Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010
Quinta-feira, 30 de Dezembro, 2010

Pastiche*

 

Gostar de mulheres que gostam de mulheres e que os homens gostem delas pode dar um desgosto maior do que gostar de mulheres que não gostam das mulheres que gostam delas e apenas gostam que as mulheres delas gostem, embora não seja um desgosto tão grande como gostar de uma mulher que não retribui o gosto.

 

* De Feliciano de Silva, o autor citado por Cervantes logo no primeiro capítulo, que escrevia assim: " la razón de la sinrazón que a mi razón se hace, de tal manera mi razón enflaquece, que con razón me quejo de la vuestra fermosura".


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Eremita às 10:48
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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
Segunda-feira, 20 de Dezembro, 2010

Quixote suffers from one fairly serious flaw — that of outright unreadability. This reviewer should know, because he has just read it. The book bristles with beauties, charm, sublime comedy; it is also, for long stretches (approaching about 75 per cent of the whole), inhumanly dull. Martin Amis


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Eremita às 10:40
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Sábado, 18 de Dezembro de 2010
Sábado, 18 de Dezembro, 2010

 

Lobo Antunes e Saramago nos livros em inglês

 

 

 

 

Por palavras, Lobo Antunes só esteve acima de Saramago quando apareceu na cena literária, o prestígio internacional de Saramago é anterior ao Nobel (1998) e o efeito do Nobel de Saramago começou a decair por volta de 2004. Nada mau para um comunista sem estudos superiores.

 

Fiz o mesmo exercício com livros em francês; para minha surpresa, Lobo Antunes explode na década de oitenta e, embora não desapareça, nem no mundo francófono consegue depois crescer.

 

Lobo Antunes pensa que continuará a ser lido daqui a trezentos milhões de anos, mas estes dados sugerem o contrário: ele não é um autor desconhecido à espera de ser descoberto e comprendido pelo mundo; o mundo descobriu-o, não podemos dizer se o percebeu, mas parece claro que se fartou dele e já só o vai aturando.

 

Dou-me agora conta de que esta é a mais quixotesca das entradas que escrevi. O Cavaleiro da Triste Figura ficou louco por ter lido demasiados livros de cavalaria e Lobo Antunes faz aquelas figuras nas entrevistas por ter escrito demasiados livros à Lobo Antunes.

 

Ver aqui uma crítica à sua obra seria  parvoíce (só li três livros dele, quando ainda não me preocupava muito com estes assuntos,  e umas trinta páginas de mais três ou quatro livros, já depois de me começar a preocupar mais). Quem concluir que estou a criticar Lobo Antunes , o homem, estará também equivocado. Se Lobo Antunes goza uma perpétua trip à custa de fumar a marijuana que ele próprio cultivou, só o devemos admirar - em todo o caso, eu admiro-o imensamente por isso e até o invejo (mas é envidia sana). Aliás, se houver um abaixo-assinado para pôr um livro do Lobo na próxima Voyager, contem comigo. Viva então a literatura e viva também, em termos gerais, todo o poder transformador da convicção que não resulte numa religião politeísta, num Gulag ou num genocídio.


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Eremita às 09:10
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Sábado, 18 de Dezembro, 2010

Antes de comentarmos o que Martin Amis escreveu sobre o Quijote, satisfazendo assim um desejo de não mais de quatro leitores do Ouriquense, talvez seja útil medir a presença de Shakespeare e Cervantes nos universos anglófilo e hispânico.

 

 

Referências em livros escritos em inglês

 

 

 

 

Referências em livros escritos em espanhol

 

 

 

Um estudo (23 segundos) só possível graças ao fabuloso Books Ngram Viewer


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Eremita às 08:55
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Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010
Sexta-feira, 17 de Dezembro, 2010

Dulcineia del Toboso, de Charles Robert Leslie

 

El, en lengua arábiga, le dijo que le pedían se quitase el embozo, y que lo hiciese; y así, se lo quitó, y descubrió un rostro tan hermoso, que Dorotea la tuvo por más hermosa que a Luscinda, y Luscinda por más hermosa que a Dorotea, y todos los circunstantes conocieron que si alguno se podría igualar al de las dos, era el de la mora, y aun hubo algunos que le aventajaron en alguna cosa. Y como la hermosura tenga prerrogativa y gracia de reconciliar los ánimos y atraer las voluntades, luego se rindieron todos al deseo de servir y acariciar a la hermosa mora. Capítulo 37


Lamento quebrar a progressão cronológica na leitura do Quijote e voltar ao capítulo 37 da primeira parte, mas a autoridade de quem vai já bem dentro da segunda ajuda quando afirmo que há neste livro uma contínua inflação da beleza feminina. Se alguém tentar organizar um Miss Don Quijote em que desfilem (bikini, vestido de noite e prova de talento) todas as personagens femininas do romance, a atribuição do ceptro seria impossível, pelo menos a partir dos comentários do narrador (e sem o cavaleiro no júri ou então ficando Dulcineia del Toboso hors-concours, obviamente). A última mulher é sempre mais formosa do que a anterior e Cervantes tem absoluta consciência destes superlativos em série, como se prova na citação. Enfim, no livro como na vida.


