Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2013
Segunda-feira, 11 de Fevereiro, 2013

- A nossa relação amadureceu, não acha?

- Porquê?

- Por causa do meu amante.

- Mas só me contou esta semana.

- E daí? Sinto que você está mais próximo. Já não o assusto.

- Nunca me assustou.

- Já não lhe peso.

- Nunca me...

- Não seja tonto. Julgava-me fácil.

- Você não era fácil.

- É verdade que me ofereci muito.

- O sexo já não vale nada. 

- Acha?

- Partilha-se o corpo antes de se partilhar um segredo.

- O Zé disse-me que tem uma filha.

- Quem?

- O meu amante.

- Chama-se Zé?

- Chama. Porquê?

- Não é nome de amante.

- Que disparate. Que nome imaginou?

- Fabrice. 

- Fabrice de Castro Verde?

- Não, só Fabrice. 

- Faz-me rir. O Zé não me faz rir tanto.

- Podemos tratá-lo por Fabrice?

- Não seja infantil.

- Insisto.

- Ai... dizia-lhe que o Zé... o Fabriiiice confessou ter uma filha.

- É uma confissão?

- Foi logo depois de irmos para a cama.

- Sentia culpa?

- O Zé?

- O Fabrice.

- Sim.

- E a mãe da criança?

- A mãe morreu. 

- Talvez seja melhor recuperarmos o "Zé".

- Quer ajudar-me a recuperá-lo? Que querido.

- Referia-me ao tratamento.

- Acha que ele precisa?

- À forma de o tratarmos...

- Não sei se é boa ideia você envolver-se tanto.

- Não percebeu nada.

- Você é tão querido. Meu... meu François.

- François?

- É nome de amigo, não é? Petite François.

- Petit.

 

 



Eremita às 15:33
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2013
Sexta-feira, 08 de Fevereiro, 2013

- Está mais magro, sentiu a minha falta?

- Outras arrelias. Andou desaparecida...

- Culpa de um amante de Castro Verde.

- Só pode estar a brincar.

- Ciúmes do meu amante?

- Não.

- Estava habituado ao meu marido, era?

- Não.

- A julgar pela sua cara...

- Precisava de ser de Castro Verde?

- Mas que embirração tem você com Castro Verde?

- É uma apropriação da geografia.

- Vejo que não perdeu as manias. 

- ...

- Não vai perguntar mais nada?

- Está bem de saúde?

- Sobre o meu amante...

- Bem, é um homem de Castro Verde. Isso basta.

- Sabe como o conheci?

- Ele parou o carro e ajudou-a a mudar um pneu.

- É adivinho?

- Vi que tem um pneu mais novo no Range Rover

- Perspicaz. Mas mesmo assim...

- E se tivesse sido na internet não contaria.

- Seria pouco romântico, não acha?

- Estou retirado. 

- Mas não tem uma opinião?

- Não. 

- Não?

- Tenho. Mas não é a que quer ouvir.

- Diga lá. 

- Não. Não me interessa discutir esse assunto.

- Amuou?

- Não.

- Quer conhecer o meu amante?

- Livre-se de o trazer a Ourique.

- É uma ameaça?

- Serei mal-educado.

- Isso é de frouxo.

- Tenho ouvido os líderes do PS na TV.

- Ai, gostava tanto que dois homens lutassem por mim.

- Não seria por si, seria contra Castro Verde.

- Como no tempo dos reis e das rainhas.

- Perdão?

- Por uma mulher se conquistava e perdia um reino.

- Castro Verde é freguesia.

- O meu amante deseja-me.

- Isso é bom.

- Você não sente a minha falta?

- Não.

- Nada?

- Nada.

- Não acredito.

- Lamento. 

- Julga-se superior, não é?

- Não.

- Não importa. Podemos ser só amigos.

- ...

- Sim?

- Preciso de ir jantar com o seu amante de Castro Verde?

- Não.

- Então está bem. 

 



Eremita às 16:27
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2012
Sexta-feira, 12 de Outubro, 2012

 

 

 

- Mas não se diz antes acção- reacção?

- Neste caso é mesmo reacção-contra-reacção.

- Você complica tudo.

- Reacção-contra-reacção resolve o problema da origem.

- Resolve?

- Bem, não resolve, ignora-o.

- Não percebo nada.

- Sabe, quando ouvia o registo audio da peça...

- Mas ele não costuma filmar?

- Houve um problema técnico, do segundo acto só tenho o som.

- Azar o seu, não vê a [Margarida] Marinho. Gira, não é?

-  Tem partes giras.

- Não seja grosseiro.

- Quis dizer que tem partes na peça em que parece gira.

- Ai, eu acho-a giríssima. Quem me dera chegar à idade dela assim.

- Não têm a mesma idade?

- Olhe, explique é essa reacção-contra-reacção.

- A peça incomodou-me.

- Também vi. Fui com o meu marido. It's complicated.

- Por favor, você não pode resumir o grande mergulho de Bergman à essência da conjugalidade a um it's complicated.

- Mergulhe lá, então. Mas não se afogue. 

- Eu via a peça e só me concentrava no acessório.

- Nas pernas da Marinho?

- Não. Na violência doméstica latente e na parentalidade.

- Ai, só lhe fica bem.

- Mas a peça ignora a parentalidade. Aquele homem é um monstro.

- Quando tiver um filho, isso passa-lhe. 

