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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

16
Jul19

Estorninhos


Eremita

Não tenho bucket list, é coisa demasiado fatalista, mas se as minhas miúdas cumprirem 10 anos de idade sem ver este espectáculo da natureza ao vivo, terei falhado como pai. Tendo em conta as inúmeras formas de trinchar a humanidade, aceite-se mais esta: aqueles que preferem os rituais de acasalamento das aves do paraíso e aqueles que preferem os bandos de estorninhos. Pertenço ao segundo grupo, sem saber ao certo se a preferência é apenas estética ou reveladora de um colectivismo incorrigível. 

15
Jul19

"A cada 7 anos, cada pessoa perde cerca de metade dos seus amigos"


Eremita

Série Gráficos Imaginários

Francamente, já vem com uma década de atraso o anúncio de que os amigos do Facebook não são propriamente amigos. Mas no resto a leitura deste artigo vale bem a pena, porque há quem pense que a amizade é vitalícia ou apenas acaba de modo conflituoso. Jovens, as amizades vão simplesmente atrofiando. Enfim, teria gostado de ver um gráfico com a evolução do número de amigos ao longo da vida. Não me peçam números, mas imagino o gráfico assim:

 

Screen Shot 2019-07-15 at 08.57.19.png

 

 

 

14
Jul19

Exibições


Eremita

Considerando as exibições de profissionalismo no Linkedln, as exibições de fotos de férias no Facebook e as exibições de ironia e coolness no Twitter, creio que preferirei sempre as exibições de egocentrismo nos blogs

 

 

13
Jul19

Amadurecer


Eremita

ng3980949.jpg

fonte

Devíamos contrapor à visão hegemónica que tem dominado a esquerda portuguesa uma lógica pluralista, mas há uma parte substancial da direita portuguesa que parece ter sucumbido à narrativa da guerra cultural. São eles ou nós. E sendo eles ou nós, o que os “nossos” dizem está sempre bem e o que “eles” dizem está sempre mal. Temo que boa parte da direita portuguesa esteja a sucumbir àquilo a que já tinha sucumbido boa parte da esquerda... Miguel Poiares Maduro, Público

 

O incremento de uma esquerda censória é um enorme sinal de fraqueza da própria esquerda. A esquerda acantonada nas “causas” e tendo perdido para a direita, como se vê com Trump, a dimensão social, tem hoje uma pulsão censória que vai do policiamento da linguagem, à interdição da liberdade de expressão, e por fim, na criminalização de opiniões. E é particularmente ineficaz na defesa daquilo que enuncia como estando em causa, seja a discriminação social das minorias, seja o racismo. JPP, Público

12
Jul19

Uma apologia dos antidepressivos


Vasco M. Barreto

Screen Shot 2019-07-12 at 15.30.33.png

Publiquei hoje, na Aeon, uma apologia dos antidepressivos, essas drogas de má fama e  segundo alguns   nenhum proveito. Só agora me pergunto por que motivo o fiz em inglês e numa publicação estrangeira quase desconhecida em Portugal, se seria uma forma de preservar a imagem em Ourique, deixando-me a salvo da aura de deprimido, que já terá dado alguns dividendos em meios artísticos e marginais mas uma cultura de eficiência no trabalho e nas relações, cada vez mais orientada por métricas, tende hoje a penalizar mal se abandona a adolescência. É verdade que onde se publica pode ser revelador: diz-se que Frank Macfarlane Burnet enviou o manuscrito da sua teoria da selecção clonal (coisas da imunologia) para uma revista australiana obscura de fraca circulação de modo a assegurar a autoria da ideia (a prioridade) sem comprometer a reputação caso a ideia se viesse a revelar estapafúrdia. A Aeon também é australiana, mas a coincidência acaba aí, porque é lida online em todo o mundo anglófilo e não terá havido grande calculismo da minha parte. O artigo aparece na Aeon porque foi nessa revista que li um outro ensaio sobre antidepressivos que me deixou irritado ao ponto de lhes propor escrever uma resposta (o texto não se lê como resposta a esse artigo porque o editor entendeu  acertadamente  que um outro registo seria mais eficaz). Também sai na Aeon porque a revista paga e tenho interesse em construir um portfólio de artigos em inglês para um público generalista de modo a criar oportunidades de ganhar algum dinheiro com a escrita, o que em Portugal é muito difícil  se houve calculismo foi desse tipo, o calculismo do remediado marcado pela escrita de Luiz Pacheco, cujo talento sabe não partilhar mas cuja mítica indigência sente à distância de duas más decisões de negócio e uma temporada prolongada de prostração anímica.