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Eremita às 10:40
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Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
Quarta-feira, 15 de Dezembro, 2010

 

Ioan Mihai Cochinescu (creio)

 

–Cada día, Sancho –dijo don Quijote–, te vas haciendo menos simple y más discreto.
–Sí, que algo se me ha de pegar de la discreción de vuesa merced –respondió Sancho–; que las tierras que de suyo son estériles y secas, estercolándolas y cultivándolas vienen a dar buenos frutos: quiero decir que la conversación de vuesa merced ha sido el estiércol que sobre la estéril tierra de mi seco ingenio ha caído; la cultivación, el tiempo que ha que le sirvo y comunico; y con esto espero de dar frutos de mí que sean de bendición, tales, que no desdigan ni deslicen de los senderos de la buena crianza que vuesa merced ha hecho en el agostado entendimiento mío.
Rióse don Quijote de las afectadas razones de Sancho, y parecióle ser verdad lo que decía de su emienda, porque de cuando en cuando hablaba de manera que la admiraba; puesto que todas olas más veces que Sancho quería hablar de oposición y a lo cortesano, acababa su razón con despeñarse del monte de su simplicidad al profundo de su ignorancia... Capítulo 12, segunda parte

Sancho tem feito uma segunda parte de grande qualidade, mas é notório que no balneário coloca mais problemas ao Mister do que Quijote. A dificuldade é esta: como tornar o discurso de Sancho verosímil? Ou assim: como conciliar a boçalidade de Sancho com o seu bom senso? Ou ainda: como preservar a inteligência na ignorância? As soluções adoptadas são muito discutíveis. A ignorância de Sancho manifesta-se de forma mais óbvia nas palavras erradas que pronucia - ele é quase disléxico (por falta de educação), o que produz apenas humor de revista.

 

(Continua e a frase final será: "Sobre o carácter de Sancho escreverei mais tarde.")

 

 

 

 

 


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Eremita às 08:13
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
Segunda-feira, 13 de Dezembro, 2010


Honoré Daumier

Don Quixote is the great chivalric egotist, never more egotistical than when he appears to be most chivalrous. After he and poor Sancho Panza have suffered several adventures, including a beating by some drovers from Yanguas and being tossed in a blanket by a gang of men, Don Quixote has the nerve to tell his servant that these things are evil enchantments and so are not really happening to Sancho: “Therefore you must not grieve for the misfortunes that befall me, for you have no part in them.” This is the knight who, finding that he can’t sleep, wakes up his servant, on the principle that “it is in the nature of good servants to share the griefs of their masters and to feel what they are feeling, if only for appearance’s sake.” No wonder that Sancho elsewhere defines a knight adventurer as “someone who’s beaten and then finds himself emperor.James Wood
É claro que leu, limito-me a usar técnicas de tablóide. Em todo o caso, leu mal ou interpretou de modo que considero uma ofensa aos povos da Península Ibérica (até Janeiro sou iberista). O capítulo segundo da segunda parte é esclarecedor:
–Mucho me pesa, Sancho, que hayas dicho y digas que yo fui el que te saqué de tus casillas, sabiendo que yo no me quedé en mis casas: juntos salimos, juntos fuimos y juntos peregrinamos; una misma fortuna y una misma suerte ha corrido por los dos: si a ti te mantearon una vez, a mí me han molido ciento, y esto es lo que te llevo de ventaja.
–Eso estaba puesto en razón –respondió Sancho–, porque, según vuestra merced dice, más anejas son a los caballeros andantes las desgracias que a sus escuderos.
–Engáñaste, Sancho –dijo don Quijote–; según aquello, quando caput dolet..., etcétera.
–No entiendo otra lengua que la mía –respondió Sancho.
–Quiero decir –dijo don Quijote– que, cuando la cabeza duele, todos los miembros duelen; y así, siendo yo tu amo y señor, soy tu cabeza, y tú mi parte, pues eres mi criado; y, por esta razón, el mal que a mí me toca, o tocare, a ti te ha de doler, y a mí el tuyo.
–Así había de ser –dijo Sancho–, pero cuando a mí me manteaban como a miembro, se estaba mi cabeza detrás de las bardas, mirándome volar por los aires, sin sentir dolor alguno; y, pues los miembros están obligados a dolerse del mal de la cabeza, había de estar obligada ella a dolerse dellos.
–¿Querrás tú decir agora, Sancho –respondió don Quijote–, que no me dolía yo cuando a ti te manteaban? Y si lo dices, no lo digas, ni lo pienses; pues más dolor sentía yo entonces en mi espíritu que tú en tu cuerpo. Pero dejemos esto aparte por agora...
Quijote é egoísta e de um modo mais constante do que eu, o leitor e o senhor Wood. Mas o exemplo a que o senhor Wood recorre foi infeliz, pois implica duvidar da palavra do cavaleiro. Porque Quijote também é louco, e de um modo infinitamente mais constante e essencial do que os outros homens.  Podemos duvidar dos gigantes que ele diz ter combatido, mas nunca da certeza com que o afirma, pois tal equivale a pôr em causa a  loucura sem a qual Quijote não pode existir.
Serve tudo isto para apenas dizer que deve ser imensa e apetitosa a prosa de críticos literários hispânicos indignados com as leituras que os anglo-saxões fazem do Quijote. Mais profundos no conhecimento, emocionalmente investidos, corporativamente acantonados, descompensados no orgulho e numericamente superiores,  a segunda batalha de Santa Cruz de Tenerife deve decorrer há séculos em obscuras revistas literárias e nas teses de doutoramento e agregação da Grande Armada dos cervantistas. Pardon my french, but way to go, Spain!