- Acha?

- Você precisa de se trivializar um pouco se quer continuar a ter opiniões excêntricas sem dar impressão de desespero ou loucura.

- ...

- Surpreendi-o, certo?

- Sim.

- Nem sabe o que está a perder. Mas não se assuste.

- Você não me assusta.

- Não se assuste com as suas opiniões.

- Eu não estou assustado.

- Claro que está. Parece um menino. Venha cá...

- Deixe-me. 

- Já viu que podíamos ser personagens naquela peça.

- Não comece.

- Isto não é começar.

- Não?

- É reeeecomeçar. Ahah.

- Não se pode conversar consigo.

- Aposto que não conversa com mais ninguém aqui.

- Tenho o Judeu.

- Por favor, o Judeu é um sociopata, coitado.

- Não gosto que fale assim dele.

- O Judeu casou?

- Não.

- O Judeu tem filhos?

- Tem.

- Tem?

- Tem um.

- Cuida dele?

- Já é crescido.

- Educou-o?

- Não, foi a mãe.

- Ah, pois.

- O quê?

- Nada, nada.

- Está a insinuar que o Judeu...

- Essa conclusão é sua. 

- O Judeu é um criador.

- E o Bergman foi o quê, contabilista?

- Está a colar a peça à biografia do autor.

 

Continua.

 

 



Eremita às 06:56
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2012
Sexta-feira, 05 de Outubro, 2012

- O seu busto é republicano, que não sobrem dúvidas.

- Acha?

- De certeza. O seu cirurgião é maçon?

- Não faço ideia.

- Veja a figura da Liberdade, do Delacroix.

- Aquela gorda com a bandeira?

- Uma mulher saudável. 

- Poupe-me. 

- Você é monárquica, não é?

- Adoro a Kate Middleton.

- Mesmo depois do Ultimato?

- A Kate é uma trendsetter, sabia?

- Eu sou mais Liberdade, do Delacroix.

- Sim?

- Sim.

- Assim?

- Vá. Componha-se...

- É assim, não é?

- Fal... falta a bandeira.

- Dê-me a sua camisa.

- Não me vou des...

- Dê-me a sua camisa.

- Você é louca.

- Ai, pêlos no peito, que rústico.

- ...

- E agora?

- Falta o barrete frígio.

- Como é?

- Vermelho. 

- Tem alguma peça vermelha?

- Não.

- Eu tenho. 

- ...

- Assim?

- Precisa de uma dobra na ponta.

- Não a quer fazer?

-...

- Está com vergonha?

- Não sei se devo.

- É só renda e sou asseada.

- Falta tecido para um verdadeiro barrete.

- Não lhe quer tocar?

- ...

- E?

- É macia, apesar da renda.

- Não a quer cheirar?

- E a ética republicana?

- Viva um bocadinho. É só lavanda. Não embriaga.

 

 

 

 

 



Eremita às 23:53
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012
Quinta-feira, 20 de Setembro, 2012

- Fica mais velho quando diz "ménage à trois".

- Eu não comecei esta conversa.

- Já ninguém diz "ménaaaaage à trois".

- Agora lembrou-me Jacques Chirac.

- Quem?

- Um amigo que tive em Paris.

- Ah.

- Mas não é verdade.

- O quê?

- Que "ménage à trois" tenha caído em desuso.

- A julgar por esta conversa, não caiu mesmo.

- Agora teve graça. Por vezes você tem graça. Tem noção disso?

- Não. Sou burra.

- Você não é burra.

- Ai, muito obrigado.

- Obrigada.

- Não, ninguém me obriga. Sou livre!

- Diz-se "obrigada". As mulheres devem dizer "obrigada".

- Somos livres, percebeu? Livres! Você, com as suas regras, nunca gozará um threesome.

- Experimente um sotaque com menos perdigotos, por favor.

- "Thrrrrrrrrrreesome".

- Só à bofetada.

- Ai, bata. Bata aqui...

- Não espete o rabo.

- Ficam-me bem estes calções, não ficam?

- Sim.

- Então imagine dois calções. Já pensou nas possiblidades? Seria tudo a dobrar.

- Seria mais do que a dobrar.

- Ai sim?

- Mete cálculo combinatório. Não se apoquente.

- Whaaaatever, só me dá razão. Dois calções justinhos... a pentuplicar!

- Quintuplicar.

- Pentuplicar!

- Não insista.

- "Pentuplicar" é mais sexual, não acha?

- Não existe como palavra.

- Vê? Sempre com regras, sempre reprimido.

- Não insista mais.

- Como pode recusar uma oferta destas? Não tem curiosidade?

- Alguma. Mas receio que seja como o paintpall.

- O paintball?

- Joguei uma vez e a curiosidade passou.

- Percebo-o. Não concretiza o desejo para nunca o perder.

- Isso foi surpreendentemente bem dito.

- Viu?

- Não espete o rabo.



Eremita às 09:25
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012
Quinta-feira, 13 de Setembro, 2012

- Não nota nada?

- Cortou o cabelo?

- E assim?

- Está com um ar saudável, Lisboa fez-lhe bem. 

- Você está a brincar comigo, não está?

- Sim. Parecem reais, cumpriu a ameaça.

- Esse seu desconforto...

- O meu desconforto?

- Certos homens não admitem que gostam de mamas.

- Não tivemos já esta conversa?

