Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017
Sexta-feira, 17 de Fevereiro, 2017

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Começa a fazer falta um novo Quo vadis que dê rumo ao Ouriquense. Importa discutir três questões, a saber:

 

1. Depois de Pessoa, ainda faz sentido cultivar uma heteronímia de grande rigor?

2. A propósito da figura do Judeu, mas também em termos genéricos, pode um autor criar uma personagem que o supere em inteligência?

3. Que heurística seguir para ligar por link todos os textos do Ouriquense? 

 

Até domingo, sobretudo se chover.

 


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Eremita às 13:06
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2015
Segunda-feira, 20 de Abril, 2015

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A série Tributo a John Coplans tem sido a que mais sofreu com o espartilho da vivência em Ourique. Não me peçam a explicação, mas parece que trasladar a vida é muito mais fácil do que trasladar o tacto. Não basta agora alguma cosmética, é necessário implementar verdadeiras mudanças estruturais para que a série sobreviva. Irei então emendar a mão e reformular as entradas anteriores para que tudo comece a fazer algum sentido. Mas o propósito inicial permanece: fazer um diário do corpo, que continuo a ver como uma boa ideia. Abandonei entretanto uma solução péssima que se insinuou durante alguns dias, a saber: forjar o diário como se o tivesse começado a escrever ainda criança, o que me obrigaria a baixar o nível de introspecção nas primeiras entradas para não perder verosimilhança. Quem se interessaria por relatos infantis de um corpo banal, que ocupariam as primeiras páginas e me fariam perder os poucos leitores que tivessem começado a ler o livro? (É verdade, penso em livros e não em posts, mas não é por megalomania, apenas desajuste, à semelhança daquelas pessoas para quem o dinheiro ainda se diz em escudos e contos). Assim, o diário prosseguirá, com uma frente a marcar a actualidade e um carro vassoura a recolher o passado por escrever, mas sempre do ponto de vista de um homem de meia idade, o que, entre outras vantagens, fará com que se privilegie uma qualquer constelação de sinais nas costas à pulsão masturbatória juvenil.  Creio que ficaremos todos a ganhar. Ah, o nome permanece. Devo muito a John Coplans e é confortável ter no título de um texto tão  somatocêntrico um nome que não é o meu. 


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Eremita às 18:33
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012
Terça-feira, 04 de Dezembro, 2012


O Ouriquense é a criação de que mais me orgulho nos últimos anos. Não é uma afirmação forte, pois pouco mais fiz. Mas que sirva ao menos para reforçar esta outra: encontrei o meu instrumento e passarei o resto da vida a aprender como tocá-lo. A ideia que aqui se explora, nem sempre com a disciplina e regularidade exigíveis, é a de trasladar as experiências quotidianas para outra geografia (Ourique) e outros interlocutores (as personagens do Ouriquense), em número tão pequeno quanto o estritamente necessário para que não deixe de contar um episódio real só porque não tenho uma circunstância verosímil para criar. Além do capricho, a motivação para trasladar veio de um problema com que provavelmente se deparam todas as pessoas que escrevem para algum público, mesmo que se trate de um blog obscuro: como evitar a interferência daquilo que escrevemos na forma como os outros se relacionam connosco? Este problema teria, à partida, uma solução óbvia: o pseudónimo. Mas quantos conseguem viver sempre na sombra do seu pseudónimo? Reformulando, para que a resposta seja mais quantificável, se houvesse pachorra: quantos livros permanecem efectivamente anónimos, isto é, não associáveis a um dado cidadão? O pseudónimo, na prática, é apenas um pedido de desresponsabilização, como o boneco do ventríloquo. 


(Continua)




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Eremita às 07:22
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012
Sexta-feira, 28 de Setembro, 2012

 

 

Já não me lembro há quanto tempo não se escreve aqui sobre Tatiana. O clima de crise matou o amor. O amor é um luxo, que muitos confundem com um acto de desespero e é o reconhecimento desta diferença que nos impede formalmente de amar e nos levou ao vício da sedução interrompida. Não uso o plural majestático, falo por mim, pelo surfista e pelo moço do cineclube. Há ainda outros efeitos.

 

Por exemplo, o rapaz do cineclube começa a perder a sua inocência. Era tão puro e entusiasta, o nosso Mario Incandenza de Ourique, que me dá pena vê-lo agora tão desanimado, sem vontade para piratear as salas lisboetas, nem ânimo para promover um sarau cultural.

 

Como tomámos já Primavera por Outono e o Verão por Inverno, precisamos de outros nomes para estes dias.