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Eremita às 13:57
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Domingo, 12 de Dezembro de 2010
Domingo, 12 de Dezembro, 2010

[Em actualização]

 

 

 

 

 

O primeiro volume do Quijote termina de forma abrupta. Cervantes é particularmente cruel no uso das prolepses finais, pois descreve os epitáfios das personagens, transferindo para o leitor a sua ansiedade de escritor. Apesar de ter iniciado já a leitura do segundo volume, fiz algumas rápidas leituras sobre o livro e aqui vos deixo o que de melhor encontrei online*:

 

 

Comentário de Bob Williams

 

Onde se fala de asfixia erótica, das diferentes traduções do Quijote para inglês, de uma misteriosa dificuldade de leitura que será devida a um polimorfismo genético exclusivo dos britânicos, do primado da imagem sobre a palavra, de um pós-modernismo que terá sido prematuro ou precursor do pós-modernismo que entretanto acabou e nos deixou, talvez não no fim da História, mas aparentemente no fim da cronologia, e ainda da confissão de que o autor da recensão saltou partes do livro, algo que neste mundo pós-wikileakiano soa a too much information e nos leva a pensar que o segredo, mais do que a a honestidade histérica, deve reger a crítica literária.

 

Comentário de Harold Bloom

 

Onde a convicção do crítico é mais quixotesca que o Fidalgo himself, Shakespeare consegue aparecer quase tantas vezes como Cervantes, as personagens literárias do cânone ocidental são descritas como quimeras umas das outras (Hamlet+Quijote = Ahab), e ainda on being and knowing e sobre o que, afinal, movia o Cavaleiro da Triste Figura.

 

Comentário de James Wood

 

Onde se demonstra mais uma vez o péssimo hábito de os católicos se imaginarem como estando, não só no centro, como na origem do Universo.

 

Comentário de Vargas Llosa

 

Onde se conta o que é essencial contar e nada do que seria imprevisível ler.

 

Comentário de AS Byatt

 

Onde se fica com a impressão de que as mulheres são mesmo mais cabras entre elas do que os homens com elas, pois não encontrei outro texto que criticasse a tradução de Edith Grossman e esta Byatt não perdeu tal oportunidade, mesmo não falando a língua de Cervantes.

 

Comentário de Carlos Fuentes

 

Onde se prova que o namedropping tende a penalizar o praticante, como neste absurdo de anacronismo - "Is the author the Moorish scribe Cide Hamete Benengeli, who discovers, by chance, an anonymous manuscript? Or is it the despicable Avellaneda, who writes an unauthorized sequel to ''Don Quixote'' (in real life, and in the novel)? Or could it be, if we follow this rich, fantastical path opened by Cervantes, that the author of ''Don Quixote'' is really Jorge Luis Borges, who wrote a tale called ''Pierre Menard, Author of the Quixote''?" '- e também nesta palissada - " Don Quixote wants to live the books he has read, Michel Foucault pointedly observed".

 

 

* A isto deverei acrescentar  os livros de Unamuno, Nabokov e Ortega y Gasset sobre o Quijote, mas infelizmente ainda não os adquiri (uma possível prenda de Natal a oferecer ao Ouriquense).



