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Ouriquense

13
Jul12

29

Eremita

- Relvas é sexy.

- Perdão?

- O Ministro Miguel Relvas é sexy.

- Está tudo bem?

- Não acha?

- Na lógica do bad boy?

- Não. Por aquela resistência à vergonha. Sexy.

- Você avariou.

- Não é de hoje. Valentim Loureiro. Sexy. Duarte Lima. Sexy.

- Ao menos escolha mulheres. Fátima Felgueiras?

- Sexy.

- Assim faz-me menos impressão.

 


 

13
Jul12

28

Eremita

 

- Gosta de ostras?

- Não comece.

- Só perguntei se gostava de ostras, relaxe.

- Consigo imaginar o que vai dizer com 7 lances de antecedência.

- O Kaspov de Ourique.

- Karpov. 

- Era uma piada. 

- Não acredito.

- Tem caspa, sabia?

- Você não seria capaz de fazer aquele encadeamento.

- Vive na minha cabeça?

- Qual é o nome próprio do Karpov?

- Vlaaaaaaadimir.

- Anatoli.

- Isso não prova nada, Kaspov.

- Não seja infantil.

- Então adivinhe no que estarei a pensar 5 minutos depois de me deixar em casa.

- Num cunnilingus feito por um grande mestre. 

- Ahah... 

- Acertei?

- Só falhou a profissão.

- A sério?

- Mas você não sabe tudo?

- Arrisquei. Podia ter outras fantasias.

- Não. Minetes.

- Gosto de ostras.

- Era retórica. Gosto do gelado magnum, escusa de perguntar.

- Não ia perguntar nada.

- Mas fica a saber.

- A reciprocidade no sexo oral é só boa educação. 

- Esse cinismo vai acabar consigo. Não gosta?

- Todos os homens gostam.

- Comigo ainda iria gostar mais.

- Nunca saberemos.

- Porque não discrimina, já sei.

- Porque não acontecerá.

- Mas discrimina?

- Só entre bom e mau.

- Acha isso justo?

- Justo?

- Juntar o razoável e o sublime.

- Contrario este tempo de meritocracia histérica. 

- É uma declaração política, portanto.

- Se quiser. 

- E gosta que falem?

- Gosto das mentiras do costume, sim.

- As hipérboles?

- As hipérboles. 

- Nunca lhe disseram nada em que acreditasse?

- Uma vez.

- A pila nua e crua?

- Não: "a confusão que deve ir nessa cabeça".

- Hum?

- Ela olhou para mim e disse: "ai, a confusão que deve ir nessa cabeça".

- Você tão esquisito. Quer que lhe diga isso também?

- Não percebe nada.

- Brincava. Mas explique.

- Foi sincero. Inteligente. Inesperado. 

- Certeiro?

- Só na medida em que havia alguma confusão.

- Pensava noutra?

- Não. Se pensasse noutra teria sido horrível.

- Mas então onde está a confusão?

- Você sabe por que motivo os homens gostam de ver?

- Os homens respondem mais a estímulos visuais, toda a gente sabe.

- Os homens gostam de ver para afastar a confusão. 

- Mas que confusão?

- É uma espécie de nebulosa.

- Uma nebulosa?

- Muitas mulheres, mas como poeira.

- Você é completamente chanfrado, sabia?

- Ou então imagine uma mulher feita de todas as outras.

- Ainda mais tétrico. Posso voltar à nebulosa?

- Nem o primeiro sexo é puro.

- Pronto. Dramático. 

- Ou melhor, o sexo na Lagoa Azul foi puro.

- O filme?

- Cresceram na ilha, só se conheciam um ao outro.

- E as fotos?

- As fotos?

- Havia fotos pornográficas na ilha...

- Não me recordo. Bem, então nem na Lagoa Azul

- Há sempre confusão?

- Sempre.

- Não quero ir para casa. Vamos jantar fora?

 

 

 

12
Jul12

27

Eremita

- Estava a olhar para o meu rabo, não estava?

- Sim. 

- Pensei que fosse mais de mamas.

