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Ouriquense

27
Fev17

A legitimação do embuste de Fátima

Eremita

[republicação com menos gralhas; primeira publicação a 21.02.2017]

Fátima-13-outubro-1917.jpg

Foto de 13 de outubro de 1917, mostrando testemunhas do "milagre do sol". Foto D.R

 

 

No Público, António Araújo, o estimadíssimo blogger que assina o Malomil, tenta a quadratura do círculo que é manter viva a possibilidade dos milagres de Fátima sem abdicar do cepticismo. Como seria de esperar, Frei Bento Domingues aplaudiu. Eu nem queria entrar neste debate, mas meu ateísmo despertou da sua longa hibernação e agora é pior do que uma criança embirrenta, não me deixa em paz. Desenvolverei em horário pós-laboral. 

 

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partir de uma recensão de Fátima – Milagre ou Construção?, de Patrícia Carvalho, António Araújo (AA) revê a bibliografia sobre o tema e cita José Barreto (Religião e Sociedade, 2002, pág. 65), para frisar que chegou o tempo de “desarmar o velho e com frequência estéril debate sobre a autenticidade (sobrenaturalidade) das aparições reconhecidas pela Igreja" e "evidenciar a pertinência do seu estudo sob uma variedade de outros ângulos”. Os ângulos serão múltiplos. É possível reflectir sobre Fátima enquanto fenómeno antropológico, sociológico e fazer até uma historiografia da historiografia de Fátima. O que causa alguma perplexidade é a aparente necessidade que AA sente de manter no ar a possibilidade de ter havido um milagre. Excluindo o desejo natural de não ser confundido com um panfletista anticlerical e um respeito algo paternalista pelos crentes, não se percebe por que motivo AA não arrumou a patranha do milagre de Fátima num parágrafo, até porque a "variedade de outros ângulos" ganharia em espectacularidade se se assumisse, como recomenda o bom senso, que Fátima está assente numa mentira.

 

Em jeito de ressalva, adianto que não li - nem conto ler - um único livro sobre o dito milagre de Fátima; tudo o que escreverei neste texto tem por base passagens e citações que aparecem no texto de AA e mais um ou outro dado que apanhei de ouvido nesta conversa com Patrícia Carvalho. Esta minha ignorância é instrumental, pois reparo que quanto mais uma pessoa lê sobre Fátima, mais se afunda num irresistível vórtice de caudal palavroso. Do princípio ao fim, Fátima é um "evento de palavras" (AA cita Paolo Apolito), talvez demasiadas. Porque, salvo erro grosseiro da minha parte, o essencial resume-se em poucas linhas: as bases empíricas do milagre de Fátima são apenas relatos incongruentes, nomeadamente os dos três pastorinhos, com destaque para Lúcia, que tinha 10 anos no dia da suposta aparição, e a quem a mãe - que nunca acreditou no milagre -  "lia a obra devocional Missão Abreviada (1859), do padre Manuel Couto, onde se fala das aparições de La Salette, e de quando dois pastorinhos franceses viram 'Nossa Senhora no meio da luz mais brilhante'", e em vários relatos de crentes já condicionados pelos relatos dos pastorinhos e predispostos a não tirar os olhos do Sol até verem um sinal qualquer. Em suma, Fátima é uma construção cujos alicerces são testemunhos fantasiosos de crianças e de crentes predispostos a acreditar, que a Igreja instrumentalizou com mestria. Esta é a interpretação mais óbvia, que não tem nada de anticlerical. Mas AA seguiu outro caminho. 

 

"Escrever sobre Fátima é tão insensato como não fazê-lo", não é só a bela frase de abertura do texto de AA, mas a primeira de várias falácias (obviamente, é muito mais insensato escrever sobre Fátima) a que AA recorre para manter no ar a dúvida sobre o milagre. Faça-se justiça a AA. Ao longo do texto, o autor frisa que as evidências "não satisfazem os critérios da veracidade histórica" e que "fora da órbita confessional" as interpretações apresentadas pelos apologistas de Fátima não podem ser aceites. Mas vejamos estes três argumentos:

 

1. "Todavia, do mesmo modo que o “estremecimento da alma” que sentimos ao ver a Procissão do Adeus não deve ser determinante para acreditarmos nas aparições, o facto de Fátima se ter tornado uma “monótona feira de mau gosto” não se afigura decisivo quer para favorecer a crença quer para confirmar a descrença".

 

Sem dúvida. Mas alguém argumenta que o milagre não existiu porque Fátima se tornou uma "monótona feira de mau gosto"? 