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Eremita às 16:10
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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010
Sexta-feira, 26 de Novembro, 2010

 

 

Gustave Doré

 

Até ao capítulo XXVIII, Don Quijote é um romance feminista*.

 

* Esta frase, por exemplo, pode passar  por bluff intelectual. Sigo a classificação de H.G. Frankurt, H.G., que distingue entre a mentira, o bluff, a dissimulação e a treta, mas gostaria de pensar que me salva a intuição e que, só por isso, não estamos na presença de um bluff. Falo da intuição de quem de repente se sente tão capaz de dar por válida uma conclusão que não se dá sequer ao trabalho de a demonstrar.

 

Autocitação do dia:  sobre um livro de Lessing.


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Eremita às 10:21
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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010
Quinta-feira, 25 de Novembro, 2010

 

 

Antonio Saura

 

É formalmente possível provar que Cervantes sorriu e até riu enquanto escrevia.


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Eremita às 18:46
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Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010
Quinta-feira, 18 de Novembro, 2010

 

Jose Chavez Morado

 

Vou no capítulo XVI e preciso de partilhar uma conclusão que me escapou quando há décadas vi os desenhos animados: D. Quixote farta-se de levar porrada neste livro. Ao pé de Cervantes, Chuck Palahniuk é um Richard Bach.


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Eremita às 20:05
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Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010
Quarta-feira, 17 de Novembro, 2010

 

 

Marcela, de Gustave Doré

Hízome el cielo, según vosotros decís, hermosa, y de tal manera que, sin ser poderosos a otra cosa, a que me améis os mueve mi hermosura; y, por el amor que me mostráis, decís, y aun queréis, que esté yo obligada a amaros.


Yo conozco, con el natural entendimiento que Dios me ha dado, que todo lo hermoso es amable; mas no alcanzo que, por razón de ser amado, esté obligado lo que es amado por hermoso a amar a quien le ama. Y más, que podría acontecer que el amador de lo hermoso fuese feo, y, siendo lo feo digno de ser aborrecido, cae muy mal el decir ‘‘Quiérote por hermosa; hasme de amar aunque sea feo’’. Pero, puesto caso que corran igualmente las hermosuras, no por eso han de correr iguales los deseos, que no todas hermosuras enamoran; que algunas alegran la vista y no rinden la voluntad; que si todas las bellezas enamorasen y rindiesen, sería un andar las voluntades confusas y descaminadas, sin saber en cuál habían de parar; porque, siendo infinitos los sujetos hermosos, infinitos habían de ser los deseos.


Y, según yo he oído decir, el verdadero amor no se divide, y ha de ser voluntario, y no forzoso. Siendo esto así, como yo creo que lo es, ¿por qué queréis que rinda mi voluntad por fuerza, obligada no más de que decís que me queréis bien? Si no, decidme: si como el cielo me hizo hermosa me hiciera fea, ¿fuera justo que me quejara de vosotros porque no me amábades? Cuanto más, que habéis de considerar que yo no escogí la hermosura que tengo; que, tal cual es, el cielo me la dio de gracia, sin yo pedilla ni escogella.


Y, así como la víbora no merece ser culpada por la ponzoña que tiene, puesto que con ella mata, por habérsela dado naturaleza, tampoco yo merezco ser reprehendida por ser hermosa; que la hermosura en la mujer honesta es como el fuego apartado o como la espada aguda, que ni él quema ni ella corta a quien a ellos no se acerca. La honra y las virtudes son adornos del alma, sin las cuales el cuerpo, aunque lo sea, no debe de parecer hermoso. Pues si la honestidad es una de las virtudes que al cuerpo y al alma más adornan y hermosean, ¿por qué la ha de perder la que es amada por hermosa, por corresponder a la intención de aquel que, por sólo su gusto, con todas sus fuerzas e industrias procura que la pierda?


Yo nací libre, y para poder vivir libre escogí la soledad de los campos. Los árboles destas montañas son mi compañía, las claras aguas destos arroyos mis espejos; con los árboles y con las aguas comunico mis pensamientos y  hermosura. Fuego soy apartado y espada puesta lejos. A los que he enamorado con la vista he desengañado con las palabras. Y si los deseos se sustentan con esperanzas, no habiendo yo dado alguna a Grisóstomo ni a otro alguno, el fin de ninguno dellos bien se puede decir que antes le mató su porfía que mi crueldad. Y si se me hace cargo que eran honestos sus pensamientos, y que por esto estaba obligada a corresponder a ellos, digo que, cuando en ese mismo lugar donde ahora se cava su sepultura me descubrió la bondad de su intención, le dije yo que la mía era vivir en perpetua soledad, y de que sola la tierra gozase el fruto de mi recogimiento y los despojos de mi hermosura; y si él, con todo este desengaño, quiso porfiar contra la esperanza y navegar contra el viento, ¿qué mucho que se anegase en la mitad del golfo de su desatino? Si yo le entretuviera, fuera falsa; si le contentara, hiciera contra mi mejor intención y prosupuesto.