- Não desconverse.

- Mas eu admito. Confesso-me culpado. Gosto muito de mamas.

- De mamas grandes. Pensam que é um gosto vulgar.

- Prefiro a pintura figurativa à abstracta, um cozido à portugues...

- Não me convence. Vi o seu olhar hesitante.

- É por ter respeito por si.

- Mas eu quero que olhe para mim.

- Não as levante assim com as mãos, por favor. Ficam menos reais. 

- A sério?

- Sim. A espontaneidade nos gestos retira verosimilhança às mamas falsas.

- Não complique. São umas belas mamas, não são?

- As melhores de Ourique.

- Acha mesmo?

- Acho. Mas nem sequer é um grande elogio, se reparar.

- Ai, sempre é mias agradável do que ser conhecida como o melhor broche de Lisboa. 

- Você era conhecida como o melhor broche de Lisboa?

- Sim. Está surpreendido?

- Não. Apesar do nome, esses são títulos de bairro. 

 



Eremita às 07:21
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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012
Sexta-feira, 31 de Agosto, 2012

- Tesão de mijo?

- Há muito tesão neste país a passar por isso.

- Mas vocês não têm tesão de mijo?

- Temos. Mas também há o tesão de mijo falso.

- Porquê?

- A hipótese do tesão de mijo restaura uma certa privacidade.

- Então era mesmo tesão... por mim?

- Não, estava a telefonar para Espanha.

- Ah, uma chamada de valor acrescentado.

- Era o telemóvel dela. Desmarquei o encontro de amanhã.

- E ela fez-lhe o serviço pelo telefone...

- Não. Discutimos apenas datas. Mas basta-me ouvir a voz dela. É um tesão pavloviano.

- Ai homem, escreva um tratado.

- Não faça beicinho.

- Posso pedir-lhe um favor?

- Temo o pior.

- Importa-se de ir à casa de banho como se fosse tesão de mijo?

- Mas acabei de lhe explicar que...

- Não faz isso por mim?

- ...

- Please...

- Não diga a ninguém.

- Não digo, prometo.

- ...

- Está a ouvir-me? Alô?

- Raios, nem aqui dentro tenho sossego.

- Puxa o autoclismo?

- Mas que disparate pegado...

- Quero uma sensação pavloviana. Vá lá, puxe...

 



Eremita às 18:11
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Domingo, 26 de Agosto de 2012
Domingo, 26 de Agosto, 2012

- Não gosta do Jack White?

- Eu não aprecio whisky.

- É um cantor norte-americano.

- Só oiço britpop, querido.

- Vou enviar o moço de recados ao concerto da próxima sexta, podia ir com ele.

- Mas eu vou estar em Lisboa, parto amanhã. Obrigações conjugais, percebe?

- Então leve o seu marido ao concerto. 

- O meu marido só ouve jazz

- O Jack White é bom músico e quem gosta de jazz gosta de bons músicos. 

- Mostre lá.

- Vou pôr um vídeo de uma música calma, para não a assustar.

- Ainda acha que me assusto facilmente?

- Chiuu...

 

 

 

- Você acha essa música calma?

- It gets louder

- Adoro quando fala em inglês comigo. 

- Gosta da canção?

- Ele é giro. 

- Perdão?

- O White é giro. Animalesco. 

- Acha?

- Você também, não?

- Nunca tinha pensado nisso.

- Ou então pensou e reprimiu.

- Gosto dele sobretudo como músico. 

- Pois. Ai, os homens heterossexuais e os seus fantasmas...

- Está a dizer-me que tenho fantasias eróticas com o Jack White?

- Não tem?

- Não. Às vezes imagino-me a tocar com aquela vitalidade.

- "Vitalidade". Vocês julgam-se superiores, não é?

- Nós?

- Os intelectuais. 

- Eu não sou um intelectual. 

- É um intelectual reprimido.

- Deuses, devo ter um armário enorme. É o homossexual reprimido, o intelectual reprimido...

- E o amante reprimido, não se esqueça.

- Amante de quem?

- Meu amante...

- Você é louca.

- Relaxe, não tenho ciúmes do Jack. 

- Vai ao concerto na sexta?

- Tenho cabeleireiro nesse dia.

- Isso é uma resposta?

- Não se faça de rústico, olhe que tem o armário lotado.

 

 



Eremita às 14:31
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012
Quinta-feira, 16 de Agosto, 2012

- Fingi um orgasmo para o meu marido a pensar em si.

- Foi bom?

- Não seja cruel.

- Bem... perguntava se foi bem.

- Perguntou se foi bom.

- Desculpe. Foi bem?

- Ele não notou.

- Pode ter fingido.

- Acredite que não.

- Não fingiu o orgasmo dele, mas quem lhe garante que não fingiu ter acreditado no seu?

- Já lhe aconteceu?

- Eu acredito em toda a gente.

- De certeza que já fingiram consigo.

- É possível.

- Isso não o irrita?

- Se não reparar, não. 

- Mas a dúvida não o incomoda?

- Não. 

- Gosta que tenham pena de si?

- Não chega a ser uma mentira piedosa, é simples pragmatismo.

- Não pode saber. 

- Tem razão, chego lá por aproximação.

- Por aproximação?

- Deduzo o sentiria a partir do que senti com quem nunca fingiu orgasmos.

- Mas como pode saber que essa pessoa não fingiu orgasmos?