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Eremita às 13:08
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Sábado, 14 de Julho de 2012
Sábado, 14 de Julho, 2012
[em actualização]

 

Os últimos diálogos eróticos levaram Nuno Salvação Barreto a convocar uma reunião com carácter de urgência. Confesso que temi um sopapo, mas ele revelou-se até bastante afável. A reunião não durou mais de 5 minutos, porque o censor vinha com o trabalho de casa feito. Relembrou-me os princípios que devem nortear o Ouriquense citando Diego Armando Maradona - "...no se cumplió el sueño pero se encontró un camino. El de respetar la historia (...), de volver a las raíces, de jugar por abajo" -, alertou-me para as tentações vãs, não foi sensível ao que me parece uma perigosa transformação de blog de culto em blog morto, nem à inviabilidade económica deste projecto se não começar a fazer cedências comerciais. Passou-me depois para as mãos duas listas de palavras proibidas. Excepcionalmente, autorizou-me a revelar as listas, que passam a integrar o nosso livro de estilo. Não proibiu a blasfémia.

 

Léxico proibido escatológico-sexual: para evitar o clássico momento de humor à Diácono Remédios, e nos salvaguardarmos da suspeita de uma artimanha para enganar os motores de busca, Nuno Salvação Barreto obrigou-me a usar hipertexto para listas já existentes e a incluir apenas as palavras presentes nessa lista mas que NÃO serão suprimidas. Tomando por base o Dicionário Aberto de Calão e Expressões Idiomáticas, de José João Almeida, foi possível chegar a uma solução de compromisso que exclui apenas as palavras descritas como pertencentes ao "calão" (incluindo o "calão carroceiro" e o "calão muito carroceiro"). Dentro destes grupos, pelo contributo que podem dar à prosa e fraco teor ofensivo, NÃO são suprimidas as seguintes palavras e expressões: Abafa palhinha, abichanado, abrir a anilha, anhar, aranha [como sinónimo de cona*1; pipi; pito; pitaço; pirona; rata*2; vagina; ninho; parreco; pombinha; racha; febra; entrefolhos; mexilhão; ostra; greta; pachacha; patareca; passarinha; perseguida; boceta;conaça; crica; fanesga; boca do corpo), asterisco (como tipo que inferniza os outros), azeite/azeiteiro (como sinónimo de chulo, proxeneta *3, parolo, chunga, chulo, pimba, mitra), Badalhoco*4, banana (como sinónimo de pénis; pila; pincel; piça;caralho; besugo; cacete; pau; pinto; ponteiro; porra; drejo; bregalho; vergalho; piroca; pirilau; pichota; basalto; pirola; pissalho; piçalho; bitola; blica; bordalo; bacamarte; marsapo; besugo; sabordalhão), beita (sinónimo de esporra;langonha; esperma; nanha), berlaitada (como sinónimo de foda; pinocada; queca; coito; (dar* uma/) rapidinha; (dar* uma/) trancada; (dar* uma/) caimbrada; cambalhota)...

 

[Termino a transcrição mais tarde. Salvação Barreto era forcado mas tem letra de médico.]

 

Léxico proibido para uma recusa activa da hiper-actualidade: a elaboração desta lista colocou alguns problemas a Nuno Salvação Barreto, que pediu ajuda ao Judeu. O Judeu sugeriu-lhe que estabelecesse apenas critérios de exclusão que cumpram o objectivo de proteger o Ouriquense de uma hiper-actualidade que, por definição, está em constante transformação. Esses critérios, que também mantêm esta entrada impoluta, são os seguintes:


1- Nunca referir nomes de pessoas envolvidas em casos que mereçam o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa.

2- Nunca referir conteúdos com comportamento viral na internet registado há menos de 1 ano.

3- Nunca escrever sobre temas abordados na mesma semana pelos seguintes cronistas, humoristas ou comentadores: João Miguel Tavares, Joana Amaral Dias, Nilton, Nuno Markl, Pedro Marques Lopes, Manuela Ferreira Leite e Vítor Manuel Ramalho. 

4- Nunca escrever sobre tópicos contemplados pelas 10 hashtags mais populares da actualidade.

5- Nunca comentar uma manchete de jornal com menos de 1 ano.

6- Nunca fazer links para blogs de pessoas sem ambições exclusivamente literárias.

7- Nunca comentar ou mostrar fotos de mulheres nascidas depois de 1984.

8- Nunca escrever sobre futebol.


São admitidas excepções para:

A.  os casos em que esteja em causa o bom nome do Alentejo ou da nossa vila, e ainda sempre que surgir uma oportunidade de denegrir Castro Verde. 

B.  as polémicas em que a força motriz é o ego dos intelectuais envolvidos. 

C.. qualquer notícia relacionada com Vasco Graça Moura ou Vítor Silva Tavares.