Porfió desengañado, desesperó sin ser aborrecido: ¡mirad ahora si será razón que de su pena se me dé a mí la culpa! Quéjese el engañado, desespérese aquel a quien le faltaron las prometidas esperanzas, confíese el que yo llamare, ufánese el que yo admitiere; pero no me llame cruel ni homicida aquel a quien yo no prometo, engaño, llamo ni admito.


El cielo aún hasta ahora no ha querido que yo ame por destino, y el pensar que tengo de amar por elección es escusado. Este general desengaño sirva a cada uno de los que me solicitan de su particular provecho; y entiéndase, de aquí adelante, que si alguno por mí muriere, no muere de celoso ni desdichado, porque quien a nadie quiere, a ninguno debe dar celos; que los desengaños no se han de tomar en cuenta de desdenes. El que me llama fiera y basilisco, déjeme como cosa perjudicial y mala; el que me llama ingrata, no me sirva; el que desconocida, no me conozca; quien cruel, no me siga; que esta fiera, este basilisco, esta ingrata, esta cruel y esta desconocida, ni los buscará, servirá, conocerá ni seguirá en ninguna manera. Que si a Grisóstomo mató su impaciencia y arrojado deseo, ¿por qué se ha de culpar mi honesto proceder y recato? Si yo conservo mi limpieza con la compañía de los árboles, ¿por qué ha de querer que la pierda el que quiere que la tenga con los hombres? Yo, como sabéis, tengo riquezas propias y no codicio las ajenas; tengo libre condición y no gusto de sujetarme: ni quiero ni aborrezco a nadie. No engaño a éste ni solicito aquél, ni burlo con uno ni me entretengo con el otro. La conversación honesta de las zagalas destas aldeas y el cuidado de mis cabras me entretiene. Tienen mis deseos por término estas montañas, y si de aquí salen, es a contemplar la hermosura del cielo, pasos con que camina el alma a su morada primera.”

(Capítulo XIV)

 

 


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Eremita às 14:07
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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010
Quarta-feira, 10 de Novembro, 2010

 

 

 

Oiço The Scarlet Letter (manhãs) e D. Quijote (tardes), ainda com a convicção de estar efectivamente a aumentar a minha esperança de vida. Eis um pouco da história deste sublime meio de comunicação.


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Eremita às 09:12
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Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010
Sexta-feira, 29 de Outubro, 2010

Ouvi o primeiro capítulo de Lolita no último domingo, deitado de barriga para cima, contemplando a paisagem neutra  de um céu  limpo invadido pela copa de um plátano. Fazia sol e havia no ar um aroma a poejo, vagamente estival. Acabo de ouvir o último capítulo, dentro de casa. Chove. Entre estes dois momentos, fui conquistando Lolita enquanto cortava cenouras, escorria a água a ferver da minha massa ± 3' al dente, pedalava para o monte do Cotovio e de volta à vila, esperava que o Judeu regressasse à sobremesa, inspeccionava a secção de cereais do Pingo Doce, passeava no cemitério de Ourique, e - creio que na terça-feira - até enquanto defecava, pois optimizei finalmente uma técnica para evitar enleios entre o fio  e o cinto solto das minhas calças murchas ou partes da minha anatomia, fazendo este último caso de acidental garrote capaz de induzir calafrios  só de o imaginar, o que talvez explique a relutância em me despir se tivesse headphones nos ouvidos, pelo menos desde a época do walkman. Embora transformada, esta velha fobia sobreviveu ao mencionado progresso da técnica na recusa sempre actual em baixar as cuecas se houver um gato no quarto. Mas voltemos ao tema.