Concluo assim que é escusado ler o texto como um "coming out", apesar do registo autobiográfco do primeiro parágrafo, nomeadamente porque não se trata de um segredo para quem me conhece. As minhas expectativas são agora duas: que os honorários cheguem a tempo e que consiga persuadir pelo menos uma pessoa a não cometer o erro que me complicou a vida e a vida dos que me são queridos. 

12
Jul19

Entrevista a António Coutinho na Electra


Vasco M. Barreto

Screen Shot 2019-07-12 at 11.40.30.png

Acaba de sair o número 6 da revista Electra. O António Guerreiro desafiou-me a entrevistar um cientista e António Coutinho, o imunologista brilhante que revitalizou o Instituto Gulbenkian de Ciência no final dos anos 90, aceitou gastar algum do seu tempo comigo. Não erro o verbo porque só por volta dos 10 minutos de conversa me apercebi que a maquineta não estava a gravar e tivemos de recomeçar (conto um dia usar esta gravação num podcast sobre ciência). O tema principal é o dinheiro e este número gordo inclui algumas preciosidades, como desenhos de Álvaro Siza Vieira de Machu Picchu, feitos durante uma viagem ao Peru em 1995.

11
Jul19

O indiscreto charme do negro reaccionário


Vasco M. Barreto

Anda por aí muita gente fascinada com o artigo do Dr. Gabriel Mithá Ribeiro (GMR) que o eremita já citou. Na caixa de comentários, dizem que o homem escreveu um "tratado". João Miguel Tavares, apesar de o criticar, aproveita para elogiar a originalidade do pensamento de GMT. E até o Plúvio ficou em êxtase. Parece que já vale tudo, desde que seja para malhar no "marxismo cultural" e nas suas figuras de proa, mesmo uma prosa algo tresloucada que toma por “usurpação cultural” a mera defesa de princípios consagrados em qualquer constituição moderna e na Declaração Universal dos Direitos do Homem, que a levar a sério iria atomizar completamente a sociedade. O texto que GMR escreveu é vergonhoso no seu radicalismo caricatural e individualismo para lá de Ayn Rand.  

A tragédia de GMR, que aparentemente os seus fãs ainda não toparam ou ignoram por conveniência, é ele ser a imagem espelhada do activista de esquerda branco que aplaude ou desculpabiliza acriticamente qualquer eventual pensamento radical de algum negro (por exemplo, Mamadou) como defesa da identidade ou algo parecido. Nesse sentido, o texto de GMR pode ser lido como uma autocrítica acidental.

Quando quero saber o que pensam intelectuais negros conservadores ou de centro, prefiro ler e ouvir Thomas Sowell, Glenn Loury, John McWhorter ou o jovem Coleman Hughes. Todos são capazes de produzir um pensamento estruturado e crítico sobre a “affirmative action” sem que denunciem o ódio e radicalismo de GMT que parece resultar de um ressentimento irreparável, talvez fruto de um excesso de pensamento sobre a identidade e de episódios de alegada discriminação. Salvaguardadas as distâncias, GMT lembra-me o filme The Believer, inspirado num caso real que terminou muito mal. Talvez por isso, creio que só por ignorância ou malícia se pode aplaudir GMT. Não, não vale tudo. 

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Comentários recentes

  • Anónimo

    https://www.scribd.com/document/27843291/A-Invasao...

  • Eremita

    Saí do Twitter, entre outras razões, por me parece...

  • Anónimo

    Eremita: o tipo fez-te uma simples pergunta, pouco...

  • P. P.

    Infelizmente, TRUE.

  • Eremita

    O Ouriq não precisa de trolls.

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