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OURIQ

Um diário trasladado

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06
Out09

Casamento na vila


Eremita

Houve casamento em Ourique e resolvi aparecer. Dei com a cerimónia por acaso, corri para casa, vesti o meu fato e voltei para me misturar com os convivas, que faziam horas diante da igreja. É muito fácil penetrar num casamento. Para uns somos amigos da noiva, para outros somos amigos do noivo e para noivos, sempre tão solicitados, somos invisíveis. Por isso, não podia deixar escapar esta oportunidade. A grande propriedade dos casamentos é o arco de sentimentos e sensações, que só tem equivalente nas peças de teatro. Este arco não depende de um relacionamento com os noivos. Por isso, penetrar num casamento é ver e participar numa grande peça à borla. E foi assim que dei comigo urinando para uma sebe na companhia do padrinho. 

 

Quando dois homens dialogam enquanto urinam, geralmente olham para a frente. É raro olharem para o lado, isto é, para o outro, e ainda mais raro olharem para baixo. Numa casa de banho pública, isto significa estar olhar para a parede, o que é pouco inspirador. Mas quando se urina ao relento pode acontecer ter diante dos olhos a planície alentejana. Ficam então reunidas condições para diálogos de alguma qualidade. Eu havia chegado primeiro e o padrinho juntou-se a mim. Nenhum homem se aproxima de outro para urinar, a menos que pretenda algo. O padrinho queria desabafar enquanto se aliviava. 

 

[Só uma observação: comecei a usar o ponto final parágrafo para a acelerar a leitura e não como forma de a organizar. No fundo, trata-se de trazer para o parágrafo o princípio de criar suspense imediatamente antes do virar da página. Esta técnica é praticamente impossível de executar sem a cumplicidade do paginador, mas funciona bem para a pontuação.]

 

(cont.)

 

 

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