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Ouriquense

29
Set17

Dia de reflexão

Eremita

Amanhã teremos mais um "dia de reflexão", hoje visto pela Intelligentsia como uma herança paternalista e autoritária, que o mundo digital tornou obsoleta. Discordo em absoluto. Não preciso de reflectir muito sobre em quem votarei para  câmara de Ourique, mas se fosse catalão precisaria ainda de pensar sobre o que faria no domingo sem os cantos de sereia da opinião publicada. É claro que tenho autonomia para não ler mais nada amanhã sem precisar de uma lei da rolha, mas parece-me um bom princípio que as campanhas autárquicas terminem hoje e amanhã se faça silêncio. 

 

Adenda: entretanto, leia-se o que Felipe González pensa sobre o referendo.

 

 

28
Set17

Schopenhauer não chegou a saber

Eremita

Não é o Facebook, não são as carreiras, não são as relações passadas, nem as cuecas deixadas na casa de banho. Um bebé a chorar o dia todo é o verdadeiro teste de stress de um casamento. 

28
Set17

O cheiro do poder

Eremita

A comissão de honra de Fernando Medina é tão extensa que se contradiz. A coisa daria para umas dez teses de mestrado em Sociologia. Faltam canalizadores, homens do lixo, carpinteiros e empregadas domésticas, entre outras profissões, mas é o "socialismo" que se arranja. O Plúvio publicou um texto imperdível

27
Set17

Um piano

Eremita

piano chegou há uns dias. Um piano a sério, isto é, alemão e centenário, que pertenceu à avó da L. e resolvemos restaurar e afinar. Um piano vertical e modesto, diga-se, para prevenir eventuais injúrias classistas. Muito mais do que a compra de um carro ou ir de férias para o estrangeiro com toda a família, é a chegada do piano que consolida o nosso projecto de família burguesa. Na casa onde cresci, nunca se ligou muito à música. Creio até que, apesar de terem pago as aulas que tive na Academia de Amadores de Música, os meus pais temiam que o meu interesse pela guitarra me desviasse dos estudos. Connosco será diferente. O meu conceito de educação é medieval com uma pitada greco-romana. Interessa a formação moral, o trívio, o quadrívio e a actividade física. Ora, o quadrívio compreende a aritmética, a geometria, a astronomia e a música. Há estudos que demonstram os benefícios da formação musical no desenvolvimento de outras competências, mas que se lixem os estudos. Não quero que as miúdas aprendam Bach para as exibir como macaquinhos habilidosos ou para que se façam boas gestoras, seguindo um plano de optimização de competências; quero que construam uma verdadeira cultural musical, que saibam resistir à horrenda oferta musical com que a sociedade de consumo corrompe as crianças - o Bieber, a Violeta, a Luna, os Coldplay, etc. - e na adolescência não reduzam a música a veículo identitário - que apreciem os The Smiths do seu tempo, mas percebendo o que o novo Johnny Marr faz com a guitarra, e que, como o passar dos anos, identifiquem o jornalista de música pop como uma personagem trágica que envelhece mal. Ainda isto: que não passem pela frustração traumática de uma carreira de concertista falhada, mas se façam melómanas para a vida. 

 

25
Set17

Certas vozes masculinas

Eremita

É altura de sair do armário e assumir-me como homossexual ao nível do ouvido. Sou sensível às vozes femininas sensuais, mas sem fugir dos estereótipos grosseiros (as vozes graves, a voz de cama, etc.). É nas vozes masculinas que a minha atenção e sentido crítico se concentram, e julgo ter desenvolvido alguma sensibilidade estética. Por exemplo, a voz do livreiro e escritor Rodrigo Magalhães, aqui entrevistado, é absolutamente sedutora. Não é tanto a voz enquanto timbre e tessitura, mas a maneira pausada de falar. Não serei certamente indiferente à boa qualidade do português, mas falar bem é apenas condição necessária. Quando o montado permitir, conto voltar a este tema. 

24
Set17

Portugal e a Catalunha

Eremita

Henrique Monteiro escreveu esta semana uma patetice sobre a Catalunha e o Algarve no nosso semanário "de referência". Felizmente, Pacheco Pereira também escreveu sobre a Catalunha. 

