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OURIQ

Um diário trasladado

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22
Dez09

3


Eremita

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(pub) A brief history of romance comics

As libertinas de Ourique não são mulheres interessantes, se definirmos uma mulher interessante como aquela que conta histórias com interesse (para evitar a confusão com a mulher que parece interessante pelo olhar, pela forma de andar ou pelo modo como fuma). Por isso, a conversa de ontem com uma delas foi surpreendente.

 

- Mas em que país isso sucedeu? Num lugar inventado pelo Hergé?

- Garanto-lhe que aconteceu.

- É extraordinário. Um país proxeneta.

- Mas com consciência social.

- O proxenetismo ao serviço do povo.

- E da cultura.

- E resultou mesmo como me disse?

- Sim, ou seja, acima das previsões mais optimistas.

- Havia previsões?

- Claro. Eles esperavam atrair 100. Conseguiram 400. 

- Com um investimento de apenas 700 mulheres?

- 720.

- Mas isso dá uma eficiência acima de 50%.

- Sim, embora em alguns casos o recrutado tivesse sido uma segunda escolha.

- Como assim?

- Em vez do maestro, o primeiro violino.

- Seja como for, é um sucesso impressionante.

- E sem paralelo na história. 

- Bem, talvez se tenha repetido, mas em segredo.

- Duvido. Uma migração com estas características não escapa à investigação histórica. 

- E as consequências?

- Só ao fim de 20 anos será feita uma avaliação, mas temos uma potência cultural instantânea. 

-  E quando eles souberem? 

- Vão negar. Estão apaixonados. Dirão que se trata de uma teoria da conspiração. 

- 400 intelectuais, banqueiros, escritores, cientistas e artistas atraídos para um mesmo país, dispostos a ensinar numa universidade sem prestígio e  a viver numa cidade insignificante de um país menor. 

- Que revitalizarão da noite para o dia. Um novo pólo cultural, cosmopolita, um verdadeiro farol para o mundo. Coisa com estas proporções só sucedeu antes com o migração de intelectuais para os EUA, por causa dos nazis.

- E a que custo?

- Praticamente nulo. Sem nazis. 2 anos de bolsas de estudos para as 720 raparigas. 

- Devem ser sublimes.

- Sim, muito belas. E espertas. Eles também não eram novos. Enfim, tamanho sucesso só se encontrou no programa de formação de atletas dos países de leste. 

- Percebo o paralelo: ambos revelam uma total ausência de escrúpulos, o indivíduo esmagado pelo sistema. Mas espanta-me que todas tenham respeitado o plano. Alguém que seduza um homem daqueles ganha poder. Para quê regressar se podiam ficar em Londres, Nova Iorque, Paris?

- Diz-se que há pressões.

- Represálias possíveis sobre as famílias das raparigas?

- Não se sabe ao certo. Elas parecem felizes.

- O esquema é muito tentador. Já falou com o presidente da câmara?

- De Ourique?

- Claro. Não me apetecia nada que Castro Verde tomasse, também nisto, a dianteira. 

- Não diga disparates. Não há empreendedorismo. Seria preciso formar as raparigas. Cultura geral e artes de alcova. Não se monta um programa destes a nível local. 

- Mas eu não falo em atrair os 20 intelectuais de topo escolhidos pelo Nouvel Observateur. Penso em deputados reformados. O Manuel Alegre gosta de caçar. Temos os recursos cinegéticos no Baixo Alentejo e deve haver uma pequena capaz. Você seria capaz de a descobrir.

- E quem me garante que você não ficaria com ela?

- Eu já tenho uma paixão. 

- Deve ser por isso que não nos levantamos desta mesa para outro lugar.

- Deve ser por isso. 

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