Philip Roth teria sido desastroso
Eremita
Durante um jantar com amigos de certa idade falava-se da impotência que, por todas as razões e mais uma – cansaço, desacordos, desencontros, medicamentos, falta de cio – se torna problema. E aplaudiu-se a bênção que em tais situações a Viagra é.
Nesse momento Laura, assim se chama a rapariga, com um sorriso trocista tirou da maleta uma embalagem de preservativos, uma fiada de pílulas contraceptivas e, surpresa geral, a folhinha de quatro comprimidos azuis.
Assustaram-se, temendo que fosse anunciar ter caído na ratoeira de algum sátiro sexagenário, mas ela logo os sossegou:
- Pelos jeitos vocês não sabem, mas não é só para idosos. Às vezes a gente vai para a cama com um simpático que bebeu demais e a coisa não arranca. Num caso desses a Viagra...
Ele quer ouvir-me concordar que vivemos numa época em extremo utilitarista, que os mais novos se iludem de que tudo se pode resolver com pílulas e maquinaria. Desiludo-o. A minha pena é não ter vinte anos. Tempo Contado
