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Ouriquense

30
Out09

O único argumento de autoridade válido

Eremita

Sei bem que a fronteira entre a ficção e a realidade é por vezes ténue, mas eu estou demasiado gordo para fazer strip-teases morais à frente de tanta gente. António Figueira

 

(Já me explico)

 

Tinha um argumento escorreito pronto a sair, mas cometi a imprudência de conferir umas ideias e caí nas areias movediças do pós-estruturalismo. Conto sair delas nos próximos anos. E ainda que  - metaforicamente - possa reaparecer no outro lado do mundo, é muito improvável que o novo argumento esteja no ponto diametralmente oposto do argumento original. No fundo, estes gajos são um passatempo intelectual,  que entretém sem acrescentar, mas é verdade que não foi por falta de aviso que me enterrei. Graças a Deus, tinha antes ido ao Pingo Doce e recheei a despensa antes de abrir o Barthes. Eh, lembrei-me agora e seria difícil não partilhar  o apontamento de um antigo colega, que estudou em Irvine e ouvi por lá palestras do Derrida, figura que leccionava lendo umas resmas de papel mas nem por isso deixava de ter a admiração de todos os alunos, quem sabe se por também  exibir no campus uma "gaja boa como tudo" (cito). 

 

30
Out09

Samuel Úria

Eremita

 Ainda

 

Este moço tem razão: Não arrastes o meu caixão (pedido que só não faço meu por ter queda para a cremação) é um grande tema. Úria só precisa de se libertar da influência nefasta de António Variações. Aliás, temos aqui o caso particular de uma regra geral:  Variações faz mais por quem ouve música do que por quem a produz. Seria capaz de explicar isto recorrendo a um fluxograma e sem usar notação musical.

30
Out09

Saudades de Luria

Eremita

 Monólogo do inventor

 

(pode aparecer a qualquer altura)

 

Resumo do monólogo (baseado em acontecimentos da vida real): o inventor está embriagado, de pé e com a camisa fora das calças - não na modalidade hoje mainstream e ontem négligé-soigné,  mas como resultado de uma exaltada leitura do grande clássico de Luria e Delbruck, de 1943, sobre o aparecimento de bactérias resistentes a bacteriófagos. O artigo tem duas gralhas no texto, que são o ponto de partida para uma reflexão sobre a vida, a morte e as virtudes de uma noite bem dormida.

28
Out09

A pilosidade anal de Igor

Eremita

 A falha narrativa

 

 

Como conciliar a conversa de Igor com a banalidade desta criatura? A franqueza do ucraniano, contra todas as convenções do seu meio, coloca um problema que só me parece ultrapassável pela deturpação da realidade. 

 

(cont)

 

28
Out09

A pilosidade anal de Igor

Eremita

 Os factos

 

Recorrer à  escatologia é uma opção artística de mérito duvidoso, mas também pode ser um simples atavismo de juventude, o que é redentor. Prefiro optar pela segunda hipótese, argumentando em minha defesa que hoje de manhã, durante o duche, soltei umas gargalhadas só de pensar no episódio da véspera. No café, Igor convivia com o seu grupo de energúmenos. Como pareciam gozar com ele, fiz por ouvir a conversa. O tema era a pilosidade anal. Igor acabara de revelar que rapa os pêlos do ânus "para limpeza" e os outros caíram-lhe em cima como crocodilos sobre uma cria de gnu durante a grande travessia anual do rio Mara (adormeci a ver um documentário da National Geographic). 

 

O que levou um brutamontes destes, uma besta sem o golpe de asa do bestial, a proferir esta afirmação? De Igor não se esperaria um comportamento que surpreendesse, espera-se apenas um arroto ou um murro. Detesto quando o mundo me surpreende desta forma. Se dependesse de mim, Igor seria um cabrão e não quero ter simpatia por tal pessoa - tudo se tornaria demasiado complexo. Quanto à questão em concreto, é verdade que os sininhos deixariam de ter onde se agarrar e a higiene seria mais fácil, sobretudo tendo em conta que o bidé está condenado a um dia apenas poder ser contemplado na vitrina de um museu de Valadares.

28
Out09

Conselho aos jovens

Eremita

"Estou sempre a dizer-lhe, como dizia aos mais novos nos jornais, para ter cuidado com os verbos ser, estar e ter. Eles apossam-se da nossa linguagem e de repente estamos sempre a utilizá-los." Mário Zambujal

 

Um exemplo:

 

Manuel tinha apenas vinte anos., mas era uma espécie de prodígio literário. Tinha publicado um livro de poesia numa pequena edição que chamou a atenção de alguns professores e, após terminar o bacharelato em Literatura Americana do século XX, tinha sido convidado a participar na pós-graduação. Como eu estudava literatura inglesa, tínhamos algumas aulas em comum e passávamos muito tempo no meu quarto... Hotel Memória, de João Tordo

 

Outro exemplo:

 

A propósito, sem ter a veleidade de pretender aconselhar Tordo, tenho a impressão de que este é um livro que se critica com uma frase feita (o que faz com que a obra tenha pelo menos esse mérito):  too much information, João. Ouriquense

 

 

26
Out09

Cortar relações

Eremita

Nos últimos tempos em Lisboa, quase na véspera de partir, deu-me para cortar relações e para experimentar o que é cortarem relações comigo. São actos de enorme teatralidade. A vida é suficientemente aborrecida para que não se resista à tentação de a tomar por grandiosa.

26
Out09

Tinto

Eremita

Há quem queira perpetuar o instante do orgasmo, mas parece-me uma perspectiva extenuante. Preferia perpetuar aquele princípio de tarde, quando meia garrafa de tinto nos deixa num torpor perfeitamente compatível com as convenções sociais e o raciocínio, mas que elimina a tristeza e a angústia. Acerto inclusive na ortografia de "torpor", até agora uma das palavras que sistematicamente escrevia mal. 

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