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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

03
Jul20

A tournée das piscinas


Eremita

Como matar uma ideia

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Muitos anos depois, ocorreu-me que Broken Flowers, o filme de Jim Jarmusch em que um homem visita namoradas que não via há décadas, limita-se a explorar uma fantasia narcísica sem oferecer uma justificação redentora. Nesse sentido, e mais até do que o apreciadíssimo High Fidelity, que tira partido do mesmo filão, será pornografia emocional. Mas se descartar as antigas namoradas — metaforicamente, bem entendido, pois a estatística diz-nos que elas descartam mais — e conservar o confronto com o passado e a reiteração, creio que esta estrutura pode reciclar-se para uso em fantasias narcísicas menos óbvias, como o confronto com os lugares que nos assustaram na infância e a ideia indulgente de que vamos ganhando coragem ao longo da vida. Veremos se isto chega a algum lado.

 

02
Jul20

Os Catedráticos da Nova SBE e Susana Peralta


Vasco M. Barreto

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Segundo a Sábado, há catedráticos da Nova SBE incomodados com as colunas de opinião da colega Susana Peralta, que dizem afectar a "marca" SBE. Para resolver o problema, criaram uma nova regra: se, no futuro, os professores da Nova SBE estiverem a dar uma opinião nos media e não a partilhar conhecimento científico, devem omitir a sua afiliação à Nova SBE, ficando essa decisão ao critério de cada professor. Esta regra, pelas marcas óbvias de quimerismo e dialéctica, é um bom exemplo de um pensamento colegial forjado na bigorna do consenso. Um colectivo pode beneficiar da sensatez de um dos seus indivíduos, mas em paralelo, fruto da diluição de responsabilidades, há sempre uma demissão parcial da consciência individual e do empenho de cada um na discussão. O vector resultante destas forças tanto pode apontar para o bom senso como para o absurdo. No caso presente, é evidente que a "marca" Nova BSE foi mais prejudicada por esta notícia da Sábado do que pelos textos de Susana Peralta no Público.

A distinção entre opinião e partilha de conhecimento científico proposta pelos catedráticos da Nova BSE talvez seja operacional no caso da Física, tendo em conta que a gravitação universal, ainda que enigmática, não é politicamente polarizadora, mas não deve haver disciplina académica em que as teorias estejam mais associadas a escolas de pensamento antagónico do que a Economia. Existem economistas marxistas,  keynesianos, hayekianos e ainda há os que recorrem ao exemplo do cinto de segurança usado por Milton Freedman como se fosse uma boa ideia. Em relação ao salário mínimo, até eu consigo recolher da literatura especializada argumentos económicos contra e a favor, que talvez os catedráticos da Nova BSE  considerem científicos. Pretender que as opiniões de um economista deixem de ser pessoais a partir do momento em que ele usa argumentos da sua disciplina, como se fosse possível neutralizar a sua mundividência, não pode ser levado a sério. Mas esta não é sequer a crítica principal.

Por mais importante que seja o dinheiro injectado na Nova BSE pelas empresas e cidadãos mecenas, estes e os catedráticos têm de dar a impressão de que respeitam a independência de opinião do corpo docente da faculdade. Nas sociedades abertas e com cultura democrática amadurecida, qualquer forma de condicionamento da opinião é contraproducente ou — se se preferir — mau marketing e péssimo branding. E deixar ao critério do professor se associa a sua afiliação à sua intervenção pública é uma emenda pior do que um soneto já muito mau. Porque este é um daqueles casos em que a liberdade para decidir constitui uma forma paradoxal mas óbvia de condicionamento. De resto, a regra é impraticável em intervenções em directo na rádio e televisão, o que denuncia que o único objectivo é apenas condicionar a escrita do professor com um verniz de respeito pela liberdade. Que hipóteses lhe restam, afinal? Creio que quatro: 1) continuar a assinar com a afiliação à Nova BSE e sem alterar as suas opiniões, ou seja, ignorando a regra; 2) nunca mais usar a afiliação, omitindo uma informação que poderia ser importante para qualificar a opinião ou dar ao leitor a possibilidade de avaliar um eventual conflito de interesses; 3) seguir a regra, ou seja, indicando quais os textos potencialmente polémicos e deixando no ar a sugestão de ter escrito os outros medindo as palavras ; 4) perverter a regra de modo irreverente, usando a afiliação exclusivamente nos textos mais delicados para os mecenas da Nova BSE. Apesar do potencial para irritar catedráticos e mecenas equivocados, a opção 1 é a única que protege em simultâneo os interesses do professor, do órgão de imprensa, do leitor, da Nova BSE e até, a prazo, dos mecenas da Nova BSE. Todas as outras opções acabam por prejudicar grandemente pelo menos uma destas partes interessadas.

Com uma actualidade dominada ainda pela COVID-19, a TAP e os truques de André Ventura, receio que este incidente não receba a atenção que merece. Receio também que seja enquadrado no contexto da guerra cultural que vivemos e a referência no artigo da Sábado ao facto de que todos os catedráticos são homens e Peralta uma mulher introduz um ruído de interseccionalidade forçada que não faz boa opinião. O caso já é suficientemente interessante para que não seja preciso lembrar o género de Susana Peralta. Muito mais pertinente é lembrar que se trata de uma economista de esquerda, o que cria um desafio curioso, sobretudo no preciso momento em que anda por aí tanta gente incomodada com as ideias do Estado sobre o discurso de ódio: quantos e quais dos nossos liberais usarão o caso Peralta para fazer a habitual defesa apaixonada da liberdade de expressão? Consigo imaginar aqueles que vão pegar neste assunto e os que não o farão. É ainda um caso interessante porque a génese bem-sucedida da Nova BSE criou um modelo de parceria público-privada muito apetecível, que outros tentarão replicar. Da forma como os privados influenciam a gestão de uma universidade pública fundada com grandes contribuições de mecenas poderemos colher informação para prevenir que situações como esta se repitam.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

30
Jun20

Uma conversa sobre Camus


Eremita

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Controlo-me para evitar que o Ouriq se transforme num magazine cultural, porque não é o objectivo e jamais conseguiria chegar ao nível de uma Maria Popova, mas esta conversa sobre Camus e o inacabado Le Premier Homme  — que ainda escuto ao escrever estas linhas — é extraordinária. Se houver francófonos por aí,  aproveitem, a menos que sejam sartrianos ou a figura do pai vos seja indiferente.  

 

 

 

29
Jun20

Um hino ao Brasil


Vasco M. Barreto

Faltará a esta canção a descrição hiperbólica de um povo e a exaltação máscula dos valores, mas Carinhoso é um dos verdadeiros hinos do Brasil. Aqui fica a canção, cantada pelo povo brasileiro e acompanhada pelo grande Yamandú Costa. Que sirva de consolo, depois do espectáculo desolador que foi aquela Ave Maria de Schubert engendrada por Bolsonaro em homenagem  às vítimas da COVID-19. Nenhum país merece um Bolsonaro e um país com uma música popular tão rica e músicos tão exímios merecia uma cerimónia menos medíocre.

 

 

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