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Ouriquense

11
Nov17

Lacan pode esperar

Eremita

Há uma história imensa por contar. É a história do homem como sexo fraco. E ridículo. Por isso, violento. Por isso, violentador por exigência mecânica. E tão periclitante e efémero na sua erecção sempre triunfal. Que seria deste mundo se as mulheres contassem tudo o que sabem desses seres a quem suportam a fragilidade logo na família, tantas vezes, e ao longo de toda a vida, invariavelmente? Elas ainda não estão capazes de contar o que testemunham directa e indirectamente. Na família, nos amigos, nas festas, no emprego, nas férias, nos consultórios, nas saídas, nas conversas, nos quartos. Mas tinha de se começar por algum lado. Começou-se por um celebérrimo ogre. Só que esse, paradoxalmente, era um alvo fácil. Venham os mais difíceis, os ogres que as mulheres amam. Os ogres que as mulheres perdoam. Os ogres que as mulheres protegem. Valupi

 

A história do homem como sexo fraco já começou a ser contada, sendo disso exemplos o famoso ensaio The End of Men, de Hanna Rosin, e a teoria da decadência genética do cromossoma Y, embora ainda haja um longo caminho a percorrer, pois a cena recorrente em que a mulher, com festas e voz insuportavelmente maternal, desvaloriza  a erecção falhada do seu companheiro é hoje um estereótipo estéril. O texto de Valupi é o primeiro que leio em que se vai além da constatação de que presenciamos um merecido ajuste de contas entre os géneros e consegue a proeza de lembrar as evidentes assimetrias de género - que o feminismo radical transformou em tabu - sem parecer desculpabilizador. À luz da psicologia evolutiva mais rudimentar, o homem é um predador sexual, mas também alguém com sede de glória, um dinossauro condenado à repressão dos seus instintos e da sua força física num mundo ocidental cada vez mais civilizado, bem como à frustração, até recentemente atenuada por uma estrutura de pequenas comunidades que a globalização dos mercados e da comunicação destruiu. Talvez a articulação destas duas dimensões chegue para explicar as celebridades que se masturbam diante de mulheres e o ogres que as mulheres perdoam e protegem, mesmo quando por eles agredidas. Os primeiros, embriagados pela glória, soltam os instintos predatórios em quartos de hotel diante de desconhecidas, e os segundos, uns pobres coitados frustrados pela falta de glória, aliviam-se batendo em casa nas mulheres. Enfim, isto é demasiado esquemático, mas são sete da manhã de um sábado, momento impróprio para invocar Jacques Lacan. 

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