D. Prosa sobre o Sporting Clube de Portugal, no contexto do projecto BW, é admissível.

E. Links para o blog A Causa Foi Modificada, apesar de o autor ter a ambição de ser amado por estranhos.

 

Estas regras entram hoje em vigor e Nuno Salvação Barreto admite fazer algumas alterações, caso verifique que não antecipou todas as formas de perverter as grandes linhas orientadoras do Ourique: encontrar um caminho, respeitar a História, voltar às raízes , jogar com a bola colada ao relvado.

 

*1 As palavras em letra pequenina, que surgem apenas na qualidade de sinónimos de palavras resgatadas da lista negra, serão efectivamente censuradas. Não tive tempo de discutir com Savação Barreto a decisão que tomei de apresentar os sinónimos. 

*2 Uma palavra censurada no contexto escatológico-sexual pode salvar-se pela polissemia. "Rata", como fêmea de rato ou como a finta no futebol em que se faz passar a bola por entre as pernas do adversário, é perfeitamente aceitável. 

*3 Podem ser excluídas palavras que soam mal ao ouvido. 

*4 Não há paridade na censura: "badalhoca" é palavra proibida, mas não "badalhoco".

 

 


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Eremita às 05:03
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2012
Quinta-feira, 05 de Julho, 2012

 

 

Não haverá diarística durante uns tempos, apenas continuarei as séries em curso. Os meus amigos de Ourique começaram a ler-me e a pedir explicações, o que é intolerável, pois prosa oficialmente anónima deve ser lida por quem conhece a identidade do autor com o embaraço e discrição de quem escuta o que ele diz a dormir. Enfim, incentivei Fausto Gomes a usar mais vezes o Ouriquense como plataforma para o seu projecto político e disse ao Judeu que o seu hebraico de pacotilha fica muito bonito em blog. Aguardemos.


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Eremita às 10:07
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Sábado, 9 de Junho de 2012
Sábado, 09 de Junho, 2012

 

Não serviria. Seria muito fácil trazer ao Ouriquense uma pitada de Wes Anderson, mas que mérito haveria nisso e que vantagens? Nenhum mérito. Trata-se de uma estética tão batida que já deve existir um filtro nos iphone para fazer fotos indie. E também não vejo grandes vantagens, porque o único problema real do Ouriquense é a falta de poder de concretização, o que não pede uma solução estética, pede disciplina. Então e o moço de recados? Embora admita que a imagem de um rapaz montado na prancha no meio da barragem do Monte da Rocha possa ser tida por opção indie, não abdico do único surfista de Ourique, por me parecer que é sobretudo um caso de absurdismo, ainda que até agora mal explorado. 

 


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Eremita às 04:25
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
Quinta-feira, 24 de Maio, 2012

 

 

O Judeu tem permanecido mal caracterizado, mas nos últimos dias a sua personalidade revelou-se através de diálogos. Quem é este gajo, apetece perguntar - enfim, apetece-me a mim perguntar: Judeu, quem és tu? "Olá, sou o Judeu, tenho setenta anos, desinteressei-me do sexo e das relações passionais em 2005, não uso computador e sei que vou falhar a máquina do movimento perpétuo, mas acredito que conseguirei desenvolver o melhor lubrificante de sempre". Infelizmente, nem inventado o Judeu consegue dar mais esclarecimentos, pelo que só sobro eu para o explicar. Uma hipótese: se Fausto Gomes é o palhaço que veicula as ideias que me envergonham mas em que deposito uma remota esperança, o Judeu é uma projecção no futuro para a pessoa que provavelmente serei caso decida mudar de vida, ou seja, um louco corajoso. O Judeu é quem mais temo e admiro no Ouriquense, um homem que, legitimado pela a convicção com que persegue a máquina do movimento perpétuo, me condena pela cobardia de não assumir o sonho e me refugiar no metadiscurso sobre o fracasso e no comentário sobre o que não faço, mas que, simultaneamente, também constitui o melhor argumento para que não mude de vida, pois não me agradaria acabar como ele e nem sequer foi preciso recorrer a golpes baixos, como dar-lhe incontinência. 

