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Ouriquense

31
Mar17

Fazer render o peixe

Eremita

Sim, é verdade que numa democracia liberal madura Vieira da Silva e Santos Silva não voltariam a ser ministros... João Miguel Tavares, Público (31.3.17)

 

Não percebo por que motivo Vieira da Silva e Santos Silva, ministros a quem são reconhecidas capacidades técnicas e experiência política, não regressariam ao poder numa democracia liberal madura. Por terem sido ministros de Sócrates? 

 

30
Mar17

Livro de estilo

Eremita

Publicado a 15.6.2013 em permanente actualização 

 

1. Usa adversativas apenas em caso de extrema necessidade.

2. As cacofonias só se apanham lendo em voz alta ou no dia seguinte.

3. Os advérbios de modo estão para a literatura como o pré-fabricado para a arquitectura. 

4. Os tripletos (adjectivos) de Conrad eram de Conrad.

5. O "E" depois do ponto final acelera o texto; convém deixá-lo próximo do fim do parágrafo.

6. Ninguém ainda inventou a mancha gráfica ideal para o diálogo, mas é improvável que sejas tu a fazê-lo.

7. Revê todas as concordâncias como se Manuela Ferreira Leite te tivesse sussurrado o texto ao ouvido.

8. Nunca escrevas uma palavra que acabaste de aprender, mas podes fazê-lo se entretanto vires alguém a usá-la (cf. regra 48).

9. Não tenhas remorsos por usar um dicionário de sinónimos, se a mesa estava mesmo assim tão manca.

10. A gramática nunca deve impedir-te de escrever, só de dar a ler.

11 [com AF] e AG] Faz por te salvares, se tens a sensação de que há uma forte probabilidade de estares refém dos  seguintes verbos: "fazer", "ter", "haver", "estar" e "ser".

12. A principal dificuldade de uma frase longa não é a pontuação, nem sequer a lógica das orações subordinadas, mas como evitar usar mais de um "que" entre dois pontos finais.

13. Polvilhar [ver comentário] o texto com o léxico das corporações obedece às regras da boa culinária; em regra, o do Direito salga e o da Medicina é adstringente.

14. Evita periodicamente os correctores ortográficos, pois não há melhor forma de aprender do que passar vergonhas em público.

15. Assume sempre a inteira responsabilidade pelos erros ortográficos e nunca os equipares a gralhas ou desvarios de correctores automáticos.

16. Aponta num caderninho todas as palavras que desconheces.

17. Não percas o caderninho.

18. Evita fórmulas, como a piada da regra que se refere à regra anterior.

19. Deixa os tempos verbais para o fim, mas não te esqueças de os corrigir, pois o mais provável é estarem errados.

20. Resiste à insegurança de escrever os teus próprios neologismos em itálico.

21. Inventa um numerus clausus para os textos que tens a meio.

22. Evita psiquiatras e parceiros sexuais com ambições literárias.

23. Tudo o que se altera num ápice com um "find" e "replace" nunca definirá um estilo.

24. Não contornes as inseguranças gramaticais com expressões seguras mas que sabes não serem as ideais.

25. [com MV] As orações subordinadas tendem a insubordinar o leitor.

26. Não uses os parênteses e os travessões indiscriminadamente. Inventa um critério. Eu uso os parênteses para adicionar factos e os travessões para fazer um comentário, mas a única obrigação é a consistência.

27. Parafraseando Miguel Esteves Cardoso, as enumerações devem ser absolutamente sinceras. A honestidade não fica assegurada com o recurso a processos de escrita automática.

28. Um curso de solfejo e a prática de um instrumento são muito mais úteis do que um curso de escrita criativa. 

29. Nunca mintas a um revisor, por maior que seja o teu desejo de lhe dizer que ele é o único e não  apenas uma peça de uma complexa engrenagem assente no princípio da redundância.

30. A principal dificuldade da crónica não é o remate sonante, mas a sua justificação prévia.

31. A musa não deve ser mais do que uma lebre.

32. A terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo "ser", isto é, justamente o "é", é um rasgão na trama acústica da prosa e, por isso, é sempre de evitar.

33. O uso indiscriminado do condicional e do pretérito imperfeito induz no leitor uma espécie de enjoo, que apenas deve ser explorado com total conhecimento das possíveis implicações.

