o machado. Desfere depois um primeiro golpe, um segundo e um terceiro, sem dar mostras de querer parar, aumentando inclusive a cadência. Ao fim de um minuto, sobre o cepo está uma melancia branca, sem uma única sobra de casca verde e sem que se note - pelo menos a esta distância - o vermelho vivo do interior. Em redor do cepo e sobre a sua superfície há inúmeras lascas de casca, finas como se alguém tivesse cortado uma pêra abacate com uma navalha. E nem a base da melancia escapou da lâmina, embora esteja ainda no mesmo lugar, não se percebendo daqui se o homem desferiu um golpe horizontal pela base tão rápido que deixou a melancia imóvel ou se a cada golpe a foi imperceptivelmente rodando sobre o seu ponto de apoio. O carrasco diz então ao rapaz: "quando fores capaz de fazer isto de olhos fechados, também terás direito a uma venda". 

Pesquisar

Comentários recentes

  • Anónimo

    Eremita: pensava eu que o link era para as cenas d...

  • Anónimo

    chapada neles

  • Anónimo

    José Sócrates Gonçalves Carvalho Pinto de Sousa, v...

  • Anónimo

    Sempre , sempre mas mais ao são Gonçalves .Nelson

  • Anónimo

    Nelsinho: já rezaste hoje ao São José, ou ainda nã...

Links

WEEKLY DIGESTS

BLOGS

REVISTAS LITERÁRIAS [port]

REVISTAS LITERÁRIAS [estrangeiras]

GUITARRA

CULTURA

SERVIÇOS OURIQ

SÉRIES 2019-

IMPRENSA ALENTEJANA

JUDIARIA

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D