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Ouriquense

31
Out17

Coming out when going down

Eremita

Kevin Spacey, acusado de assediar sexualmente um rapazinho de 14 anos quando tinha 26 anos e estava embriagado, aproveita o pedido de desculpas público para se assumir como homossexual. Eis como destruir em segundos um trabalho de décadas de educação do grande público sobre a ausência de associação entre a homossexualidade e a pedofilia*. A surtiu efeito, pois a indignação colectiva parece dirigir-se mais ao oportunismo do coming out do que ao assédio sexual. Enfim, não será por estes lamentáveis episódios que deixarei de admirar Kevin Spacey. 

* "Efebofilia", para os puristas. 

31
Out17

O Judeu comenta os 500 anos do legado de Lutero

Eremita

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Eremita: O que tens a dizer sobre a celebração dos 500 anos da Reforma Protestante? Estamos carentes de Lutero?

Judeu: Sou um feroz defensor de todos os anti-semitas primários, desde que mortos.  

 

Adenda a 1.11.17: Eis um sofitiscado argumentum ad Hitlerum:  "Este episódio [a batalha de Frankenhausen] ajudou a radicalizar a teoria luterana dos "dois reinos" (Zwei Reichen), de acordo com a qual o bom cristão deveria uma obediência incondicional às autoridades civis. O cristão era libérrimo na Igreja, mas ficava agrilhoado na esfera política. Ironicamente, o mesmo homem que enfrentara como rebelde os maiores poderes religiosos e seculares do seu tempo, e que pregara a absoluta igualdade dos cristãos, acabou, no plano político, por dar uma chancela teológica ao poder arbitrário da aristocracia feudal que se manteria por longos séculos na Alemanha. A tendência dominante da modernidade consistiria - seja no catolicismo de Francisco Vitoria e da Escola Ibérica da Paz seja no protestantismo de Calvino ou John Knox - em aproximar a Cidade de Deus da Cidade dos Homens. Pelo contrário, ao idealizar a sua aliança conjuntural com os príncipes, justificada pela sobrevivência física pura e simples, numa doutrina teológica de temor reverencial pelo poder de César, Lutero deixou uma trágica semente de obediência irrestrita na cultura política germânica, com tristes consequências em toda a Europa." Viriato Soromenho Marques, DN.

30
Out17

Chuva oblíqua

Eremita

Título alternativo: Purple Rain

Deus do universo, em quem vivemos, nos movemos e existimos, concedei-nos a chuva necessária, para que, ajudados pelos bens da terra, aspiremos com mais confiança aos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. D. Manuel Clemente, Observador

 

Teria sido mais engraçado se D . Manuel Clemente avançasse com uma dança da chuva, mas não deixa de ser uma proposta de contrato extraordinária. Já o timing é algo suspeito, pois a chuva está prevista para esta semana. A apropriação do futuro começa a fazer escola entre as elites. 

29
Out17

Gonçalo (12)

Eremita

O arquitecto Gonçalo projectou a sua casa para que tivesse um cofre embutido na parede contendo um segundo cofre dentro do qual se encontra um terceiro cofre. Neste último cofre, ainda amplo, ele guarda vários dossiers com informação organizada segundo a ordem alfabética dos apelidos dos visados. Há fotografias tiradas com teleobjectiva, facturas de despesas variadas, nomeadamente as relacionadas com lazer e oferendas, mensagens de correio electrónico impressas e alguns telemóveis. Os cofres estão numa divisão da cave que não aparece no projecto da casa e à qual se acede por uma porta dissimulada entre painéis móveis que cobrem uma das paredes de um dos corredores, sendo este apenas mais um dos vários pormenores de arquitectura lúdica espalhados pelas áreas sociais da casa. A divisão é ampla, mas sem janelas, e lembra o gabinete de Sigmund Freud, pois tem um divã, almofadas confortáveis e bons tapetes orientais. 

 

Quando chega a casa a altas horas da noite, Gonçalo abre a porta com cuidado, para não acordar ninguém, e fecha-se durante cerca de uma hora na cave, antes de subir até ao quarto e se deitar junto da sua mulher. Na cave, ele abre os cofres com algum vagar e retira um dossier, segundo um critério qualquer. Deitado no divã, percorre depois com o olhar aquela informação, sem se deter em nenhum elemento em particular, embora deixe as fotografias para o fim. Nem Gonçalo percebe bem o conforto que encontra naquelas fotografias. Custam-lhe bom dinheiro, pois gosta de as ter actualizadas e inequívocas, mas chantagear os seus amigos ou pedir-lhes explicações são possibilidades que apenas considera para as poder descartar de imediato. Para se tranquilizar, talvez lhe baste a prova de que não se distingue dos outros. 