 

A audição deste primeiro capítulo foi uma das grandes experiências literárias de 2010. Reconheço que tenho dado conta de um número inquietantemente alto de grandes experiências literárias, passível de despertar a dúvida sobre se terei aprendido a ler em 2009, mas esta não foi sequer a minha primeira experiência com audiolivros, o que exclui o efeito da novidade. Iniciei-me com os Works for Radio de Samuel Beckett, tendo escapado traumatizado, ainda que aparentemente ileso. Só mesmo esta voz - "Here, at the age of 39, I began to be old" - me deu alento para tentar uma segunda experiência. O que aconteceu depois foi uma genuína epifania. Bem sei que se abusa mais desta palavra do que Humbert Humbert abused himself enquanto pensava em Lolita, mas meço-a bem, pois pela primeira vez senti que o cânone literário era abordável sem que precisasse de  ser julgado noutro país e condenado a várias prisões perpétuas, a mais eficaz das aproximações à imortalidade, delirante como todas, é certo, mas que neste caso concreto se traduziria até num aumento real do tempo de leitura - de resto, é para mim sinal de podridão que haja mais pivôs de telejornal a publicar romances do que presidiários,  grupo onde se encontra gente com vagar, experiência de vida e grau de alfabetização suficiente. Senti que seria possível uma existência normal, talvez até um regresso a Lisboa e à cidadania, se Tolstói viesse a ser um murmúrio contínuo que eu confundiria com a voz da minha consciência (evitar Céline) ou que a dominaria nos seus momentos mais reivindicativos, e se pudesse colmatar todas as falhas de leitura com a rapidez de um Novas Oportunidades. Mas num momento sem headphones (talvez no banho), logo a consciência - ou seja, a minha, não a de Nabokov - começou a pedir contas, que são precisamente mesmas que pedimos ao Novas Oportunidades: é justo? E, sendo justo, é de fiar?

 

 

A minha reserva moral cedo desapareceu. Imagino que o consenso seja impossível, mas creio ter conquistado a posição confortável em que, com a segurança do xeque-mate, transferi o ónus da explicação para quem pensa que a audição de um livro não dá ao ouvinte a autoridade de um leitor. Limito-me pois a relatar como cheguei aqui. De onde vem este presumível défice de autoridade? A autoridade que nos interessa é a  que funde competência com mérito, não a de um qualquer ascendente hierárquico. Adio a questão de saber se a competência para comentar uma obra que entre pelos olhos é idêntica quando a mesma obra entra pelos ouvidos, para podermos discutir primeiro o mérito. Há mais mérito em adquirir hábitos de leitura em bibliotecas públicas do que afundados na poltrona de couro da recheada biblioteca do papá. Há mais mérito em começar tarde do que em beneficiar da orientação de um tutor quando ainda se é criança. Há mais mérito quando se aprende a língua de propósito para ler a obra na sua versão original do que quando se lê a obra ou uma sua tradução na nossa língua. Mas não há mais mérito por se ler a edição de bolso em vez da de capa dura - não vale a pena contribuir para estas fantasias. Os exemplos apontam no mesmo sentido: há mérito no esforço e gostamos de associar mérito às conquistas - é por isso que dinheiro ganho sabe melhor do que dinheiro herdado, mesmo quando a sogra que faleceu honrou o seu estereótipo.  Como o audiolivro é de consumo muito mais fácil do que o respectivo livro, daqui decorre que o ouvinte perde para o leitor no mérito que vem do esforço. Recuperar este terreno não é tarefa que se substitua por sufismos, mas requer uma acção combinada assente numa deontologia sem cedências ao facilitismo. O ouvinte tem o dever moral de estar mais atento do que o leitor e  só com esse esforço corrigirá a natural maior passividade da audição face à leitura. O ouvinte sabe que o audiolivro acelera a conquista da obra, mas deve associar essa rapidez à audição repetida de partes de capítulos ou capítulos inteiros, o que lhe prolongará o gozo e aumentatará o tempo de leitura, mas sem eliminar  por completo  a economia de tempo. O ouvinte deve também ser sensato e associar a escuta à total inacção ou a rotinas que lhe exijam pouco dos sentidos, como correr, cozinhar e desempenhar outras tarefas domésticas, guiar fora dos centros urbanos, assistir a jogos de futebol com sucessivas perdas de posse de bola ou falar ao telefone com alguém que só pretende fazer-se ouvir. Cumpridas estas recomendações, haverá mérito pelo esforço na escuta. Acresce que o mérito da audição beneficia ainda de uma legitimação histórica e de uma aproximação ao autor que atenua a interferência do leitor sobre o ouvinte. Vamos decompor.

