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Ouriquense

30
Set09

Gana

Eremita

O Ouriquense é uma oficina de diários. Tendo o conceito de diário trasladado entrado na rotina, seria natural que começasse a explorar outras variações. No diário trasladado as experiências mudam de lugar, mas são escritas ao ritmo dos dias. No diário pós-datado as experiências acontecem no lugar, mas são escritas meses ou semanas mais tarde. Os textos sobre o Gana são um diário desse tipo, que cobre o período de 29 de Dezembro de 2008 a 4 de Janeiro de 2009. O facto de a viagem ser inventada é irrelevante, pois pensei nela precisamente durante os dias mencionados, e agora limito-me a escrever sobre a lembrança desses pensamentos.

 

Antes de deixar Lisboa era recorrente dizerem-me que deixava todos os projectos e leituras a meio. Vamos corrigir essa imagem. Enfim, não será uma correcção com efeitos retroactivos, pois já não me dou com essas pessoas. Mas retomemos (as entradas estão indexadas à tag Gana Forjado e continuarão a ter datas entre 29 de Dezembro de 2008 e 4 de Janeiro de 2009).  

 

 

 

 

27
Set09

Sara Tavares

Eremita

 

Ouriquense honorária

 

Escritora e intérprete de canções.

 

Sara Tavares não foi adoptada pela intelligentzia lusa porque o snobismo não tolera vitórias em concursos de imitações. Sara Tavares não foi adoptada pela intelligentzia lusa porque apreciar uma africana genuína como Cesária Évora é coisa mais cosmopolita do que ouvir uma portuguesa com ascendência africana. Sara Tavares não foi adoptada pela intelligentzia lusa porque quase todos os críticos de música e promotores culturais são homens e a Mayra Andrade é mais bonita do que ela. Não há outra explicação. Tudo isto é trágico.  Sara Tavares tem um talento incomensurável.

 

O nosso sonho também é escrever uma canção para esta cantora. Infelizmente, ela não precisa de nós para nada e nem nos atrevemos. Só nos resta pois enveredar pela via institucional. 

 

Sara Tavares não merece a forma como a tratam e Lisboa não merece Sara Tavares. Por isso, fazemos dela a segunda cidadã honorária de Ourique, título antes só atribuído a Leo Brouwer. 

 

 

27
Set09

Failure

Eremita

 

There is no place at all for the failures, and failure is a highly contagious disease. 

 

 

Em Sweet Bird of Youth, o filme feito a partir da peça homónima de Tennessee Williams que passa neste momento na RTP2, Paul Newman não é apenas o gigolo com os mais harmoniosos abdominais da história do cinema, mas também o mais eloquente. Em todo o caso, a frase em epígrafe está errada. O falhanço não é contagioso. O falhanço apenas agrega falhados, dando a falsa impressão de contágio.

 

 


26
Set09

Dia de reflexão

Eremita

Levei os jornais do dia para o monte. Foi a primeira vez, pois as leituras à sombra do plátano estão reservadas para os grandes clássicos. Mais do que uma excepção, foi uma emergência. Uso o dia de reflexão para pensar se vale a pena deslocar-me a Lisboa, visto que ainda não mudei a área de residência. O dia ainda vai curto e não arrumei este assunto. Cheguei foi a outra conclusão: sempre segui a política nacional como um escape para as preocupações diárias. Admito que haja quem se preocupe genuinamente com a política, o estado da nação, a crise. Eu preocupava-me comigo e com aqueles que me eram queridos. Admito também que haja quem se indigne profundamente com os políticos, mas nunca o consegui fazer sem recorrer a uma certa teatralidade. De resto, quanto maior era a indignação com o político, mais irreprimível era fascínio que ele me despertava. Para resumir, na vida privada eu experimentava a condição humana e com a política podia observá-la. Os jornais de referência e os noticiários eram a minha telenovela. Talvez haja aqui uma mensagem a passar aos jovens. Em vez de lhes dizermos que acompanhar a política é essencial a uma cidadania plena, deveríamos alertá-los antes para a boa distracção que estão a perder. 

25
Set09

O álbum

Eremita

 


via The Heart is a lonely Hunter

 

"Galé" está terminada. Trata-se de uma canção de  amor a uma sereia. O único outro animal a figurar na canção é a corvina. A letra já tem uns anos e nunca percebi que critérios guiaram a escolha deste peixe. Não foi para rimar, seguramente. É um elemento concreto que vale pela surpresa. Creio que evitei o robalo, a dourada, o salmonete, o carapau e a sardinha por serem peixes que remetem para a mesa. Mas mais não se pode acrescentar. Toda a música pop é algo pateta. Devemos operar tendo sempre em conta esta premissa.

 

 

 

 

 

 

 

25
Set09

O fardo da lucidez

Eremita

O homem lúcido não pode recorrer ao benefício da dúvida para aliviar o seu problema de consciência, porque é improvável que este resulte de uma má interpretação dos factos. É por isso que ao elogio público da lucidez está associada uma condenação privada terrível. 

 

 

25
Set09

Misantropia basal

Eremita

     

 

A Granta que acabo de receber tem um desenho de Chicago na capa. Um dos 100 dias mais importantes da minha vida foi passado em Chicago. Quando, daqui a uns 30 anos, estiver a escrever as memórias, a estrutura do livro será feita de uma sucessão de dias. Um dia em Chicago, Um dia nas Corridas (Nova Iorque), Um dia nos cinemas de Montparnasse (Paris), Um dia no Pico (Açores), Um dia nos jardins da Cité U (Paris), Um dia em Albuquerque (EUA), Um dia na Costa da Caparica, etc. Ainda preciso de investir algum tempo nesta selecção, mas o que parece saltar à vista é a exclusão dos dias que marcaram o princípio ou o fim das relações e dos dias em que morreram familiares ou amigos. Isto não significa que tais eventos não foram relevantes, mas apenas que essa relevância foi indexada à pessoa envolvida e não à data. Aliás, guardo desses dias lembranças muito imprecisas. Por outro lado, seria hipócrita não reconhecer que o denominador comum aos dias seleccionados é uma enorme porção de tempo passado a sós.

24
Set09

Letristas que fazem o novo disco de Ana Moura

Eremita

 

 

01 – Leva-me aos fados [Jorge Fernando]

02 – Como uma nuvem no céu [Tozé Brito]

03 – Por minha conta [Jorge Fernando]
04 – A penumbra [Jorge Fernando]
05 – Caso arrumado [Manuela de Freitas / Pedro Rodrigues] [Fado Pedro Rodrigues]
06 – Talvez depois [Jorge Fernando / Custódio Castelo]
07 – Rumo ao sul [Jorge Fernando / Carlos Viana]
08 – Fado das águas [Mário Raínho / Alfredo Marceneiro] [Fado Bailado]
09 – Fado vestido de fado [Fernando Maurício, Mário Raínho / tradicional]
10 – Critica da razão pura [Nuno Miguel Guedes / tradicional]
11 – De quando em vez [Mário Raínho / João Maria dos Anjos]
12 – Fado das mágoas [Jorge Fernando / José Manuel David]
13 – Águas passadas [Jorge Fernando / José Mário Branco]
14 – Que dizer de nós [Jorge Fernando / Ana Moura]
15 – Não é um fado normal [Amélia Muge]

 

A única ambição pública do Ouriquense é um dia escrevermos um fado para a Ana Moura. 

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