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Ouriquense

21
Abr17

Vacinas: jornalismo contraproducente e perda de autoridade do Estado

Eremita

A Direcção-Geral da Saúde e vários médicos têm alertado (e bem) para a necessidade da vacinação. Felizmente que a recusa das vacinas não tem no nosso país a expressão trágica que se verifica noutros (que também nos pode afectar, por via da importação de focos de contágio). No entanto, a sensibilização para as vacinas deve ser enquadrada também à luz da avalanche legislativa que nos últimos anos tem contribuído em Portugal para credibilizar os terapeutas alternativos, que atrás das portas dos seus consultórios vendem impunemente mentiras acerca das vacinas e “vacinas alternativas”. David MarçalPúblico

 

Escrevi ontem que os argumentos sensatos não funcionam para demover os insensatos pais que têm uma oposição ideológica à vacinação, servindo apenas para prevenir que outros sejam vítimas de idêntica lavagem cerebral. Já é alguma coisa e talvez justifique o "debate alargado" que os líderes políticos sugerem. Por outro lado, é sabido que a expressão "debate alargado" tende a ser uma desculpa para não colocar na agenda política o problema em questão, porque "debate alargado" carece de definição precisa. Um Prós e Contras, um Fórum TSF, um especialista meio ensonado pela pausa prandial a responder a questões dos telespectadores durante um programa da tarde, o tema debatido durante uma semana nas crónicas e nas tertúlias políticas dos media fazem um debate alargado? Ninguém sabe. Mas sabemos que os jornalistas, algo baralhados com o que são as boas práticas da profissão ou então simplesmente tentados a alimentar polémicas, já estão a elevar à categoria de especialistas em vacinação gente ignorante que se informou sabe Deus onde e charlatões profissionais, pelo que é difícil prever se o "debate alargado" contribuirá para um esclarecimento da população ou apenas agravará a situação. 

 

O outro problema está bem descrito no parágrafo de David Marçal que cito e é com enorme júbilo corporativo que vejo ser um cientista a reparar numa evidência que escapou a todos os colunistas da área do Direito e das Humanidades. Ao credibilizar terapias alternativas que não têm qualquer sustentação científica, o Estado, como refere Marçal, promoveu involuntariamente a anti-vacinação e, o que me parece ainda mais trágico, diminuiu a sua autoridade para eventualmente tornar obrigatória a vacinação com base na evidência científica. Talvez assim se perceba melhor a vontade de um "debate alargado" apressadamente manifestada pelos líderes dos partidos, pois eles (todos: PS, PSD, PCP, BE e CDS/PP) foram parte do problema e só com uma dose de hipocrisia poderão agora ser parte da solução. 

 

 

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