- Não os teve.

- Nunca?

- Nunca. 

- Muitas vezes?

- Não os teve muitas vezes, sim.

- Como sabe que não fingiu que não os teve?

- Vamos excluir essa hipótese.

- Ao contrário do homem, a mulher tanto pode fingir que teve como fingir que não teve.

- Pensava eu que a impossibilidade de um homem fingir o orgasmo sugere a impossibilidade de a mulher esconder o seu.

- Você e essas simetrias...

- Também reparou?

- Pensa sobre tudo da mesma maneira, é aborrecido.

- Sou "sobretudo" consistente, é isso?

- Sobre. Espaço. Tudo. Percebeu?

- Está quase a sorrir.

- Estava a fingir. 

- Não estava. Solte-se.

- Não vou sorrir.

- Vai.

- Não... não vou.

- Quer uma ajuda para não sorrir?

- Quero.

- Pense no seu marido. 

- Você é uma besta.

- Viu? Ficou séria de repente.

- Posso estar ainda a fingir. 

- Você também usa sempre os mesmos truques.

- Os mesmos truques?

- Para se fazer interessante. Abusa da recorrência. 

- Está incomodado por eu ter pensado em si enquanto fingia o orgasmo, não está?

- Não, estou surpreendido.

- Não me julgava assim tão má?

- Não a julgava tão criativa. 

- É o primeiro elogio que me faz, não é?

- Já tinha elogiado a tracção do seu jeep

- Land Rover, querido.



Eremita às 06:56
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Terça-feira, 31 de Julho de 2012
Terça-feira, 31 de Julho, 2012

- Sabe que dia é hoje?

- 30 de Julho?

- 31. Sabe o que se comemora?

- Algo religioso?

- Frio.

- Uma guerra.

- Morno.

- Um armistício.

- Um quê?

- É quando os inimigos decidem parar a guerra.

- Quente.

- Quente?

- A escaldar.

- 31 de Julho... Não estou a ver.

- O orgasmo.

- Perdão?

- Comemora-se o orgasmo.

- Publicamente?

- Sim. Não é lindo?

- Não.

- Ai, tanto pudor.

- No sexo sem amor, só o pudor o distingue do desporto.

- Comemore comigo, não seja assim.

- Só comemoro Abril.

 

 



Eremita às 20:09
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2012
Sexta-feira, 13 de Julho, 2012

- Relvas é sexy.

- Perdão?

- O Ministro Miguel Relvas é sexy.

- Está tudo bem?

- Não acha?

- Na lógica do bad boy?

- Não. Por aquela resistência à vergonha. Sexy.

- Você avariou.

- Não é de hoje. Valentim Loureiro. Sexy. Duarte Lima. Sexy.

- Ao menos escolha mulheres. Fátima Felgueiras?

- Sexy.

- Assim faz-me menos impressão.

 


 



Eremita às 15:21
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Sexta-feira, 13 de Julho, 2012

 

- Gosta de ostras?

- Não comece.

- Só perguntei se gostava de ostras, relaxe.

- Consigo imaginar o que vai dizer com 7 lances de antecedência.

- O Kaspov de Ourique.

- Karpov. 

- Era uma piada. 

- Não acredito.

- Tem caspa, sabia?

- Você não seria capaz de fazer aquele encadeamento.

- Vive na minha cabeça?

- Qual é o nome próprio do Karpov?

- Vlaaaaaaadimir.

- Anatoli.

- Isso não prova nada, Kaspov.

- Não seja infantil.

- Então adivinhe no que estarei a pensar 5 minutos depois de me deixar em casa.

- Num cunnilingus feito por um grande mestre. 

- Ahah... 

- Acertei?

- Só falhou a profissão.

- A sério?

- Mas você não sabe tudo?

- Arrisquei. Podia ter outras fantasias.

- Não. Minetes.

- Gosto de ostras.

- Era retórica. Gosto do gelado magnum, escusa de perguntar.

- Não ia perguntar nada.

- Mas fica a saber.

- A reciprocidade no sexo oral é só boa educação. 

- Esse cinismo vai acabar consigo. Não gosta?

- Todos os homens gostam.

- Comigo ainda iria gostar mais.

- Nunca saberemos.

- Porque não discrimina, já sei.

- Porque não acontecerá.

- Mas discrimina?

- Só entre bom e mau.

- Acha isso justo?

- Justo?

- Juntar o razoável e o sublime.

- Contrario este tempo de meritocracia histérica. 

- É uma declaração política, portanto.

- Se quiser. 

- E gosta que falem?

- Gosto das mentiras do costume, sim.

- As hipérboles?

- As hipérboles. 

- Nunca lhe disseram nada em que acreditasse?

- Uma vez.

- A pila nua e crua?

- Não: "a confusão que deve ir nessa cabeça".

- Hum?

- Ela olhou para mim e disse: "ai, a confusão que deve ir nessa cabeça".

- Você tão esquisito. Quer que lhe diga isso também?

- Não percebe nada.

- Brincava. Mas explique.

- Foi sincero. Inteligente. Inesperado. 

- Certeiro?

- Só na medida em que havia alguma confusão.

- Pensava noutra?

- Não. Se pensasse noutra teria sido horrível.

- Mas então onde está a confusão?

- Você sabe por que motivo os homens gostam de ver?

- Os homens respondem mais a estímulos visuais, toda a gente sabe.