 

2. "... se uma listagem das “aparições” pode descredibilizar Fátima, levando a supor que as aparições da Cova da Iria pouco diferem de centenas de fenómenos semelhantes, também pode sustentar-se, nos antípodas, que a marca do reconhecimento oficial a singulariza e distingue em face de manifestações que só na aparência lhe são próximas."

 

AA força a incerteza traçando outra bissectriz de um ângulo irrelevante. O milagre de Fátima continuaria a ser altamente improvável se não houvesse mais aparições. E a "marca do reconhecimento oficial" de nada vale, tendo em conta o historial da Igreja e o uso ritualizado que faz dos métodos científicos. 

 

3. ... não é possível figurar as reservas originais a Fátima como peça de uma estratégia preconcebida de credibilização e propaganda; que esse cepticismo originário seria mais tarde alvo de aproveitamento, disso não há dúvida – mas também não pode duvidar-se de que, por uma razão ou outra (inclusive, razões políticas, no quadro hostil da Primeira República), a Igreja teve uma atitude inicial de moderação e prudência no tratamento das “visões” dos pastorinhos. Simplesmente, daí não deve, uma vez mais, extrair-se qualquer ilação, positiva ou negativa, quanto à veracidade das aparições da Virgem.

 

Aqui AA perde-se em teorias da conspiração que, de novo, em nada contribuem para averiguar da veracidade do milagre. 

 

Estes três argumentos são particularmente curiosos porque é o próprio AA quem condena a impugnação do alegado milagre a partir de elementos que lhe que são "extrínsecos". Pelos vistos, o que se pode fazer é recorrer a elementos extrínsecos para alimentar a dúvida. A pergunta que fica é: não serão extrínsecos os elementos que levam AA a suspender a sua descrença de base em relação ao milagre de Fátima mas não a toda uma série de patranhas que vem documentando com graça inigualável no seu blog Malomil, como as crianças índigo? Não serão os elementos extrínsecos - isto é, a construção - essenciais à consolidação e persistência dos mitos fundadores? É bem possível que não valha hoje a pena discutir a veracidade de Fátima, como não vale a pena discutir a existência de Jesus enquanto figura histórica, pela falta de elementos, pela natureza do debate, que será sempre inconclusivo, pois é muito difícil provar formalmente que algo não existiu e há uma grande predisposição para acreditar em milagres, e ainda pelas enormes construções - um culto e uma religião - que se ergueram a partir de alegados factos. O cristianismo, há muitos séculos, e muito provavelmente também já Fátima têm uma existência que não depende de provas materiais. Nesse sentido, sim, vale a pena avançar para outros planos, mas sem que o arquivamento do debate sobre a veracidade do milagre venha acompanhado por uma série de argumentos ofuscadores e seja interpretado como uma desistência por parte dos cépticos. Um ateu não praticante pode aceitar o arquivamento e ser sensível à sofisticação teológica de Ratzinger e Bento Domingues, que privilegiam a "perspectiva do vidente" e enquadram as visões como estando sujeitas às “possibilidades e limitações do sujeito que as apreende”, mas só por ingenuidade não veria tais interpretações como uma forma de legitimar testemunhos. 

 

Em suma, a argumentação de AA sugere que estamos perante um impasse no que toca à veracidade do milagre de Fátima, como se houvesse tantos bons argumentos a favor como argumentos contra. Esta contabilidade está, como é óbvio, errada. Mas há mais. Ao belo adágio “tudo o que é recebido, é-o com os meios de quem recebe” (Tomás de Aquino), citado por AA, devemos responder com o oportuno "extraordinary claims require extraordinary evidence" (Carl Sagan). Porque quando lemos AA, parece que o alegado milagre de Fátima é um acontecimento trivial que está apenas em dúvida pela inexistência de provas irrefutáveis. Ora, a fraqueza das provas explica apenas um pouco da nossa incredulidade, pois a natureza do alegado fenónemo, da ordem do sobrenatural, desafia a razão. Conclui AA: 

 

Mas, acima de tudo, o Santuário recebe anualmente milhões de cidadãos anónimos, que aí vão pelos mais diversos motivos. Por razões íntimas, pessoalíssimas, que a cada qual dizem respeito, e como tal, devem merecer o respeito de todos. Mesmo dos que não crêem em Deus ou não são católicos; ou dos que, sendo-o, não acreditam nas aparições de Fátima e na sua mensagem. Mas não será o respeito pelos outros, crentes e não-crentes, a principal mensagem de Fátima e o seu maior desígnio?

