Sábado, 6 de Março de 2010
Sábado, 06 de Março, 2010

 

 Parental advisory

 

A canção mais polémica do álbum explora a tensão criada pelo confronto entre uma progressão harmónica apaziguadora, própria de um cantautor romântico, e uma letra pesada, tributária de algum satanismo, ainda que filtrada por uma introspecção só possível a quem não abdicou por completo dos valores burgueses, mas sem que a leitura de Dostoievski tivesse sido inócua. Em traços gerais, deseja-se contratar um assassino a soldo, não para que ele despache  Igor, antes para que conte como se pode viver com o remorso de matar alguém. Começa na tonalidade de mi menor e umas discretas congas pontuam o refrão, mas até agora tenho sobretudo censurado versos. Seria hipócrita não reconhecer o efeito terapêutico deste trabalho de composição.

 


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Eremita às 13:50
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Quarta-feira, 04 de Novembro, 2009

O título A canção de Chibanga acaba de ser alterado para Canção a Chibanga. A ideia é muito simples: em vez de descrever Chibanga, a canção é um apelo ao matador. O autor  pede-lhe que faça aparecer uma determinada mulher (Mónica) e Chibanga faz aparecer Verónica. O autor insiste em Mónica, e sai Verónica. Depois muda de nome e acaba percorrendo vários, na linha do Tempo de Estio, de Caetano Veloso, mas o Chibanga só saca Verónicas. Está resolvida a principal  dificuldade do tema que será o hit de Verão do álbum.

 

Adenda a 5.4.12: A Canção a Chibanga, antes conhecida por A Canção de Chibanga, retoma o nome A Canção de Chibanga. Na canção, Chibanga pede a Deus que lhe dê arte para a mais bela Verónica de sempre, mas Deus ouve mal o pedido e agracia Chibanga com a mais bela Mónica de sempre, ou seja, mas bela do que Bellucci. O aparecimento de Mónica  deixa num caos a vida de Chibanga, que tem de parar de tourear e é posto fora de casa pela mulher (também é assim no afterlife). Na coda final tudo se resolve. Esta canção será vista pela crítica como uma releitura do mito de Fausto, mas a crítica está errada, trata-se apenas de uma humanização do matador que serve para promover subliminarmente a tauromaquia. Em todo o caso, não tive subsídios suspeitos.

 


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Eremita às 18:44
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Domingo, 1 de Novembro de 2009
Domingo, 01 de Novembro, 2009

A manhã está a ser fértil em versos avulsos para Tatiana. Tomei algumas notas de guitarra sobre a perna, numa lógica de preenchimento futuro dos espaços em branco, que se aproxima muito da minha anterior forma de viver. Entretanto corrigi alguns plurais, para evitar uma rima e diminuir as chiantes suaves, um som que é inimigo das melodias. Sinto que esta canção entrou finalmente numa dinâmica de vitória. Foram precisos meses, mas o binómio talento-suor não capta o que aqui se passou. O que houve foi paciência. Aprendi uma lição. 

 

TATIANA

 

Aqui a mulher

Nunca é a dias

Dura anos

Enchendo os sacos de planos

Que mata ao serão

E voltará 

Pela manhã

Vão-se os filhos

Vai-se o homem

Sobra a manhã

Estas não são super-mulheres

Mas mulheres

De supermercado

 

Aqui neste lugar

...

...

 

Com o pé direito

Quero entrar

...

...

....

....

 

B: 

 

Só que não falhas

Os meus artigos sobre a esteira

Como os definidos

Não é maneira de falar

É o teu modo de expressão

 

 

C:

 

Ai, Tatiana

Eu só quero atenção

Não me toques na mão

Se não passas cartão

Nem pedes perdão

Ao dar o troco em moedas

 

+C

 

+A

 

A:

 

Ourique vai

Ourique vem

...

...

...

...

Só que a vila

Não se tem

 

B+B

 

C+C

 

 

 


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Eremita às 09:06
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
Quarta-feira, 07 de Outubro, 2009

Nunca fui um repentista e deixei de ser precoce em alguma coisa há décadas. Ainda assim, a paciência tem limites. É que não há forma de esta canção sair. E quando é assim, só resta fazer de Tatiana  uma canção descritiva de um episódio, já que não tenho talento para descrever um estado de espírito. O episódio será um encontro com ela no Pingo Doce. Sempre posso aproveitar o refrão, que me parece muito bom. 

 

Ai,Tatiana

Eu só quero atenção

Não me toques na mão

Se não passas cartão

Nem pedes perdão

Ao dar o troco em moedas


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Eremita às 00:40
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Domingo, 27 de Setembro de 2009
Domingo, 27 de Setembro, 2009

 

Ouriquense honorária

 

Escritora e intérprete de canções.

 

Sara Tavares não foi adoptada pela intelligentzia lusa porque o snobismo não tolera vitórias em concursos de imitações. Sara Tavares não foi adoptada pela intelligentzia lusa porque apreciar uma africana genuína como Cesária Évora é coisa mais cosmopolita do que ouvir uma portuguesa com ascendência africana. Sara Tavares não foi adoptada pela intelligentzia lusa porque quase todos os críticos de música e promotores culturais são homens e a Mayra Andrade é mais bonita do que ela. Não há outra explicação. Tudo isto é trágico.  Sara Tavares tem um talento incomensurável.

 

O nosso sonho também é escrever uma canção para esta cantora. Infelizmente, ela não precisa de nós para nada e nem nos atrevemos. Só nos resta pois enveredar pela via institucional. 

 

Sara Tavares não merece a forma como a tratam e Lisboa não merece Sara Tavares. Por isso, fazemos dela a segunda cidadã honorária de Ourique, título antes só atribuído a Leo Brouwer. 

 

 



Eremita às 14:18
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Sexta-feira, 25 de Setembro, 2009

 


via The Heart is a lonely Hunter

 

"Galé" está terminada. Trata-se de uma canção de  amor a uma sereia. O único outro animal a figurar na canção é a corvina. A letra já tem uns anos e nunca percebi que critérios guiaram a escolha deste peixe. Não foi para rimar, seguramente. É um elemento concreto que vale pela surpresa. Creio que evitei o robalo, a dourada, o salmonete, o carapau e a sardinha por serem peixes que remetem para a mesa. Mas mais não se pode acrescentar. Toda a música pop é algo pateta. Devemos operar tendo sempre em conta esta premissa.

 

 

 

 

 

 

 


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Eremita às 17:57
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