- A ontogenia recapitula a filogenia, conhece a expressão?

- Já ouvi isso numa entrevista.

- Bem, em rigor é uma expressão errada, embora útil.

- Você sabe tantas coisas. 

- O desejo sexual evolui em regressão filogenética.

- Ai, fica tão sério quando se põe com essas coisas. Devia acreditar em Deus.

- Sou um ateu não praticante.

- Sim, mas se acreditasse em Deus seria mais ligeiro com todos os outros assuntos. 

- Agora já é tarde. Não posso acreditar em Deus por ter percebido que dá jeito, certo?

- Também é por isso que não se apaixona por mim. Sabe que sou rica.

- Não diga tolices. Quer que lhe explique a regressão filogenética?

- Quero que goste sempre do meu rabo.

- A mama como característica valorizada no acto sexual é uma aquisição mais recente do que o rabo.

- Mas isso é trivial, está mais longe dos genitais. 

- Não é assim tão simples. Há quem diga que tudo começou com a invenção da posição do missionário.

- Uma grande invenção.

- Mas que retirou o rabo do campo visual durante a cópula.

- Você é tão rústico. Nunca esteve num quarto com espelho no tecto?

- É o seu rabo que conta, não o meu.

- Esse sexismo humaniza-o, sabia? 

- Aliás, o espelho no tecto favorece esta tese. 

- A sua tese, claro.

- Ver o rabo ou recriar um simulacro de rabo, percebe?

- A sua tese é pateta.
- Não é minha. Nem acredito nela. 

- Mas decidiu contar.

- Contamos tantas coisas em que não acreditamos, já viu?

- Podíamos também praticá-las, não?

- Não. Posição do missionário, certo?

- Eu gosto de todas.

- Com a posição do missionário o que fica à frente da vista são as mamas. 

- Agrada-me. Não diz "seios".

- Só quando discuto estatuária do período clássico. 

- Vá, estas mamas à sua frente. E depois?

- A mama terá então evoluído no sentido de parecer um rabo.

- Que grande disparate.

- O rego, está a ver?

- Gosta?

- Do quê?

- Do meu rego.

- Era um exemplo genérico.

- Mas as pessoas acreditam mesmo nisso?

- Algumas pessoas.

- Tontos.

- A verdade é que aprendi a gostar mais de rabos, como os macacos. 

- A tal regressão. Ai, fica-lhe tão bem. Vá, regrida mais um pouco. Regrida.

- Ou então foi por causa dos implantes mamários.

- Nota-se muito?

- Você tem?

- Não sabia?

- Não. 

- O meu cirurgião é um génio. Quer sentir?

- Seria perigoso. Ainda não regredi completamente. 

- Faz-me rir. 

- Com os implantes, a mama deixou de ser uma dádiva da natureza.

- Isso é importante?

- A beleza deve resultar da sorte. 

- Você sabe o trabalho que me deu ter este rabo?

- É um rabo meritocrático?

- É magnífico.

- Sim. Deixe-me corrigir, então. A beleza deve apresentar-se como fruto da sorte, mesmo que isso seja uma ilusão.

- E se a Tatiana pudesse comprar umas mamas?

- Perdão?

- A Tatiana, aquela reles caixa de supermercado.

- Não fale assim.

- Toda a gente sabe, sabia? Você é patético. E de esquerda. Só acumula defeitos.

- Não seja desagradável. 

- É uma tábua, essa sua Tatiana. Até lhe pagava as mamas dela para o ver mais feliz.

- Chega. 

- O que você não quer é sujar as suas mãos no luxo das minhas mamas.

- ...

- Não diz nada?

- Espere, estou a apontar. 

- A apontar o quê?

- "no luxo das minhas mamas".

- Gostou?

- Muito.

- Ponha o caderninho no bolso. Vamos à aula prática?

- Não.

- Sabe qual é o seu problema?

- É só um?

- Você pensa tanto nas coisas que não pode ser boa pessoa e isso entristece-o. 

- Se calhar tem razão.

- Tenho, não tenho?

