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Ouriquense

11
Fev13

39

Eremita

- A nossa relação amadureceu, não acha?

- Porquê?

- Por causa do meu amante.

- Mas só me contou esta semana.

- E daí? Sinto que você está mais próximo. Já não o assusto.

- Nunca me assustou.

- Já não lhe peso.

- Nunca me...

- Não seja tonto. Julgava-me fácil.

- Você não era fácil.

- É verdade que me ofereci muito.

- O sexo já não vale nada. 

- Acha?

- Partilha-se o corpo antes de se partilhar um segredo.

- O Zé disse-me que tem uma filha.

- Quem?

- O meu amante.

- Chama-se Zé?

- Chama. Porquê?

- Não é nome de amante.

- Que disparate. Que nome imaginou?

- Fabrice. 

- Fabrice de Castro Verde?

- Não, só Fabrice. 

- Faz-me rir. O Zé não me faz rir tanto.

- Podemos tratá-lo por Fabrice?

- Não seja infantil.

- Insisto.

- Ai... dizia-lhe que o Zé... o Fabriiiice confessou ter uma filha.

- É uma confissão?

- Foi logo depois de irmos para a cama.

- Sentia culpa?

- O Zé?

- O Fabrice.

- Sim.

- E a mãe da criança?

- A mãe morreu. 

- Talvez seja melhor recuperarmos o "Zé".

- Quer ajudar-me a recuperá-lo? Que querido.

- Referia-me ao tratamento.

- Acha que ele precisa?

- À forma de o tratarmos...

- Não sei se é boa ideia você envolver-se tanto.

- Não percebeu nada.

- Você é tão querido. Meu... meu François.

- François?

- É nome de amigo, não é? Petite François.

- Petit.

 

 

08
Fev13

38

Eremita

- Está mais magro, sentiu a minha falta?

- Outras arrelias. Andou desaparecida...

- Culpa de um amante de Castro Verde.

- Só pode estar a brincar.

- Ciúmes do meu amante?

- Não.

- Estava habituado ao meu marido, era?

- Não.

- A julgar pela sua cara...

- Precisava de ser de Castro Verde?

- Mas que embirração tem você com Castro Verde?

- É uma apropriação da geografia.

- Vejo que não perdeu as manias. 

- ...

- Não vai perguntar mais nada?

- Está bem de saúde?

- Sobre o meu amante...

- Bem, é um homem de Castro Verde. Isso basta.

- Sabe como o conheci?

- Ele parou o carro e ajudou-a a mudar um pneu.

- É adivinho?

- Vi que tem um pneu mais novo no Range Rover

- Perspicaz. Mas mesmo assim...

- E se tivesse sido na internet não contaria.

- Seria pouco romântico, não acha?

- Estou retirado. 

- Mas não tem uma opinião?

- Não. 

- Não?

- Tenho. Mas não é a que quer ouvir.

- Diga lá. 

- Não. Não me interessa discutir esse assunto.

- Amuou?

- Não.

- Quer conhecer o meu amante?

- Livre-se de o trazer a Ourique.

- É uma ameaça?

- Serei mal-educado.

- Isso é de frouxo.

- Tenho ouvido os líderes do PS na TV.

- Ai, gostava tanto que dois homens lutassem por mim.

- Não seria por si, seria contra Castro Verde.

- Como no tempo dos reis e das rainhas.

- Perdão?

- Por uma mulher se conquistava e perdia um reino.

- Castro Verde é freguesia.

- O meu amante deseja-me.

- Isso é bom.

- Você não sente a minha falta?

- Não.

- Nada?

- Nada.

- Não acredito.

- Lamento. 

- Julga-se superior, não é?

- Não.

- Não importa. Podemos ser só amigos.

- ...

- Sim?

- Preciso de ir jantar com o seu amante de Castro Verde?

- Não.

- Então está bem. 

 

12
Out12

37

Eremita

 

 

 

- Mas não se diz antes acção- reacção?

- Neste caso é mesmo reacção-contra-reacção.

- Você complica tudo.

- Reacção-contra-reacção resolve o problema da origem.

- Resolve?

- Bem, não resolve, ignora-o.

- Não percebo nada.

- Sabe, quando ouvia o registo audio da peça...

- Mas ele não costuma filmar?

- Houve um problema técnico, do segundo acto só tenho o som.

- Azar o seu, não vê a [Margarida] Marinho. Gira, não é?

-  Tem partes giras.

- Não seja grosseiro.

