Sábado, 4 de Março de 2017
Sábado, 04 de Março, 2017

Após uma manhã a ler cronistas lusos, confirmo que Pedro Santos Guerreiro é o nosso Aaron Sorkin. Reconheço algum poder no enlevo moralizador da prosa do director do Expresso, mas creio que o autor se deixa seduzir pelas suas próprias palavras e o texto acaba por soar a discurso para arrebatar plateias, manipulação que este leitor dispensaria. A crónica de hoje, sobre as declarações de Salgado, em que a novidade é ouvir-se o banqueiro a "justificar-se,  em vez de negar", tem uma passagem praticamente gongórica que deixou a milhas a concorrência. A rematar um parágrafo em que Santos Guerreiro se mostra perplexo com aqueles que, ganhando um ordenado chorudo, se deixam corromper por mais alguns milhões, lemos: 

 

Quando é que o dinheiro chega? É ter um barco maior, outro Malhoa? É ir aos palácios da luxúria esfregar-se em ruminância alarve no colchão das ganâncias? Pedro Santos Guerreiro, Expresso

 

Seria mesquinho reduzir a excepcionalidade da frase a negrito à inclusão de uma palavra ("ruminância") ausente dos dicionários que consultei, pois é a imagética onanista, isto é, fálica, alusiva à avareza, luxúria e egocentrismo que a torna singular. 



Eremita às 12:02
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Sábado, 04 de Março, 2017

Vejamos um exemplo. Na edição do Diário de Notícias da passada segunda-feira, o director Paulo Baldaia assinava um artigo de “opinião da direcção”, com um título veemente: “Com base na mentira não há opinião, há mentira”. Aí, referindo-se ao facto de haver quem tenha dito que a notícia do PÚBLICO sobre os 10 mil milhões transferidos para os offshores não fez mais do que retomar uma notícia de Abril, para silenciar o escândalo da CGD, Paulo Baldaia escreveu: “Não lhes ocorre informarem-se para perceber a diferença entre os dez mil milhões de euros que foram notícia em Abril por fazerem parte da estatística e os outros dez mil milhões que foram notícia por terem passado ao largo”. Eu, que nada sabia dessas especulações baseadas numa reclamada repetição manhosa, dez meses depois, da mesma notícia, registei as palavras de Paulo Baldaia. Mas ao fim da tarde do mesmo dia li um artigo de opinião, “O offshore da pós-verdade”, de Henrique Raposo, no Expresso, que começava assim: “Parece que Belém ou São Bento [...] ressuscitaram esta notícia já antiga para folgarem as costas da chibata da Caixa”. Sem mais informações sobre o assunto, perante as duas afirmações contraditórias sinto-me um leitor desprotegido, entregue à intuição, às minhas próprias crenças e ao teor de confiança que o colunista do Expresso, o director do DN e o próprio Público me suscitam (isto é, entregue a tudo aquilo que me incita muito mais a propagar mentiras do que a ler jornais). Ou o pressuposto factual de que partia Henrique Raposo era falso e todo o seu artigo de “opinião” não tinha qualquer legitimidade (por uma destas razões: ignorância? Incompetência? Má-fé? Impostura? Fraude? Calúnia?), ou Paulo Baldaia estava errado no exemplo que deu para defender a sua tese e devia pedir desculpa aos alvos das suas invectivas. Mas a confusão, mesmo para um leitor treinado no exercício indiciário de detective, aumenta quando lemos na mesma edição diária, online, do Expresso, um artigo de Nicolau Santos. O pressuposto factual da sua argumentação, o de os 10 mil milhões, ou parte deles, não “terem sido tratados pela Autoridade Tributária”, (“segundo noticiou o Público”, acrescenta com prudência) desmente toda a base factual de que parte Henrique Raposo: “Estes dez mil milhões de euros foram declarados ao fisco”. Pelo princípio da não contradição, temos de concluir que algum ou alguns destes intervenientes fizeram afirmações falsas. Por falta de informação (mas isso não desculpa a produção jornalística da contra-verdade) ou para produzir um “efeito de verdade” – essa coisa bem antiga a que agora se deu o nome de pós-verdade. É preciso mais para percebermos que a “opinião” é a coveira do jornalismo? António Guerreiro, no Público (os negritos são meus)



Eremita às 10:25
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Sábado, 04 de Março, 2017

Conselho de taróloga sobre “galdérias” revela “machismo entre as mulheres” Público

Quando se perceber que o mais absurdo deste título são as primeiras três palavras, o problema fica resolvido. 



Eremita às 09:56
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