 

Quando uma criança vê com olhos de ver as primeiras letras, já aprendeu o essencial da língua com as orelhas. A língua não começa no desenho das letras, mas no Morse natural com que o estribo, martelo e a bigorna do ouvido médio despertam a gramática inata, essa desmazelada (Chomsky). Este primado da audição sobre a visão é uma inevitabilidade neurofisiológica e deveria ser suficiente para acabar com o estatuto subalterno que a audição tem face à leitura. Mas também a História dos homens e a história de cada homem nos lembram que o primeiro contacto com a literatura se faz escutando. Os contos começaram - lá está - por ser contados. Esqueçam a fogueira, não interessa se havia uma roda à volta da fogueira, só uma piromania colectiva explica a obsessão com o raio da fogueira e o domínio do fogo não precedeu necessariamente a  invenção da ficção, que terá nascido quando um caçador transformou o medo que o fez fugir da presa num relato oral de grande bravura e infortúnio - nesse dia, há muitos anos A.C., a acreditar na história, o tigre-dentes-de-sabre, ferido e em fuga depois de uma feroz luta, pôde salvar-se porque uma árvore de dimensões pré-históricas, enfraquecida na noite anterior por um raio, tombou sobre o caçador, deixando-o durante largas horas debaixo de uma ramada sob tensão, o que explica que tivesse as peles que o cobriam todas mijadas quando finalmente regressou para junto dos companheiros, depois de  - hercúleo, se me permitem o anacronismo - se libertar sozinho - a história da literatura seria depois uma longa aprendizagem da verosimilhança. É também ouvindo que as crianças têm o primeiro contacto com a literatura e à imagem clássica do pai ou da mãe lendo até o filho se deixar tomar pelo sono, permito-me acrescentar uma outra, mais íntima mas provavelmente não tão rara assim, que é a do pai declamando poesia, but softly, diante da barriga nua da sua mulher grávida. É a tudo isto que a legitimação histórica - e até ontogénica, como vimos -  se refere.

 

A intromissão do leitor no que deve idealmente ser apenas uma relação a dois, entre autor e receptor, apenas pode ser atenuada, mas se houver esse cuidado tudo correrá bem. Relembro, porém, que em qualquer obra traduzida a figura tradutor também se intromete e que só a habituação e um profundo desejo de acreditar explicará que seja maior o desconforto causado por um leitor, obrigado a respeitar o texto original, do que por um tradutor, obrigado a tomar opções a cada palavra que traduz, o que no caso de Guerra e Paz andará por volta das 460 000 decisões pessoais, um teste de tolerância a que nem a pessoa com quem se celebra umas eventuais bodas de prata nos sujeitaria. Assim se prova que  está mais próximo do autor o ouvinte que o oiça na sua língua original do que o leitor que recorra a uma tradução. Já a audição de uma obra traduzida  acumula intromissões, passando-se de um convívio a três para uma multidão de quatro (autor, tradutor, leitor e ouvinte), o que deve ser sempre um derradeiro recurso. Quais são então as grandes recomendações? Apenas três. O ouvinte deve escolher sobretudo obras lidas na língua em que foram escritas, pelo que antes se explicou, que - idealmente - não deve ser a língua materna do ouvinte, pela simples razão de sermos muitos mais tolerantes com as línguas estrangeiras do que com a nossa própria língua; mais facilmente se adopta a voz de Jeremy Irons do que a voz de Ruy de Carvalho, mesmo tratando-se de vozes com uma excelência de timbre e dicção equivalentes. O ouvinte deve também escolher um leitor que esteja tão próximo do autor quanto possível. Se o leitor for o próprio autor, a situação é perfeita (excluindo alguns casos óbvios de ruído, como Vasco Pulido Valente), para dela se ir afastando progressivamente com a dliuição dos graus de parentesco genético e social. E, por fim, o ouvinte deve escolher alguém que lhe agrade, pouco importando os motivos. A Recherche são mais de 100 horas de escuta e na compulsiva roleta-russa da acústica que vamos jogando já existem balas a mais no tambor, pois são incontáveis as pessoas de voz insuportável que temos de aturar. Não importa sequer se o gozo que a voz lhe dá resultar de circunstâncias alheias à literatura - parecenças? - e explicáveis - que Nabokov me perdoe - por conceitos psicanalíticos.

 

Sobra a competência. Não é uma discussão estanque ao que já se adiantou. Se forem cumpridas todas as recomendações anteriores, prometo que a obra perdurará na memória do ouvinte o mesmo tempo e com a mesma clareza que a lembrança produzida pela leitura. Aliás, arrisco-me até a dizer que a impressão é mais forte, embora não possa adiantar uma prova formal. Tal prova é impossível de se produzir a sós e implicaria recrutar dois grupos de indivíduos com o cuidado de normalização de variáveis dos bons estudos das ciências sociais, para que um grupo lesse e outro ouvisse a mesma obra, sendo os indivíduos depois testados para o conhecimento que retiveram dessa experiência. É possível que tais dados existam já e - volto a frisar - apenas posso adiantar a minha surpresa se os ouvintes ficaram aquém dos leitores.