- Quis dizer que tem partes na peça em que parece gira.

- Ai, eu acho-a giríssima. Quem me dera chegar à idade dela assim.

- Não têm a mesma idade?

- Olhe, explique é essa reacção-contra-reacção.

- A peça incomodou-me.

- Também vi. Fui com o meu marido. It's complicated.

- Por favor, você não pode resumir o grande mergulho de Bergman à essência da conjugalidade a um it's complicated.

- Mergulhe lá, então. Mas não se afogue. 

- Eu via a peça e só me concentrava no acessório.

- Nas pernas da Marinho?

- Não. Na violência doméstica latente e na parentalidade.

- Ai, só lhe fica bem.

- Mas a peça ignora a parentalidade. Aquele homem é um monstro.

- Quando tiver um filho, isso passa-lhe. 

- Acha?

- Você precisa de se trivializar um pouco se quer continuar a ter opiniões excêntricas sem dar impressão de desespero ou loucura.

- ...

- Surpreendi-o, certo?

- Sim.

- Nem sabe o que está a perder. Mas não se assuste.

- Você não me assusta.

- Não se assuste com as suas opiniões.

- Eu não estou assustado.

- Claro que está. Parece um menino. Venha cá...

- Deixe-me. 

- Já viu que podíamos ser personagens naquela peça.

- Não comece.

- Isto não é começar.

- Não?

- É reeeecomeçar. Ahah.

- Não se pode conversar consigo.

- Aposto que não conversa com mais ninguém aqui.

- Tenho o Judeu.

- Por favor, o Judeu é um sociopata, coitado.

- Não gosto que fale assim dele.

- O Judeu casou?

- Não.

- O Judeu tem filhos?

- Tem.

- Tem?

- Tem um.

- Cuida dele?

- Já é crescido.

- Educou-o?

- Não, foi a mãe.

- Ah, pois.

- O quê?

- Nada, nada.

- Está a insinuar que o Judeu...

- Essa conclusão é sua. 

- O Judeu é um criador.

- E o Bergman foi o quê, contabilista?

- Está a colar a peça à biografia do autor.

 

Continua.

 

 

05
Out12

36

Eremita

- O seu busto é republicano, que não sobrem dúvidas.

- Acha?

- De certeza. O seu cirurgião é maçon?

- Não faço ideia.

- Veja a figura da Liberdade, do Delacroix.

- Aquela gorda com a bandeira?

- Uma mulher saudável. 

- Poupe-me. 

- Você é monárquica, não é?

- Adoro a Kate Middleton.

- Mesmo depois do Ultimato?

- A Kate é uma trendsetter, sabia?

- Eu sou mais Liberdade, do Delacroix.

- Sim?

- Sim.

- Assim?

- Vá. Componha-se...

- É assim, não é?

- Fal... falta a bandeira.

- Dê-me a sua camisa.

- Não me vou des...

- Dê-me a sua camisa.

- Você é louca.

- Ai, pêlos no peito, que rústico.

- ...

- E agora?

- Falta o barrete frígio.

- Como é?

- Vermelho. 

- Tem alguma peça vermelha?

- Não.

- Eu tenho. 

- ...

- Assim?

- Precisa de uma dobra na ponta.

- Não a quer fazer?

-...

- Está com vergonha?

- Não sei se devo.

- É só renda e sou asseada.

- Falta tecido para um verdadeiro barrete.

- Não lhe quer tocar?

- ...

- E?

- É macia, apesar da renda.

- Não a quer cheirar?

- E a ética republicana?

- Viva um bocadinho. É só lavanda. Não embriaga.

 

 

 

 

 

20
Set12

35

Eremita

- Fica mais velho quando diz "ménage à trois".

- Eu não comecei esta conversa.

- Já ninguém diz "ménaaaaage à trois".

- Agora lembrou-me Jacques Chirac.

- Quem?

- Um amigo que tive em Paris.

- Ah.

- Mas não é verdade.

- O quê?

- Que "ménage à trois" tenha caído em desuso.

- A julgar por esta conversa, não caiu mesmo.

- Agora teve graça. Por vezes você tem graça. Tem noção disso?

- Não. Sou burra.

- Você não é burra.

- Ai, muito obrigado.

- Obrigada.

- Não, ninguém me obriga. Sou livre!

- Diz-se "obrigada". As mulheres devem dizer "obrigada".

- Somos livres, percebeu? Livres! Você, com as suas regras, nunca gozará um threesome.