 

Creio que a História, acima de tudo, deve respeitar a verdade, independentemente as convicções pessoais de cada um. Que Fátima receba anualmente milhões de cidadãos ou ninguém é um elemento extrínseco que nada nos diz sobre a veracidade do tal milagre e todos os elementos de que dispomos sugerem que, com toda a probabilidade, o milagre não existiu. Um ateu não praticante não se incomoda com Fátima, pois sabe que alguma forma de religião será sempre importante para alguns. Mas a entronização do milagre de Fátima só pode ser vista como um misto de vitória na secretaria e progressão na carreira por antiguidade, ou seja, sem qualquer mérito. 

 

 

 

 

27
Fev17

Prémios

Eremita

Nem me tinha apercebido que houve noite de Oscars. Premeia-se demasiado. Vivemos tempos de meritocracia histérica*, expressão que não deve ser interpretada como uma valorização excessiva do mérito mas como uma caricatura da valorização do mérito com fins mercantilistas. Não contem com o Ouriquense para alimentar essa máquina, deixemos João Lopes fazer esse trabalho sujo. 

 

* Roubado a James Woods, que cunhou o termo "histerical realism". 

24
Fev17

Estaline

Eremita

 

Esta conversa tem méritos que vão além da presença de Slavoj Žižek. Não conhecia Stephen Kotkin, autor da biografia de Estaline que alimenta a conversa, mas fiquei rendido à voz (lembra Joe Pesci), à excêntrica introdução, ao humor deadpan algo falhado e à sapiência. Como explicar a pulsão sanguinária de Estaline? Žižek e Kotkin desconsideram as interpretações psicanalíticas, mas não têm uma explicação alternativa que vá além do contexto da época, em que o sacrifício de seres humanos tinha sido trivializado pela Primeira Grande Guerra. A seguir ouvi uma conversa entre Rui Unas e Cláudio Ramos sobre fama, imprensa cor-de-rosa e patrocínios.

23
Fev17

Zeca Afonso

Eremita

 

Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos

Polpas seus cabelos
Resíduos de lar
Nos degraus de Laura
A tinta caía

No móvel vazio
Convocando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas

A fúria crescia
Clamando vingança
Nos degraus de Laura
No quarto das danças

Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa

 

 

19
Fev17

Lugares cativos

Eremita

[actualização]

Admito que já me pelei por ler uma entrevista a Lobo Antunes. As entrevistas a Lobo Antunes e análises da sua obra* revelam uma figura em estado de perpétuo enamoramento consigo próprio, incapaz de falar sobre o mundo fora do registo autobiográfico. Lamento, mas ninguém, ninguém mesmo, nem sequer Richard P. Feynman, pode ser assim tão interessante. Ao passar pelo O Elogio da Derrota, reparei que Lobo Antunes voltou à carga e desferiu mais uns uppercuts no fantasma de José Saramago. Não perderei tempo com este cúmulo da vergonha alheia. Apenas me ocorreu que, além de Lobo Antunes, também os outros três do quarteto de romancistas portugueses da segunda metade do século XX consagrados, entretanto desaparecidos ou fora da vida pública, isto é, a caprichosa Agustina, o indolente Vergílio Ferreira e o vaidoso Saramago, revelavam uma obsessão ridícula com a posteridade. São como as crianças: dá-se-lhes atenção durante 50 anos e começam logo a pensar que serão eternos. Quando será que os melhores escritores de uma geração e, regra geral, todos os artistas, aceitarão que têm tanto direito à imortalidade quanto os melhores engenheiros, médicos ou juristas? Que raio de gente. 

 

12.2.2017

* Exceptuando os casos de Rui Cardoso Martins e Mário Crespo, Lobo Antunes tende a despertar a atenção de mulheres em estado de deleite: Ana Margarida de CarvalhoAlexandra Lucas Coelho, Anabela Mota RibeiroAna Paula Arnaut, Fátima Campos Ferreira, Isabel LucasMaria Alzira Seixo,  Maria Luisa Blanco e Susana João Carvalho.

 

Adenda: Ao contrário de José Sócrates, hoje um homem abandonado que só alguns ainda vão ouvindo por obrigação profissional, e do que António Lobo Antunes escreve em livros que quase ninguém lê, o que o escritor diz em entrevista, ainda que  sempre a mesma coisa dita da mesma maneira, continua a despertar um interesse surpreendente. No Público, António Guerreiro voltou a escrever sobre a ideia de génio e, no Homem à Janela, Alberto Velho Nogueira comparou os estilos de Saramago e Lobo Antunes de uma forma que vos fará brilhar na próxima vernissage, quando alguém forçar os maniqueísmos do costume: Beatles ou Stones? Dostoiévski ou Tolstói? Chico ou Caetano? Etc.

