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Ouriquense

31
Jan18

Do poder redentor dos livros

Eremita

Há muitos anos, quando ainda estava no começo da carreira, longe de imaginar que viria a teminá-la tão cedo e assentar em Ourique, entendi que tinha o direito de ficar com um livro de tabelas de estatística do meu chefe de então. Arturo (nome fictício) morrera tão inesperadamente que só uma semana depois deram com o seu corpo no seu quarto e prefiro não pensar no cheiro nauseabundo que o sobrinho dele sentiu ao rebentar a porta do apartamento. Talvez pensassem que estivesse a viajar, mas quando começou a circular a notícia de que o meu chefe tinha sido vítima de um aneurisma cerebral, convenci-me de que era uma mentira para evitar o estigma do suicídio. A morte viera logo depois da classificação fraca que o seu laboratório recebera, para mais de um júri liderado por um alemão, e aquele homem, divorciado e pai de uma filha que adorava mas poucas vezes via, entendia a ciência como um sacerdócio, trabalhando sem cessar nem grande método sobre uma secretária de tampo literalmente coberto por artigos, projectos e rascunhos que se acumulavam ao longo de anos como as camadas de uma rocha sedimentar de meio metro de espessura, e a partir da qual, de modo mais detalhado e revelador do que através do estudo da sua obra publicada, seria possível reconstituir como variaram ao longo da sua última década de vida os seus múltiplos e dispersos interesses interesses científicos, que iam da genética de populações à bioquímica das imunoglobulinas. Arturo apresentava-se com a intensidade daqueles que têm presente a finitude da vida e a improbabilidade de uma contribuição científica que nos resgate do esquecimento a que quase todos, ao ritmo dos dias, semanas, anos, décadas ou séculos, somos esquecidos - é uma existência trágica e algo cómica também, em que a sensação permanente é a de que se está atrasado, mesmo quando se chega a um encontro antes da hora marcada. Quem o conhecia sabe que não exagero e aos que com ele não privaram digo apenas que este homem colara na porta do escritório uma tabela com a esperança média de vida fotocopiada de um livro tão antigo que a informação estava desactualizada, como se antecipar o ano estimado da nossa morte reforçasse a ideia de urgência. Não são assim as tabelas estatísticas e a sua perenidade, aliada à empatia científica que me unia a Arturo, levou-me a furtar do seu gabinete aquele livro de estatística de Fisher, de capa grossa azul marinho, com letras douradas, absolutamente credível e eterno, apesar dos cantos algo quebrados.

Dias depois, confessei o crime ao sobrinho de Arturo, também ele cientista. Uns anos mais velho do que eu, foi magnânimo. Após uma reprimenda, deixou-me ficar com o livro. Ainda o tenho, mas nunca mais o abri; há décadas que não faço um teste estatístico. Entre a minha memorabilia, este é um dos objectos que mais estimo, mais até do que se tivesse sido uma oferta de Arturo. Ora, entre as atenuantes que fazem com que este furto tivesse envelhecido tão bem, transmutando-se de remorso em lembrança calorosa, a montante da minha confissão, da tragédia da morte de Arturo e da nossa empatia, conto o simples facto de se tratar de um livro. Por um motivo que intuímos mas o Direito não consagra, roubar livros é menos grave do que roubar jóias, mesmo quando roubamos em livros um montante equivalente ao de uma esmeralda. É também por isso que, quando um secretário de estado gasta 14 000 euros de dinheiro público em livros que leva para sua casa e não devolve,  quem não veja nisso nada de grave.  

29
Jan18

Literatura e bolsa de valores

Eremita

Em 1984, com a pátria-mãe do comunismo intacta, tal como as certezas num rumo da história que faria eclipsar o ideário ocidental capitalista decadente, José Saramago permite-se ironizar, recorrendo a estereótipos, sobre os comunistas com intuito de tornar óbvio o injustificado ridículo das críticas ao comunismo na época de Salazar. A questão é que o tempo está a transformar as ironias de 1984 num tiro que sai pela culatra. Entre os anos da escrita e a atualidade, por um lado, o comunismo sofreu um cataclismo e, para desgraça do autor, quem ler o livro no contexto do século XXI terá razões de sobra para fazer interpretações literais sobre o ridículo do comunismo que José Saramago esconde a coberto dos ridículos dos regimes conservadores da época. Por outro lado, hoje a relação dos europeus ocidentais consigo mesmos não é a mesma dos anos oitenta. Daí resulta uma erosão significativa da construção intelectual de José Saramago, sintoma infalível de má literatura.