- Os homens gostam de ver para afastar a confusão. 

- Mas que confusão?

- É uma espécie de nebulosa.

- Uma nebulosa?

- Muitas mulheres, mas como poeira.

- Você é completamente chanfrado, sabia?

- Ou então imagine uma mulher feita de todas as outras.

- Ainda mais tétrico. Posso voltar à nebulosa?

- Nem o primeiro sexo é puro.

- Pronto. Dramático. 

- Ou melhor, o sexo na Lagoa Azul foi puro.

- O filme?

- Cresceram na ilha, só se conheciam um ao outro.

- E as fotos?

- As fotos?

- Havia fotos pornográficas na ilha...

- Não me recordo. Bem, então nem na Lagoa Azul

- Há sempre confusão?

- Sempre.

- Não quero ir para casa. Vamos jantar fora?

 

 

 



Eremita às 08:18
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Quinta-feira, 12 de Julho de 2012
Quinta-feira, 12 de Julho, 2012

- Estava a olhar para o meu rabo, não estava?

- Sim. 

- Pensei que fosse mais de mamas.

- A ontogenia recapitula a filogenia, conhece a expressão?

- Já ouvi isso numa entrevista.

- Bem, em rigor é uma expressão errada, embora útil.

- Você sabe tantas coisas. 

- O desejo sexual evolui em regressão filogenética.

- Ai, fica tão sério quando se põe com essas coisas. Devia acreditar em Deus.

- Sou um ateu não praticante.

- Sim, mas se acreditasse em Deus seria mais ligeiro com todos os outros assuntos. 

- Agora já é tarde. Não posso acreditar em Deus por ter percebido que dá jeito, certo?

- Também é por isso que não se apaixona por mim. Sabe que sou rica.

- Não diga tolices. Quer que lhe explique a regressão filogenética?

- Quero que goste sempre do meu rabo.

- A mama como característica valorizada no acto sexual é uma aquisição mais recente do que o rabo.

- Mas isso é trivial, está mais longe dos genitais. 

- Não é assim tão simples. Há quem diga que tudo começou com a invenção da posição do missionário.

- Uma grande invenção.

- Mas que retirou o rabo do campo visual durante a cópula.

- Você é tão rústico. Nunca esteve num quarto com espelho no tecto?

- É o seu rabo que conta, não o meu.

- Esse sexismo humaniza-o, sabia? 

- Aliás, o espelho no tecto favorece esta tese. 

- A sua tese, claro.

- Ver o rabo ou recriar um simulacro de rabo, percebe?

- A sua tese é pateta.
- Não é minha. Nem acredito nela. 

- Mas decidiu contar.

- Contamos tantas coisas em que não acreditamos, já viu?

- Podíamos também praticá-las, não?

- Não. Posição do missionário, certo?

- Eu gosto de todas.

- Com a posição do missionário o que fica à frente da vista são as mamas. 

- Agrada-me. Não diz "seios".

- Só quando discuto estatuária do período clássico. 

- Vá, estas mamas à sua frente. E depois?

- A mama terá então evoluído no sentido de parecer um rabo.

- Que grande disparate.

- O rego, está a ver?

- Gosta?

- Do quê?

- Do meu rego.

- Era um exemplo genérico.

- Mas as pessoas acreditam mesmo nisso?

- Algumas pessoas.

- Tontos.

- A verdade é que aprendi a gostar mais de rabos, como os macacos. 

- A tal regressão. Ai, fica-lhe tão bem. Vá, regrida mais um pouco. Regrida.

- Ou então foi por causa dos implantes mamários.

- Nota-se muito?

- Você tem?

- Não sabia?

- Não. 

- O meu cirurgião é um génio. Quer sentir?

- Seria perigoso. Ainda não regredi completamente. 

- Faz-me rir. 

- Com os implantes, a mama deixou de ser uma dádiva da natureza.

- Isso é importante?

- A beleza deve resultar da sorte. 

- Você sabe o trabalho que me deu ter este rabo?

- É um rabo meritocrático?

- É magnífico.

- Sim. Deixe-me corrigir, então. A beleza deve apresentar-se como fruto da sorte, mesmo que isso seja uma ilusão.

- E se a Tatiana pudesse comprar umas mamas?

- Perdão?

- A Tatiana, aquela reles caixa de supermercado.

- Não fale assim.

- Toda a gente sabe, sabia? Você é patético. E de esquerda. Só acumula defeitos.

- Não seja desagradável. 

- É uma tábua, essa sua Tatiana. Até lhe pagava as mamas dela para o ver mais feliz.

- Chega. 

- O que você não quer é sujar as suas mãos no luxo das minhas mamas.

- ...

- Não diz nada?

- Espere, estou a apontar. 

- A apontar o quê?

- "no luxo das minhas mamas".

- Gostou?

- Muito.

- Ponha o caderninho no bolso. Vamos à aula prática?

- Não.

- Sabe qual é o seu problema?

- É só um?

- Você pensa tanto nas coisas que não pode ser boa pessoa e isso entristece-o. 

- Se calhar tem razão.

- Tenho, não tenho?



Eremita às 07:11
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012
Quarta-feira, 11 de Julho, 2012

- Não pare. Não pare.

- Não?

- Não pare. Mais depressa. Mais depres...

- Estamos dentro da vila, não posso acelerar.

