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Ouriquense

15
Nov15

Ponto da situação

Eremita

A 30 de Julho de 2008, cheguei a Ourique de bicicleta. Fugia de Lisboa, decidido a não alimentar mais relações com familiares, amigos e conhecidos. Vim com comprimidos, sem trabalho, nenhum projecto de vida que assegurasse a minha independência e a memória de desaires de amor que se confundiam, formando uma amálgama passional.

Nos primeiros 5 anos, quase nada aconteceu em Ourique. Fiz só um amigo, o judeu. Tive uma paixão platónica por Tatiana, a ucraniana do Pingo Doce, e frequentei um bordel espanhol. Iniciei vários projectos literários (1, 2, 34 e 5), sem concluir nenhum. Inventei um inimigo como quem se inicia num passatempo. Prossegui a relação tensa com os comprimidos, sem sinais de apaziguamento. Comecei a ler os grandes romances, concluindo alguns (1, 2, 3, 4, 5 e 6). E a partir do terceiro ano, já sem economias, passei a receber uma mesada dos meus pais secretamente, para poder recusar a ajuda do Judeu com a mentira de que vivia de traduções. Desenganem-se os citadinos com anseios bucólicos; isto de mudar para campo não é um vini, vidi. vici.

Tudo se alterou nos últimos dois anos. Antes era um falhanço darwiniano, clinicamente deprimido, falido e dominado pelo cinismo da frustração amorosa. Hoje sou pai e vivo em família. Tenho um negócio em expansão de ghost writer. Lembro a data da última depressão com um orgulho de alcoólico anónimo a contar os dias de sobriedade já na casa das centenas. Reatei relações com a família e os amigos. Voltei a amar e a ser amado. Dizem que são circunstâncias péssimas para a escrita, mas que gente é essa, afinal? 

Retomo o Ouriquense nesta nova condição. Volto a dar vida às personagens entretanto criadas, só que agora a família também entra. Falta apenas definir uma estratégia que maximize a  franqueza sem comprometer a privacidade dos meus e a minha paz conjugal. Tenho a forte suspeita de que essa estratégia já foi inventada e que lhe chamam "literatura", mas veremos. Em todo o caso, o modelo inicial mantém-se, a saber: o Ouriquense é um diário trasladado. 

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