 

Deixo os aspectos práticos (sites e truques) para ocasião futura. E muito mais há para contar: as dificuldades que as longas orações subordinadas e o vocabulário de Nathaniel Hawthorne colocam ao ouvinte; o amadorismo e excesso de boa vontade de alguns leitores, capaz de produzir  produtos que abalam o multiculturalista mais empedernido, como este Quijote lido por um mexicano; a absurda importância que se dá ao suporte de leitura, cristalizado no confronto entre o livro de papel e o monitor, que interessará aos jornalistas, aos editores e aos bibliófilos,  mas que é muito menos relevante para a literatura do que o confronto entre o livro (de papel ou digital) e o audiolivro; a fraqueza da lusofonia neste mundo novo da literatura acústica; os efeitos da curiosa aliança de circunstância entre cegos e amantes dos audiolivros; o hábito de adormecer com os headphones, que faz das proustianas voltas na cama um enforcamento em potência, embora, para meu desconcerto, este possível enleio com o meu pescoço não me preocupe tanto quanto me preocupava o outro. Boas audições.

 

 

 

 

 


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Eremita às 12:25
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Quarta-feira, 22 de Abril, 2009

Antonio Saura

 

 

A leitura do romance de Cervantes destina-se a provar uma tese: a consagração máxima de um escritor não é ver o seu nome transformado em adjectivo (Kafka), mas o de uma das suas personagens (D. Quixote). Servirá também de pretexto para uma megalómana manifestação de iberismo (o Ouriquense contra Martin Amis). Por fim, veremos se o leitor responde ao livro da mesma forma que a personagem principal deste respondeu aos romances de cavalaria. Como a perda de rigor se justifica perante a possibilidade de perda da razão, tentarei antigir os dois primeiros objectivos antes de terminar a leitura do livro.


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Eremita às 08:26
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Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Quarta-feira, 11 de Março, 2009

Antonio Saura

 

Voltei ontem à ribeira do Cotovio e às ruínas do monte. A água corre naquele leito e pressente-se uma explosão de vida. Conhecia já todas as estações do ano em Ourique, mas agora conheço-as em continuidade. Tirando uma deslocação à praia da Galé, nunca devidamente documentada (what happens in Galé, stays in Galé), estive sempre por aqui. Não cheguei a ir a Lisboa ouvir a voz mais frágil da pop, não fui ao festival de guitarra a decorrer no Convento dos Capuchos, nem a um bordel da raia. Ainda faltam meses para cumprir um ano, mas toquei já em todas as estações. A água que corre naquele leito recorda-me todos os projectos abandonados: deixei de treinar a pontaria aos comprimidos, deixei de frequentar o cineclube, deixei de ter uma leitura disciplinada e deixei de comprar tupperwares. Ainda tenho uns 15 por usar e só protegi 5 volumes. Entreabri ontem o tupperware com a Cartuxa e inspirei pela frincha. Esperava captar um odor de biblioteca, mas os livros envelhecem devagar e nem uma paciência nipónica chegaria para se fazer uma biblioteca bonsai com um tupperware. O problema não está na incapacidade de ver a Primavera como uma oportunidade para um recomeço, O problema está em olhar para todas as estações como oportunidades para se recomeçar. Se não há oportunidades perdidas, nunca há um verdadeiro recomeço. Porém, insisto. Elegi até um novo clássico. Vou ler o Quixote. Primeira regra para ler o Quixote: saltar as introduções, inclusive o prólogo de Cervantes. Já as li e sei como as introduções sugam energia vital ao leitor. São armadilhas, longuíssimos actos falhados de académicos, sendo o lapso tão mais evidente quanto maior o brilhantismo com que foi escrito. A evitar.


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Eremita às 07:17
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Terça-feira, 26 de Agosto, 2008

Vento no monte mais alto do monte. Venho aqui quase todos os dias e há sempre vento. Quanto vento será preciso para instalar uma eólica? Uma eólica bem alta, para que a possa ver do castanheiro, quando estiver a ler o Quijote. Que luxo... É verdade que ando com uns vícios quixotescos, a Cartuxa deu-me cabo do fraco entendimento que tenho do mundo; no outro dia lembrei-me da ucraniana que subiu comigo ao palco no espectáculo de Maik e Rosy e apeteceu-me que fosse descendente de uma duquesa expropriada e não uma imigrante com curso superior que de nada lhe serve em Ourique. Uma Dulcineia inventada por uma loucura lúcida. Trabalha no Pingo Doce, a Tatiana. É desconcertantemente bela e nada ucraniana. Parece quase francesa, por causa do corte de cabelo. E tem umas sardas como as da minha primeira namorada. Ela ama o Igor, mas até que ponto? No outro dia a mão dela roçou na minha. Terá sido por acaso? Ainda me sobrará alguma da loucura lúcida?


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Eremita às 18:31
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