 


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Eremita às 22:03
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
Quarta-feira, 02 de Novembro, 2011

 

 

Quando Tatiana toma novas qualidades, muda a forma antes do conteúdo. Não houve grande originalidade em a criar, se pensarmos no Pigmalião de Ovídio ou nas suas versões modernas, da de Bernard Shaw, erudita, artística e elitista, à boneca insuflável, vulgar, comercial e democrática. A única inovação, que me faz reclamar algum crédito, foi ter conseguido manter Tatiana sem corpo e sem rosto ao longo destes 3 anos. É certo que houve a tentação de lhe dar o nariz de RoseMarie DeWitt, mas que na verdade concretizou uma contradição. E mesmo nesta única descrição, um momento de menor clarividência e non sequitur, a ideia mais importante é a de esquisso de Hugo Pratt. Imaginemos então Tatiana como uma massa de barro e aquele dia em que a descrevi como uma cedência à tentação, como se me tivesse demorado um derradeiro segundo a mais antes de devolver à massa informe o rosto moldado. Assim se cumpre a tal função de passe-partout passional. As mulheres passam por Ourique, umas aqui chegando por estrada, outras vindas da memória, outras ainda nos relatos do meu moço de recados, e no dia seguinte cruzo-me com a Tatiana, ela na caixa registadora, eu com os meus pacotes de gaspacho, e parecendo que a cena se repete, como se fosse o Bill Murray de Groundhog Day, Tatiana mudou. Ganhou um novo gesto, uma expressão que me cativou, uma ideia, uma atitude. A diferença essencial para Groundhog Day não é o tempo ir passando em Ourique, enquanto no filme é sempre o mesmo dia; a diferença é Bill Murray aprofundar o conhecimento que tem daquela única mulher lembrando-se de tudo o que aprendeu na véspera, enquanto eu preciso de esquecer o acessório para chegar ao essencial de todas aquelas mulheres, o denominador comum. Sobram então duas interpretações diametralmente opostas para esta errância. Que é uma estratégia dominada pelo medo do desgosto de amor, uma infantilidade cínica e cobarde que me salva do mergulho de cabeça e da entrega total, ou que é a minha busca quixotesca, não o Quixote que faz uma donzela de uma camponesa, mas o Quixote a investir contra moinhos de vento - ou seja, o equivalente horizontal do vertical mergulho, o que provavelmente quer dizer alguma coisa, pois existe na geometria uma verdade amoral. Faz frio.

 




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Eremita às 05:46
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Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011
Quarta-feira, 14 de Setembro, 2011
O Ouriquense aproxima-se da ideia de projecto total e não excluo a hipótese de começar uma série de provérbios semi-analfabetos em ponto-cruz. Mas para já vamos lançar o Ouriquense para os mais pequerruchos. Como integrar esta pulsão na trama? Trivial. Os filhos de Tatiana crescem a olhos vistos, o pai (Igor) está desaparecido ou, na melhor das hipóteses, morto, e urge educar estas crianças com um conjunto de histórias na nossa língua. São ainda muito pequenos, mas como o nosso tempo é lento e os projectos se espraiam por vários anos, decidimos começar. Começa o eremita e se correr mal entrará o Judeu. O Fausto recusou participar, pois não quer sangue ucraniano no Baixo-Alentejo. Creio que a isto se chama xenofobia, mas os afectos tudo perturbam e comentei com o Judeu que era uma idiossincrasia. A primeira história é uma fábula com uma ave migratória imaginária, a garça vermelha de bico de martelo e foice, que passa a Primavera-Verão na Ucrania e o Outono-Inverno em Portugal. 

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Eremita às 19:37
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Terça-feira, 29 de Março de 2011
Terça-feira, 29 de Março, 2011

Da tábua de personagens do Ouriquense


"Tatiana, uma ucraniana caixa no Pingo Doce, é uma mulher de anatomia e personalidade imprecisas. A indefinição dos seus contornos físicos e psicológicos é essencial para que seja camaleónica e assim cumpra as funções de passe-partout passional que recolha as características dos objectos passionais do seu criador, reais ou fantasiosos, e de todos os tempos. Mesmo em relação ao seu nariz, que foi já descrito com grande precisão, o leitor atento ficará com dúvidas, pois há uma contradição: Nariz à Rosemarie DeWitt ou "nariz fino, pouco comprido, mas muito nobre? E, afinal, se não há rosto passível de ser amado no local de trabalho de Tatiana, quem era aquela mulher que lhe terá dado um rosto provisório? Não se sabe". 

 

Da orgânica

 

"O Ouriquense continua a fazer o seu caminho no sentido da perfeição aparente. Um pouco como na ascensão da psicanálise a instrumento de dissecar biografias, se me é permitido. Ou como a génese de todas as restantes metafísicas, bem vistas as coisas. Para tudo começa a haver aqui uma explicação absolutamente consistente, mas também impossível de invalidar e tendencialmente barroca. É a laborar neste paradoxo de querer lógica interna naquilo que não precisa de qualquer lógica - como se a loucura precisasse de verosimilhança - que vai crescendo o capricho do artista.

Com o eremita na praia, os Quo vadis podem existir, porque não são escritos pela personagem e sim pelo narrador". 