29
Out17

O derradeiro acto de patriotismo de Sócrates

Eremita

A única dúvida que me assola, depois de conhecer a acusação ao ex-primeiro-ministro José Sócrates de que este cometeu 31 crimes (três de corrupção passiva, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documento e três de fraude fiscal), é a de saber se outros negócios públicos — por exemplo, as exportações patrocinadas pelo Estado, as rendas pagas pelo Estado para o fim de monopólios e as famosas parcerias-público-privadas —, feitos sob a égide do mesmo primeiro-ministro, também obedeceram ao mesmo esquema. A desconfiança é legítima e está instalada. São José Almeida, Público

 

Antes da acusação formal a José Sócrates, o ex-PM já tinha sido condenado pela opinião pública; agora está condenado pela opinião publicada, com a imprensa de referência a elogiar a imprensa de "sarjeta" pela investigação associada ao processo Marquês. Exceptuando os seus advogados de defesa, não existe hoje ninguém que arrisque o seu nome para defender Sócrates e não é por acaso que são anónimos ou escritos sob pseudónimo os raros blogs onde ainda se faz a defesa de Sócrates  -  mas cada vez menos, agora que a crítica à violação do segredo de justiça deixou de se aplicar. Também já se percebeu que a imprensa anda a fazer render o enorme peixe que é o processo de acusação. Todas as semanas, somos recordados de algo. Nos últimos dias, confirmou-se que, afinal, Sócrates e Ricardo Salgado conversavam, ao contrário do que o ex-PM afirmou recentemente na televisão. É só mais uma mentira e o nosso grau de dessensibilização no que toca às trapalhadas de Sócrates não nos permite manter a indignação, imperando hoje um certo encanto e fascínio perante os traços desta personagem romanesca, ainda que nos programas de comentário Sócrates seja sobretudo gozado.

 

Com o povo e a imprensa de referência convencidos da culpa de Sócrates, se no fim não houver condenação não será apenas a reputação da Justiça a ficar comprometida, mas também a da imprensa e de toda a sociedade. Se Sócrates se safa e for o último a rir, a vergonha colectiva paralisará o país como nem no sonho mais húmido de Arménio Carlos. Como nos podemos precaver deste desfecho? Não podemos. Mas Sócrates pode ajudar-nos. Como? Fugindo do país. A fuga de Sócrates é o cenário que minimiza as perdas. A Justiça seria reabilitada, pela confissão implícita de culpa, e a aparente falta de competência do foro policial para impedir a fuga de Sócrates seria muito mais tolerada do que a eventual incapacidade do Ministério Público em fazer prova. Os jornais seriam poupados à humilhação que seria Sócrates sair em liberdade, depois de tudo o que se andou a escrever. E o povo veria engrandecida a dimensão romanesca de Sócrates, logo imortalizada num biopic popular e esquemático realizado por Leonel Vieira, sem um final ambíguo - para grande frustração dos indefectíveis de Sócrates - em que a hipótese de perseguição política não seria definitivamente descartada. Sócrates deve fugir e o Estado, sem nunca o admitir, deve facilitar a sua fuga. Não há desfecho mais vantajoso para Portugal e os portugueses. 

