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Ouriquense

23
Ago17

A febre da política identitária

Eremita

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O último Quo vadis?, a série em que discuto os caminhos por onde o Ouriquense deve seguir, foi escrito há mais de 6 meses. O Ouriquense já quase dispensa uma hiperconsciência e só um motivo de força maior me leva escrever um novo texto para esta série. Eis a motivação: descobri que a série Canhotismo, inicialmente pensada como um texto de ficção cujo principal objectivo era fazer divulgação científica, é, na verdade, sobre outra coisa. Já tinha reparado que recorrer à ficção para fazer divulgação científica diz algo da desconfiança com que encaro este género, menos nos seus propósitos do que nas suas limitações, o que me parece evidente quando se lê um qualquer texto de divulgação sobre física quântica, que apenas fornece uma ilusão de conhecimento, pois estica metáforas e analogias além do permitido, deformando irremediavelmente a realidade. Mas, nos últimos dias, o fluxo noticioso mostrou-me que a série Canhotismo é sobre algo completamente diferente. Não me lembro de um período tão marcado pela política identitária de uma forma multifacetada como o actual.  A causa próxima é a eleição de Trump, obviamente, mas a forma como se manifesta em Portugal não deixa de ser surpreendente. Dizer que a sensibilidade nacional às políticas identitárias está muito polarizada é uma evidência que peca por defeito, pois, a menos que esteja absolutamente comprometido com uma ideologia, é difícil que num indivíduo não convivam sensações contraditórias, isto é, que ele próprio não encarne os pólos da discussão. É por isso que o coming out de uma secretária de Estado, um acto extraordinário e pioneiro entre nós, num segundo instante já nos parece algo anacrónico, como se o entusiasmo do progressista fosse logo coarctado pela rezinguice do reaccionário que com ele partilha o corpo. 

Os especialistas dizem-nos que o PSD ensaia o "populismo" em Loures, pondo os ciganos na sua mira. Um articulista com trabalho académico sobre relações raciais escreve que o racismo deixou de existir nas sociedades brancas ocidentais, semanas depois da notícia daquela que será provavelmente a história de racismo policial mais bem documentada de que há memória e ao mesmo tempo que uma discussão acesa sobre a escravatura chega pela primeira vez aos jornais. Outro articulista diz-nos que as conquistas dos homossexuais estão, essencialmente, concretizadas e que é tempo de avançar para uma sociedade pós-LGBT, sem perceber que imita o Obama que defendia uma política pós-racial e hoje diz ter sido ingénuo (ao contrário do articulista, na altura Obama não poderia ter dito outra coisa). Um director de jornais faz um vídeo a explicar que o sexo é definido pelos cromossomas sexuais, com um vigor didáctico e grande sentido de urgência, como se as ideias de Judith Butler já fossem ensinadas na instrução primária. No jornal de direita, o Observador, metade dos artigos de opinião são críticas à política identitária, que está intimamente associada aos conceitos de "politicamente correcto", "policiamento da linguagem" e "liberdade de expressão", sendo notória nesse jornal a predisposição para transformar qualquer reacção ofendida a uma ofensa num acto censório, como se a liberdade de expressão incluísse o direito a ofender, mas não o direito a ripostar (sem intenção de proibir). Do outro lado, a desconfiança é tal que a acusação de xenofobia, racismo ou homofobia sai com rapidez. Para manifestações de solidariedade basta uma catástrofe; para tornar empática uma sociedade diversificada nas etnias, credos e orientação sexual ninguém conhece o segredo. 

A série Canhotismo é uma sátira sobre a política identitária, que conta a ascensão (e talvez a queda) de Julião, um canhoto que vai sendo dominado por ideias megalómanas de poder político e julga ter descoberto a fórmula de sucesso para vencer democraticamente numa sociedade fragmentada. Julião não promete mundos e fundos, apenas - mas subliminarmente - universalizar o direito à vitimização. Ele é um virtuoso da exploração do ressentimento, que consegue coligar o grosso das pequenas associações em torno da sua própia associação, Canhotos por Portugal, antes conhecida por Canhotos de Portugal, dando origem à Coligação das Minorias (ColMin), o primeiro partido capaz de competir ombro a ombro com os partidos do Bloco Central e que destrói o Bloco de Esquerda e o Partido Popular (mas não o Partido Comunista), transformando radicalmente a política nacional. Porque até um homem branco, alto e saudável, heterossexual e de classe média tem algo de minoritário, um calcanhar de Aquiles a precisar de uma carícia. Basta procurar e essa foi a descoberta de Julião. 