(...)

Considerando que o clímax d’«O Ano da Morte de Ricardo Reis» é a conversão de Fernando Pessoa, por via do heterónimo Ricardo Reis, quarenta e nove anos depois de morto aos encantos do comunismo, estamos perante uma grosseria intelectual bem mais corrosiva para a cultura e identidade portuguesas do que a propaganda do Estado Novo com o filme «A Revolução de Maio». No mínimo, o filme de 1937 e o alter-ego em livro de 1984 deveriam ter o tratamento que merecem em universidades e escolas: exemplos de ridículo intelectual.

Gabriel Mithá Ribeiro

 

Eis um documento único. Geralmente, a direita despreza Saramago, por não lhe perdoar o comunismo e o saneamento de 24 jornalistas do Diário de Notícias, no Verão Quente de 1975. Vasco Pulido Valente, por exemplo, não perdia uma oportunidade para desconsiderar a prosa do escritor, embora nunca desenvolvesse argumentos, como tantos outros, que se ficam por uma crítica pífia e muito pouco original sobre a forma de pontuar de Saramago ou por um snobismo sem capacidade de concretização. Coube a Mithá Ribeiro, no "sensacional" Observador, desenvolver uma verdadeira tese, em que o valor de O Ano da Morte de Ricardo Reis é indexado ao destino da União Soviética. Embora menos profético do que a irmã Lúcia, reconheça-se a Mithá Ribeiro um empenho anti-comunista que já vai rareando e que talvez também mereça tratamento em universidades e escolas ou até mesmo hospitais e sanatórios.

 

27
Jan18

Revistas literárias online em actividade

Eremita

Blimunda

Caliban

Revista Dedalus

Estrema

Forma de Vida

Revista de Estudos Literários

Granta [Portugal e Brasil]

Ler História

Interact

Revista Pessoa [Brasil]

Vacatussa [Brasil]

 

 

 

Em construção. Conto com a ajuda de todos para aumentar esta lista. Só estou interessado em revistas online em português com sinais de vida (se o último número foi editado há mais de dois anos, não é uma revista). 

26
Jan18

A crítica como apontamento

Eremita

Hoje na Sábado escrevo sobre O Reino, de Gonçalo M. Tavares (n. 1970). Entre os novos, ou seja, entre autores com menos de 50 anos, o autor distingue-se pela produção torrencial: somando romance, poesia, teatro e outro tipo de narrativas, algumas de natureza ensaísta, são 36 títulos em 16 anos. Agora, para assinalar o 10.º aniversário do fim da tetralogia O Reino, foram publicados em volume único os denominados romances: Um Homem: Klaus Klump / A Máquina de Joseph Walser / Jerusalém / Aprender a rezar na Era da Técnica. O mais recente, Aprender a rezar na Era da Técnica, foi o que suscitou maior empatia junto da crítica e do público. Dispensar preliminares e abrir com uma cena de sexo é um teaser infalível: «E o adolescente Lenz, determinado, avançou sobre a criadita.» Em adulto terá outra desenvoltura, como ilustrado na cena de sodomia (ou será apenas na posição de cachorro?). Como da primeira vez, o acto é presenciado: ali pelo pai, aqui por um vagabundo. Continuamos a falar de sexo. O resto é metafísica, mais ou menos germânica, área em que Tavares encontrou o seu nicho de eleição. Isso também o destaca da produção dominante. Quatro estrelas. Publicou a Caminho. Eduardo Pitta

 

Os comentários sobre livros que Eduardo Pitta publica no seu blog estão mais próximos das generalidades com que os comentadores de largo espectro apresentam livros nos seus espaços de opinião na televisão do que da crítica literária. Não falta a Pitta oficina enquanto escritor (é dele um dos melhores contos que li nos últimos anos), nem ambição como crítico, mas há pouca reflexão nestes seus comentários rematados a estrelinhas, talvez por uma combinação de falta de tempo (ou pachorra) com uma grelha interpretativa rígida. Para Pitta, parece que a qualidade da literatura assenta exclusivamente na frontalidade com que são descritas cenas de sexo e numa prosa depurada de adjectivos e sem lirismo sentimentalóide. Quando, sobre Gonçalo M. Tavares, se concentra o comentário em cenas de sexo e se remata depois com "o resto é metafísica", há um efeito de humor involuntário, mas que vale sobretudo como admissão de que se recusa a crítica. Sobra uma vantagem: se é para escrever banalidades sobre Gonçalo M. Tavares, o leitor não chega a ficar ensimesmado com a hipótese de  Eduardo Pitta não ter lido os quatro romances da tetralogia O Reino

