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Ouriquense

18
Nov18

As entrevistas a Jordan Peterson

Eremita

Perguntava se o casal tem de ser heterossexual? 
Não sei. Há pessoas que são criadas pela avó e pela mãe. Por isso, não estou preocupado com isso em termos psicológicos. Não há estudos de confiança que olhem para o efeito nas crianças das famílias de casais do mesmo sexo. O problema são as famílias monoparentais, porque é esmagador para esses pais, pois têm de trabalhar 40 horas por semana e cuidar dos filhos. Bárbara  Entrevista de Bárbara Wong a Jordan Peterson, Público

A entrevista mais famosa a Jordan Peterson, que reforçou a sua glória, foi feita pela jornalista Cathy Newman. Newman esforçou-se por arrancar de Peterson uma resposta misógina, homofóbica, reaccionária, sem o conseguir. As respostas do canadiano foram sempre sensatas, mas a rotina em que uma entrevistadora tenta forçar a caricatura de Peterson como um inimigo do feminismo e de conquistas sociais recentes repete-se um pouco por todo o mundo. É um serviço que lhe prestam.

 

Adenda: no Público, Ana Sá Lopes faz a crítica habitual a Peterson ao referir que o homem só diz banalidades. Intelectuais de fama planetária quase instantânea como Jordan Peterson ou Yuval Harari não podem dizer outra coisa senão banalidades. Mais interessante seria tentar perceber por que motivo são eles e não outros a conquistar o direito a dizer as banalidades do momento. No caso de Peterson, a forma é seguramente tão importante como o conteúdo. 

18
Nov18

Este Natal ofereça!

Eremita

A L. escreveu um livro com desenhos muito bonitos sobre o Pessoa, um rafeiro que viveu com ela 16 anos e eu ainda cheguei a conhecer e passear quando o cão já era velhinho e um pouco mouco. Não é um livro infantil, antes uma prenda ideal para quem aprofundou uma relação com qualquer animal de estimação de um espectro zoológico que vai do peixinho vermelho aos grandes símios. Ou então, pegando na espuma dos dias com um q.b. de demagogia: eis finalmente uma declaração de amor a um cão de alguém que não gosta de touradas nem anda aos tiros às rolas. Compre, ofereça e divulgue. E ser for mesmo importante, consigo arranjar-lhe uma versão autografada pela autora. 

Nota: o cão que aparece no vídeo é a Olívia, que se juntou à família há umas semanas. 

17
Nov18

Peterson digest

Eremita

Não enviei nenhum emissário a Lisboa para ouvir Jordan Peterson (já agora, lê-se "pitêrson" e não "péterson"), nem planeio comprar o Twelve Rules for Life (se propor mais de cinco já revelaria arrogância, mais de dez é pura megalomania). Creio que apanhei de ouvido o essencial do pensamento de Peterson. Mas admito comprar o Maps of Meaning e o Gulag Archipelag, de Solzhenitsyn, na edição que tem um prefácio de Peterson. Aqui podem ouvir uma excelente entrevista e deixo-vos ainda este comentário disparatado de Stephen Metcalf sobre Peterson no Culture Gabfast (a partir do minuto 50) .

15
Nov18

A morte mais estúpida

Eremita

Sempre pensei que morrer vítima de uma bala perdida de uma qualquer rixa irrelevante seria a morte mais estúpida. Entretanto mudei de ideias: a morte mais estúpida acontece quando dois familiares são queimados vivos por uma multidão que acredita em tudo o que lê no Whatsapp, quer fazer justiça pelas próprias mãos e tudo filma". Naturalmente, deposito alguma esperança na possibilidade de esta ser uma fake news sobre fake news, mas só a necessária para ficar a salvo do ridículo. 

