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Ouriquense

14
Jan17

Sobre o funeral de Soares

Eremita
[em actualização]
 

Odorico Paraguaçu queria um defunto para inaugurar o cemitério que mandara construir. João Miguel Tavares (JMT) queria povo nas ruas para honrar o falecido Soares e compor a fotografia. Convém lembrar que só Odorico é uma personagem de ficção. A morte de Soares teve repercussões do foro clínico na nossa imprensa. Depois do delírio hagiográfico de Pedro Santos Guerreiro, JMT veio queixar-se de que não sabemos honrar os nossos heróis. Naturalmente, para ele os heróis são militares ou políticos, como seria de esperar num homem sem imaginação. Vamos decompor. 

 

A conclusão de que o povo não honrou Mário Soares ao não comparecer em massa ao seu funeral é muito discutível. Soares teve um funeral de Estado organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e creio que se procurou realizar uma cerimónia no claustro dos Jerónimos para ser acompanhada no local pelas elites e na televisão pelo povo. Ter o funeral de Cunhal como termo de comparação não faz muito sentido, pela capacidade de organização do PCP e a sua ligação ao povo, como também não faz sentido a comparação com o funeral de Sá-Carneiro, desaparecido ainda novo, quando era Primeiro-Ministro há menos de um ano, em circunstâncias trágicas e inesperadas. Soares morreu ao fim de uma longa vida em que as duas últimas décadas foram marcadas por episódios algo embaraçosos para uma figura com uma biografia tão excepcional, como a candidatura falhada a presidente do Parlamento Europeu e o apoio incondicional a José Sócrates. Como se não bastasse, as duas últimas semanas de Soares foram passadas no hospital da Cruz Vermelha e os comunicados quase diários sobre o seu estado de saúde, vagos, repetitivos e - convenhamos - desnecessários, só serviram para nos dessensibilizar em relação ao anúncio esperado da sua morte. Soares viveu mais do que quase todos os seus contemporâneos e quem tem menos de 40 anos lembra-se de um presidente afável e não de um lutador pela liberdade. Os que sobram não têm muito vagar ou saúde para ajuntamentos populares em dias de trabalho. São motivos suficientes para que não seja chocante a relativa falta de povo. De resto, se teria bastado oferecer bandeirinhas para encher os passeios, de que nos queixamos? 

 

O que talvez tenha sido óbvio foi o desajuste entre as emoções e energia expressas pelos media, dominados - do jornalismo das redacções à "opinião" - por quem tem uma relação profissional intensa com a política, e o povo, que tem outros interesses profissionais e cuja palavra nos media é meramente decorativa (os directos a partir da rua) ou serve para baixar os custos de produção no horário menos nobre (os programas à base de telefonemas de ouvintes ou telespectadores). Esse desajuste não se observou, por exemplo, nos funerais de Amália e Eusébio, figuras mais consensuais do que Soares, não só porque os grandes desportistas e artistas não geram tantos atritos como os grandes políticos, mas também porque são igualmente admirados pelas elites e o povo.

 

Por não ter havido um banho de multidão no funeral de Soares, o povo, essa massa ingrata e ignorante, levou um puxão de orelhas dos três conhecidos antifascistas com ficha na PIDE e duros anos de exílio que fazem o Governo Sombra

 

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