 

O problema e a solução

 

O traço mais revelador da misoginia do eremita é esta ideia de ter Tatiana como passe-partout passional no diário. Tatiana corporiza uma ideia de amor, tão indefinida como ela própria, embora a indefinição da ideia resulte da incapacidade de raciocinar de forma clara ou de uma recusa do raciocínio, enquanto a indefinição de Tatiana foi, para os padrões do blog, uma ideia luminosa. Nada disto é paradoxal, são apenas contrastes de algum efeito.  Estamos é claramente num contexto de hipocrisia de ventríloquo. Porque se o eremita é uma invenção do narrador, a misoginia é toda minha e o eremita faz de boneco desbocado inimputável. Em rigor, ele não sabe que Tatiana é uma súmula de paixões; uma súmula e não uma soma. Não existe quimerismo no corpo de Tatiana. E se deslizo sempre para a dicotomia espaço-tempo, só mesmo de modo esforçado podemos ver no passar dos dias a manifestação de algum quimerismo, na medida em que às sensações que em determinado dia foram transferidas para Tatiana se vão juntando outras de fontes distintas. Simplificando, para Ourique traslado Lisboa e para Tatiana traslado as mulheres. Mas este processo não a chega sequer a enriquecer como personagem. Se me for permitida uma desajustada metáfora, ela é a parede a que o tenista derrotado, depois de cada jogo com um adversário diferente, recorre  para bater umas bolas e reencontrar o seu jogo. Ela não chega pois a ser um amor impossível, um campeão invencível que se pretende derrotar. É uma simples parede e contra uma parede não se pode ganhar, nem perder. Creio que até o eremita percebe a natureza de Tatiana em breves instantes de lucidez, como nesta sua conclusão, na sua falta de desejo carnal, que esgota nos prostíbulos de Espanha, no reprimido desejo de paternidade, que transformou em instinto assassino, e no interesse e curiosidade que o Judeu lhe desperta e com quem se zangou, sensações que Tatiana não chega a despertar. Assim se anula o amor em Ourique e nos ilibamos de culpas, pois não há nada mais ridículo e repetitivo do que a exposição da frustração amorosa (a menos que seja na forma de uma boa canção pop, claro). 

 

Suponhamos agora que o narrador quer salvar alguém do vazadouro passional que é Tatiana, isto é, que evitar a Tatiana do eremita funciona como um sinal de que algo precioso lhe surgiu no caminho e deve ser guiado para longe da via que se sabe inconsequente à partida. Como conciliar este desejo com a simplicidade passional do eremita e sem matar Tatiana, que seria um recurso de guionista de telenovela? Creio que a única solução passa por um amor epistolar para o eremita. Seria um desenvolvimento consistente com a atomização de sensações da personagem, incapaz de as concentrar numa única pessoa. Sem abandonar as suas rotinas e reforçando o seu desinteresse por Tatiana, que de resto precedeu o problema, embora se encaixe bem na solução, ele passará então a escrever a alguém que nunca viu e provavelmente nunca verá, mas de um modo sincero e não como no pastiche de Cervantes dedicado a Tatiana, a manifestação mais exuberante de uma forma de comunicar contida. Contida. Fica então explicado o aparecimento de Rita Pinamona.


 


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Eremita às 21:25
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Sábado, 26 de Fevereiro de 2011
Sábado, 26 de Fevereiro, 2011

 

O grande falhanço do Ouriquense, entre outros, foi não ter conseguido mudar a idade do seu protagonista. Inventar uma geografia é tão fácil que quase desisti da própria vila, mas sempre que tento envelhecer-me sinto que todo o edifício colapsa. Não são só os anacronismos que emergem, mas todas as contradições que resultam da pertença a uma geração. É-me impossível escrever um diário simultaneamente trasladado no espaço e no tempo. Para brincar com o tempo, creio que só mesmo escrevendo um romance e pode ser que esta frustração vivida no blog se transforme em força motriz para o BW.


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Eremita às 10:57
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
Terça-feira, 25 de Janeiro, 2011

 

 

O Ouriquense continua a fazer o seu caminho no sentido da perfeição aparente. Um pouco como na ascensão da psicanálise a instrumento de dissecar biografias, se me é permitido. Ou como a génese de todas as restantes metafísicas, bem vistas as coisas. Para tudo começa a haver aqui uma explicação absolutamente consistente, mas também impossível de invalidar e tendencialmente barroca. É a laborar neste paradoxo de querer lógica interna naquilo que não precisa de qualquer lógica - como se a loucura precisasse de verosimilhança - que vai crescendo o capricho do artista.