- Experimente um sotaque com menos perdigotos, por favor.

- "Thrrrrrrrrrreesome".

- Só à bofetada.

- Ai, bata. Bata aqui...

- Não espete o rabo.

- Ficam-me bem estes calções, não ficam?

- Sim.

- Então imagine dois calções. Já pensou nas possiblidades? Seria tudo a dobrar.

- Seria mais do que a dobrar.

- Ai sim?

- Mete cálculo combinatório. Não se apoquente.

- Whaaaatever, só me dá razão. Dois calções justinhos... a pentuplicar!

- Quintuplicar.

- Pentuplicar!

- Não insista.

- "Pentuplicar" é mais sexual, não acha?

- Não existe como palavra.

- Vê? Sempre com regras, sempre reprimido.

- Não insista mais.

- Como pode recusar uma oferta destas? Não tem curiosidade?

- Alguma. Mas receio que seja como o paintpall.

- O paintball?

- Joguei uma vez e a curiosidade passou.

- Percebo-o. Não concretiza o desejo para nunca o perder.

- Isso foi surpreendentemente bem dito.

- Viu?

- Não espete o rabo.

13
Set12

34

Eremita

- Não nota nada?

- Cortou o cabelo?

- E assim?

- Está com um ar saudável, Lisboa fez-lhe bem. 

- Você está a brincar comigo, não está?

- Sim. Parecem reais, cumpriu a ameaça.

- Esse seu desconforto...

- O meu desconforto?

- Certos homens não admitem que gostam de mamas.

- Não tivemos já esta conversa?

- Não desconverse.

- Mas eu admito. Confesso-me culpado. Gosto muito de mamas.

- De mamas grandes. Pensam que é um gosto vulgar.

- Prefiro a pintura figurativa à abstracta, um cozido à portugues...

- Não me convence. Vi o seu olhar hesitante.

- É por ter respeito por si.

- Mas eu quero que olhe para mim.

- Não as levante assim com as mãos, por favor. Ficam menos reais. 

- A sério?

- Sim. A espontaneidade nos gestos retira verosimilhança às mamas falsas.

- Não complique. São umas belas mamas, não são?

- As melhores de Ourique.

- Acha mesmo?

- Acho. Mas nem sequer é um grande elogio, se reparar.

- Ai, sempre é mias agradável do que ser conhecida como o melhor broche de Lisboa. 

- Você era conhecida como o melhor broche de Lisboa?

- Sim. Está surpreendido?

- Não. Apesar do nome, esses são títulos de bairro. 

 

31
Ago12

33

Eremita

- Tesão de mijo?

- Há muito tesão neste país a passar por isso.

- Mas vocês não têm tesão de mijo?

- Temos. Mas também há o tesão de mijo falso.

- Porquê?

- A hipótese do tesão de mijo restaura uma certa privacidade.

- Então era mesmo tesão... por mim?

- Não, estava a telefonar para Espanha.

- Ah, uma chamada de valor acrescentado.

- Era o telemóvel dela. Desmarquei o encontro de amanhã.

- E ela fez-lhe o serviço pelo telefone...

- Não. Discutimos apenas datas. Mas basta-me ouvir a voz dela. É um tesão pavloviano.

- Ai homem, escreva um tratado.

- Não faça beicinho.

- Posso pedir-lhe um favor?

- Temo o pior.

- Importa-se de ir à casa de banho como se fosse tesão de mijo?

- Mas acabei de lhe explicar que...

- Não faz isso por mim?

- ...

- Please...

- Não diga a ninguém.

- Não digo, prometo.

- ...

- Está a ouvir-me? Alô?

- Raios, nem aqui dentro tenho sossego.

- Puxa o autoclismo?

- Mas que disparate pegado...

- Quero uma sensação pavloviana. Vá lá, puxe...

 

26
Ago12

32

Eremita

- Não gosta do Jack White?

- Eu não aprecio whisky.

- É um cantor norte-americano.

- Só oiço britpop, querido.

- Vou enviar o moço de recados ao concerto da próxima sexta, podia ir com ele.

- Mas eu vou estar em Lisboa, parto amanhã. Obrigações conjugais, percebe?

- Então leve o seu marido ao concerto. 

- O meu marido só ouve jazz

- O Jack White é bom músico e quem gosta de jazz gosta de bons músicos. 

- Mostre lá.

- Vou pôr um vídeo de uma música calma, para não a assustar.

- Ainda acha que me assusto facilmente?

- Chiuu...