11
Jul12

26

Eremita

- Não pare. Não pare.

- Não?

- Não pare. Mais depressa. Mais depres...

- Estamos dentro da vila, não posso acelerar.

- Acha que ela me viu?

- Não creio, o Judeu pôs vidros espelhados.

- Abençoado Judeu.

- Ainda não percebi o seu secretismo.

- Ela não me pode ver consigo.

- Mas só lhe estou a dar uma boleia.

- Disse-lhe que namorávamos.

- E ela acreditou?

- Sim.

- Já nada me choca nas lisboetas.

- A nossa credulidade?

- E a falta de escrúpulos.

- Favoreci-o no relato.

- Ah...

- Disse que era romântico e bom na cama.

- Devia apenas ter dito que sou bom na cama.

- Porquê?

- Porque era mais fácil fingir que somos namorados.

- Acha?

- Não comece...

- Acha mesmo?

- Tire a mão, tenha juízo.

- Quer que pare?

- Sim.

- Paro?

- Sim. Tem de repetir tudo o que diz?

- Bruto. Você é um bruto.

08
Jul12

25

Eremita

- Sabe o que dizem das mulheres bonitas, não sabe?

- Não são sempre burras, isso é um disparate. 

- Mas eu falei em loiras?

- Diga lá.

- Não, diga você.

- Não faço ideia. Que são caprichosas?

- Acha?

- Eu não acho nada, estou a pensar no que se diz.

- Eu sou caprichosa?

- Há excepções.

- Mulheres bonitas que não são caprichosas?

- E mulheres caprichosas que não são bonitas.

- Sempre encantador. E que mais?

- Fúteis?

- Não é a mesma coisa?

- Estava a ganhar tempo.

- Deixe-me ajudá-lo: o que dizem delas na cama...

- Dizemos alguma coisa? Apenas pensamos.

- Ai, não seja assim. O que dizem sobre elas na cama. 

- Como elas são na cama?

- Sim.

- Há uma tese sobre isso?

- Há.

- Bem, não sei. Posso falar-lhe da minha experiência...

- Com putas...

- Não, das outras.

- Esse plural...

- Só para credibilizar a opinião.

- Diga lá, estou em pulgas. 

- O sexo não as favorece. Só conheço uma excepção.

- Meu Deus. E não se casou com ela?

- Não foi possível.

- Mas porquê?

- Impedimentos legais, desajustes temporais, circunstâncias várias, histórias passa...

- Estou cheia de pena. Mas perguntava por que razão as mulheres bonitas tendem a ficar mais feias.

- É muito difícil encontrar beleza compatível com os actos animalescos do sexo. 

- Acha? 

- Sim. Por vezes ganham até rostos demoníacos. 

- Você é mesmo esquisito. 

- Ou então tive azar.

- O que dizem sobre as mulheres bonitas não é nada disso.

- Conte lá.

- Dizem que não são boas na cama porque não têm de se esforçar.

- Só isso?

- Não acha interessante?

- Não.

- Mas concorda?

- Não.

- Não?

- Nem sempre.

- A sua excepção, estou a ver.

- Sim. 

- Meu Deus, erga-lhe uma estátua de bronze no monte. 

- Paga por si?

 

 

 

29
Jun12

24

Eremita

- Tem visto o Euro?

- Vagamente.

- Eu vi todos os jogos. Aquelas coxas...

- E o Pirlo?

- Quem?

- O Pirlo. É o melhor do Euro.

- O melhor foram as pernas do Nani em mega slow motion. Pilro?

- Pirlo.

- Piii-lro... Ai, não consigo.

- Diga Arbeloa.

- Aberloooa.

- Arbeloa.

- Aberloooa.

- Ar... Ar... Arbeloa.

- Morda-me.

19
Jun12

23

Eremita

- Sabe quanto tempo demora uma pessoa a bordar "amo-te" numa colcha?

- Lamento, tenho modista.

- Eu também não sei, mas deve ser coisa para alguns minutos, não?

- Agora há máquinas para tudo, não faço ideia.