Com o eremita na praia, os Quo vadis podem existir, porque não são escritos pela personagem e sim pelo narrador. Ganha também voz o judeu, com o seu hebraico primário. Como escreve o judeu? Com um tradutor automático, obviamente, pois o homem nem acerta na data do Hanukkanh. Mas são os textos mais trabalhados que surgem no Ouriquense, pelo menos se usarmos como critério o número de versões. O judeu começa por parir um texto em inglês. O texto é traduzido para hebraico e depois traduzido de volta ao inglês. A informação que se perde neste processo informa  o judeu das alterações que deve introduzir no texto original, que é de novo submetido a uma ida e volta, o seu To Jerusalem and Back. Até voltar imaculado no sentido original, o processo é repetido. São 5, 6, 7 versões. Provavelmente haverá menos versões no futuro, se neste processo a prosa do Judeu se aproximar de uma gramática universal. Não sei que este método preserva o sentido em português ou noutra língua que não o par posto a interactuar. Em todo o caso, mais do que ter dado a chave de leitura para algo que não era propriamente críptico, forneci uma explicação.


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Eremita às 10:37
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
Quarta-feira, 19 de Janeiro, 2011

 

 

A maior dificuldade em escrever o Ouriquense é evitar a deriva para o completo delírio. Nenhum destes textos sai com esforço (pelo menos abaixo dos três parágrafos) e imagino-me a fazer isto até ao fim dos meus dias - se não encontrei um sistema para vencer o casino, encontrei uma forma socialmente tolerável de me sentir omnipotente. Mas resistir a começar um diálogo entre o eremita e Fausto sobre as grandes questões sociais, com uma tradução simultânea em coreografia de jogo de ténis, é muito difícil; nisso empato a parte maior do esforço que dedico a este blog.



Eremita às 21:26
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
Quarta-feira, 12 de Janeiro, 2011

 


 

Como é do conhecimento de todos, Álvaro de Campos dizia que as cartas de amor são ridículas, não o acto de as escrever - aliás, um dos versos do poema esclarece que ridículos são aqueles que nunca escreveram cartas de amor. Escrevi algumas antes de 1996 e depois parei. Os motivos são vários e incluem a degenerescência progressiva da minha caligrafia. Infelizmente, incluem também a adesão a um género que hoje me parece desprezível: o género da escrita de amor online. Creio que é uma novidade; em todo o caso, a massificação do recurso a um público vagamente anónimo para este tipo de discurso não terá mais de 10 anos; talvez em alguma remota província chinesa de uma dinastia antiga se praticasse algo parecido num jornal de parede, mas é apenas uma possibilidade académica.

 

Na escrita de amor online sucede o contrário daquilo que Campos descreve: só não são ridículos aqueles que não a praticam, sobretudo se não for por info-exclusão ou falta de amor. A escrita de amor online não é a versão moderna da carta de amor, mas o seu inverso. A carta de amor é privada e um post é público. O autor pode jogar com a ambiguidade, tratar a Beatriz por W., encriptar a mensagem com métodos sofisticados, generalizar até em forma de poema sem destinatário óbvio, inventar uma personagem, como Tatiana.  Pouco importa, porque não conseguiu cumprir a prova de generosidade que é escrever bem e com afinco para apenas uma pessoa. O post de amor é sobretudo uma manifestação de vaidade e de urgência. Carece ainda da prova de vulnerabilidade da carta de amor; quando a história dá para o torto, o discurso encriptado pode subitamente funcionar como uma protecção, talvez não para o par desavindo, mas diante da entourage.

 

Se escrevo muito pouco sobre Tatiana,  é sobretudo por  pensar que a escrita de amor online não tem qualidades nobres. A carta é forma perfeita. Ou a conversa a dois - creio que o termo técnico é "namorar".  O online serve bem o insulto e a cura de um desgosto amoroso, mas não a celebração do amor.

 

* Eh, metabloguismo em 2011, que cena ridícula.


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Eremita às 16:38
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Domingo, 2 de Janeiro de 2011
Domingo, 02 de Janeiro, 2011

 

 

A grande resolução para 2010 é cumprir as dos anos anteriores. Mas junto uma outra: criar no Ouriquense um braço politicamente armado. Este desejo provavelmente implicará o nascimento de uma nova personagem, pois não quero comprometer nenhuma das outras com o país. A nova personagem será alguém da cidade que também se instala no campo, mas com espírito empreendedor, ao contrário deste vosso narrador, cujo empreendedorismo (falhado) fica pelas letras. Creio que a vou compor com alguns traços do Pessoa menos conhecido (ver o livrinho de Mega Ferreira sobre os projectos empresariais do poeta) e outros traços de Bouvard e de Pécuchet, as personagens do romance póstumo e incompleto de Flaubert, que também migram para o campo à custa de uma herança. A série que esta personagem escreverá será "Como se levanta um montado" e tentarei que este homem seja um pouco menos estúpido que os dois franceses, mas apenas por chauvinismo - ou então porque Flaubert era infinitamente mais inteligente do que eu e só o génio é capaz de criar o seu contrário.



