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Ouriquense

30
Jan12

...

Eremita

A cette époque de la vie, on a déjà été atteint plusieurs fois par l’amour; il n’évolue plus seul suivant ses propres lois inconnues et fatales, devant notre cœur étonné et passif. Nous venons à son aide, nous le faussons par la mémoire, par la suggestion. En reconnaissant un de ses symptômes, nous nous rappelons, nous faisons renaître les autres. Comme nous possédons sa chanson, gravée en nous tout entière, nous n’avons pas besoin qu’une femme nous en dise le début — rempli par l’admiration qu’inspire la beauté—, pour en trouver la suite. Et si elle commence au milieu,— là où les cœurs se rapprochent, où l’on parle de n’exister plus que l’un pour l’autre —, nous avons assez l’habitude de cette musique pour rejoindre tout de suite notre partenaire au passage où elle nous attend. Un Amour de Swann 

Ficha Técnica: a série "Recherche" baseia-se na escuta do audiolivro A la Recherche do Temps Perdu: L'Intégrale (111 CD), que conta com André DUSSOLLIER, Lambert WILSON, Denis PODALYDES, Robin RENUCCI, Mickael LONSDALE e Guillaume GALLIENNEAs citações são retiradas da magnífica edição online da eBooks@Adelaide - e viva a Austrália. 

25
Jan12

Investigações

Eremita

Logo a seguir à proposta de comparar o índice de suicídio em prosadores e em poetas lusitanos, surgiu-me outra ideia para sujeitar ao teste empírico: é válida a tese de que os grandes títulos na literatura não têm verbos? Como se sabe, trata-se de uma ideia de Eduardo Cintra Torres e, até ver, a melhor que o crítico produziu, pelo menos a julgar pelos seus artigos no Público que li. Além da entediante listagem dos títulos de romances e do aparato estatístico para testar a relação entre qualidade literária e ausência de verbos no título, creio que podemos incluir neste projecto uma abordagem complementar, a saber: explicar as excepções. Por exemplo, embora não seja um livro, o blog Tenho Estado a Ler Whitman é, creio que sem grande margem para dúvidas (sobre a objectividade na subjectividade tenho em preparação outro estudo), o melhor título entre os blogs activos. Ora, "Tenho Estado a Ler Whitman" inclui 3 verbos (enfim, pelo menos 2) e uma acção prolongada no tempo. Como explicar este acidente, admitindo que o trabalho de sapa confirmará a tese de Cintra Torres. Creio que haverá apenas 2 possiblidades: 1) o excesso de verbos subverte a regra - subverter é bom; 2) "Whitman" reabilita o uso de verbos, isto é, a associação de um verbo ao nome de um indivíduo (real ou fictício) é uma categoria especial. São ideias para ter em conta quando se fizer o escrutínio da lista. E assim vai andando o Ouriquense, cada vez mais no sentido das suas próprias investigações, o seu body of work.*

 

* E que a dispersão não nos impeça de terminar o estudo sobre os tamanhos de letra nas capas das traduções do grande - o sublime! - Vasco Graça Moura.

25
Jan12

...

Eremita

A multidisciplinaridade é um conjunto de disciplinas distintas unidas pela ignorância recíproca.

 

(Aforismo à Shaw que roubei ao Judeu)

21
Jan12

Viva Graça Moura!

Eremita

Como é do conhecimento de todos, tendemos a desprezar a actualidade e a política nacional; o Ouriquense trata os humores, o empreendedorismo pessoal e a política autárquica. Em todo o caso, não ficámos indiferentes à chegada de Vasco Graça Moura (VGM) ao CCB e decidiu-se em plenário (eu e o Judeu) usar um dos três pontos de exclamação a que nos permitimos por ano. VGM sempre nos fascinou. Perante uma ameaça de dilúvio, os dois compatriotas que escolheríamos mandar para a arca salvadoura seriam, justamente, VGM e Vítor Silva Tavares. É verdade que este casal de contrários não asseguraria a propagação da raça lusitana, mas até isso seria uma mais-valia.

 

 

20
Jan12

A superioridade moral não é exclusiva da esquerda

Eremita

Estávamos numa animada discussão sobre a admissibilidade da mentira quando ele disse: «Tu és contra a mentira porque não és casado, eu não me posso dar a esse luxo». E aí calei-me, num debate ético a biografia ganha sempre. Lei Seca

 

Há um tipo de superioridade moral que ainda não foi devidamente analisado: como o homem solteiro olha para o homem casado. Trata-se sobretudo de uma racionalização. O homem solteiro gosta de acreditar na fantasia de que todos os casamentos estão assentes na mentira e que ele, ao não casar, é mais íntegro do que aquele que trocou a sua honestidade pelo conforto da companhia segura, do sexo no lar, do estatuto social adequado à idade e profissão,  da família e das - enfim - regalias fiscais. Mas dou razão ao Pedro Mexia quando nos sugere que aceitemos o argumento de cariz biográfico. Por outras palavras, eu sei muito bem do que estou a falar.

20
Jan12

Uma actividade perigosa

Eremita

O poeta Daniel Faria morreu em 1999, de queda doméstica, quando tinha 28 anos. O poeta Luís Miguel Nava foi assassinado no seu apartamento em 1998, quando tinha 38 anos. O poeta Rui Costa foi encontrado morto na Foz do rio Douro em 2012, aos 39 anos. O poeta Al Berto foi vítima de SIDA em 1997, tinha 49 anos. Os novos romancistas não morrem assim.