- Acha que ela me viu?

- Não creio, o Judeu pôs vidros espelhados.

- Abençoado Judeu.

- Ainda não percebi o seu secretismo.

- Ela não me pode ver consigo.

- Mas só lhe estou a dar uma boleia.

- Disse-lhe que namorávamos.

- E ela acreditou?

- Sim.

- Já nada me choca nas lisboetas.

- A nossa credulidade?

- E a falta de escrúpulos.

- Favoreci-o no relato.

- Ah...

- Disse que era romântico e bom na cama.

- Devia apenas ter dito que sou bom na cama.

- Porquê?

- Porque era mais fácil fingir que somos namorados.

- Acha?

- Não comece...

- Acha mesmo?

- Tire a mão, tenha juízo.

- Quer que pare?

- Sim.

- Paro?

- Sim. Tem de repetir tudo o que diz?

- Bruto. Você é um bruto.



Eremita às 15:40
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Domingo, 8 de Julho de 2012
Domingo, 08 de Julho, 2012

- Sabe o que dizem das mulheres bonitas, não sabe?

- Não são sempre burras, isso é um disparate. 

- Mas eu falei em loiras?

- Diga lá.

- Não, diga você.

- Não faço ideia. Que são caprichosas?

- Acha?

- Eu não acho nada, estou a pensar no que se diz.

- Eu sou caprichosa?

- Há excepções.

- Mulheres bonitas que não são caprichosas?

- E mulheres caprichosas que não são bonitas.

- Sempre encantador. E que mais?

- Fúteis?

- Não é a mesma coisa?

- Estava a ganhar tempo.

- Deixe-me ajudá-lo: o que dizem delas na cama...

- Dizemos alguma coisa? Apenas pensamos.

- Ai, não seja assim. O que dizem sobre elas na cama. 

- Como elas são na cama?

- Sim.

- Há uma tese sobre isso?

- Há.

- Bem, não sei. Posso falar-lhe da minha experiência...

- Com putas...

- Não, das outras.

- Esse plural...

- Só para credibilizar a opinião.

- Diga lá, estou em pulgas. 

- O sexo não as favorece. Só conheço uma excepção.

- Meu Deus. E não se casou com ela?

- Não foi possível.

- Mas porquê?

- Impedimentos legais, desajustes temporais, circunstâncias várias, histórias passa...

- Estou cheia de pena. Mas perguntava por que razão as mulheres bonitas tendem a ficar mais feias.

- É muito difícil encontrar beleza compatível com os actos animalescos do sexo. 

- Acha? 

- Sim. Por vezes ganham até rostos demoníacos. 

- Você é mesmo esquisito. 

- Ou então tive azar.

- O que dizem sobre as mulheres bonitas não é nada disso.

- Conte lá.

- Dizem que não são boas na cama porque não têm de se esforçar.

- Só isso?

- Não acha interessante?

- Não.

- Mas concorda?

- Não.

- Não?

- Nem sempre.

- A sua excepção, estou a ver.

- Sim. 

- Meu Deus, erga-lhe uma estátua de bronze no monte. 

- Paga por si?

 

 

 



Eremita às 17:33
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2012
Sexta-feira, 29 de Junho, 2012

- Tem visto o Euro?

- Vagamente.

- Eu vi todos os jogos. Aquelas coxas...

- E o Pirlo?

- Quem?

- O Pirlo. É o melhor do Euro.

- O melhor foram as pernas do Nani em mega slow motion. Pilro?

- Pirlo.

- Piii-lro... Ai, não consigo.

- Diga Arbeloa.

- Aberloooa.

- Arbeloa.

- Aberloooa.

- Ar... Ar... Arbeloa.

- Morda-me.



Eremita às 09:29
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Terça-feira, 19 de Junho de 2012
Terça-feira, 19 de Junho, 2012

- Sabe quanto tempo demora uma pessoa a bordar "amo-te" numa colcha?

- Lamento, tenho modista.

- Eu também não sei, mas deve ser coisa para alguns minutos, não?

- Agora há máquinas para tudo, não faço ideia.

- Foi antes do ano 2000...

- Depende do ponto.

- Acha?

- Olhe, sei lá. Você hoje está aborrecido. 

- Mas mesmo que demore apenas um minuto, é tempo suficiente para se desistir da ideia.

- Sim, ela amava-o. A colcha bordada a contrastar com as palavras na areia. Mudamos de assunto?

- Na areia?

- O impulso que a maré seguinte apaga é diferente do gesto demorado que fica para sempre, não é?

- É, não é?

- E as traças?

- Está impecável. E nunca mais me disseram "amo-te".

- As pessoas são complicadas. Eu só não digo porque nos tratamos por você.

- Não brinque.

- Eu amo-o. 

- Por favor...

- Amo-o perdidamente, percebe? Quer que o borde na cuequinha?

- ...

-  Simplifique. Leia menos. Beije-me. Mexa-se.



Eremita às 07:37
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Terça-feira, 5 de Junho de 2012
Terça-feira, 05 de Junho, 2012

- Você é de uma arrogância insuportável. 

- Isso é um anacronismo.

-  Um quê?

- Anacronismo. Vem fora de tempo. Eu fui arrogante.

- Ninguém aprende a modéstia.

- Pois não. Mas sentimos a vergonha.

- Ora conte lá...

- Não conto coisa nenhuma.