- Foi antes do ano 2000...

- Depende do ponto.

- Acha?

- Olhe, sei lá. Você hoje está aborrecido. 

- Mas mesmo que demore apenas um minuto, é tempo suficiente para se desistir da ideia.

- Sim, ela amava-o. A colcha bordada a contrastar com as palavras na areia. Mudamos de assunto?

- Na areia?

- O impulso que a maré seguinte apaga é diferente do gesto demorado que fica para sempre, não é?

- É, não é?

- E as traças?

- Está impecável. E nunca mais me disseram "amo-te".

- As pessoas são complicadas. Eu só não digo porque nos tratamos por você.

- Não brinque.

- Eu amo-o. 

- Por favor...

- Amo-o perdidamente, percebe? Quer que o borde na cuequinha?

- ...

-  Simplifique. Leia menos. Beije-me. Mexa-se.

05
Jun12

22

Eremita

- Você é de uma arrogância insuportável. 

- Isso é um anacronismo.

-  Um quê?

- Anacronismo. Vem fora de tempo. Eu fui arrogante.

- Ninguém aprende a modéstia.

- Pois não. Mas sentimos a vergonha.

- Ora conte lá...

- Não conto coisa nenhuma.

- Conte, eu dou-lhe mimo.

- Foi há muitos anos.

- Num país longínquo.

- Como é que sabia?

- Estava a brincar.

- Ah. Foi há muitos anos, estava nos EUA. 

- E foi preterido.

- Fui, mas isso já me tinha acontecido. 

- Então?

- Fui preterido e um amigo lembrou-me que talvez eu não ganhasse o suficiente. 

- Não o sabia tão materialista.

- Não sou. Não era. Enfim, aquilo foi o meu wake up call...

- O seu quê?

- O wake up call. É uma expressão. Viu o Wall Street?

- Não. 

- Uma epifania. Sabe o que é?

- Isso é religioso?

- Um "fez-se luz", está a ver?

- Mas você não ganhava até em dólares?

- Oiça, percebi pela primeira vez que a essência perde para a circunstância.

- Mas a essência não forja a circunstância?

- Apercebe-se que fez uma boa pergunta?

- Deve ter sido por acidente.

- Forja. Mas só em certa medida. E há depois uma retroacção da circunstância sobre a essência.

- Como a vergonha a fazer de si um homem menos arrogante?

- Hoje você merece um chocolate. 

- Vê? Não tem razão, a essência resistiu. 

- Acha?

- Venha cá. Eu sou herdeira e gosto é das suas mãos.

13
Mai12

21

Eremita

- Eu não gosto de si, sabia?

- Bem, é uma novidade.

- Do que gosto mesmo é do meu gosto por si.

- Curiosa combinação de narcisismo com voyeurismo. 

- Vê?

- O quê?

- Também sei ser complexa.

- Não me mostre a língua, parece uma miúda.

 

 

09
Mai12

20

Eremita

- Como define a nossa relação?

- Nós temos uma relação?

- Você já não pode passar sem mim.

- Olhe que posso.

- Olhe que não.

- Posso.

- Não.

- Sim.

- Não.

- Sim.

- Não.

- Vai rir primeiro. Posso, sim.

- Nã...ai, você é tão divertido.

- Ganhei.

- Mas ficou triste.

- Não leve a mal.

- Fui eu?

- Não.

- Fui eu, não fui?

- Não.

- Fui.

- Não.

- Fui, sim.

- Não foi.

- Fui.

- Isto é cansativo. Não foi, pensei noutra pessoa. 

- Parecida comigo?

- Não. Alguém de quem gostei.

- Discutiam muito? 

- Era o meu ioiô vaivém.

- Isso é querido.

- Eu sei.

- Posso ser o seu ioiô vaivém?

- Não.

- Deixe lá.

- Não.

- Porquê?

- Porque não se atura.

- Quem?

- Não se atura sem amor. 

- Eu sei que me atura.

- Eu não a suporto.

- Não.

- Não.

- Não.

- Não.

- Não?

 

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