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Ouriquense

30
Mar11

E esta, hein?

Eremita

João Barrento, em As pertubações do pupilo Törless, assina um texto extraordinário, na justa medida de erudição e clareza, que na verdade é sobre um projecto mais vasto de tradução da obra de Robert Musil. A juntar ao exemplo que é o contributo de Margarida Periquito no diário de Pavese, eu diria que a melhor crítica literária está na mão dos tradutores. Ou então não será a melhor crítica, dada a suspeita natural de falta de objectividade. Mas são certamente os textos que mais me ensinam.

 


 

 

 

29
Mar11

Apesar de Oscar Wilde e Tennessee Williams

Eremita

Há mais escritores famosos do que escritoras. São várias as explicações que poderíamos avançar para explicar este facto. Creio que a desproporção de dramaturgos e dramaturgas ainda é maior. Aqui o fenómeno simplifica-se. Ou melhor, a qualquer das explicações anteriores devemos apenas acrescentar um elemento: as actrizes. 

29
Mar11

Problema e solução

Eremita

Da tábua de personagens do Ouriquense


"Tatiana, uma ucraniana caixa no Pingo Doce, é uma mulher de anatomia e personalidade imprecisas. A indefinição dos seus contornos físicos e psicológicos é essencial para que seja camaleónica e assim cumpra as funções de passe-partout passional que recolha as características dos objectos passionais do seu criador, reais ou fantasiosos, e de todos os tempos. Mesmo em relação ao seu nariz, que foi já descrito com grande precisão, o leitor atento ficará com dúvidas, pois há uma contradição: Nariz à Rosemarie DeWitt ou "nariz fino, pouco comprido, mas muito nobre? E, afinal, se não há rosto passível de ser amado no local de trabalho de Tatiana, quem era aquela mulher que lhe terá dado um rosto provisório? Não se sabe". 

 

Da orgânica

 

"O Ouriquense continua a fazer o seu caminho no sentido da perfeição aparente. Um pouco como na ascensão da psicanálise a instrumento de dissecar biografias, se me é permitido. Ou como a génese de todas as restantes metafísicas, bem vistas as coisas. Para tudo começa a haver aqui uma explicação absolutamente consistente, mas também impossível de invalidar e tendencialmente barroca. É a laborar neste paradoxo de querer lógica interna naquilo que não precisa de qualquer lógica - como se a loucura precisasse de verosimilhança - que vai crescendo o capricho do artista.

Com o eremita na praia, os Quo vadis podem existir, porque não são escritos pela personagem e sim pelo narrador". 

 

O problema e a solução

 

O traço mais revelador da misoginia do eremita é esta ideia de ter Tatiana como passe-partout passional no diário. Tatiana corporiza uma ideia de amor, tão indefinida como ela própria, embora a indefinição da ideia resulte da incapacidade de raciocinar de forma clara ou de uma recusa do raciocínio, enquanto a indefinição de Tatiana foi, para os padrões do blog, uma ideia luminosa. Nada disto é paradoxal, são apenas contrastes de algum efeito.  Estamos é claramente num contexto de hipocrisia de ventríloquo. Porque se o eremita é uma invenção do narrador, a misoginia é toda minha e o eremita faz de boneco desbocado inimputável. Em rigor, ele não sabe que Tatiana é uma súmula de paixões; uma súmula e não uma soma. Não existe quimerismo no corpo de Tatiana. E se deslizo sempre para a dicotomia espaço-tempo, só mesmo de modo esforçado podemos ver no passar dos dias a manifestação de algum quimerismo, na medida em que às sensações que em determinado dia foram transferidas para Tatiana se vão juntando outras de fontes distintas. Simplificando, para Ourique traslado Lisboa e para Tatiana traslado as mulheres. Mas este processo não a chega sequer a enriquecer como personagem. Se me for permitida uma desajustada metáfora, ela é a parede a que o tenista derrotado, depois de cada jogo com um adversário diferente, recorre  para bater umas bolas e reencontrar o seu jogo. Ela não chega pois a ser um amor impossível, um campeão invencível que se pretende derrotar. É uma simples parede e contra uma parede não se pode ganhar, nem perder. Creio que até o eremita percebe a natureza de Tatiana em breves instantes de lucidez, como nesta sua conclusão, na sua falta de desejo carnal, que esgota nos prostíbulos de Espanha, no reprimido desejo de paternidade, que transformou em instinto assassino, e no interesse e curiosidade que o Judeu lhe desperta e com quem se zangou, sensações que Tatiana não chega a despertar. Assim se anula o amor em Ourique e nos ilibamos de culpas, pois não há nada mais ridículo e repetitivo do que a exposição da frustração amorosa (a menos que seja na forma de uma boa canção pop, claro). 

