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Ouriquense

15
Jun16

Reforma Agrária

Eremita

De certa forma, fiz o Ouriquense porque não me sinto com estofo para escrever um romance centrado na Reforma Agrária que não soasse a neo-realismo recauchutado com pastiches de Levantado do Chão. Mas vou juntando papéis devagar, muito devagarinho, e quase parece que olho para a reforma e a velhice com a mesma ilusão de eternidade que o estudante durante a época de exames sente ao chegar a noite. Enfim, vou criar uma série e uma secção de links sobre o tema na coluna da direita, e qualquer leitor com algo para contar - de uma sugestão de leitura a uma história pessoal - fica desde já convidado a usar o correio ou a caixa de comentários. 

 

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"Chega a Portugal e começa a fazer campanha, no início de 1975, e vai para o governo como secretário de Estado do Comércio Externo. Mas é como ministro da Agricultura de Mário Soares que faz a lei da Reforma Agrária. Foi para pôr cobro às ocupações que passou para ministro da Agricultura?

Já tinha um ano de governo, no último provisório, do Pinheiro de Azevedo. Acho que fui convidado porque tinha feito vários trabalhos para o Mário Soares e para o Partido Socialista. Tinha publicado um livro pequenino sobre política económica externa e aquilo tinha ficado na cabeça do Mário Soares e do Jorge Campinos. Ao fim de um ano, passei a ministro do Comércio. O maior problema do governo, tirando o financeiro, que estava entregue a Medina Carreira, era a pasta da Agricultura. Era suposto acabarem as ocupações, devolver reservas que não tinham sido devolvidas.

Era demasiado próximo do PCP, o ministro [Lopes Cardoso]?

Ou outra coisa: ele não queria recorrer aos meios legais, não queria fazer uma lei diferente. Metade das ocupações não estavam de acordo com a lei. A lei visava as terras abandonadas mas as que foram ocupadas eram as melhores, está se bem a ver porquê! E as ocupações continuavam.

Aliás, financiadas pelo Estado.

Sim, pelo Banco de Portugal, pela banca e pelo Ministério da Agricultura. Quando o Soares me convida, a intenção era pôr ordem naquilo.

Depois de aprovada a lei na Assembleia da República, Mário Soares retira-lhe o tapete?

O Mário Soares nunca foi ao Parlamento durante essa discussão. Estavam lá todos: os conselheiros de Estado, o Conselho de Revolução, os partidos todos, havia filas até à Rua de São Bento. O Mário Soares nunca lá pôs os pés. O Mário Soares não gostou do excesso de popularidade, dos apelos à Direita, das pessoas que no Partido Socialista estavam contra. Ele ia precisar dali a dois meses do apoio do PCP para aprovar o Orçamento.

Foi instrumentalizado por Soares?

Não. Ele acreditou em tudo até ao dia em que achou que tínhamos de mudar.

Pode-se dizer que a sua ação política é dominada pela vontade de contrariar os desígnios do PCP em Portugal?

É o maior paradoxo da minha vida. Até 1975, eu queria fazer a reforma agrária. Distribuir a terra. O que acabei por fazer foi devolver a terra a quem ficara sem ela. Ainda hoje assumo as razões porque fiz isso. Era mais importante haver Liberdade em Portugal do que haver reforma agrária. Não estou nada arrependido, mas é um paradoxo da História. Foi o contrário do que esperava fazer.

Como reagiu, e a sua família, às pichagens pelo País inteiro com mensagens como “Morte ao Barreto”, “Morte à Lei Barreto”?

Eu não desgostava que houvesse essas coisas todas nas paredes. Era sinal de que eu tinha tocado em alguma coisa de importante, de essencial. Posso-lhe dizer que saí várias vezes, de jeans e de camisa, à noite, para ir fotografar as pichagens. Até achava mobilizador, porque pensava que as pessoas que não eram comunistas acabariam por reagir. Eles exageraram, exageraram contra eles próprios. Custou- -me a parte familiar, eles terem ameaçado os meus pais e os meus irmãos. E as bombas. Duas semanas depois de ocupar a pasta da Agricultura, puseram seis bombas pequeninas em centros da reforma agrária. Não houve feridos, apenas uma senhora que levou com um estilhaço, mas era para intimidar." Entrevista a António Barreto (Visão, 4.6.2016)

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