22
Ago17

Le talent

Eremita

Je ne sais pas si vous aurez du talent. Ce que vous m’avez apporté prouve une certaine intelligence, mais n’oubliez point ceci, jeune homme, que le talent – suivant le mot de Buffon – n’est qu’une longue patience. Travaillez.

Flaubert (a Guy de Maupassant) in Le Roman* (de Maupassant). 

* Um ensaio bem fraquinho sobre as obrigações do crítico, a natureza do romance, uma teoria da observação e o estilo literário. Salva-se isto: 

"Pour décrire un feu qui flambe et un arbre dans une plaine, demeurons en face de ce feu et de cet arbre jusqu’à ce qu’ils ne ressemblent plus, pour nous, à aucun autre arbre et à aucun autre feu.

C’est de cette façon qu’on devient original."

21
Ago17

Heróstrato vive

Eremita

Há uns dias, o Público mostrava uma animação do recente ataque terrorista em Barcelona, possivelmente feita por um jovem supervisionado por alguém mais velho que lhe terá sugerido para eliminar os jactos e manchas de sangue. O resultado final é uma quimera estranha, fusão absurda do desejo inato de contar e chocar com o impulso censório pífio de um jornalismo desnorteado, que não resultou na supressão da propaganda do terrorismo mas num branqueamento da violência, como se o acto terrorista se tivesse convertido num vídeojogo. Como relatar os actos infames não é um problema recente. Em 1911 - repito, 1911 - já um criminologista sugeria que não se devia colocar os nomes dos criminosos nas notícias (Podcast de Sam Harris com Gavin de Becker, 2:18:00). É de 354 A.C. a história do incendiário Heróstrato, que ateou fogo ao templo de Artémis em Éfeso com o propósito único de ser recordado para sempre (um feito conseguido), mas as televisões continuam a filmar o fogo e a fazer directos intermináveis de conteúdo informativo nulo, os jornais publicam fotografias belíssimas de incêndios nocturnos que as pessoas "partilham", os media entrevistam vizinhos dos terroristas e mostram as caras e os nomes destes pobres imbecis, numa conivência de classe de quem não ignora o que está a fazer mas parece ter capitulado e se limita a alimentar a sede informativa do público como um dealer estimula o vício da clientela. A grande arma de recrutamento do ISIS não é a internet, como tantas vezes se lê por aí, mas o jornalismo, o que não é propriamente uma descoberta. O mais extraordinário é que nada muda. The show must go on.  

19
Ago17

Patetices

Eremita

João Miguel Tavares foi com a família à Disneylândia dos arredores de Paris e julga-se um "combatente contra o Estado Islâmico", porque houve muitos atentados terroristas em França e visitar hoje Paris só pode ser entendido como um acto heróico que reafirma a nossa crença nos valores da sociedade ocidental. Também eu passei pela Disneylândia este ano, também levei a família, e também regressei a casa orgulhoso, mas foi por ter enfrentado, resistido até ao fim do dia e sobrevivido ao rato Mickey, o que reafirma o meu conhecimento, rudimentar mas útil, de probabilidades e estatística. 

19
Ago17

American exceptionalism

Eremita

Uma excelente conversa entre Marc Maron e David Remnick, o editor da The New Yorker, que recomendo a quem gosta de ver a política norte-americana ser discutida pelos norte-americanos. Porque um dos efeitos do excepcionalismo norte-americano foi ter produzido norte-americanos que são especialistas insuperáveis nos EUA. Não digam isto ao Pacheco Pereira, que iria amuar. 