26
Jan18

Do gozo de pressentir o fim

Eremita

Termino hoje a leitura de O Leão de Belfort. Eis uma vantagem da leitura sobre o cinema e até o seriado televisivo de culto, hoje consumido de uma assentada (binge-watching): sentir que o livro está quase a acabar e antecipar um gozo que mistura o conforto de um dever cumprido, o efeito retroactivo intensificador sobre toda a leitura prévia do livro e a satisfação da curiosidade sobre como termina a história, e cuja intensidade é directamente proporcional ao tamanho do livro. Destes três prazeres, o último é o que menos me interessa. Aliás, este livro de Alexandre Andrade caracteriza-se precisamente pela ausência de suspense e uma grande contenção no uso de tragédias e volte-faces. Por outro lado, é uma novela sobre a importância do segredo, como motor da História e da existência. Conto desenvolver. 

 

 

25
Jan18

Diz não à "superioridade moral da esquerda"

Eremita

Os processos actuais põem à vista uma rede que visava a eternização do PT e dos seus aliados no poder – bem como formas de corrupção que atingem todo o Estado. Durante as sessões de Porto Alegre, o PT ameaça radicalizar (vejam-se sobretudo as declarações de Gleisi Hoffmann, a presidente do partido, envolvida no escândalo Petrobras) e é possível que seja o único caminho. Seguir-se-ão as jornadas de luta e de desagravo por intelectuais, sindicalistas, cantores e “amigos do Brasil” (geralmente, pessoas que gostam de bossa nova e confundem Ipanema com a Rondónia) – mas a verdade é esta, dita hoje de manhã por Fernando Gabeira: “A tática da defesa do Lula e toda essa opção da esquerda nos colocou diante de um descaminho histórico. Porque ao invés de reconhecer todos os escândalos que aconteceram e buscar um caminho mais longo de recuperação através de uma crítica, de uma autocrítica, ela decidiu negar o conjunto dos fatos.” Um dos argumentos é o de que a justiça está a atacar a esquerda, o que é falso (veja aqui a lista de dirigentes de outros partidos, como o PMDB, PTB e PP já condenados no processo LavaJato); tem sido a esquerda brasileira a condenar-se a si mesma num país em que o PT chegou ao poder vestindo a roupagem da superioridade moral. Posso enganar-me, mas Lula – que sabia de tudo, que soube sempre de tudo, mas que se achava ungido com a estrela de guia e messias do proletariado brasileiro a quem tudo seria perdoado – será condenado, ou seja, será confirmada a condenação anteriorFJV

 

Com a legitimidade de quem andou muitos anos a escrever sobre a corrupção do PT, Francisco José Viegas escreve o essencial. Quanto à esquerda, o melhor é não escrever nada ou reconhecer que preservar o Estado de Direito vale mais do que salvar Lula. Há ainda uma terceira possibilidade: o embaixador Seixas da Costa, que escreve muito e sobre tudo, mostra como é possível escrever sobre este caso sem escrever coisa alguma. Chamemos-lhe deformação profissional. 

25
Jan18

Uma carta de Telavive

Eremita

Escrita automática assistida

Eremita,

 