 

 

 

- Você acha essa música calma?

- It gets louder

- Adoro quando fala em inglês comigo. 

- Gosta da canção?

- Ele é giro. 

- Perdão?

- O White é giro. Animalesco. 

- Acha?

- Você também, não?

- Nunca tinha pensado nisso.

- Ou então pensou e reprimiu.

- Gosto dele sobretudo como músico. 

- Pois. Ai, os homens heterossexuais e os seus fantasmas...

- Está a dizer-me que tenho fantasias eróticas com o Jack White?

- Não tem?

- Não. Às vezes imagino-me a tocar com aquela vitalidade.

- "Vitalidade". Vocês julgam-se superiores, não é?

- Nós?

- Os intelectuais. 

- Eu não sou um intelectual. 

- É um intelectual reprimido.

- Deuses, devo ter um armário enorme. É o homossexual reprimido, o intelectual reprimido...

- E o amante reprimido, não se esqueça.

- Amante de quem?

- Meu amante...

- Você é louca.

- Relaxe, não tenho ciúmes do Jack. 

- Vai ao concerto na sexta?

- Tenho cabeleireiro nesse dia.

- Isso é uma resposta?

- Não se faça de rústico, olhe que tem o armário lotado.

 

 

16
Ago12

31

Eremita

- Fingi um orgasmo para o meu marido a pensar em si.

- Foi bom?

- Não seja cruel.

- Bem... perguntava se foi bem.

- Perguntou se foi bom.

- Desculpe. Foi bem?

- Ele não notou.

- Pode ter fingido.

- Acredite que não.

- Não fingiu o orgasmo dele, mas quem lhe garante que não fingiu ter acreditado no seu?

- Já lhe aconteceu?

- Eu acredito em toda a gente.

- De certeza que já fingiram consigo.

- É possível.

- Isso não o irrita?

- Se não reparar, não. 

- Mas a dúvida não o incomoda?

- Não. 

- Gosta que tenham pena de si?

- Não chega a ser uma mentira piedosa, é simples pragmatismo.

- Não pode saber. 

- Tem razão, chego lá por aproximação.

- Por aproximação?

- Deduzo o sentiria a partir do que senti com quem nunca fingiu orgasmos.

- Mas como pode saber que essa pessoa não fingiu orgasmos?

- Não os teve.

- Nunca?

- Nunca. 

- Muitas vezes?

- Não os teve muitas vezes, sim.

- Como sabe que não fingiu que não os teve?

- Vamos excluir essa hipótese.

- Ao contrário do homem, a mulher tanto pode fingir que teve como fingir que não teve.

- Pensava eu que a impossibilidade de um homem fingir o orgasmo sugere a impossibilidade de a mulher esconder o seu.

- Você e essas simetrias...

- Também reparou?

- Pensa sobre tudo da mesma maneira, é aborrecido.

- Sou "sobretudo" consistente, é isso?

- Sobre. Espaço. Tudo. Percebeu?

- Está quase a sorrir.

- Estava a fingir. 

- Não estava. Solte-se.

- Não vou sorrir.

- Vai.

- Não... não vou.

- Quer uma ajuda para não sorrir?

- Quero.

- Pense no seu marido. 

- Você é uma besta.

- Viu? Ficou séria de repente.

- Posso estar ainda a fingir. 

- Você também usa sempre os mesmos truques.

- Os mesmos truques?

- Para se fazer interessante. Abusa da recorrência. 

- Está incomodado por eu ter pensado em si enquanto fingia o orgasmo, não está?

- Não, estou surpreendido.

- Não me julgava assim tão má?

- Não a julgava tão criativa. 

- É o primeiro elogio que me faz, não é?

- Já tinha elogiado a tracção do seu jeep

- Land Rover, querido.

31
Jul12

30

Eremita

- Sabe que dia é hoje?

- 30 de Julho?

- 31. Sabe o que se comemora?

- Algo religioso?

- Frio.

- Uma guerra.

- Morno.

- Um armistício.

- Um quê?

- É quando os inimigos decidem parar a guerra.

- Quente.

- Quente?

- A escaldar.

- 31 de Julho... Não estou a ver.

- O orgasmo.

- Perdão?

- Comemora-se o orgasmo.

- Publicamente?

- Sim. Não é lindo?

- Não.

- Ai, tanto pudor.

- No sexo sem amor, só o pudor o distingue do desporto.

- Comemore comigo, não seja assim.

- Só comemoro Abril.

 

 

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