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Ouriquense

30
Set12

Um critério

Eremita

Em que momento nos tornamos crescidos? Mas ainda se faz tal pergunta? Provavelmente quando nos tornamos tristes? Ah, as lobo-antunices. Lobo Antunes é para ler e, sobretudo, para escutar em entrevista, mas não serve para reflectir, tem um discurso e uma prosa de poseur, muito reféns do bonito. Conhecemos a tristeza quando ganhamos uma consciência, o que, em regra, tende a acontecer muito cedo, apesar do major Valentim Loureiro. Como não é por se ganhar uma consciência que se perde a infância, não nos podemos tornar crescidos com a tristeza; o critério poderia passar a ser de grau, mas seria ridículo estabelecer um limiar de dias ou horas de tristeza por semana para definir a maioridade. 

 

Tornamo-nos crescidos quando ficamos responsáveis por alguém. Isto lembra o Principezinho, mas aguentem mais um pouco. Em regra, a responsabilidade por alguém sucede quando se tem ou adopta um filho, mas também nos casos mais raros em que um filho passa a cuidar dos pais ou de outros familiares. E ainda nos casos em que das nossas acções dependem outros, que não precisam ser da nossa família, podem ser empregados ou alunos. Prefiro deixar de fora as responsabilidades passionais; pelo incumprimento frequente, tendem mais a fazer crianças de adultos do que adultos de crianças. 

30
Set12

O rapaz do cineclube vai a Paris

Eremita

Fizemos uma colecta, o rapaz precisa de estímulos. Parte amanhã. Perguntou-me que museus devia visitar. Respondi-lhe para não perder a linha 6 do metro ao cair da noite, quando as pessoas já regressaram a casa. Parte do percurso da linha é feito à superfície e Paris está já a uma latitude suficiente para a vida doméstica sem cortinas. Nenhum cinéfilo deve perder este espectáculo.

30
Set12

Andar

Eremita

Nunca alinhei com os críticos do higienismo. É risível que quem veja na imposição de um limite para o sal no pão um ataque à liberdade não reaja também contra outras normas semelhantes apenas porque são mais antigas. A tradição legitima o quê, afinal? No fundo, os críticos do higienismo são mais reaccionários do que libertários. O que me aborrece é que se promova uma actividade nobre, como andar, apenas por fazer bem à saúde (física). Nos últimos dias, voltei a andar. É maravilhoso. 

 

Continua.

 

 

29
Set12

Brasil

Eremita

Quando era muito novo, pensava que o Brasil era um país sem intelectuais. A idade não pode ser atenuante; mais do que ignorância, era estupidez minha; e mais do que estupidez, era erro de paralaxe de quem observa a antiga colónia da antiga metrópole e ainda acusa a influência do país que, por seu turno, colonizou culturalmente a geração que o precedeu e fez do eurocentrismo quase um instinto, isto é, a França. Aos poucos, já desembaraçado das telenovelas da Globo e também da França, com algumas leituras, percebi que o Brasil não só tinha uma História de intelectuais, como em número esmaga a intelectualidade do pequeno rectângulo, numa desproporção que a demografia apenas explica em parte. E fiquei ainda com a sensação de que também na qualidade eles são superiores, não sei se fruto da miscigenação de culturas e de alguma miscigenação propriamente dita (Machado de Assis, etc.) ou se apenas pelo fascínio que desperta quem fala a mesma língua de forma tão diferente e capaz. Anos depois, vieram os blogs e lembro-me de seguir dois com grande fidelidade, embora já não me recorde dos nomes: um era escrito por uma mulher que tinha Bukowski em epígrafe no blog e provavelmente na anatomia; o outro era escrito por um fulano muito irritante, a armar ao Nelson Rodrigues e idolatrado pelos bloggers lusos que idolatram Nelson Rodrigues. A moda passou e o Assis ficou. Mas hoje voltei a ler um blog brasileiro e gostei muito. 

28
Set12

Tatiana is no more

Eremita

 

 

Já não me lembro há quanto tempo não se escreve aqui sobre Tatiana. O clima de crise matou o amor. O amor é um luxo, que muitos confundem com um acto de desespero e é o reconhecimento desta diferença que nos impede formalmente de amar e nos levou ao vício da sedução interrompida. Não uso o plural majestático, falo por mim, pelo surfista e pelo moço do cineclube. Há ainda outros efeitos.

 

Por exemplo, o rapaz do cineclube começa a perder a sua inocência. Era tão puro e entusiasta, o nosso Mario Incandenza de Ourique, que me dá pena vê-lo agora tão desanimado, sem vontade para piratear as salas lisboetas, nem ânimo para promover um sarau cultural.

 

Como tomámos já Primavera por Outono e o Verão por Inverno, precisamos de outros nomes para estes dias.

25
Set12

O dia em que o Judeu rezou

Eremita

Durante as sessões, o movimento pendular do baloiço transporta o Judeu para um estado quase hipnótico e eu aproveito para o conhecer um pouco melhor. O terramoto de ontem não nos fez abortar a experiências que havíamos planeado para a meia-noite - ele anda caprichoso com as horas. 

 

Continua

25
Set12

Oh my...

Eremita


Não temos o hábito de divulgar a agenda cultural lisboeta, mas creio que estamos na presença de uma boa ideia. Saudamos já a ousadia que é fundir dois grandes títulos (Waiting for Godot+ Moby-Dick).  Conto enviar um representante de Ourique a este evento e será feito um relato detalhado. 
24
Set12

David Cameron lê Moby-Dick

Eremita

David Austen



...and now, liberated by reason of its cunning spring, and owing to its great buoyancy, rising with great force, the coffin like-buoy shot lengthwise from the sea, fell over, and floated by my side.


 

Uma vez, em Nova Iorque, jantei com um homem que fez uma tese sobre Moby-Dick. Foi há muitos anos e entretanto li o livro (sem parir tese), mas creio que nunca mais encontrei ninguém com quem partilhar este culto. Há melvillianos no Alentejo? Duvido.

 

Nos tops continua um livro de um menino que viu o céu ou algo assim. Estamos a ficar doidos. Oiçam este podcast, leiam isto.  Salvemo-nos. 



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