 

Ideia para desenvolver: uma análise mais exaustiva deste aparente fenómeno que confirma um estereótipo, recuando pelo menos até Antero (para os poetas) e até Camilo (para os romancistas). Aceito a ajuda de todos, sobretudo na revelação dos casos menos conhecidos. 

16
Jan12

O novo mesmo vento de Espanha

Eremita

Regressei de Espanha ligeiramente ressacado. Pensei que estava finalmente pacificado com a ideia do sexo pago, mas o desconforto voltou a atacar.  Em Quem Matou Igor?, a minha novela em folhetim, até ao momento apenas parcialmente publicada, na parte inédita tenho uma longa reflexão sobre o tema, mas parece não ter chegado para o esgotar. E de cada vez argumento com o que está mais à mão, isto é, a actualidade. O ponto de honra na maternidade de substituição é a gratuitidade do acto. Sem perder muito tempo com as inúmeras formas de perverter este projecto de lei, que tem muito de incentivo à economia paralela, nem perder tempo com o enquadramento social da prostituição (a sua associação frequente à exploração da mulher e o problema de saúde pública), ou seja, discutindo em abstracto, podemos argumentar que a fertilização separa a fase em que a transacção económica vai contra o amor (a jusante) da fase em que a transacção económica  é aliada do amor (a montante). O que banaliza mais o sexo, afinal? O sexo gratuito entre pessoas livres que não se amam ou o sexo pago entre pessoas livres que não se amam? A segunda pergunta é retórica.

11
Jan12

L'illusion d’une sorte de fécondité

Eremita

 

 

Há excesso de detalhe na Recherche? Há, mas não é defeito, é feitio. Esse excesso na atenção dada aos objectos materiais faz parte do programa estético do livro. É mesmo no fim de Combray que Proust explica:

 

Combien depuis ce jour, dans mes promenades du côté de Guermantes, il me parut plus affligeant encore qu’auparavant de n’avoir pas de dispositions pour les lettres, et de devoir renoncer à être jamais un écrivain célèbre. Les regrets que j’en éprouvais, tandis que je restais seul à rêver un peu à l’écart, me faisaient tant souffrir, que pour ne plus les ressentir, de lui-même par une sorte d’inhibition devant la douleur, mon esprit s’arrêtait entièrement de penser aux vers, aux romans, à un avenir poétique sur lequel mon manque de talent m’interdisait de compter. Alors, bien en dehors de toutes ces préoccupations littéraires et ne s’y rattachant en rien, tout d’un coup un toit, un reflet de soleil sur une pierre, l’odeur d’un chemin me faisaient arrêter par un plaisir particulier qu’ils me donnaient, et aussi parce qu’ils avaient l’air de cacher au delà de ce que je voyais, quelque chose qu’ils invitaient à venir prendre et que malgré mes efforts je n’arrivais pas à découvrir. Comme je sentais que cela se trouvait en eux, je restais là, immobile, à regarder, à respirer, à tâcher d’aller avec ma pensée au delà de l’image ou de l’odeur. Et s’il me fallait rattraper mon grand-père, poursuivre ma route, je cherchais à les retrouver, en fermant les yeux; je m’attachais à me rappeler exactement la ligne du toit, la nuance de la pierre qui, sans que je pusse comprendre pourquoi, m’avaient semblé pleines, prêtes à s’entr’ouvrir, à me livrer ce dont elles n’étaient qu’un couvercle. Certes ce n’était pas des impressions de ce genre qui pouvaient me rendre l’espérance que j’avais perdue de pouvoir être un jour écrivain et poète, car elles étaient toujours liées à un objet particulier dépourvu de valeur intellectuelle et ne se rapportant à aucune vérité abstraite. Mais du moins elles me donnaient un plaisir irraisonné, l’illusion d’une sorte de fécondité et par là me distrayaient de l’ennui, du sentiment de mon impuissance que j’avais éprouvés chaque fois que j’avais cherché un sujet philosophique pour une grande œuvre littéraire. Combray II

 

Como o percebo. A felicidade que retiro dos meus pensamentos, talvez não a única, pois também já deduzi coisas, mas seguramente a mais frequente e intensa, vem dessa tal ilusão de ideia fecunda, mais impressionista que lógica, como quando associo ao meu último namoro de anos uma dimensão cósmica, ou profética, ou até sobrenatural, só porque o nosso quarto estava virado a nascente e abria sem a protecção de persianas, venezianas, estores, cortinados ou blackouts para uma paisagem cheia de verticais, a definir uma nesga de céu, como é típico de Nova Iorque, levando-me a pensar em Stonehenge todas as manhãs, quando o primeiro raio chegava e a sua fronteira de sombra e luz ia progredindo pelo acidentado dos lençóis até lhe inundar o rosto, que depois me inundava a mim com o último sorriso a trazer a chamada promessa de futuro. Desde então, nunca mais reencontrei o meu Stonehenge urbano. Podia rematar com uma certa espectacularidade lacónica, dizendo que aos novos quartos faltou sempre a orientação solar certa ou a mulher certa, mas - em rigor - as persianas corridas também foram parte do problema.

 

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