18
Ago17

Um caiaque

Eremita

O meu caiaque chegou e fui ontem testá-lo na barragem. Na véspera enchi e esvaziei o brinquedo na sala, para no dia seguinte não passar por nenhum embaraço público. Foi excesso de zelo, pois às 7 da manhã não há ninguém na barragem, excepto o surfista, que convidei para me acompanhar e não é pessoa de fazer pouco dos outros. Diga-se que a motivação para comprar um caiaque é algo embaraçosa. Há muitos anos, a magreza parecia-me incompatível com uma vida sexual realizada. Depois passou, porque - surpreendentemente - há mulheres que gostam de homens magros. Mas a chegada das minhas filhas trouxe de volta este desconforto com o corpo, agora transfigurado em complexo de pai insuficientemente protector. Se, num instante, podemos cair numa distopia, como sucedeu recentemente em cidades do Brasil que se viram sem polícia e obrigaram um amigo a barricar-se em casa com a mulher e a filha bebé, vou precisar de um torso e braços mais fortes para impor respeito e proteger a minha família pelo simples efeito dissuasor da minha envergadura e do vigor dos meus bíceps. O problema, a juntar a uma genética que me parece pouco predisposta a fazer músculo, é que qualquer actividade tem a sua técnica, uma curva de aprendizagem, dificuldades impensáveis. Até para aprender a remar, uma acção aparentemente tão simples e intuitiva, há inúmeros vídeos explicativos no Youtube. Devia ter começado por ver um, porque regressei da barragem com uma ligeira dor no ombro e não sei quando lá voltarei. Frise-se que o surfista não fez nenhum comentário depreciativo ou jocoso e nem sequer se ofereceu para levar o caiaque de volta, porque é um homem com um fino entendimento da condição humana

14
Ago17

Como fazer filhos bilingues quando não se é rico?

Eremita

 

Quando há dinheiro, criar um filho bilingue em português e inglês não custa nada, ou melhor, tem o custo das mensalidades dos colégios da grande Lisboa e do Porto que ensinam em inglês. Quando esse dinheiro não existe e em casa só se fala uma língua materna, não sei se existirá alguma forma de criar crianças bilingues. A mera exposição a material audiovisual em inglês é insuficiente, pois a aprendizagem de uma língua requer interacção. Talvez emigrando, mas seria uma solução - digamos - excessiva.

 

 

31
Jul17

Pasolini: um herói da homossexualidade?

Eremita

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Ele [Pasolini] representou a figura de uma homossexualidade heróica que já não tem lugar no nosso tempo. Pelo tempo em que viveu e pela sua atitude política, Pasolini não aspirava a uma neutralização da homossexualidade, à sua integração estatal, à modelação pelo Estado. (...)

Pasolini não foi uma figura respeitável e nunca se deixou neutralizar. Vista a partir do seu observatório (instalado num tempo histórico, mas também num tempo político), a homossexualidade, hoje, embora bem sinalizada com as cores do arco-íris, é uma homossexualidade “branca”. Passámos a um modelo unissexual, uniformizado, comum aos homossexuais e heterossexuais. (...) 

 

Pasolini não descia aos bas-fonds da Roma proletária com a disposição esteticista com que o barão Von Gloeden se instalou em Taormina, no início do século passado e fotografou os efebos usando as suas prerrogativas de rico aristocrata neo-clássico, imaginando que estava na Grécia Antiga. Pasolini, pelo contrário, integrou a sua sexualidade na luta política e entendeu que o sexo era algo que tinha de entrar nos cálculos da sua luta contra a burguesia, que ele viu como agente do apocalipse, executora do fim do mundo. António Guerreiro, Público 

 

