Domingo, 6 de Dezembro de 2009
Domingo, 06 de Dezembro, 2009

Balanço do ano e resoluções

 

Li pouco, li mal, li maus livros. Ditou a conjuntura que me debruçasse sobre a integral de Mário Zambujal. Li toda a obra deste escritor e fiquei com a impressão que tinha antes, o que é algo frustrante: a Crónica dos Bons Malandros, o seu primeiro livro, também é o melhor - e um grande livro. Li Leite Derramado, de Chico Buarque, e Hotel Memória, de João Tordo, livros que serão levados pela enxurrada do tempo. Creio que li Ela e Outras Mulheres, de Rubem Fonseca - a dúvida é quanto à data de leitura (em 2008 ou 2009?).  Li Ensaios Facetos, de Abel Barros Baptista, uma festa de inteligência. Li o Dom Casmurro, de Machado de Assis - e creio, convictamente, que Capitu não encornou.  Cometi o disparate de ler Popper (A lógica da Descoberta Científica) em francês. Li On the Origin of Species e foi a única decisão acertada do ano. Antes das 12 badaladas, terminarei a leitura de Um eremita em Paris (Calvino) e Porque é que a vida acelera à medida que envelhecemos?, de um psicólogo holandês com nome de professor de ioga. Reli O Banqueiro Anarquista e, surpreendentemente, continuo a não me lembrar do fim.

 

Passei os olhos por variadíssimas obras. Lamento não ter conseguido terminar o Moby-Dick. Também não consegui concluir o D. Quijote - aliás, até havia apagado da memória essa tentativa frustrada*.

 

Perante este quadro desolador, quase apetece regressar a Lisboa. Mas tenho esperança. 2010 será um ano de mudança, o ano da leitura metódica. Como se consegue isso? Só conheço três medidas eficazes e conto recorrer a todas - não espero milagres, bastam-me sinergias.

 

A primeira medida é o compromisso público. Conto ler tudo o que conseguir de Kosinsky e Brodsky (prosa), nomeadamente:

 

Kosinsky


Being There

Converstations with Jerzy Kosinski (continuação)

The Hermit of 69th Street (continuação)

The Painted Bird (conclusão)

 

Brodsky

 

Less than One (releitura)

On Grief and Reason (releitura)

Watermark

 

A segunda medida é um caso particular e extremado da primeira: a aposta. O calhamaço reúne as características ideias para objecto de aposta. Conto terminar o Quijote e o Moby-Dick, e começar e acabar o Guerra e Paz (estreia absoluta). Se falhar um, dois ou os três, oferecerei a Luiz Pacheco um jantar, dois ou quatro, respectivamente. A aposta é unidireccional (Pacheco não fica a dever nada caso eu consiga concluir a leitura dos três livros). O jantar terá lugar  - ou não - num dos restaurantes da vila, em Janeiro de 2011.

 

A terceira medida é a leitura organizada em torno de um projecto. Temos escalonados: Os Filhos, de Kafka, Fathers and Sons, de Turgenev, The Germ-Plasm: a Theory of Heredity, Studies in the Theory of Descent, The Evolution Theory, On Germinal Selection as a Source of Definite Variation, Essays upon Heredity and kindred Biological Problems, todos de August Weismann.

 

Considerandos metodológicos

 

Uma questão, também moral: será que a leitura assistida por voz de computador é um recurso válido? Visto que há cada vez mais obras digitalizadas, esta é uma solução de alcance crescente. Recorri a este método para ultrapassar a secção da Origin sobre pombos e creio que consegui um compromisso entre a minimização do aborrecimento e a assimilação da obra superior ao que é dado pela leitura na diagonal, pelos resumos  e por todos os métodos de leitura acelerada, que são uma charlatanice. No fundo, já respondi à questão e agora só me preocupa encontrar uma voz mais agradável do que a que tenho usado.  Sonho com uma voz híbrida de Kathleen Turner com Ana Zanatti, temperada com a famosa inflexão enfática de David Attenborough.

 

* Bem lembrada por Jorge.



Eremita às 18:08
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Sexta-feira, 18 de Setembro, 2009

 

O comentário ao Ouriquense tem estado ausente, sinal de que o projecto anda à deriva. Urge reforçar a ordem de trabalhos, a saber:

1. Conceber planos para a morte de Igor.

2. Criar condições para um encontro verosímil com Tatiana em que coloco a mão na barriga dela.

3. Terminar o Cachalote e recuperar o Quijote.

4. Reforçar a natureza de diário trasladado, que é a nossa única originalidade . Por outras palavras, fazer com que a narrativa do Ouriquense esteja mais colada à vida do seu narrador, com o inevitável - ainda que paradoxal - incremento na ficção.

Vamos  cumprir.



Eremita às 08:03
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