Eremita às 11:02
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Sábado, 4 de Dezembro de 2010
Sábado, 04 de Dezembro, 2010

 

 

 

Vai para quase 6 meses que não escrevo sobre Ricardo Chibanga. Cruzo-me com ele todas as semanas, há uns dias houve uma troca de palavras interesssante sob uma das laranjeiras públicas e, pensando bem, não preciso sequer de falar com ele para ter assunto, pois um fato de luzes no cinzento que caiu sobre Ourique é assunto para toda a estação, mesmo não cedendo esta casa ao realismo mágico. E Adriano? Alguém se lembra de Adriano? O próprio Adriano deixou de saber quem é (é o filho do Judeu). E o filho de Tatiana e Igor, já que estamos em toada de varões? Perdi o seu primeiro ano de vida (nasceu a 23 de Dezembro de 2009) de ... raios, esqueci-me até do nome do miúdo e não tenho sequer a atenuante de  uma doença, nem de um recrutamento militar forçado para levar a democracia a algum canto do planeta. E Tatiana? Incapaz de lhe escrever uma carta de amor genuína, recorri a um pastiche (praticamente uma tradução) da carta que o Cavaleiro da Triste Figura escreveu a Dulcineia e Sancho não chegou a levar no bolso, nem na cabeça. Não é assim que se ergue uma ficção. Fiz o cenário e tenho os figurinos, mas as personagens estão todas pelo chão. Enquanto houver alguns emaranhados por resolver, não sobrarão cordéis para atar aos braços da minha senhora, para que dance - até Kizomba, que sais-je? - como merece. Pelo menos creio que o  Igor já está arrumado, embora ficasse mais descansado se já tivesse terminado o relato do que aconteceu por Espanha.



Eremita às 10:29
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Domingo, 21 de Março de 2010
Domingo, 21 de Março, 2010

 

Depois de Pessoa, todos os heterónimos são ridículos.  Por isso, o poeta, mais do que qualquer outra pessoa, trouxe legitimidade e pertinência às personagens. Arranje-se pois uma outra personagem para responder à necessidade de uma voz nova. Ainda pensei em usar Jaime,  bato-me aqui pela economia, mas seria uma incoerência. Se é certo que Jaime tem margem de progressão, faz mais sentido que evolua para um idiot savant, com uma memória fotográfica irrepreensível mas limitado em tudo o resto. Ele serve sobretudo para me ligar à capital, pelo telefone, e não para me ligar às profundezas da condição humana (desculpem). Por isso inventei Adriano, que será também filho do judeu. Adriano é intragável como indivíduo - e talvez mesmo como repasto para canibal, pois tem uma tez amarelada. Dá-se mal com o judeu, mas como estão a tentar uma reaproximação começámos a jantar os três com alguma regularidade.  Reparei que ele se expressa sempre em prosa poética. 



Eremita às 14:37
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Domingo, 14 de Março de 2010
Domingo, 14 de Março, 2010

 

 

Uma disciplina férrea impede-me de trocar os traços no rosto de Tatiana entretanto estabelecidos. É que não posso fazer com eles o que - aparentemente - Joaquim Manuel Magalhães faz aos seus poemas. Reformulando com recurso a um universo mais facilmente apreensível por todos, inclusive quem vos escreve: o rosto de Tatiana não é um produto de alta tecnologia para ir sempre actualizando, nem pode reflectir a eventual inconstância do seu criador. Para que não fiquem dúvidas: ela só não terá sempre o nariz de Rosemarie DeWitt se Igor a desfigurar.

 

Felizmente, há um capital de partes omissas na fisionomia e anatomia de Tatiana que ainda posso ir usando para destrunfar a realidade, embora as juras de amor a esta mulher me impeçam de o fazer com a mesma desfaçatez com que um primeiro-ministro em ocaso de mandato delapida o patrinónio público. Deverá por isso haver sempre uma reserva de fisionomia indefinida na figura de Tatiana, capaz de me proteger, para que ela cumpra a sua missão, a saber: servir de tampão - isto é jargão da química - passional e ajudar-me a concretizar esta vida de eremita sem me perder, como, por falta de uma rede de salvação e um plano de contingência, se perdem aqueles que renunciam aos prazeres da carne e do espírito. Dito isto, creio que estou em condições de atribuir  um olhar a Tatiana e não prevejo qualquer arrependimento.

