Vivia na aldeia um homem discreto, com quem os outros homens simpatizavam, por ser cordial e ter bom ar. Pelo mistério, teria também atraído as mulheres, isto - claro - se chegasse a ir aos bailes. Mal se dava por ele em grupo, mas na companhia de outra pessoa era capaz de ficar a falar pela noite fora e a conversa era depois retomada passado um dia, ao relento se era Verão, a um canto da taberna se fazia frio. Dependendo da cumplicidade, ao quarto ou quinto serão ele sempre falava do "terrível" segredo sem grandes rodeios. Contado o segredo, experimentava um certo alívio, vergonha e total desconforto, sempre por esta ordem. No dia seguinte, faltava ao encontro e não tardava a descobrir outro parceiro para reiniciar o ritual. Passaram-se anos, até que chegou o momento em que todos os homens da vila estavam a par do segredo. Virou-se então para as mulheres e começou a ir aos bailes, mas havia poucas raparigas solteiras; em poucos meses todas elas estavam a par do segredo "terrível". Na impossibilidade de encontrar a quem contar o segredo, o homem emigrou. Por ser ainda novo e não ter de voltar a mudar de lugar, escolheu uma grande cidade.