34. Não uses o ponto-e-vírgula até te sentires devidamente preparado.

35. Nunca interpeles o leitor.

36. Define o número máximo de pontos de exclamação que pretendes usar em vida e nunca percas essa contagem (cf. regra 62). 

37. [com AV e jaa] As reticências são o sinal de pontuação mais versátil. Quando usadas no discurso directo ou para truncar citações, não têm substituto; na sua qualidade de points de suspension, podem tornar-se irritantes. Deve evitar-se tudo o que assinale inflexões de natureza emocional, capte as hesitações do autor ou convide o leitor a terminar a frase. A grande discussão centra-se no uso alternativo das reticências e do "etc.". Uma regra (facultativa) é recorrer ao "etc." quando se quer passar a ideia de que a enumeração não se pretende exaustiva e às reticências quando a enumeração se prolonga além do que ficou escrito. Assim, quanto maior for a enumeração mais frequente deve ser o uso das reticências.

38. A definição de literatura dada por Martin Amis - uma guerra ao cliché - não é magnífica por se ter tornado um cliché, antes tornou-se um cliché por ser tão magnífica. Essa guerra, então, não pretende acabar com o cliché, mas conquistar o universo dos clichés possíveis, ganhando aquele que mais clichés colonizar, limitando o seu acesso a outros, que passam a pagar um preço. Esse preço tende a ser a banalização do discurso, mas por vezes pode ser o esforço que se investiu para se transcender o cliché. Por exemplo, "cuspir na sopa" não tem rasgo, mas J'irai cracher sur vos tombes é literatura. Dito isto, é quase uma impossibilidade formal fazer qualquer coisa de jeito com expressões como "a banalidade do mal".

39. Elabora a tua lista palavras proscritas, aquelas que devem permanecer exclusivamente nos dicionários, como certos vírus perigosos que são guardados em locais de acesso muito restrito. Mas viola as listas alheias com a convicção de um terrorista (cf. regra 3).

40. Uma solução radical para aguentar o confronto com erros publicados na última edição publicada passa por introduzir erros no texto propositadamente e às cegas antes de começar a revisão.

41. Ao serviço da opinião, o plural majestático só resulta em cobardia ou banalidade, a menos que estejas em campanha.

42. Lê os teus textos em voz alta, mas apenas quando não tiveres por perto quem o faça para ti.  

43. Não basta que o pensamento sirva a escrita, é também preciso que a escrita sirva o pensamento.

44. Aceita todas as correcções correctas, mas agradece apenas a quem as fez por bem.

45. A vírgula de Oxford é para ser sentida.

46. O pretérito-mais-que-perfeito simples deve ser salvo, não por estar em vias de extinção, mas por soar melhor ao ouvido do que a sua forma composta.

47. Identifica as tuas palavras preferidas. 

48. Define um período de nojo antes de começares a usar palavras recém-aprendidas (cf. regra 8).

49. Sempre que trocares "rapsódia" por "medley" ou "maremoto" por "tsunami", não termines o texto sem utilizares pela primeira vez, mas de forma natural, a palavra portuguesa; assim, contribuirás para a sobrevivência do léxico sem que pratiques o proteccionismo linguístico.

50. Os diálogos não se escrevem, são meras transcrições de vozes que ouves na cabeça.

51. Não pervertas a gramática com marcas pessoais, a menos que sejam originais e lógicas.

52. Corrige em público com laconismo e comiseração.

53. Nunca uses uma palavra que só ainda encontraste num dicionário (cf. regras 8 e 48).

54. O desuso do ponto de exclamação também pode passar de moda. Tal como sucede com o orgasmo feminino, o importante é a sinceridade na exclamação ou a destreza com que é fingida (cf. regra 27).

55. O tempo entre a redacção e a revisão deve ser proporcional à frequência com que tens experiências de vida fortes.

56. Dos outros, usa apenas as metáforas que entretanto esqueceste.

57. Tenta contrariar a vontade de escrever lendo os teus autores preferidos.

58. Distingue a vontade de escrever da vontade de comunicar.

59. Não tentes quiasmos se não és bom em oxímoros.

60. Não faças metonímia do desleixo.

61. "Qualquer acção pode ser expressa por um único verbo" é inferior a "para qualquer acção, um único verbo basta".   