28
Out17

Mitologias em família: os outros Weinstein

Eremita

Se, a propósito do caso Harvey Weinstein, foram assaltados pela dúvida sobre como se pronuncia a última sílaba do apelido, estão em boa companhia. Nos EUA, há famílias Weinstein que se dizem "uainstiin" (como a de Harvey) e famílias Weinstein que se dizem "uainstáin" (estas terão a partir de agora um excelente incentivo para frisar que se distinguem fonetica e eticamente do Weinstein caído em desgraça). Foi por confundir uns Weinstein que dei com o episódio do podcast de Roe Rogan (um cómico americano) em que o entrevistado é o matemático e economista Eric Weinstein (do ramo "uainstáin"). Joe Rogan é um conversador mediano, mas Eric Weinstein tem um espectro de conhecimentos impressionante, o que faz valer a conversa, a menos que se sintam incomodados com a inteligência e o número imnpressionante de prémios Nobel dos judeus. Adiante. A certa altura, Bret, o irmão de Eric, vem à baila. Bret Weinstein também esteve recentemente envolvido num caso, mas em que é ele a vítima. Por ter ousado ir contra o politicamente correcto que assola algumas instituições de ensino norte-americanas, Bret acabou por ser despedido (ainda que com uma indemnização choruda). Eric refere-se ao irmão Bret como alguém extraordinariamente inteligente e ninguém o negará. Mas Eric queixa-se depois de que Harvard e as restantes universidades da Ivy League deviam mexer-se para contratar o irmão, porque ele é realmente brilhante e fez um estudo extraordinário sobre os telómeros. Ora bem, os telómeros são as pontas dos cromossomas e a bioquímica destes estruturas é fascinante, da replicação do genoma aos mecanismos de replicação dos ADN. Muito se aprendeu sobre os telómeros nas últimas décadas. Infelizmente, o "estudo extraordinário" de Bret, por muito interessante que seja como especulação, não fará parte deste cânone. Para mais, não há registo de mais nenhuma contribuição científica de Bret Weinstein, que deve ter abandonado a investigação há muitos anos para se dedicar em exclusivo ao ensino. Insinuar que a Ivy League não contrata Bret por causa do politicamente correcto é uma distorção que só se perdoa pelo amor fraterno de Eric. Qualquer observador objectivo reparará que Bret tem um currículo científico tão medíocre que nem numa universidade portuguesa mereceria entrar. A dissonância entre a reputação intrafamiliar e a reputação na sociedade pode ser insurdecedora, o que dá para excelentes peças de teatro. 

 

28
Out17

Rudimentos de Demagogia

Eremita

A obsessão urbana e radical chic com as questões de género e as causas fracturantes tem um efeito de distracção em relação ao que se passa em grande parte do país, para além de um menosprezo pelas questões de segurança dos mais fracos, seja na cidade, seja no campo, com medo de alargar um qualquer “Estado policial”. Pacheco Pereira, Público

 

Temos assistido a um exercício de descobrir as causas dos incêndios de 2017 que desafia o bom senso. Todos encontram culpados nos seus inimigos directos, procurando retirar-lhes autoridade moral, como fez Ascenso Simões a Cristas. Outra coisa não seria de esperar de adversários políticos. Também Pacheco Pereira culpa o Governo de Passos e Portas, só que depois vai mais além. Pacheco podia ter escrito - fiel aos seus ódios de estimação - que a obsessão com o futebol nos distraiu do essencial, mas desta vez deu-lhe para a "obsessão urbana e radical chic" com as causas fracturantes. A ideia de que a inépcia e falta de vontade política para resolver os problemas do interior e, em particular, os incêndios, se explica, mesmo que apenas em parte, pelo consumo de atenção e labor parlamentar e legislativo imposto pela agenda LGBT é tão absurda que causa alguma surpresa ser o nosso principal intelectual público a dar-lhe eco. Desconfiem sempre do argumento "não é prioritário", sobretudo quando uma das medidas ou políticas em confronto não tem um impacto significativo no Orçamento de Estado, como é seguramente o caso da agenda LGBT. Toda a gente se aproveita dos fogos, dos madeireiros aos demagogos. 

 

 

27
Out17

Adultério

Eremita

Sou um ateu reformado, mas admito que gostaria de saber se o juiz desembargador Neto de Moura é católico praticante. 

 

Adenda: o juiz citou a Bíblia e os zeladores do Livro já entraram em acção (1, 2). Uma leitora atenta indicou-me um artigo sobre o juzi em questão: a minha hipótese não se confirma. Não avanço com interpretações psicanalíticas, nem baseadas em outros traumas pessoais. 

27
Out17

Do jornalismo intriguista

Eremita

É visível a excitação de David Dinis com o fim do bom entendimento entre Marcelo e Costa. Quanto a Paulo Baldaia, parece não perceber que a fábula da rã e do escorpião não se aplica, a menos que lhe alteremos o final, porque com o seu índice de popularidade, neste momento Marcelo pode dar as ferroadas que entender. O sapo morreria e o escorpião chegaria à outra margem no topo de um cadáver que flutua. [Adenda às 13:11] Naturalmente, o membro mais inteligente do Governo apressou-se a desvalorizar os desabafos dos deputados do PS. 

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