 

São pouco os rostos de mulheres belas na publicidade capazes de surpreender. A diversidade de rostos feios é infinitamente superior à diversidade de rostos bonitos. Não vou aqui discorrer sobre esta ambiciosa afimação, porque a sua defesa definitiva não está ao alcance de nenhum indivíduo - Umberto Eco não sabe nada de selecção sexual e quem sabe de selecção sexual não se preocupa com Umberto Eco -, mas não a solto para  compor um estilo ou transpor para a estética a frase de arranque de Tolstoy em Anna Karenina - de resto, uma frase que sempre me pareceu absurda. Digamos que é assim e pronto, pedindo eu aqui ao leitor o impossível, isto é, a credulidade que os matemáticos deram a Fermat. Retomando: um rosto belo e surpreendente é uma raridade e merece ser celebrado. Ora, a rapariga que entra no novo anúncio da Nivea tem uma beleza absolutamente desconcertante e tomei a liberdade de fazer dos seus olhos os olhos de Tatiana. Como é óbvio, não me vou preocupar com questões de compatibilidade e simular a quimera que leva o nariz da DeWitt e os olhos da modelo da Nivea para ver se combinam. Tatiana é uma personagem assumidamente atomizada. 

 


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Eremita às 19:25
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Quinta-feira, 21 de Maio, 2009

Acordei de um pesadelo estranho ou inventei esta cena em vigília? O cenário era a arena de um coliseu romano onde se encontrava Igor, de tanga e tronco nu. Agora que volto a pensar na imagem, Igor parecia-se muito a Salvação Barreto, o forcado que actuou em Quo Vadis. Seria natural pensar que Tatiana estivesse atada ao poste, mas quem estava atado era o inventor. Aliás, o inventor armou-se em Peter Sellers no sonho, pois fazia também o papel do Imperador, do centurião e ainda de um elemento mais exaltado da plebe. Como interpretar isto? Foi talvez uma manifestação pouco subtil da minha frustração com a incapacidade de desenvolver as personagens ouriquenses. O inventor ainda não ganhou espessura psicológica e já se passaram meses desde a sua entrada em cena. A máquina de movimento perpétuo, que deveria ser o metrónomo para o ritmo desta ficção, nem sequer foi descrita. As madrugadas das duas libertinas de Lisboa são um trunfo que continua por ser usado e faria disparar o número de leitores. Tatiana permanece como o único atractor. Talvez por isso, demorei a dar por ela no meu sonho, vindo só a descobri-la imediatamente antes de acordar. Toda a segunda metade do sonho foi dominada pela actuação de Ricardo Chibanga, que entrou  à super-herói na arena, usando o capote para abrandar a aproximação ao solo, acercando-se depois em passada oblíqua do touro, que media forças com Igor, para espetar um par de bandarilhas no dorso do ucraniano. A besta tombou e o touro enfiou-lhe um corno entre a tanga e o rego do rabo,  arrastando-o de seguida pela areia grossa em círculos de rabejador, até o deixar completamente esfolado, ensanguentado, numa desintegração que quase ameaçava os órgãos internos e remetia para a cena em que Messala está reduzido a bife tártaro falante num outro épico hollywoodesco, o Ben-Hur. Não houve sequer tempo para chorar Igor, pois Chibanga de imediato reciclou as bandarilhas e com ambas vazou os olhos do cristão atado ao poste, projectando-as de seguida, com a técnica de um ninja, de encontro aos outros dois inventores que estavam na tribuna imperial, morrendo um com a bandarilha no coração (o imperador) e o outro com a bandarilha na testa, talvez por ter uma armadura (o centurião). O inventor plebeu escapou a tempo e com alguma sorte não terá sido espezinhado pela multidão em fuga que se afunilava nas portas. Ricardo Chibanga, com um salto verdadeiramente alado, ganhou depois o parapeito da tribuna imperial e, sem nunca desviar o seu olhar dos meus olhos, começou a afagar os seios de uma estátua em tamanho natural. A estátua era Tatiana. Eu viria então a acordar, em grande sobressalto, ao som de uma gargalhada diabólica de Chibanga misturada com um bizarro barulho de seixos rolando sobre seixos ao sabor das ondas que só podia vir dos dentes partidos do matador à solta na sua boca. É que Chibanga não se saciou a apalpar os seios marmóreos e precisou de os morder violentamente. Ignorando a grande crítica literária, creio que algo em mim exige mais realismo mágico no Ouriquense e um papel de revelo para o fantasma de Ricardo Chibanga. Que se lixem os críticos, pois não quero outra noite assim. Enfim, feitas as contas, é verdade que acabámos de assistir à primeira  morte de Igor. Talvez valha a pena fazer uma série com as mortes imaginadas desta criatura. A crise aumentou a minha simptatia pelos desempregados, mas ainda estou dominado pelo delírio do crime passional



Eremita às 22:14
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