 

Suponhamos agora que o narrador quer salvar alguém do vazadouro passional que é Tatiana, isto é, que evitar a Tatiana do eremita funciona como um sinal de que algo precioso lhe surgiu no caminho e deve ser guiado para longe da via que se sabe inconsequente à partida. Como conciliar este desejo com a simplicidade passional do eremita e sem matar Tatiana, que seria um recurso de guionista de telenovela? Creio que a única solução passa por um amor epistolar para o eremita. Seria um desenvolvimento consistente com a atomização de sensações da personagem, incapaz de as concentrar numa única pessoa. Sem abandonar as suas rotinas e reforçando o seu desinteresse por Tatiana, que de resto precedeu o problema, embora se encaixe bem na solução, ele passará então a escrever a alguém que nunca viu e provavelmente nunca verá, mas de um modo sincero e não como no pastiche de Cervantes dedicado a Tatiana, a manifestação mais exuberante de uma forma de comunicar contida. Contida. Fica então explicado o aparecimento de Rita Pinamona.


 

25
Mar11

XIX

Eremita

Jonh Coplans

 

25.05.08 Foi com alívio que reparei no meu primeiro cabelo branco. Não custou nada, já passou. Agora podem vir os outros todos. Pensei que fosse acusar a passagem do tempo, mas percebo que apenas reconheço e tolero o acerto de contas que o tempo fez comigo. Porque é verdade que já tenho idade para cabelos brancos. A ilusão de juventude em que vivia, apenas interrompida pela lembrança dos aniversários, termina hoje e ainda bem, pois só me alienou.

Quando dei por ele, penteava-me com as mãos diante do espelho do balneário. Apeteceu-me arrancá-lo para o enclausurar num cubo de acrílico e o guardar por muitos anos com o zelo que um devoto presta a uma relíquia, mas pressenti que se o fizesse poderia ser mais tarde acusado de vaidade pois no museu das excrescências somáticas só toleramos verdadeiramente os exemplares que lá foram parar por iniciativa parental, como um dente em etanol ou o apêndice em formol. Ou melhor, como não consigo imaginar em que circunstância mostraria o cabelo a alguém, talvez tivesse receado que gozassem comigo depois da minha morte quando vasculhassem os meus pertences. Ai a posteridade, sempre a puta da posteridade. 

 

24
Mar11

Honestidade patológica

Eremita

Em Lisboa, falavam-me da utilidade da mentira por omissão, da mentira piedosa, da altura certa para dizer a verdade e do pressuposto errado de que o outro está sempre interessado em saber. Embora o "Truth is so overrated" por vezes ainda se oiça na minha cabeça como um vestígio da vida cosmopolita, aqui deixei de pensar no assunto, porque uma das vantagens de não nos darmos com ninguém é a improbabilidade de mentir e, escrevendo sob pseudónimo, a tolerância à mentira só pode subir, por comparação com a prosa dos  caluniadores anónimos. 

 

(continua)

24
Mar11

Inauguração da Primavera*

Eremita

Teria sido bonito ou, pelo menos, telúrico, descrever a inauguração da Primavera invocando o despertar dos aromas silvestres do montado. Infelizmente, o Ouriquense ainda mantém algum contacto com a realidade e senti a Primavera de outro modo. Esta manhã, ao sair de casa, uma rapariga cruzou-se comigo. Não é bonita e se me lembro de a ver antes é apenas pela pequenez da vila. Mas tem cabelos compridos, fortes e encaracolados, e hoje vinham ainda molhados do banho. Já se percebeu, creio. Estas mulheres, nestas condições, deixam um rasto do aroma dominante do champô atrás delas (enfim, depende da orientação do vento) que me cativa sempre muito mais do que o aroma dos perfumes. Não é pelo aroma em si, creio. É por conseguir identificar precisamente a sua fonte (os cabelos) e imaginar até como se chegou ali (mas nunca vou ao ponto das fantasias no chuveiro, porque tudo ocorre no espaço público). Começou assim a minha Primavera. Ciente do carácter inaugural deste encontro, decidido a dar-lhe a devida importância e gozando logo por antecipação a excentricidadade, que fez com que me sentisse absolutamente livre, dirigi-me de imediato à secção de champôs do Pingo Doce e, pela calada, fui abrindo um a um, entremeando cada inspecção de 5 com uma ida à secção de queijos para um reset dos receptores olfactivos. Este processo durou quase uma hora, mas ninguém desconfiou e creio que descobri o meu primeiro aroma primaveril:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

* Sem patrocínio.

