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Ouriquense

06
Fev10

O estranho caso do crematório de Ferreira do Alentejo

Eremita

Jornalismo de investigação 

 

A primeira cremação em Portugal aconteceu a 28 de Novembro de 1925, no Cemitério do Alto de S. João, em Lisboa. O crematório foi encerrado em 1936 e reaberto em 1985, diz-se que por pressão da comunidade Hindu. Desde então, esta solução deixou de ser praticada apenas por hindus e gente que sofre de claustrofobia. São várias as vantagens da cremação, tanto para quem gere um cemitério como para os cidadãos. Os primeiros não precisam de se expandir para continuar a cumprir a sua missão e os segundos deixam de falhar sistematicamente no dia de finados, podendo substituir uma ida à campa dos familiares numa invernosa manhã de Novembro pelo afagar da tampa de uma terrina colocada sobre a lareira. A adesão à cremação foi tal que já não estamos perante uma simples moda, mas sim uma mudança de paradigma. Enfim, os lisboetas estão a par. O lisboeta moderno quer as suas cinzas num recipiente de porcelana, na caixa de charutos que herdou do avô, espalhadas ao vento num dia bonito e na presença dos entes queridos, ou então enterradas num local com valor sentimental. A moda é tão aguda que há hoje quem se preocupe com as emissões dos fornos crematórios, aflição que não poderia estar mais afinada com a actualidade. 

 

Até 2002 existiam apenas três fornos crematórios a funcionar em Portugal. Continuava em uso o mais antigo, na capital, e começara a funcionar um outro, no cemitério do Prado do Repouso, no Porto. Esta é uma cronologia normal, visto esperar-se que a urgência de construir um forno crematório seja proporcional à dimensão das cidades. Para mais, os efeitos de proximidade devem contar muito pouco, pois se as agências funerárias cobram 1 euro por quilómetro quando transportam um cadáver, no que toca à cremação cada povoado terá mesmo de funcionar como uma cidade-estado, tão auto-suficiente quanto possível (1). Sendo assim, devemos tentar perceber por que motivo o terceiro forno crematório de Portugal surgiu em Ferreira do Alentejo, vila do Baixo Alentejo com 4800 habitantes. Parece que este acidente na história da tradição funerária lusa se deve à vontade de um único homem, que nem sequer era político. A história pública deste homem merece pois ser contada, pela promessa de insólito que encerra e, também, pelo sucesso do forno crematório de Ferreira (48 cremações em 2001, 134 em 2002 e provavelmente mais de 235 em 2007), que destoa daquilo que é a evolução das valências construídas no interior, tantas vezes sobredimensionadas. Para o fazer, preciso da vossa ajuda, pois - como sabem - de Ourique só admito sair para ir a Castro Verde ou à praia da Galé. Tendo em conta o estado a que o respeito pela privacidade chegou neste país e algum revisionismo sobre o que é a privacidade, preferia que veiculassem qualquer informação relevante  (contactos, estatísticas, histórias, receios à época) por correio electrónico (eremitadaplanicie@spo.pt). Chamemos a este exercício jornalismo de investigação de sofá

 

(1) Não foi possível confirmar se os carros funerários cobram bandeirada.

 

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