É inegável que a conquista de direitos cívicos pelos homossexuais e a sua presença cada vez mais visível na sociedade quase secaram uma cultura paralela, marginal e transgressora, o que deixou uma corte de nostálgicos. E é até provável que Pasolini ficasse horrorizado se ressuscitasse e visse os muitos actuais casais homossexuais que cumprem uma conjugalidade monogâmica sob uma espada de Dâmocles da infidelidade, amestrados pelos deveres e delícias da parentalidade, em tudo decalcando o modelo da tradicional família heterossexual burguesa - imaginá-lo hoje repetindo o papel do jornalista que interrogou os italianos sobre a sua sexualidade em Comizi d'Amore (1963) é antecipar um filme com final violento (assassínios em série, suicídio ou assassínios em série seguido de suicídio, creio). A minha dúvida prende-se apenas com o heroísmo do Pasolini homossexual a que Guerreiro se refere. Herói para quem? Nenhum movimento LGBT tem Pasolini por herói, nem sequer em Itália, onde o texto de Guerreiro teria suscitado muito mais interesse do que no Público, em parte dado o posicionamento político complexo deste italiano excepcional, um homem de esquerda mas - ou precisamente por isso, segundo ele - capaz de ficar do lado dos polícias (os pobres) que carregaram sobre estudantes universitários (os filhos da burguesia) e um artista transgressor mas tão crítico do aborto como um católico conservador, o que apenas reforça a ideia de que o activismo gay dominante escolheu mesmo a "normalização" da homossexualidade e como heróis prefere homossexuais com um pensamento mais convencional, perfeitamente integrado no progressismo esquerdista, como Harvey Milk. Mas acabar aqui seria ignorar o elephant in the room: muito mais do que o seu pensamento ou sequer o seu cinema cheio de imagens perturbadoras para a burguesia, é sobretudo a própria prática homossexual de Pasolini, hoje ainda mais do que quando era vivo, que torna problemática a noção de "heroísmo", por mais evidente que fosse a sua coragem, a intransigência do seu pensamento e a  tragédia da sua morte - ainda assim mais adequada a um mártir do que um herói. Porque ao mesmo tempo que se foi fazendo a pedagogia de que a homossexualidade é distinta da pedofilia e os homossexuais foram ganhando aceitação e entrando num processo de "normalização", dos anos 70 até hoje a sociedade também se tornou muito menos tolerante com a pedofilia e o epíteto de artista já não é de todo atenuante. Basta pensar na evolução do caso Polanski, uma espécie de barómetro da sensibilidade social ao longo de várias décadas quanto a um crime de pedofilia cometido em 1977, ou na crítica unânime com que foi recebido um livro de memórias em que o sui generis Frédéric Mitterrand conta as suas experiências de turismo sexual com menores. Em rigor, Pasolini, o homossexual, era um efebófilo - e não estou a replicar propaganda da direita conservadora, que o abominava e abomina, pois descrições de Alberto Moravia, amigo muito próximo de Pasolini, confirmam a atracção (consequente) dele por adolescentes (entre muitas outras evidências, como o escândalo de Ramuscello, que ditou ida de Pasolini para Roma). Pouco importa a diferença entre pedofilia (uma doença, segundo a OMS, e uma prática criminosa, segundo o Direito) e efebofilia (que a OMS não considera uma doença, nem algum Direito considera um crime), porque esta incomoda até o mais progressista, disposto a aceitar todos os comportamentos sexuais e até experimentar, inclusive parafilias, mas desde que consentidos entre adultos. O consentimento, mas apenas entre adultos, são as duas condições absolutamente necessárias para que não haja censura social e não se entende que heroísmo poderá assentar no sofrimento - imediato ou prazo - e exploração de adolescentes. É uma visão moralista, seguramente, mas que não rejeita o "direito ao escândalo" tão caro a Pasolini, apenas exige alguma arte a quem escandaliza, porque escandalizar à custa do sofrimento alheio não é difícil - um acto terrorista escandaliza, mas não é motivo para o promovermos - e o "prazer do escândalo" não se pode confundir com uma falta de empatia elementar. Enfim, como se não bastasse, sendo Pasolini um marxista, para mais conhecido pela sua crítica do consumismo, pagar para ter relações sexuais com rapazes pobres é uma falha dupla, pela mercantilização do sexo e exploração de uma classe desfavorecida, que o penaliza a ele mais do que um qualquer outro frequentador de prostitutos sem pretensões intelectuais, tal como a pedofilia de um padre, que ensina o catequismo, perora sobre a castidade e os malefícios da masturbação, é mais revoltante do que a de um professor de educação física, que apenas ensina o fair play. Daí que não se perceba bem a "força do passado que chega até nós para perturbar a nossa boa consciência, dizendo-nos coisas que agridem e com as quais já não sabemos conviver" a que se refere António Guerreiro, porque qualquer burguês pode proteger a sua consciência ao sair de um filme de Pasolini recordando os factos da biografia do autor que minam a sua autoridade moral. E se me parece consensual a tese de que na sua obra a sexualidade faz parte da sua luta política, desconfio que Pasolini continuaria a frequentar os bas-fonds da Roma proletária mesmo que não tivesse ganho o estatuto de grande intelectual e artista com uma luta política por empreender. Herói para quem, então? Só para alguns nostálgicos irredutíveis. Porque a dicotomia proposta por Guerreiro, segundo a qual Pasolini preferia a categoria de criminoso à categoria psiquiátrica de "desviante", ofusca o essencial, que é a nostalgia de um estatuto de excepção, ainda que estigmatizado. 

  

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