 

23
Mar11

Entra Napoleão

Eremita

 

 

 

Napoleão faz a sua primeira aparição, em presença, na parte final do capítulo XIV do terceiro livro. É uma entrada discreta e algo frustrante, tendo em conta as inúmeras referências que vai recolhendo até aí. Estava preparado para fazer um paralelo entre o  aparecimento de Napoleão e o já muito comentado aparecimento tardio do tubarão, em Jaws, interpretado como parte do sucesso do filme, embora, segundo se conta, essa não terá sido uma opção artística mas antes improvisada, porque havia um problema mecânico qualquer com o brinquedo e um plano de filmagens para cumprir. Infelizmente, o paralelo não funciona. O único elemento cénico que dá alguma solenidade ao momento da entrada de Napoleão é o nevoeiro, que se dissipa para que o imperador possa entrar em cena praticamente de repente, mas as divergências culturais entre o leitor e o autor não contribuem para um acaso de efeito compensador, antes pelo contrário, pois para um português um nevoeiro leva à associação imediata com Dom Sebastião, um monarca pouco assustador. Em todo o caso, Napoleão ganha a batalha e nesta fase do livro estamos como no futebol, o que conta é o resultado.

21
Mar11

Técnicas de memorização

Eremita

Talvez por acusar a culpa de ter roubado ao Judeu o Citroën do meu avô, tenho tentado usá-lo também para fins mais nobres do que as viagens aos bordéis de Espanha. Nos últimos dias, complemento as leituras e audições dos extensos clássicos, que continuam a ter lugar na espreguiçadeira sob o plátano, com a leitura de livros mais pequenos dentro do carro, sentado no lugar do condutor, depois de rebater ligeiramente o encosto. Costumo parar em 5 pontos com vistas contrastantes (um para a encosta virada a Oeste da vila, outro para a encosta virada a Sul, um que domina a barragem, um em que se contempla só planície e montado, e um último de onde se vê Castro Verde do tamanho de uma caganita de ovelha). Cada ponto tem a sua leitura (Watermark, Confissão, Especulação Imobiliária, Ofício de Viver e O Processo de Damião de Goes na Inquisição, respectivamente). A associação começou por ser acidental, mas desde o primeiro momento todas foram escrupulosamente mantidas, mesmo quando tal implica gastos de combustível  consideráveis, tendo em conta a conjuntura. Por exemplo, ontem, estando a chegar perto da barragem, percebi que afinal não me apetecia pegar na Especulação Imobiliária, pelo que fiz meia volta e dirige-me para o ponto onde leio o Ofício de Viver. 

19
Mar11

XVIII

Eremita

 

Jonh Coplans

 

Dedicado ao Tiago Cavaco

 

 

13.05.08 A História discrimina os magros. Se pesássemos todas as estátuas, com as devidas correcções para o tamanho natural e eliminando a densidade dos materiais, para que um metro cúbico de mármore, cobre ou terracota pesasse o mesmo que idêntico volume preenchido com pedacinhos de um cadáver fresco triturado *(não me ocorreu outra imagem porque não há contorcionismo capaz de expulsar todo o vazio de um cubo), e se às representações bidimensionais da pintura acrescentássemos o volume sugerido pela perspectiva, mesmo desprezando a tendência geral ao longo da história da humanidade para um aumento da altura e a tendência nas sociedades ricas para a obesidade, creio que o peso médio da figura humana na estatuária e nas representações pictóricas ultrapassaria o peso médio da população mundial. É fácil pensar em imagens imortalizadas num qualquer material de corpos ideais (dos gregos a Michelangelo, por exemplo). Mas também é trivial descobrir gordas e gordos mesmo gordos: os símbolos de fertilidade do Neolítico, certas representações de Baco, Buda, as mulheres pintadas por Rubens, as estátuas de Balzac, as baigneuses de Cézanne, as formas redondas de Botero, as camponesas saudáveis de Álvaro Cunhal, etc. A dificuldade está em dar com os muito magros. Talvez Jesus Cristo na cruz, embora parte da magreza lhe venha da postura, que tende a projectar para fora as costelas da caixa torácica; talvez alguns rostos alongados nos quadros de El Greco, mas quase nunca corpos nus. Com absoluta certeza, só me ocorre "o homem que anda", de Alberto Giacometti, e as representações de Don Quijote. Mas as estátuas de Giacometti lembram um homem normal que sofreu uma tortura por estiramento dos pés à cabeça e resistiu, não são representações realistas de um homem magro. E Quijote aparece quase sempre junto do gordo Sancho, pelo que o par se anula. A arte não nos preparou para o confronto com os magros. Nem a vida, apesar das greves de fome e do avô que lentamente vai sendo vencido por um cancro. As fotos dos sobreviventes dos campos de concentração nazis são perturbadoras, mas de algum modo também pioneiras, como se tivesse sido preciso esperar até 1945 para a magreza ser exposta ao mundo.