62. O problema do uso do ponto de exclamação não é estético, é ético (cf. regra 36).

63. O abuso do "quase" não te faz rigoroso, mas apenas inseguro (roubado a Alberto Velho Nogueira).

64. Não abuses dos verbos seguidos (roubado a Alberto Velho Nogueira)

65. A anáfora deve soar bem ao ouvido durante a leitura silenciosa. 

 

 

 

29
Mar17

...

Eremita

- and then you're in serious trouble, very serious trouble, and you know it, finally, deadly serious trouble, because this Substance [álcool] you thought was your one true friend, that you gave up all for, gladly, that for so long gave you relief from the pain of the Losses your love of that relief caused, your mother and lover and god and compadre, has finally removed its smily-face mask to reveal centertless eyes and a ravening maw, and canines down to here, it's the Face In The Floor, the grinning root-white face of your worst nighmares, and the face is your own face in the mirror, now, it's you, the Substance has devoured or replaced and become you, and puke-, drool- and Substance-crusted T-shirt you've both worn for weeks now gets torn off and you stand there looking and in the root-white chest where your heart (given away to It) should be beating, in its exposed chest's center and centerless eyes is just a lightless hole, more teeth, and a beckoning taloned hand dangling something irresistible, and now you see you've been had, screwed royal, stripped and fucked and tossed to the side like some stuffed toy to lie for all time in the posture you land in. DFW, Infinite Jest

 

Tenho um pdf de Infinite Jest, mas todas as citações farei no Ouriquense serão dactilografadas por mim a partir do livro, como homenagem e exercício. Também faço links para um dicionário nas palavras que me parecem menos familiares para quem não tem o inglês como primeira língua. 

29
Mar17

Back to Infinite Jest

Eremita

infinite.png

 

A duas páginas do fim dos Karamásov, decidi retomar a leitura de Infinite Jest, interrompida na página 345. O livro anda comigo há vários anos. Estivemos juntos em Nova Iorque, na Cacela Velha, em Quito (Peru) e noutros lugares que entretanto esqueci. Tenho uma explicação algo sofisticada para andar a fazer render este livro, mas pode ser apenas preguiça ou, como sucede com tantos, ler muito mais facilmente o jornalismo e ensaísmo de David Foster Wallace do que a sua ficção. Conto aprofundar* este assunto nos próximos dias. Entretanto, assinalo a excelente qualidade das edições paperback da Abaccus, pois nenhuma as 1079 páginas se soltou. É também nestes pequenos detalhes que se percebe a grandeza dos EUA. 

 

* Na primeira versão deste post, escrevi "elaborar" e um leitor deu-me uma merecida cacetada. 

 

 

27
Mar17

Provavelmente uma mulher

Eremita

Vasco Pulido Valente escreve que conhece Jorge Sampaio desde os vinte anos, como se isso o credibilizasse, mas qualquer pessoa sensata saberá que só pode ser uma ressalva. Aliás, a violência contra Sampaio da prosa de Pulido Valente é tal que o primeiro ter dado do segundo a imagem de caloteiro, no primeiro volume da biografia, não é sequer uma explicação  convincente.

27
Mar17

A imaginação catastrofista

Eremita

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Hoje vesti uma das bebés com um body que tem o "S" do Superman estampado no peito. Não sou grande adepto da roupinha cómica, porque um bebé de fralda - haja pudor - já está plenamente equipado para nos enternecer e fazer sorrir. Se é verdade que me satisfaz mais vesti-las como meninos e roupa descontraída do que abonecá-las, no fundo, por mim, vestia as bebés como se fossem duas velhinhas calvinistas e o assunto ficaria arrumado. Mas quem escolhe a roupa é a mãe e muita da roupa que temos foi oferecida, pelo que as bebés são em grande parte vestidas segundo o gosto de outros. Tem sido assim desde que nasceram e não me incomoda por aí além. O  "S" só é um problema porque há uns tempos um miúdo atirou-se de uma varanda de um prédio vestido de Superman

 

Houve também um pai que se esqueceu do bebé dentro do carro num dia de calor e esta foi uma das notícias mais inesquecíveis de sempre. Enfim, pode nem sequer vir no jornal. Há um pequeníssimo conto de David Foster Wallace, Incarnations of Burned Children, que também se anicha na memória como um vírus crónico. E pode até não ter sido ainda escrito, nem filmado. 