 

No caso português, a minha perplexidade é ainda maior. Parece que os nossos espanholistas se esquecem da história portuguesa, tão recente como o pós-25 de Abril — já não é preciso ir à defenestração de Miguel Vasconcelos e ao papel da Catalunha na Restauração. Como eu o posso dizer com clareza, e admito que os nossos governantes não possam nem devam fazer, é do interesse nacional que não se dê uma concentração do poder centralista em Madrid, e por isso os portugueses sempre viram com simpatia os processos políticos do catalanismo e do galeguismo — o caso basco, por causa do terrorismo, é diferente — e nunca alinharam com a tradição de uma Espanha unitária imposta contra as autonomias ou as nacionalidades. Foi assim durante a guerra civil espanhola, em que o franquismo, de que em muitos aspectos o PP espanhol é herdeiro, esmagou as experiências federalistas e nacionais, e em que mesmo Salazar olhava com muita preocupação para as pretensões de integrar em Espanha a “anomalia” portuguesa. O mesmo tipo de preocupações se reproduziram depois do 25 de Abril, quando uma parte da reacção portuguesa foi organizar-se em Espanha. Depois, embora sempre com muita discrição, nunca se abandonou a ideia de que uma preocupação do “conceito estratégico de defesa nacional” passava por Espanha. E não era Olivença que preocupava os militares e políticos portugueses, era mais a delimitação das fronteiras nas ilhas madeirenses. Por que é que pensam que os presidentes da República mostram uma vontade de visitarem as ilhas Selvagens (e não é por causa das aves)?

 

Por todas as razões, os portugueses são historicamente próximos da Catalunha, embora quem leia a comunicação social veja o mesmo alinhamento com o Estado espanhol e a mesma linguagem autoritária que hoje é infelizmente tão comum na União Europeia (lembram-se da Grécia?). O debate tende a ocultar o aspecto político da questão e, por isso, mostra-se uma grande indiferença à repressão, ao unanimismo e manipulação comunicacional, à agressividade da linguagem centralista e, no fundo, a um atentado à legitimidade do governo catalão e da vontade dos catalães.

É porque o referendo é “ilegal”? Nunca vi tanto apelo à legalidade numa questão política conflitual e em que está em jogo uma vontade política que se quer (ou não) expressar pelo voto. E, se não custa perceber que o referendo pode ser impedido à força, já é difícil perceber como é que se vai governar depois a Catalunha. Não será com ofertas de dinheiro... E se novas eleições reforçarem os partidos independentistas funcionando como um referendo também sobre a independência? E no dia 1 não custa perceber que milhares de pessoas vão proteger os locais de voto e as urnas. Como é que se vai fazer? Prender toda a gente? Prender o governo da Generalitat? À luz do que se passou é já uma hipocrisia não o ter prendido. Como é que se vai lidar com a polícia autónoma, com os Mossos d’Esquadra, etc., etc.?

Os catalães mereciam mais dos portugueses. Por interesse nacional, pela democracia e pela liberdade. Pacheco Pereira, Público

23
Set17

Fart jokes

Eremita

Por volta das seis da manhã, estava eu a ler um belo texto de João Constâncio sobre o pessimismo e niilismo em Nietzsche, precisamente na passagem de contornos schopenhauerianos sobre o conflito entre o nosso papel enquanto membros de uma espécie e indivíduos, uma das gémeas soltou, sem acordar, uma prolongada, sonora e percussiva bufa, mesmo ao meu lado, pois esta noite adormeci no quarto delas, entre as duas caminhas, com a cabeça apoiada numa enorme toupeira de pelúcia. Fiquei então a pensar por que motivo uma bufa minha teria sido menos engraçada e nesta diferença julgo ter encontrado algum conforto existencial. 

22
Set17

Jugar por abajo

Eremita

Sempre que escrevo um texto sobre a actualidade política, experimento uma pequena ressaca. O Ouriquense não foi pensado para comentar a actualidade, é o diário (trasladado) de um homem que trocou as grandes cidades (Paris, Nova Iorque e Lisboa) por Ourique, a vila dos seus avós maternos. A embriaguez da actualidade levou-me em tempos a criar um censor, Nuno Salvação Barreto, e nestas alturas em que me dou conta do desnorte gosto de citar as sábias palavras de Diego Maradona depois de a Argentina que ele treinava ter sido humilhada pela Alemanha no Mundial de 2010: "...Porque no se cumplió el sueño pero se encontró un camino. El de respetar la historia (...), de volver a las raíces, de jugar por abajo". Jugar por abajo, eremita: voltar à biblioteca e ao plátano, esclarecer a morte de Igor, pensar a Espanha e os dedilhados, não temer a solidão da idiossincrasia. Deixa a actualidade para o Seixas da Costa e a socratologia para o Valupi. 

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