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Ouriquense

30
Abr11

A abstinência, segundo o Judeu

Eremita

 

 

The Waste Land

 

- E o Waste Land?

 

- "April is the cruellest month..."

 

- Sim, e depois?

 

- May is... Não me lembro.

 

-  Não sabes.

 

- Tu sabes?

 

- "April is the cruellest month, breeding/ Lilacs out of the dead land, mixing/ Memory and desire, stirring/Dull roots with speing rain./ Winter kept us warm, covering/Earth is forgetful snow, feeding..." Mais?

 

- Sim.

 

"...Feeding/ A little with dried tubers./Summer surpresed us. coming over the Starnbergesee/With a shower of rain; we stopped in the colonnade,/And went on in sunlight, into the Hofgarten,/And drank coffee, and talked for an hour". Vou parar aqui. Se não fosses a Espanha tantas vezes, talvez percebesses estas palavras.

 

Continua

 

 

 

28
Abr11

Melancómico

Eremita

A frase batida sobre a originalidade das famílias tristes e a uniformidade das famílias felizes (Anna Karenina) parece ser criticada pelo próprio Tolstói na caricatura que faz do amor entre os melancólicos. Para o tolstoiano debutante, há aqui algum consolo, pois a ideia da riqueza e complexidade da tristeza por contraste com simplicidade da alegria é tão primária e hipócrita como o também batido enamoramento pelos derrotados. No capítulo 4 do livro 8 temos o warm up -  "'To please Moscow girls nowadays one has to be melancholy. He is very melancholy with Mademoiselle Karagina,' said Pierre" - para a paixão de Julie e Boris, que surge logo depois e é desmontada com particular gozo.

 

To Boris, Julie was particularly gracious: she regretted his early disillusionment with life, offered him such consolation of friendship as she who had herself suffered so much could render, and showed him her album. Boris sketched two trees in the album and wrote: "Rustic trees, your dark branches shed gloom and melancholy upon me."

On another page he drew a tomb, and wrote:

La mort est secourable et la mort est tranquille.

Ah! contre les douleurs il n'y a pas d'autre asile.*

*Death gives relief and death is peaceful.

Ah! from suffering there is no other refuge.

Julia said this was charming

"There is something so enchanting in the smile of melancholy," she said to Boris, repeating word for word a passage she had copied from a book. "It is a ray of light in the darkness, a shade between sadness and despair, showing the possibility of consolation."

In reply Boris wrote these lines:

Aliment de poison d'une ame trop sensible,

Toi, sans qui le bonheur me serait impossible,

Tendre melancholie, ah, viens me consoler,

Viens calmer les tourments de ma sombre retraite,

Et mele une douceur secrete

A ces pleurs que je sens couler.*

*Poisonous nourishment of a too sensitive soul,

Thou, without whom happiness would for me be impossible,

Tender melancholy, ah, come to console me,

Come to calm the torments of my gloomy retreat,

And mingle a secret sweetness

With these tears that I feel to be flowing.

For Boris, Julie played most doleful nocturnes on her harp. Boris read Poor Liza aloud to her, and more than once interrupted the reading because of the emotions that choked him. Meeting at large gatherings Julie and Boris looked on one another as the only souls who understood one another in a world of indifferent people.

 

27
Abr11

O jardim de Fausto

Eremita

 

 

 

 

Como todos os cemitérios católicos, o de Ourique é feio de dia e assustador de noite. Por isso, a proposta de Fausto não chega a ser luminosa e não será sequer original. Ele quer fazer em Ourique o primeiro cemitério luso que seja um jardim. Um cemitério sem distinção de classe, para "respeitar Abril", em que não haveria campas modestas e jazigos luxuosos, apenas um "relvado interrompido por árvores e arbustos". Um cemitério em que cada família teria direito a escolher árvore que sinalizaria o local onde o seu morto foi enterrado, para que o jardim crescesse com jacarandás, magnólias, cerejeiras e sobreiros, que são árvores belas, mas também laranjeiras, que são árvores banais e de pomar, não adiantando logo Fausto que destino dar às laranjas, embora já tivesse pensado no assunto, por não gostar de encalhar a visão global em detalhes. Fausto partilhou a sua ideia comigo para a testar antes de ir falar com o presidente da câmara, mas também porque sabe que eu tenho uma lista de todas as famílias com mortos enterrados em Ourique e esse dado importa no cálculo do número de árvores e arbustos e da distância mínima que os deve separar.

 