14
Nov18

O Ouriquense empreendedor

Eremita

Com uma pulsão empreendedora que me esforçarei por não ser a mesma de Fernando Pessoa ou Bouvard e Pécuchet, o Ouriquense procura um sócio para explorar uma herdade entre a vila de Ourique e a barragem do Monte da Rocha que deverá fica equipada com uma unidade de turismo rural no fim de 2020, princípio de 2021, apostando na prevista chegada da água do Alqueva à barragem. A ideia é conjugar o turismo com outras formas de dinamizar a propriedade, nomeadamente a criação de porco preto alentejano e, a médio-prazo, uma horta, um pomar (além dos sobreiros, pinheiros, azinheiras e oliveiras já existentes) e outros projectos agrícolas. O sócio ficaria a viver numa casa recuperada e a estrear, teria um salário por dois anos, uma percentagem dos lucros do turismo e da agro-pecuária pelo seu trabalho, e ainda a possiiblidade de se tornar sócio nos projectos agrícolas (como co-investidor). O ideal seria encontrar dois "jovens" (menos de 40 anos) com vontade de viver no interior, bons conhecimentos de inglês e capazes de desenvolver a tempo parcial actividades autónomas à distância (via internet) que lhes dessem um complemento salarial. Isto é mesmo a sério. Ainda falta muito tempo, mas se conhecerem alguém eventualmente interessado, divulguem esta mensagem. Contacto por email para eremitadaplanicie@sapo.pt.

 

11
Nov18

O salazarismo e a "reductio ad Hitlerum" invertida

Eremita

Tenho uma estima especial por Luís Campos e Cunha, de certa forma proporcional à desconsideração por Sócrates, mas esta enésima redacção sobre o erro de se caracterizar o salazarismo como um regime fascista é algo anacrónica e muito inábil. O tema já foi debatido à exaustão a propósito de um capítulo sobre o salazarismo que Rui Ramos escreveu na História de Portugal por ele coordenada. Ninguém nega que Salazar foi mais brando do que Franco, Mussolini e Hitler, que era mais conservador e reaccionário do que revolucionário, que não tinha grande apoio popular, e que faltavam a Salazar características típicas num ditador facista, da farda militar ao fascínio pela tecnologia e ao gosto pelos banhos de multidão. Campos e Cunha chega a forçar os contrastes quando se refere ao catolicismo de Salazar, esquecendo-se de que Franco também era católico. E até inventa factos, como a extraordinária afirmação - para realçar a abertura de um sistema que permitiu que Agostinho Neto e Amílcar Cabral tivessem estudado em Lisboa - de que "o primeiro americano negro a entrar na universidade de brancos nos Estados Unidos data de 1962". Onde terá Campos e Cunha desencantado tamanho disparate? O ensino superior interracial nos Estados Unidos remonta ao século XIX e até uma universidade elitista como Yale formou um norte-americano negro, Cortlandt Van Rensselaer Creed, em... 1857. Enfim, o problema ultrapassa o detalhe e até os erros factuais.

 

A reductio ad Hitlerum é uma expressão inventada por Leo Strauss como um caso particular da reductio ad absurdum. Acontece sempre que alguém estabelece uma associação entre o seu oponente e Hitler e, independentemente da veracidade, é um argumento falacioso porque uma ideia ou acção não é forçosamente criticável apenas por ter sido partilhada por Hitller. Campos e Cunha pratica o exercíco oposto, isto é, estabelece uma distância entre Salazar e Hitler, mas não se livra da falácia, pois uma ideia ou acção não é forçosamente virtuosa apenas por se distinguir em qualidade ou grau, forma ou conteúdo, das ideias e acções dos nazis. Haverá, por isso, formas mais subtis e úteis de contextualizar a ditadura de Salazar.

 

Diz-se que os historiadores portugueses de esquerda se apropriaram do estudo do Estado Novo após o 25 de Abril e só nas últimas duas décadas o contributo de historiadores de direita e o maior distanciamento histórico nos terão posto no caminho da "verdade histórica". Depois de ler o capítulo de Rui Ramos na sua História de Portugal, fiquei com as maiores dúvidas quanto ao valor desta narrativa. A dialéctica pode contribuir, a prazo, para uma visão mais objectiva e sensata, mas a dialéctica à bruta dos grandes e recorrentes contrastes, de que o texto de Luís Campos e Cunha é um exemplo surpreendente, resulta num exercício retrógrado, que dá ânimo a um movimento pendular de amplitude exagerada e com efeito contrário ao pretendido por este bem-intencionado mas algo criativo e ingénuo professor catedrático.