 

Os muito magros tendem a aparecer nos ginásios. Sei do que falo. Vamos com roupas largas e evitamos olhar para os outros, inclusive os que se parecem connosco, porque não queremos fazer do ginásio uma reunião de magros anónimos - "olá, sou o Carlos [e o coro: "olá, Carlos] e peso 58 kg". O olhar só não resiste aos corpos daqueles que eram como nós e venceram a magreza ("I'll beat this" - nunca se lê nas revistas), porque reconhecemos esses corpos como os ex-presidiários se topam e, não sendo os mais belos, são os únicos com que podemos sonhar. Mas esta lucidez vem acompanhada de uma ocasional tara. No meu caso, é associar a fragilidade física à fragilidade psicológica. Os baixos podem sempre recorrer ao exemplo de Napoleão, apesar da incerteza sobre a real estatura do homem. Os magros podem recorrer a Gandhi. Só que tudo seria mais fácil se não fosse preciso nenhuma figura inspiradora, isto é, se não fosse magro.

 

Ontem, enquanto trabalhava os tríceps, reparei nos ombros de um preto que corria na passadeira rolante de costas voltadas para mim. Eram ombros possantes, amplos e revestidos por músculos harmoniosamente trabalhados. Sucedeu então algo estranho: vesti aqueles ombros e recuei no tempo. Revisitei todos os momentos importantes na minha vida, as encruzilhadas que definiram o meu caminho, perguntando com alguma persistência se aquela armadura de carne que agora envergava influenciaria o meu percurso. Não só se me teria feito um homem diferente, mas sobretudo se me teria feito um homem melhor, mais íntegro, corajoso e bom. Por exemplo, se me teria levantado mais vezes e pedido a palavra nas RGAs. Se teria sido mais ousado nas minhas escolhas profissionais. Se teria sentido menos medo de falhar. E a resposta a todas as perguntas foi "sim". Tenho perfeita noção da falta de fundamento que há em fazer equivaler a fibra moral às fibras da musculatura estriada, mas há um tipo de pensamento para uso individual que tolera alguns saltos lógicos; reformulando, que se estrutura com base nesses saltos lógicos, fazendo disso o seu método, como o ficcionista por vezes provoca uma interferência inverosímil na realidade, corrompendo uma qualquer lei da física, para poder chegar a um determinado lugar e depois recomeçar a escrever sem mais desrespeitar a ordem do mundo, ou como o homem de fé, que parte de uma premissa que não ousa questionar e só se preocupa então com as conclusões lógicas que daí resultam.

 

É por isso que nas inúmeras vezes que ouço "estás mais magro" sinto uma reprimenda vinda de quem provavelmente me estima e se preocupa com a minha saúde ou a minha aparência. Não que a minha admiração pelos corpos insensatamente musculados vá além do mero reconhecimento da disciplina que aquilo implica e se transforme em veneração por um traço de personalidade que estime poder medir a partir do perímetro do antebraço. Não que ao cruzar-me com alguém mais magro do que eu sinta a vil satisfação de ter descoberto que, afinal, não sou o último da classificação por qualidades humanas. É apenas por dar tanta importância a recuperar os 6 kg entretanto perdidos, sobretudo quando tal acontece em momentos de quebra anímica. Talvez porque, apesar da dificuldade, recuperar peso é mais concretizável do que expiar uma culpa. Eis o segredo. Um ritual regenerador a fazer as vezes da redenção impossível. Esta absurda frenologia que criei funciona como estratégia adaptativa.

 

* De um ponto de vista científico, esta imagem falha, porque o corpo humano tem cavidades essencialmente ocas, mas teria sido inoportuno discutir este detalhe.

 

 

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