Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Ouriquense

12
Jun17

O discurso de Sobrinho Simões

Eremita

Com a curiosidade espicaçada pelos elogios a Manuel Sobrinho Simões (MSS) no Bloco Central, fui ouvir o seu discurso do 10 de Junho. Esta é uma pulsão inusitada, pois não costumo ligar a discursos protocolares. Mas a MSS darei sempre o benefício da dúvida, em parte por ainda sentir um entusiasmo corporativo, apesar de ter abdicado da ciência há quase 10 anos, e também por ter assistido a algumas das suas aulas e percebido que se trata de um ser excepcional, pela inteligência e empatia.

 

O seu principal mérito, além da postura relaxada, foi a ousadia. Mesmo tendo em conta a enorme predisposição natural para nos embevecermos com os elogios ao novo povo, falar na genética dos Portugueses no "dia da raça", para usar a expressão do Estado Novo, é um desastre anunciado que só um homem com o charme de MSS seria capaz de evitar. A sua estratégia assentou em duas ideias. Apresentou primeiro, como testemunho das nossas migrações, a distribuição geográfica mundial de alelos (versões de genes) de cunho lusitano associados à paramiloidose, à doença de Machado-Joseph e ao cancro da mama; embora haja um toque de deformação profissional neste entusiasmo algo desconcertante pela geografia da enfermidade, ao grande patologista tudo se perdoa. Depois, MSS referiu-se à diversidade genética do genoma dos Portugueses como prova da nossa abertura ao mundo, o que soou a paráfrase da ideia de que o português inventou o mestiço. Ora, como símbolo de uma sociedade inclusiva e um povo tolerante, o genoma multiétnico do lusitano é uma ideia simpática apenas à superfície e no limite branqueadora das "limpezas de sangue" que fomos fazendo. De resto, "a reduzida percentagem de mulheres na emigração portuguesa" por comparação com a emigração para os EUA, explica mestiçagem, o que é uma visão desancantada. É verdade que nunca MSS reduziu o povo à sua genética e sempre a mencionou para referir que somos todos parentes uns dos outros, mas se a nossa sociedade fosse mais instruída e realmente inclusiva, tendo as minorias étnicas voz e poder, o elogio não teria sido tão consensual. 

  

 

1 comentário

Comentar post

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Blogs

Cultura

Ajude Fausto:

  • Uma votação em curso

Ouriquense, S.A, Redacções por encomenda

Séries

Personagens ouriquenses

CineClube- programação

  •  

Filmes a piratear

  •  

Filmes pirateados

Alfaias Agrícolas

Apicultura

Enchidos e Presuntos

Pingo Doce

Imprensa Alentejana

Portal ucraniano

Guitarra

Judiaria

Tauromaquia

Técnicas de homicídio

John Coplans

Artes e Letras

Editoras Nacionais

  •  

Literatura Russa

Leituras concluídas

Leituras em Curso

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D