11
Nov18

Dirty jobs

Eremita

É domingo, o Valupi e os colegas devem estar a descansar. Na segunda também não poderão escrever sobre o assunto para não perturbar a publicação de uma série que ninguém lê. Mas na terça-feira espero um post musculado sobre o processo de socratização em curso que o Público está a aplicar a Luís Filipe Menezes. Defender Menezes deste jornalismo de sarjeta é um dever de todos aqueles que se movem pela preservação do Estado de Direito! Dá-lhes com a força que te celebrizou, Valupi. 

09
Nov18

Touros: o velcro e o veludo

Eremita

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fonte

 

Não frequento praças de touros, não acompanho o mundo tauromáquico e percebo que a adopção absoluta do argumento do valor da tradição nos obrigaria a tolerar práticas bárbaras como a mutilação genital feminina. Porém, sou incapaz de me juntar aos que gritam pelo fim das touradas e creio que esta minha limitação decorre da tradição, não enquanto argumento racional mas como memória afectiva, ainda que mais por associação a uma infância feliz do que por um gosto genuíno e vivo pela tourada. Não por acaso, uma das personagens ficcícias do Ouriquense é o matador Ricardo Chibanga, que associo a um instante fundador deste blog, e em tempos estive para cometer a loucura de gastar parte das minhas economias na compra de um cartaz que anuncia aquela que viria a ser a última corrida de Manolete. É evidente que a génese de um gosto ou da tolerância a uma prática que implica o sofrimento de um animal não pode valer como argumento numa discussão, mas seria curto que servisse apenas de justificação para desencorajar quem viesse com vontade de criticar a minha falta de militância em prol da civilização.

 

As touradas que conhecemos vão acabar, é só uma questão de tempo. Espectáculos que dependem do sofrimento de um touro não são compatíveis com a evolução dos direitos dos animais. A única dúvida é se a versão da corrida sem sangue bovino inventada pelos emigrantes portugueses na América do Norte chegará a Portugal. Nos EUA e no Canadá, o touro não sangra pois tem uma protecção de velcro no dorso onde os cavaleiros e matadores colam bandarilhas com pontas de tecido. Trata-se de uma solução engenhosa que tem a vantagem de desmascarar as convicções em confronto (parto do princípio de que uma solução com velcro realmente eficaz é possível, pois a actual parece não funcionar bem). Porque se na festa o sofrimento do animal não é essencial, contando apenas a arte do toureiro, então nenhuma diferença haverá entre a corrida com bandarilhas que ferem a carne e as que ficam presas no velro. Mas que aficionado tolerará os touros com velcro? Para Manuel Alegre, seria seguramente um número circense e uma capitulação diante da “ditadura do gosto”. Inversamente, se o sofrimento do animal é apenas o que move quem se opõe às touradas, o velcro deveria demovê-los. Mas quem nas franjas destes movimentos antropomorfiza os animais e - iludido ou esclarecido - se afirma anti-especista continuaria a ver a tourada como um espectáculo indigno que humilha o touro.

 

A luta com punhos nus deu lugar ao boxe com luvas. As artes marciais, bem como todos os desportos, são formas amenizadas de combate. Se a ritualização da violência precede o aparecimento do homem, chegando a ser praticada por répteis, esse será o destino mais provável da tourada. Civilizar a barbárie pode resultar em fantochadas como o Wrestling, um teatro acrobático preenchido por personalidades excessivas na jactância e nos esteróides anabolizantes, mas quem negará que esse mundo é melhor do que o coliseu dos romanos?

 

Dado o braço-de-ferro cultural a que assistimos, o tom da acusações, e tendo em conta que uma das mãos está prestes a tocar na mesa, é provável que a tourada acabe mesmo. O touro bravo será então salvo da extinção à custa de subsídios estatais que o manterão em santuários artificialmente selvagens. Passadas duas ou três gerações e apaziguados os ânimos, alguém se lembrará de recuperar a tourada na sua forma ritualizada. A tourada terá de morrer porque a sua transformação não é possível sem um renascimento. Nem todas as revoluções são de veludo, inclusive as que dependem do velcro.

 

 

 

 

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