- Conte, eu dou-lhe mimo.

- Foi há muitos anos.

- Num país longínquo.

- Como é que sabia?

- Estava a brincar.

- Ah. Foi há muitos anos, estava nos EUA. 

- E foi preterido.

- Fui, mas isso já me tinha acontecido. 

- Então?

- Fui preterido e um amigo lembrou-me que talvez eu não ganhasse o suficiente. 

- Não o sabia tão materialista.

- Não sou. Não era. Enfim, aquilo foi o meu wake up call...

- O seu quê?

- O wake up call. É uma expressão. Viu o Wall Street?

- Não. 

- Uma epifania. Sabe o que é?

- Isso é religioso?

- Um "fez-se luz", está a ver?

- Mas você não ganhava até em dólares?

- Oiça, percebi pela primeira vez que a essência perde para a circunstância.

- Mas a essência não forja a circunstância?

- Apercebe-se que fez uma boa pergunta?

- Deve ter sido por acidente.

- Forja. Mas só em certa medida. E há depois uma retroacção da circunstância sobre a essência.

- Como a vergonha a fazer de si um homem menos arrogante?

- Hoje você merece um chocolate. 

- Vê? Não tem razão, a essência resistiu. 

- Acha?

- Venha cá. Eu sou herdeira e gosto é das suas mãos.



Eremita às 21:33
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Domingo, 13 de Maio de 2012
Domingo, 13 de Maio, 2012

- Eu não gosto de si, sabia?

- Bem, é uma novidade.

- Do que gosto mesmo é do meu gosto por si.

- Curiosa combinação de narcisismo com voyeurismo. 

- Vê?

- O quê?

- Também sei ser complexa.

- Não me mostre a língua, parece uma miúda.

 

 



Eremita às 13:35
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
Quarta-feira, 09 de Maio, 2012

- Como define a nossa relação?

- Nós temos uma relação?

- Você já não pode passar sem mim.

- Olhe que posso.

- Olhe que não.

- Posso.

- Não.

- Sim.

- Não.

- Sim.

- Não.

- Vai rir primeiro. Posso, sim.

- Nã...ai, você é tão divertido.

- Ganhei.

- Mas ficou triste.

- Não leve a mal.

- Fui eu?

- Não.

- Fui eu, não fui?

- Não.

- Fui.

- Não.

- Fui, sim.

- Não foi.

- Fui.

- Isto é cansativo. Não foi, pensei noutra pessoa. 

- Parecida comigo?

- Não. Alguém de quem gostei.

- Discutiam muito? 

- Era o meu ioiô vaivém.

- Isso é querido.

- Eu sei.

- Posso ser o seu ioiô vaivém?

- Não.

- Deixe lá.

- Não.

- Porquê?

- Porque não se atura.

- Quem?

- Não se atura sem amor. 

- Eu sei que me atura.

- Eu não a suporto.

- Não.

- Não.

- Não.

- Não.

- Não?

 



Eremita às 09:31
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
Segunda-feira, 07 de Maio, 2012

- Você tem cara de ter um pénis pequeno.

- Eh lá, fisiognomia sexual.

- Essa doença faz o pénis pequeno?

- A fisiognomia é uma disciplina.

- Não está a mudar de tema, pois não?

- Olhe, consigo não mudo é de expressão.

- Como?

- Quando a vejo, não mudo de cara.

- E?

- Deduza você.

 

 



Eremita às 11:12
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Terça-feira, 1 de Maio de 2012
Terça-feira, 01 de Maio, 2012

- Mas como é capaz? Você sorria...

- Eu sorria?

- Sorriu ao olhar para aquele par de namorados.

- Não é uma visão bonita?

- Não, claro que não.

- Tem inveja deles?

- Inveja, desprezo, pena...

- Complexo, isso.

- Não acredito que ainda goste de ver namorados. Francamente, com a sua idade...

- Gosto muito.

- Lembra-se de como foi? 

- Não. Penso em esqueletos. 

- Perdão?

- Esqueletos. É um conselho que lhe dou. Quando tiver um problema de socialização, pense em esqueletos.

- Você deve ser tão esquisito na cama...

- Se um interlocutor a intimida, imagine-o como um esqueleto. Falando como um esqueleto, movendo-se como um esqueleto.

- Para quê?

- Para fazer dele uma insignificância irredutível.

- Lá está você...

- Se o imaginar como um esqueleto, não está a adulterar a realidade, estará apenas a ver mais fundo, mais claro. Tudo o que é acessório desaparece. O estatuto da pessoa, as suas características, tudo. Fica o essencial, ou seja, geralmente não fica nada.

- Um esqueleto...

- Uma entidade que se alicerça num esqueleto. 

- E os namorados?

- Dois esqueletos. Consegue ver? É hilariante. O fémur com fémur... tong, tong.

- O fémur com fémur?

- Sim, aquele som cheio, caloroso... um som de marimba, está a ouvir? 

- Lamento.

 - Os namorados ao som da marimba dos seus corpos. É quase africano... música que reconcilia um cínico com a existência.

- Você é tão esquisito. Isso excita-me. 

- Então veja-me como um esqueleto, que isso passa.

- Ai, não custa nada. É tão magro.



Eremita às 16:59
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Domingo, 15 de Abril de 2012
Domingo, 15 de Abril, 2012

- Você nunca me pergunta sobre o meu marido.