Estive em Jerusalém, na expectativa de algum sobressalto espiritual. Na Igreja do Santo Sepulcro, não me senti tentado a tocar no buraco na rocha onde terá sido enfiada a cruz de Jesus, nem na pedra em que o corpo do Cristo crucificado terá sido untado. O interior da igreja é ocupado por várias denominações: a igreja ortodoxa grega, a dos arménios apostólicos, a católica romana, e ainda a ortodoxa da Etiópia, a ortodoxa síria e a ortodoxa copta (egípcia). O comicidade deste arranjo diplomático (chamam-lhe o Status Quo), que precede em séculos A Vida de Brian, dos Python, é tão iminente que não ouso uma piada, pois não consigo conceber nada mais hilariante do que as ocasionais sessões de pugilato entre monges de diferentes denominações, que irrompem sob um qualquer dos pretextos que geram quezílias entre vizinhos, como quando alguém se esquece do lixo no patamar ou teima em deixar a porta da rua fechar com estrondo depois das dez da noite; imagino-me a torcer pelos coptas, claro - também eu cedo ao apelo do underdog. Mas sabes quem guarda as chaves da Igreja do Santo Sepulcro e do túmulo de Jesus? Adivinha... Os muçulmanos! Não é extraordinário? Esta tradição dos muçulmanos guardiões do templo cristão remonta à conquista de Jerusalém aos Cruzados por Saladino - na preparação para esta viagem, bem sei que devia ter lido o To Jerusalem and Back, do Saul Bellow, como me recomendaste, e A Relíquia, do Eça, mas só tive tempo para um filme de Ridley Scott sobre cruzados em Jerusalém e Saladino, com muita pancadaria e piscadelas de olho à solução Dois Estados enviadas do século XII... Eh, é que nem os olhões da Eva Green, rainha no filme, garantem que as piscadelas resistem à erosão de oito séculos. Também o milenar muro das lamentações não está a salvo da erosão dos crentes e, se não bastasse, aqueles papelinhos enfiados nas frinchas do muro impregnam o local de um permanente desmazelo de fim de festa, ainda que sejam a antítese das serpentinas murchas e dos confetti pelo chão. O que escreverão eles? Aposto que as ciências sociais já detalharam com aparato estatístico os anseios dos Judeus: a vinda do Messias, a segurança de Israel, um atleta de craveira mundial? Diante do muro, também nada senti, nenhum sobressalto espiritual, apenas um pequeníssimo sobressalto cívico, pois esqueci-me de pôr um dos quipás de material barato disponibilizados gratuitamente e recebi olhares de reprovação - desculpa, Deus, não és tu, sou eu, a minha queda para me impressionar e comover mais com os feitos dos homens do que com o divino, mesmo quando é a crença no divino que move os homens. Mas esta conversa é cansativa, sobretudo para ateus veteranos, como nós. Olha, impressionei-me com uma das portas de entrada na cidade muralhada, que os israelitas deixaram com os buracos das suas balas, disparadas durante a Guerra dos Seis Dias. E hoje, já em Telavive, ainda há pouco, nesta esplanada virada para o mar de onde te escrevo, em ambiente cosmopolita, impressionei-me com a silhueta da Jafa portuária em contraluz, recortada por um pôr-do-sol, ao som de um chamamento de almuadem para uma das orações diárias vindo dos altifalantes colocados no topo do minarete de uma mesquita próxima. Ouvi-a ciente de que talvez fosse uma gravação, mas não deixei de apreciar as inflexões, sobretudo quando formavam aquele intervalo de meio tom tão característico. Teria sido melhor ter em mãos um chá de menta e não um gin tónico (mau), mas foi ali, em Telavive, ao som de uma religião que não me atrai, que tive o que, desde a minha chegada a Israel, mais se aproxima de um sobressalto espiritual. Dir-me-ás que foi do gin, mas decidi ficar mais uns dias por Israel e dar uma segunda oportunidade a Jerusalém e ao meu povo. 

 

Um abraço,

 

J.

 

PS: Continuo a lembrar-me das tuas duas meninas. No outro dia foram os ganhos de cabelo que seguram o quipá e hoje de manhã, ainda em Jerusalém, foram os caracóis que caem dos lados da cabeça dos judeus hassídicos. Beijinhos para elas.

 

22
Jan18

A Academia das Ciências de Lisboa

Eremita

A pedido da Academia Sueca, a classe de letras da Academia de Ciências de Lisboa propôs Agustina Bessa-Luís e Manuel Alegre para o Nobel da Literatura de 2018. Quem são os membros deste clube? Teresa Rita Lopes, Eugénio Lisboa, Hélder Macedo, Aires Nascimento, José Adriano de Freitas Carvalho, Telmo Verdelho, Sebastião Tavares de Pinho, Michel Renaud, Manuel Ferreira Patrício, Manuel Viegas Abreu, Leonel Ribeiro dos Santos, Jorge Barbosa Gaspar, Luís de Oliveira Ramos, Vítor Serrão, Teresa Barata Salgueiro, Pedro Soares Martínez, Mário Júlio de Almeida Costa, Martim de Albuquerque, Adriano Moreira, António Menezes Cordeiro, Paulo Pitta e Cunha, José Luís Cardoso, Jorge Braga de Macedo, Manuel Porto, Jaime Reis, António Valdemar, José Loureiro dos Santos, Nuno Vieira Matias, José Barata-Moura, Bernardo J. Herold e... Manuel Alegre.

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