Creio que o ajudei, porque ele vinha com uma proposta urbana e partiu com outra ideia: a de fazer um cemitério ao estilo de um montado, em que cada árvore tivesse a privacidade do sobreiro, mas podendo ser outra árvore qualquer. Ourique ficaria com o maior cemitério do território nacional e seria sempre Primavera, pois Fausto está seguro de que existe uma variedade de trigo que está verde e espigado o ano inteiro e se pode manter como o tal relvado que primeiro imaginou, bastando instalar um sistema de rega. Em qualquer altura do ano uma parte da seara estaria a ser ceifada, para que os pequenos roedores e a lagartada ficasse desprotegida e as águias de asa redonda nunca abandonassem aquele céu, de resto também rico em planadores, asas delta  e até parapentes lançados de lugares distantes, como a serra de Monchique e a pousada de Palmela, porque os estreitos caminhos serpenteantes desenhariam o mais belo dos labirintos, que deixaria de ser segredo e até estaria descrito nos guias turísticos, mas com o pedido explícito e sempre respeitado de não levar para ali máquinas ruidosas. O padre da vila alinharia, na lógica do "se não podes vencê-los..." e faria das silhuetas aladas o símbolo da cruz, aceitando que se enterrassem os corpos envolvidos numa mortalha de linho, para que as raízes mais depressa a eles chegassem, e teria ainda em atenção a meteorologia quando lançasse à terra as cinzas dos locais produzidas no crematório de Ferreira do Alentejo e trazidas de volta a Ourique, para que o vento não as dispersasse além do perímetro destinado a cada família. As peregrinações de simpatizantes do partido ecologista Os Verdes seriam escorraçadas por milícias de ouriquenses, que ergueriam uma vedação de arame farpado para dissuadir os forasteiros que ali também quisessem enterrar os seus mortos. Só os nativos de Ourique teriam direito ao cemitério, bem como os maridos das mulheres de Ourique, desde que não fossem de Castro Verde.

 

Continua, embora me pareça que o essencial foi exposto.

27
Abr11

...

Eremita

The difficulty is seen at its starkest in Christopher's baffling weakness for puns. This doesn't much matter when the context is less than consequential (it merely grinds the reader to a temporary halt). But a pun can have no business in a serious proposition. Consider the following, from 2007: "In the very recent past, we have seen the Church of Rome befouled by its complicity with the unpardonable sin of child rape, or, as it might be phrased in Latin form, 'no child's behind left'." Thus the ending of the sentence visits a riotous indecorum on its beginning. The great grammarian and usage-watcher Henry Fowler attacked the "assumption that puns are per se contemptible … Puns are good, bad, or indifferent … " Actually, Fowler was wrong. "Puns are the lowest form of verbal facility," Christopher elsewhere concedes. But puns are the result of an anti-facility: they offer disrespect to language, and all they manage to do is make words look stupid. Martin Amis

26
Abr11

"You can... read this in my face?" 3' 58''

Eremita

 

 

Este vídeo está destinado a um texto comprido sobre a bondade de David Foster Wallace, que me parece estar nos antípodas da bondade de Laurinda Alves, mas aproveito-o de imediato, sem entrar no remoinho da self-conscienciousness wallaciana facilmente associável a qualquer agradecimento, para assinalar estas palavras, que são a crítica pública mais generosa até hoje feita ao Ouriquense. Muito obrigado.

 

 

 

 

25
Abr11

Um grande arranque

Eremita

The Bible legend tells us that the absence of labor- idleness- was a condition of the first man's blessedness before the Fall. Fallen man has retained a love of idleness, but the curse weighs on the race not only because we have to seek our bread in the sweat of our brows, but because our moral nature is such that we cannot be both idle and at ease. An inner voice tells us we are in the wrong if we are idle. If man could find a state in which he felt that though idle he was fulfilling his duty, he would have found one of the conditions of man's primitive blessedness. And such a state of obligatory and irreproachable idleness is the lot of a whole class- the military. The chief attraction of military service has consisted and will consist in this compulsory and irreproachable idleness. Livro 7, primeiro capítulo

20
Abr11

Uma demonstração matemática do comunismo

Eremita

Gaspar veio ter comigo a correr:

 

- Leste? É fantástico. Afinal, o comunismo não é uma impossibilidade da biologia, antes pelo contrário. O gene egoísta está morto e com ele o neoliberalismo.

 

- Não estou a perceber.

 

- É de um artigo científico. Vê...

 

- Ah, um Nature em Ourique.

 

- Foi-me enviado por um amigo da JCP. Chama-se "eussocialidade", mas para nós é comunismo. O comunismo existe. Falhou na Rússia, falhou em Cuba, falhou em Aljustrel, mas vingou em muitas espécies.

 

- Espera, espera... Hum...

 

- Tu sabes o que isto representa?

 

- Calma. Tens o apêndice?

 

- Não, fui operado quando era pequeno. Porquê?

 

- O apêndice do artigo... É preciso ler o apêndice.

 

- Não acreditas?

 

- Não sei, é um argumento matemático, precisamos de o compreender primeiro.

 

- Não poderia estar errado, é a melhor revista científica do mundo, certo?

 

- Arranja-me o apêndice.

 

- Tu sabes a matemática?

 

- Vamos falar com o Judeu.

 

- Não estás excitado.

 

- Estou, mas sinto-me estúpido. Devia ter aprendido matemática a sério. Já dizia o outro: a matemática é a linguagem de Deus.

 

- Deus também existe?

 

- Vamos devagar, Gaspar.

 

 

20
Abr11

Desconfiai da técnica

Eremita

Si tu reviens, j'annule tout

Sms atríbuído a Sarkozy

 

You go your way

I'll go your way too 

The Sweetest Little Song , Leonard Cohen

 

A primeira citação terá sido enviada por sms num tempo em que o francês já não é a linguagem do amor e é atribuída a um patife com complexo de Napoleão. A segunda citação aparece num livro com um belo título (Book of Longing) e é da autoria de um homem bonito, respeitado como poeta nos círculos lisboetas. Como é óbvio, a primeira declaração é infinitamente mais genuína do que a segunda. Mas também é verdade que, se só fui capaz de escrever um poema de amor decente em toda a minha vida e que agora faço sobretudo fluxogramas, talvez haja aqui algum ressentimento e inveja.

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