 

A obra de Lobo Antunes se é frágil é por ser uma proposta sem fundamento crítico, um modo de escrever sem apreciação crítica, sem uma modalidade racional em relação ao que é o escrever; a sua literatura é uma expressão sentimental, não na procura do sensível mas do estereotipado. Saramago tem uma escrita clássica, "composta", gramaticamente racional; pertence a outro mundo, regula-se pela tradição das literaturas escritas em português, de António Vieira a Aquilino Ribeiro, e em relação ao mundo da ficção em geral, através da ideia de cultura. A ideia literária de José Saramago está na racionalidade da escrita, tendo sido feita com a consciência do que é a elaboração de um discurso racionalizado. E que o discurso literário é um discurso funcionalizado pela ideologia e pela explicação do sensível. A escrita de Lobo Antunes tem relações com a impotencialidade da escrita que se resume ao que o escritor pensa ser um modo expressivo e imediato e que se funde na realidade da incapacidade; um tipo de impotencialidade/incapacidade poderia ser visto positivamente se se admitisse que a impotencialidade estivesse inscrita criticamente na sua obra. (...) A impotencialidade seria então uma saída dos convencionalismos que se poderão atribuir a José Saramago; e não só convencionalismos mas a convicção que Saramago tinha de que a estructura ficcional estaria próxima da estrutura racional. Saramago não seria um inventor de uma escrita que fugisse ao domínio do escritor, que lhe escapasse. Não é que Lobo Antunes tenha essa escrita fluida, perniciosa que escape ao controle e que não se saiba exactamente como se constitui, se há entre a escrita e o autor, de permeio, um inconsciente activo ou um consciente passivo, ou uma comunicação que pertence a um sistema que descontrola a necessidade de captar a explicação para fornecer a chamada incapacidade, a impotencialidade a que me referi. O sistema de Lobo Antunes não é um desequilíbrio entre os dois níveis de consciência ou duas fronteiras económicas da gestão pessoal do social. É uma elaboração a partir da linguagem "figée" que se contrai em sentimentalidade numa discursividade em conformidade com a pulsão regida pela legitimidade natural de uma linguagem comum que explica a sentimentalidade habitual. O que a escrita de Lobo Antunes demonstra é uma incapacidade de sair do lugar comum sentimental. Nem sequer é Art Brut na medida em que a escrita de Lobo Antunes é controlada pela visão direccional do discurso, imposta pela linguagem comum que nada significa a não ser a sua própria banalidade organizativa (e não só linguística) e que se prende ao próprio desenrolar da quotidianidade analisada à superfície. Nada em Lobo Antunes escapa ao controle. Alberto Velho Nogueira

17
Fev17

As grandes questões

Eremita

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Começa a fazer falta um novo Quo vadis que dê rumo ao Ouriquense. Importa discutir três questões, a saber:

 

1. Depois de Pessoa, ainda faz sentido cultivar uma heteronímia de grande rigor?

2. A propósito da figura do Judeu, mas também em termos genéricos, pode um autor criar uma personagem que o supere em inteligência?

3. Que heurística seguir para ligar por link todos os textos do Ouriquense? 

 

Até domingo, sobretudo se chover.

 

17
Fev17

O círculo e a circunferência

Eremita

Soube da leucemia de um dos dois filhos pequenos de uma mulher com quem quase casei e de quem me fui afastando civilizadamente. Fiquei abalado, fiz o que se esperaria de uma pessoa com empatia e muito mais poderei fazer; esta não é uma notícia para se arquivar com um post

 

Sabemos sempre o que fazer - fazer tudo - quando o problema surge no círculo restrito dos nossos; sabemos também o que fazer - não fazer coisa alguma - quando o problema está fora do círculo restrito. Até que um dia deparamos com um episódio sério e percebemos que está tudo errado. Não basta um círculo restrito, pois melhor seria um cilindro, um cilindro restrito em que a dimensão vertical descrevesse o tempo. E não basta conhecer o raio do círculo (duplo sentido) se não soubermos a grossura do risco com que se traçou a sua circunferência. É nesse risco que vamos equilibrando os nossos funâmbulos, sem saber que destino lhes dar. Por certo, temos apenas isto: que não podem regressar, nem os podemos abandonar. 

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