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Ouriquense

23
Jun18

Fechado para obras

Eremita

Por uma infeliz coincidência, todos os autores do Ouriquense estão envolvidos em demasiadas empreitadas. Voltaremos em Setembro, mais livres de afazeres. Boas férias.  

 

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14
Jun18

Aqueles que desiludem sempre

Vasco M. Barreto

Miguel Pinheiro acaba de fazer uma revelação que está a chocar o país: não podemos acreditar em Paulo Portas. Em 2018, o Observador avisa que não podemos confiar num indivíduo que na televisão afirmou convictamente não ter ambições políticas e viria depois a ser presidente de um partido, deputado e ministro; que não podemos confiar no ministro que, também na televisão, anunciou cheio de gravitas a "irrevogabilidade" da sua decisão de se demitir, para logo faltar à palavra, pressionado por dois homens que sempre desprezou, Cavaco e Passos Coelho; que, enfim, não podemos acreditar num indivíduo que é um exemplo caricatural daquilo de que se queixava o Barão de Teive (heterónimo de Pessoa), a saber: a impossibilidade de conciliar uma inteligência superior com o comportamento moral. Obviamente, a novidade não é a falta de credibiidade de Portas, mas a orfandade que Miguel Pinheiro deixa transparecer nesta extraordinária afirmação: "Paulo Portas conseguiu desiludir sempre". 

 

Ninguém tem uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão, mas do que precisamos mesmo é de uma outra frase batida para descrever os eleitos que têm a capacidade de desiludir sempre. Desiludir sempre... Este paradoxo sucede porque há gente com um poder de tipo encantatório ou hipnotizante sobre uns pobres coitados que encontram sempre forma de restaurar a esperança, como quem é reiteradamente atraiçoado pela mesma pessoa no amor ou os Miguéis da vida subjugados por uma figura carismática, contra quem pontualmente se revoltam mas a quem sempre regressam. Miguel Pinheiro intitula a crónica "O Meu Problema com Paulo Portas". É um título de grande rigor, que caracteriza uma parte substancial da direita lusa.

12
Jun18

Das redenções públicas

Eremita

O melhor episódio de podcast que ouvi nas últimas semanas foi - hands down - a maravilha produzida pelo brilhante Malcolm Gladwell sobre a falibilidade da memória. Meus caros, há vida além das polémicas envolvendo a orientação sexual, o Trump, a política identitária ou o Bruno de Carvalho. Lembram-se desta conversa entre Williams e Letterman, em que o jornalista teria mentido sobre a sua experiência na Guerra do Iraque?

 

 

Se tivesse tempo faria uma ligação entre o podcast de Gladwell e um livrinho muito instrutivo: The Memory Wars: Freud's Legacy in Dispute. Mas nunca há tempo para nada. Enfim, fica ao menos o repto: se, mais de vinte anos depois da publicação original, ainda nenhuma editora portuguesa traduziu The Memory Wars, somos uma nação falhada.

 

A propósito de nações falhadas e Freud, é pertinente lembrar que só agora Paulo Pedroso vai ser indemnizado pelo Estado e que na notícia da TSF se escreve "ex-deputo", o que pode ser um acto falhado desastrado ou uma sacanice, embora a juventude desmemoriada que impera nas redacções nos leve também a admitir que se tratou de uma infeliz coincidência. Já a deprimente leitura dos comentários à notícia não deixa qualquer margem para dúvidas: há algo de irredutível* na redenção pública. 

*No sentido da impossibilidade de um restauro perfeito.

 

Adenda a 13.6.18: entretanto, Paulo Pedroso escreveu sobre a indemnização a que teve agora direito. 

 

 

 

 

10
Jun18

Trémolo

Eremita

Excelentes vídeos sobre as diferentes combinações de dedos no trémolo. Bem sei que estes vídeos de guitarra clássica nada fazem pelas "visualizações", mas dá-me jeito ir arquivando aqui as preciosidades que vou encontrando. 

 

 

09
Jun18

9

Eremita

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fonte

 

Nona entrada de Canhotismo: a Coligação das Minorias ou simplesmente A Coligação das Minorias... ou A Educação de um Revolucionário... ou Julião: um Percurso Político... ou outro título qualquer. A nona entrada é primeira revelação dos manuscritos de Julião censurados pelo próprio. Julião escrevia o seu pensamento político à mão, usando uma caneta de tinta permanente que estava na família há duas gerações e, obviamente, tinha um aparo destro. A desadequação da caneta tornava a escrita penosa e não melhorava a caligrafia, mas era uma forma de Julião se motivar para a luta política. Curiosamente, Julião escrevia as suas cartas de amor ao computador, em Times New Roman, 12-point, por vezes pondo todo o texto em itálico, porque acreditava na grafologia e não gostava de se expor em demasia. Das várias bengalas que caracterizam o estilo de Julião, muito parco no uso de vírgulas, destacamos os termos e expressões da literatura científica e o "Companheiros" com que inicia muitos parágrafos, mesmo que nenhum destes textos tenha alguma vez sido proferido em público, pois Julião falou sempre de improviso. 