- Tem um marido?

- Estamos casados há 20 anos.

- Ah, não sabia. Parabéns.

- Tive vários amantes entretanto.

- Pois, calculei. Enfim, também é um achievement.

- Uns bem mais giros que você, de resto.

- ...

- O meu marido também é mais homem que você.

- Mais alto?

- Da mesma altura, mas mais atlético.

- Eu sou um intelectual, já lhe disse.

- Ele também. Até escreveu um livro.

- Poesia, edição de autor?

- Sobre como singrar na vida, Oficina do Livro.

- Podia arranjar-me um exemplar com dedicatória.

- Você é um caso perdido.

- Imagine-nos a ler o livro dele na cama.

- Faria isso comigo?

- Não sei. Ele escreve bem?

 

 



Eremita às 16:34
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Domingo, 15 de Abril, 2012

 - Um kiwi. Gosta?

- Podia ter escolhido fruta local.

- Mas reparou que não trouxe uma maçã, não?

- Seria demasiado estilizado.

- Nem uma banana...

- Por favor.

- Por vezes uma banana é apenas uma banana.

- Uma romã. Se me conhecesse teria trazido uma romã.

- Deixa nódoas. E a romã não se trinca.

- Há romãs no quintal dos meus avós. É um meu fruto. 

- O seu fruto proibido?

- Não fale tanto por frases feitas.

- Não quer o kiwi?

- Não.

- E o kiwi mordido?

- Também não.

- Está triste?

- Fiquei com saudades da minha avó.

- Venha cá.

 

 

 

 



Eremita às 13:55
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Sábado, 14 de Abril de 2012
Sábado, 14 de Abril, 2012

 Uma das libertinas especula sobre o Judeu.

 

- O Judeu é gay, certo?

- É apenas um intelectual.

- Nunca olhou para mim com olhos de desejo.

- Não leve isso tão a peito.

- É gay.

- Se lhe traz conforto... Mas diga então que é um intelectual gay, fica menos incorrecto.

- Você é tão divertido.

 



Eremita às 10:52
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
Sexta-feira, 13 de Abril, 2012

Diálogos eróticos, o regresso

 

As libertinas voltaram e uma pediu-me para me acompanhar na pesca do achigã.

 

- Isso não é muito sexy...

- A minha camisa?

- Não. Pescar com uma cana numa barragem.

- Tem razão. Não se imagina o Hemingway aqui.

- Não faz caça submarina?

- Debaixo de água sou budista, se esquecermos as lapas e os búzios.

- Não quer antes ir até à Zambujeira? Pescava no mar. Passávamos lá a noite.

- Não tenho isco para isso, nem apetrechos.

- Sempre modesto.

- Não tenho. O peixe-rei é isco de água doce.

- Acha-me mais gorda?

- Não. Agora concentre-se na bóia.



Eremita às 11:50
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Sexta-feira, 5 de Agosto de 2011
Sexta-feira, 05 de Agosto, 2011

Data de 25 de Junho de 2010 o último diálogo erótico. Foi também o mais curto:

 

- Você é um banana.

- A sério?

- Vê?

- O quê?

- A sua reacção! É própria de um banana.

- Ah. Pois, talvez.

 

Cruzei-me hoje com as libertinas de Lisboa. Estão ambas mais gordas, mas uma engordou genericamente, como se um mestre vidreiro a tivesse soprado, e a outra engordou apenas nas coxas e no rabo, mas nem por isso parece um símbolo de fertilidade, creio que por continuar a usar o cabelo curto. Voltou a haver desejo, só que é aquele desejo que se ressaca por antecipação. Em parte por aborrecimento. É nestas alturas que desejo ser um velho sem líbido e em paz com a mais-valia que isso representa. Falámos em ir ao cinema amanhã. Por sorte, não será para ver o The Girlfriend Experience outra vez, um filme que as libertinas provavelmente teriam adorado.



Eremita às 21:05
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010
Sexta-feira, 25 de Junho, 2010

- Você é um banana.

- A sério?

- Vê?

- O quê?

- A sua reacção! É própria de um banana.

- Ah. Pois, talvez.

 



Eremita às 20:15
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Segunda-feira, 21 de Junho de 2010
Segunda-feira, 21 de Junho, 2010

- Você hoje ainda está mais insuportável do que é costume. É do período?

- Não, é da ovulação.

- ...

- Perdeu a fala?

- Fiquei desarmado.

- Sentiu vontade de me possuir, foi?

- Por favor, volte a juntar os joelhos. A ideia de ter um filho seu... enfim, não quero ser deselegante.

- Não seja patético. Deseje-me como mulher, não como útero ambulante!

- Mas você ovula, criatura.

- A pílula dá-me náuseas.

- Ah.



Eremita às 10:16
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Quinta-feira, 3 de Junho de 2010
Quinta-feira, 03 de Junho, 2010

 

- Que língua simultaneamente tão estranha e familiar.

- Catalão.

- Não sei se gosto.

- Lluís Llach.

-Parece um pouco démodé.

-É um cantautor.

-O que é isso?

-Um bom cantor entre os que escrevem e um bom escritor entre os que cantam.

-Como você.

-Perdão?

-Eu sei que me escreveu uma canção.

-Não é para si.

-Claro que é. Eu sou a sua musa.

-Por favor, aperte a blusa. Componha-se.



Eremita às 05:57
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