 

Continua

24
Mar17

Marcação homem a homem

Eremita

Um dos meus guilty pleasures é acompanhar os ódios de estimação. O colunismo nunca mais se recompôs da morte de Eduardo Prado Coelho, um grande dinamizador, na forma activa e passiva, deste género de intervenção pública, hoje reduzido às provocações infantilóides sublimadas pelo humor com que os mais destacados elementos do Gato Fedorento aborrecem Miguel Sousa Tavares. É na blogosfera que encontro o ódio de estimação mais genuíno. Refiro-me, obviamente, aos posts de Valupi sobre Pacheco Pereira. Imperdíveis. 

23
Mar17

Dijsselbloem dixit

Eremita

Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e, inclusivamente, europeu.”

 

Querem dois bons textos a propósito das declarações de Dijsselbloem? Xilre lembra a efemeridade das ondas de indignação e rui a. recomenda menos bravado aos nossos líderes, porque quando o adversário já está no chão, todo encolhido e a proteger a cabeça com os braços, é muito fácil aplicar-lhe umas biqueiradas. Pior do que a falta de coragem, só mesmo a coragem fora de tempo. Ver os países do Sul da Europa, que foram incapazes de funcionar como uma frente unida durante a crise, a exigir agora, a uma só voz, a demissão de Dijsselbloem, só não é patético e embaraçoso para quem não tiver memória.

 

Aqui em Ourique, não nos indignámos, em parte porque Dijsselbloem já nos causava repulsa, até mesmo repulsa física, e porque as declarações só indignam quem estiver predisposto para as tresler. Em rigor, o homem usou mesmo a primeira pessoa quando fez a alusão às mulheres e ao álcool. É claro que se pôs a jeito, falava a um jornal alemão e não se lembrou que o rancor que os "PIGS" - o acrónimo diz tudo - têm vindo a acumular nos últimos anos não permite subtilezas de linguagem. Dijsselbloem foi politicamente inábil, mas limitou-se a dizer de nós o que Schäuble pensa, Merkel disse e Passos enfiou pela cabeça, como uma carapuça feita à medida das suas ambições. 

23
Mar17

"Agustina já não vende"

Eremita

Os funcionários da livraria da Babel, actualmente a editora de Agustina, retiraram das prateleiras os livros da autora. O excelente texto de jornalismo da Sábado, da autoria de Marco Alves, menciona um eventual braço-de-ferro entre os donos da Babel, Álvaro Sobrinho & Paulo Teixeira Pinto, e os representantes de Agustina, cujas declarações à revista são tão contraditórias que alguém estará "muito próximo da inverdade".

 

Creio que os empregados da Babel não chegaram a queimar os livros de Agustina em praça pública porque isso seria danificar a mercadoria, mas o que fizeram tem uma carga simbólica fortíssima para quem reconhece o talento raro da autora. Depois de alguns minutos de reflexão, tentando decidir se, entre inúmeros outros cenários, o melhor seria não fazer nada, protestar nas redes sociais (passe* o pleonasmo), organizar uma manifestação, lançar uma petição, vandalizar as montras da Babel, lançar o boato de que Álvaro Sobrinho e Paulo Teixeira Pinto se dedicam a práticas homossexuais esporádicas num iate luxuoso fundeado ao largo de Sines ou convencer Carlos Santos Silva de que, para justificações alternativas de actos actos passados comprometedores ou alegação de inimputabilidade, lhe seria vantajosa a compra por atacado de todos livros de Agustina disponíveis em território nacional, acabei por decidir que não adquirirei um único livro da Babel na próxima década, nem sequer a um alfarrabista**.  

 

Continua. Explicada a revolta, falta explicar a tristeza, o que é muito mais delicado e talvez peça outro formato, como uma canção ("Agustiiiina já não vende").

* Hugo Pinto Santos, num email muito simpático, alertou-me para a incorrecção de "passo o pleonasmo", apesar de ser a formulação mais frequente (a julgar pelo Google). Aceitei a correcção e ficpu "passe o pleonasmo".

**Excepto se a Babel publicar a obra escrita de Vitor Silva Tavares, uma possibilidade improvável mas que me pareceu prudente acautelar. 

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