 

Sobre a interseccionalidade  [data ilegível por causa de uma mancha de manteiga]

 

Companheiros, levada às últimas consequências a interseccionalidade tende assimptoticamente para o liberalismo. 

 

Continua

 

 

 

09
Jun18

Um artigo corajoso de Rui Tavares

Eremita

Por outro lado, um dos criminosos que o matou [a vítima foi Alcindo Monteiro] está em todo o lado na TV, nos jornais e nas redes sociais. Chama-se Mário Machado e está nas notícias por causa do futebol, mas poderia ser outra coisa qualquer. Durante todos estes anos, sempre que não esteve preso por um dos seus vários crimes — não só as agressões que levaram à morte de Alcindo Monteiro, mas diversas outras condenações por extorsão, posse de arma ilegal, ofensas à integridade física, coação agravada e discriminação racial — Mário Machado conseguiu sempre um acesso fácil ao tempo de antena por que tanto anseia. Seja para mostrar as armas ilegais que tem em casa, como há uns anos. Seja porque a televisão pública o decide entrevistar, como há poucos dias, para lhe dar oportunidade de dizer que quer estar mais ativo na vida do seu clube de futebol. Seja porque se decide candidatar à chefia de uma claque de adeptos — cujos anteriores líderes estão a ser investigados por sequestro e terrorismo, nada menos do que isso — e então aí está em todo o lado. (...)

No esgoto a céu aberto das notícias sobre futebol nada parece ter já gravidade. E por isso ninguém se pergunta como pode uma claque ser apoiada por uma instituição de utilidade pública como é um clube de futebol, ainda que em crise, e ao mesmo tempo admitir a candidatura à sua presidência de um criminoso. E ninguém se pergunta como podem jornalistas fingir que caem na armadilha de divulgar essa candidatura apenas e só porque dá audiências.

Quando a vítima é esquecida e o perpetrador aparece quase que celebrado em todo o lado estamos perante o sinal claro de um falhanço coletivo. Que provocará novas vítimas, estejam certos. Vítimas que vos ficarão na consciência quando as audiências já estiverem esquecidas. Rui Tavares

 

 

08
Jun18

Bourdain

Eremita

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 fonte

Anthony Bourdain, Chris Cornell, Philip Seymour Hoffman, Robin Williams... Que me perdoem as feministas pela falta de paridade, pois não sei se a lista reflecte o meu viés, uma sociedade que favorece o protagonismo dos homens ou o facto indesmentível de os homens serem mais competentes do que as mulheres quando decidem pôr termo à vida. Fica a tese: a partir de uma certa frequência de suicídios de gente famosa, o efeito Werther (a emulação do suicídio) começa a perder terreno para uma prostração causada por uma espécie de angústia da influência. Com tanta gente bem sucedida e admirada a matar-se, o suicídio passa a ser uma área extremamente competitiva e o melhor é uma pessoa agarrar-se à vida. 

 

Adenda: quem estiver com ideias suicidas deve telefonar para estes números.

08
Jun18

Chico no Coliseu de Ourique

Eremita

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Apesar da contenção orçamental que tem impedido as antes frequentes deslocações a Lisboa do único surfista vivo de Ourique, ontem abrimos uma excepção para ouvir Chico Buarque através do teatrofone. A foto, tirada pelo surfista, mostra o cantor já na parte final do concerto que deu no Coliseu dos Recreios. Em Ourique a recreação foi total, a L. irradiava beleza e felicidade, e até as gémeas, que ainda a horas toleradas pela Comissão de Proteção de Menores ficaram um êxtase induzido pelo sublime Retrato em Branco e Preto* e não mais fecharam o olho, lá pelas onze da noite e trinta começaram aos pulos na cama durante a parte mais mexida de Tanto Mar. Quando tiver tempo, copiarei para aqui uns parágrafos de um belo texto de 1989 que Eric Nepomuceno escreveu sobre Chico Buarque. E juntarei também algumas linhas minhas em que exploro a dificuldade e o encanto de escrever sobre aqueles que são melhores do que nós.

 

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